Estudo aponta que Bolsa Família estimula retorno de imigrantes ao Nordeste

Cruzando dados do programa e do IBGE, pesquisador identificou que a probabilidade de um nordestino beneficiário do Bolsa Família voltar ao seu estado de origem é 5% maior do que a de um não beneficiário.

07/07/2017 16:59h

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O Programa Bolsa Família está ajudando os nordestinos a voltarem para seu local de origem. O estudo que aponta para essa evidência foi realizado pelo economista Luiz Felipe Fontes, da PUC do Rio Grande do Sul, e apresentado nesta sexta-feira (07) pela primeira vez.

Após analisar diferentes variáveis, cruzando os dados do IBGE e do Bolsa Família, o pesquisador identificou que a probabilidade de um nordestino, beneficiário do programa, voltar ao seu estado de origem é 5% maior do que a de um não beneficiário.

No Brasil, a probabilidade é 3% maior, o que sugere maior impacto do Bolsa Família para quem vive no Nordeste. “Essa região é a que mais tem beneficiários do programa, por isso a taxa de remigração é maior”, explica Luiz Felipe.

O recorte da pesquisa utilizou como base somente as famílias que tinham renda per capita de até R$ 300,00. “A garantia de sobrevivência, dada por um programa de transferência de renda, parece encorajar imigrantes a voltarem, quando ocorre o que chamamos de erro de expectativa, ou seja, quando ele não consegue encontrar o que buscava em outro estado”, afirma o economista.

Outro dado relevante trata sobre o efeito de retenção do Programa Bolsa Família. “Os beneficiários que já migraram no passado têm, em média, 2,8% mais chance de permanecerem no estado onde residem há mais de seis anos. Além disso, quanto maior o valor que recebem do benefício, maior é a probabilidade das pessoas não migrarem”, aponta Luiz Felipe.

O artigo intitulado “Programas de Transferência de Renda e Migração Interna: Evidências do Programa Bolsa Família” foi apresentado no XXII Encontro Regional de Economia, que aconteceu nos dias 06 e 07, em Fortaleza, paralelo ao XXIII Fórum Banco do Nordeste de Desenvolvimento.

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Por: Nayara Felizardo (de Fortaleza para o Portal O Dia)

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