Equipes serram grades de jaula para iniciar remoção da Ursa Marsha

Cerca de 14 pessoas estão envolvidas no processo de retirada da ursa de se recinto e sua condução até a carreta que vai leva-la ao aeroporto de Teresina.

21/09/2018 13:07h - Atualizado em 21/09/2018 13:50h

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O processo de transferência da ursa Marsha do Parque Zoobotânico de Teresina começou por volta das 11h40min desta sexta-feira (21), após uma manhã de preparação e encontros da equipe responsável inclusive com a vice-governadora, Margarete Coelho, que está acompanhando de perto todo o trabalho.

A expectativa é que a remoção leve cerca de quatro horas. A equipe que auxiliará na transferência da ursa Marsha chegou ao Piauí no final da manhã após resolver o problema apresentado na aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), que atrasou o processo.

Pelo menos 14 profissionais especializados, entre veterinários, biólogos e trabalhadores do Rancho Gnomo, para onde Marsha será levada, estão participando da transferência e cuidando para que tudo ocorra com a segurança necessária, de modo a evitar qualquer tipo de estresse para o animal ou problema durante o trajeto.

Fotos: Assis Fernandes/O Dia


Os profissionais tiveram que serrar as grades da jaula onde Marsha está para que a carreta que a levará até o aeroporto de Teresina se aproxime. O objetivo é fazer com que a ursa entre na parte de trás da carreta livremente, sem a necessidade da aplicação de sedativos. Para isso, os biólogos e cuidadores espalharam alimentos ao longo do trajeto até o veículo de modo a atraí-la.

A presidente da Confederação Brasileira de Proteção Animal, a piauiense Carolina Mourão explica que o processo deve ser longo para manter a tranquilidade do animal e facilitar no deslocamento. “Vieram veterinários, biólogos, equipe médica, equipe técnica, todos os tipos de especialistas para acompanhar sem nenhum acidente ou intercurso”, explica.


Carolina Mourão, presidente da Confederação Brasileira de Proteção Animal (Foto: Assis Fernandes/O Dia)

Apesar da preparação, Carolina comenta que existem riscos para a ursa. “Ela está sendo acompanhada, existem sedativos que só serão usados se necessário, mas o risco de ela se estressar existe. Uma transferência é sempre estressante para um animal. Quanto menos barulho, menos movimentação a gente tiver por perto, melhor para ela”, pontuou a especialista.

No aeroporto, o avião da FAB já aguarda Marsha e toda a equipe. O trajeto da Capital piauiense até o aeroporto internacional de Guarulhos-SP, onde será feito o desembarque, levará cerca de quatro horas. De lá, a ursa será deslocada até o Santuário Rancho do Gnomo, em Joanópolis-SP, onde a equipe preparou um ambiente especialmente para ela.

Segundo Carolina Mourão, no local, as temperaturas no santuário são bem mais amenas e foi preparado um espaço bastante amplo, com cachoeiras, piscina e até uma área refrigerada para que o animal possa hibernar. “Faz muitos anos que a Marsha não dorme como biologicamente necessita, e privação de sono causa muitos problemas para a saúde”, explicou. O percurso de Guarulhos até o rancho deve demorar cerca de duas horas.


Equipe que participa da transferência se reuniu com a vice-governadora Margarete Coelho (Foto: Assis Fernandes/O Dia)

O processo e preparação da transferência da Ursa Marsha já foi alvo de vários impasses entre ambientalistas, ativistas e órgãos de proteção animal, dividindo inclusive opiniões sobre a necessidade de realmente acontecer e sobre os riscos que o animal poderia sofrer com a remoção.

A vice-governadora Margarete Coelho disse que após ser procurado, o Governo do Estado observou a legislação e fez todo um trabalho de técnica e um trabalho de política, para desobstruir os entraves. Para ela, a ação representa uma vitória para o Piauí.

“Chegamos a um consenso e formamos um exército do bem em função da Marsha. O Piauí está sendo pioneiro e a gente espera que os outros estados se espelhem na gente, porque esse debate é essencial”, comentou a vice-governadora.

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Por: Lucas Albano e Maria Clara Estrêla

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