Em protesto, mulheres expõem cruzes com nomes de vítimas assassinadas

Entre os nomes lembrados estão o de Jacinta Andrade e de Francisca Iones. Varal de calcinhas pintadas de vermelho lembravam as vítimas de estupro

06/06/2016 17:17h - Atualizado em 06/06/2016 17:25h

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A avenida Frei Serafim recebeu nesta segunda-feira (06) mais um protesto de mulheres contra a cultura do estupro e a violência doméstica e o feminicídio. Cruzes com nomes de mulheres assassinadas foram espalhadas pelo passeio central e um varal de calcinhas pintadas de vermelho lembravam as vítimas de estupros no Piauí.

Fotos: Elias Fontinele/ODIA

Entre os nomes lembrados estão o de Jacinta Andrade, morta pelo namorado e que hoje dá nome a um residencial na zona Norte de Teresina. Também foi homenageada a funcionária pública Francisca Iones. Ela foi assassinada pelo marido da sua filha, que era vítima de violência doméstica e havia fugido da cidade de Santo Antônio Lisboa, no sul do Estado.

Maria Dalva Silva, do coletivo feminista Gênero, Mulher Desenvolvimento e Ação Cidadã, avalia que existe um alto índice de assassinato de mulheres no Piauí. “Estamos aqui para lembrar das nossas companheiras que foram mortas”, disse a feminista.

Ela destaca também os casos de estupro como consequência de uma cultura que deve ser combatida. “É uma questão de gênero. Os homens são socializados com a sua sexualidade permitida, como se ele tivesse um desejo incontrolável. As mulheres, portanto, são ensinadas que não devem provocá-los e nem fazer por merecer. O estupro é o único crime no qual vítima e criminoso são julgados”, declara Maria Dalva.

A secretária de mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Antônia Ribeiro, lembra dois casos de estupro coletivo no Piauí: o de Castelo e um mais recente, em Bom Jesus. “Todos os dias temos notícias de estupros e outras violências no estado. E a nossa realidade é de impunidade. Lutamos também contra o sistema patriarcal e preconceituoso, que não debate as questões voltadas para as mulheres”, observa Antônia.

O protesto foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores, Sindicato dos Comerciários, Grupo Nós Tudinha, Coisa de Nego, União das Mulheres Piauineses (UMP), UBM (União Brasileira de Mulheres), GEMDAC-Gênero Mulher Desenvolvimento e Ação para a Cidadania em Teresina, Federação das Associações de Moradores e Conselhos Comunitários do Piauí (FAMCC), Movimento de Luta pela Terra (MLT), Fórum de Entidades Negras, SINPAF - Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário, Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Piauí – CEDDM, Secretaria da Mulher do PT/PI, a Coordenadoria de Estado de Políticas para Mulheres - CEPM / PI, PcdoB, PCO, PT, Dever de Casa, Ayabás e a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (RENAFRO).

Segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, todos os anos cerca de 50 mil pessoas são estupradas no Brasil. Sabe-se, porém, que o estupro é um dos crimes mais subnotificados. O Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) estima que os dados oficiais representam apenas 10% dos casos ocorridos. Os registros apontam que 89% das vítimas são do sexo feminino e, desse total, 70% são crianças e adolescentes.

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Por: Nayara Felizardo

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