Em alerta para baixa umidade, Piauí tem aumento de 279% no número de queimadas

Temperaturas poderão ser superiores aos 40 graus nos próximos dias e a umidade relativa do ar não deve passar dos 30%.

18/09/2020 09:03h - Atualizado em 18/09/2020 09:25h

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O Piauí encontra-se novamente em zona de alerta de perigo para a baixa umidade relativa do ar. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre os dias 14 e 20 de setembro, as temperaturas máximas no Estado estarão bastante elevadas, superando os 40°C em algumas localidades. Excetuando-se o litoral, nas demais regiões piauienses, a umidade relativa do ar também deverá ficar baixa, com valores inferiores a 30% na maior parte do território e em alguns pontos específicos, como na região de Teresina, este índice não deve passar dos 20%.

É importante lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera ideal para se respirar direito a umidade relativa do ar entre 50% e 80%. Em casos de umidade nos 10%, o nível já se torna compatível com o do Deserto do Saara. O próprio INPE alerta para a necessidade de hidratação constante do corpo, proteção extra para a pele contra os raios ultravioleta e também para o risco de queimadas na vegetação.


Foto: Reprodução/Inpe

O climatologista Werton Costa elenca as condições meteorológicas que contribuem para as altas temperaturas e a baixa umidade relativa do ar no Piauí durante este período de B-R-O-Bró: “Primeiro, a nossa localização geográfica na região Nordeste e bem próxima da Linha do Equador. Segundo, a altitude de maior parte do nosso território, considerado relativamente baixo. Além disso, somos um estado muito extenso no sentido Norte-Sul de tal forma que os municípios mais afastados do litoral são fortemente influenciados pela continentalidade, ou seja, apresentam grandes variações entre as temperaturas diurnas e noturnas, bem como apresentam nesta época do ano uma umidade relativa do ar muito baixa”.

De acordo com Werton, durante o B-R-O-Bró, a quantidade de radiação solar recebida pelo Piauí e a temperatura máxima são elevadas, ao passo que o ar se torna mais seco. E os últimos meses de 2020 não terão um cenário tão diferente do que se vive atualmente em setembro. O indicativos de temperatura e umidade relativa do ar terão uma curva crescente até atingir o pico em meados de outubro e a maior parte dos modelos de previsão vem apontando uma variação positiva de meio a um grau a mais acima da média nas temperaturas do Estado.


Foto: O Dia

As altas temperaturas e a baixa umidade relativa do ar preocupam não só pelos danos à saúde que podem causar, mas também pelo aumento no risco de queimadas, sobretudo em áreas de mata. Conforme aponta o INPE, todo o território do Piauí se encontra sob risco de fogo, ou seja, em situações propícias para a ocorrência de incêndios. A maior quantidade de focos se concentra na região dos municípios de Uruçuí, Oeiras e Floriano.

Ocorrências de queimadas aumentaram 279% em setembro

Com apenas 18 dias, o mês de setembro já superou agosto na quantidade de focos de queimadas registrados em território piauiense. De acordo com o levantamento do INPE, já são 1.617 focos de fogo na mata durante este mês, enquanto que no mês passado esse número foi de 427. O aumento já de 279%. 

Chama atenção as últimas 24 horas, quando os satélites do Instituto detectaram a ocorrência de 184 queimadas no Piauí. É como se sete novos focos surgissem a cada hora. Isso foi suficiente para colocar o estado como o quinto do Brasil com o maior número de queimadas nesta quinta-feira (17). Para se ter uma ideia, no dia anterior (quarta-feira, 16), o Piauí havia tido somente seis casos de queimada em seu território. O aumento no intervalo de 24 horas foi de 2.967%.


Foto: Jailson Soares/O Dia

Mas esse registro de queimadas não é uma especificidade do B-R-O-Bró. De junho para julho, o Piauí já assistiu a um aumento considerável nos focos. De um mês para o outro, a quantidade de ocorrências de fogo na mata saltou de 53 para 237, um acréscimo de 347%. De lá para cá, os focos só vêm aumentando.

Apesar dos números crescentes, o cenários das altas temperaturas, baixa umidade do ar e aumento das queimadas no Piauí, 2020 ainda pode ser considerado menos danoso que anos anteriores. A série histórica do INPE mostra que foi em 2010 que o estado atingiu níveis alarmantes na quantidade de fogo em área de mata. Só naquele ano, o Piauí teve 19.192 focos de queimadas. É o maior índice da última década no Estado. 

No ano seguinte, em 2011, essa quantidade de focos caiu para 11.163, chegando a 6.484 em 2013.  Em 2015, voltou a ter um aumento para 13.839, com outra queda em 2017 para 7.657 focos. Desde então, o território piauiense vem vendo os pontos de fogo em vegetação subirem novamente, atingindo os 10.894 no ano passado.


Foto: Reprodução/Inpe

Fazer queimada é crime previsto em lei

Queimar qualquer coisa em ambiente aberto é considerado crime de acordo com a legislação brasileira. Este tipo de conduta é classificado pelo Código Penal como “crime contra a incolumidade pública” com pena de reclusão de três a seis anos e pagamento de multa conforme o dano causado. 

Nesta semana, essa queimadas em vegetação e áreas protegidas foram alvo de investigação e operação da Polícia Federal. Foram cumpridos mandados nas cidades de Corumbá e Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul, contra acusados de estarem praticando incêndios criminosos na área de Pantanal. O dano ambiental apurado já chega a 25 mil hectares, atingindo áreas de preservação permanente e limites do Parque Nacional Mato-grossense.


Foto: Myke Toscano/Governo do Mato Grosso

Aqui no Piauí, um único foco de queimada já chegou a destruir 6 Km de vegetação na região do município de Ribeira. Antes de ser controlado pelos bombeiros, o fogo já se encontrava na fronteira com o município de São João do Piauí. Ainda não ficaram determinadas a causa desse incêndio, mas o Corpo de Bombeiros alerta para os riscos de se fazer limpeza de terrenos neste período do ano com uso de fogo. Com a baixa umidade, as chances das chamas saírem de controle são grandes.

“Se a pessoa não tiver como fazer uma queima controlada do terreno pra limpar, não toque fogo. Não é a melhor forma de se limpar um terreno se a pessoa não domina essa prática, porque foge do controle e o problema fica grande. Fora que o prejuízo para o meio ambiente é imensurável, além dos prejuízos pra saúde que também são muito grandes. Pode acarretar problemas respiratórios e queimaduras para quem tenta apagar esse fogo”, pontua o sargento Rodrigo Rodrigues, do Corpo de Bombeiros.


Foto: Arquivo O Dia

Ele orienta que as pessoas evitem a queima controlada, ao menos durante este período de tempo seco e temperaturas próximas dos 40°C, e que denunciem caso identifiquem focos, porque tocar fogo em mata é considerado crime ambiental e previsto em lei.

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Por: Maria Clara Estrêla

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