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Em 2018, 59 crianças foram diagnosticadas com hanseníase

Se ocorrer um diagnóstico precoce, existe a possibilidade de uma cura sem sequelas.

22/07/2019 07:49h

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, caracterizada pelo comprometimento dos nervos periféricos, com perda ou alteração de sensibilidade térmica e de força muscular, o que pode gerar incapacidades físicas permanentes, principalmente em mãos, pés e na face. O Brasil é o segundo País do mundo mais atingido pela doença, ficando atrás apenas da índia. 

Se o diagnóstico ocorrer de forma precoce, é possível ter uma recuperação sem sequelas, além de reduzir a transmissão. No Piauí, somente no ano de 2018, foram diagnosticados 1.009 casos de Hanseníase. Desses, 59 foram registrados em crianças menores de 15 anos. Um dado que preocupa, vez que a hanseníase é uma doença antiga, data do Século XIX. Do total de casos, 735 são multibacilares, ou seja, pessoas que transmitem a doença no Estado. 

“Esse é um número muito alto de pessoas transmitindo a doença, por isso temos que continuar falando desse tema, pois a hanseníase não é uma simples doença de pele, ela afeta os nervos e pode causar deformidade, tendo preferência por áreas frias, como rosto, braços, pernas, abdômen”, explica Eliracema Alves, supervisora da hanseníase da Secretaria da Saúde do Piauí (Sesapi). 

Em 2018, 59 crianças foram diagnosticadas com hanseníase. (Foto: Reprodução)

Eliracema Alves lembra que o Piauí é um Estado endêmico e que faz fronteira com outros estados que também possuem registros da doença, como Maranhão, Bahia, Tocantins e Ceará. Ela ainda acrescenta que a hanseníase pode ser transmitida para pessoas de todas as idades, sexo, cor e classe social. 

“Se a pessoa tiver casos na família ou contato com alguém que tenha hanseníase pode vir a desenvolver a doença. Então, se a pessoa tiver manchas na pele de coloração diferença, que apresente perda de sensibilidade, que não apresenta sudorese e dores nos nervos, deve buscar um profissional de saúde e fazer o acompanhamento. Infelizmente, muitos desses casos são subnotificados e não são registrados, além disso, muitas pessoas não aceitam a doença e não procuram ajuda por preconceito e estigma, que ainda é muito forte”, pontua, destacando que o tratamento da doença é feito com seis doses de antibiótico, para os casos paucibacilares.

Os portadores da hanseníase ainda são vítimas da exclusão pela sociedade 

"Eu acredito que falta muita informação ainda. A hanseníase é uma doença antiga, mas ainda não é tão falada e não ouvimos muito tocar nesse assunto”, pontua Sara Moura. O Brasil é o segundo País no Mundo em termos de diagnóstico de novos casos de hanseníase. “O Ministério da Saúde acredita que tenha ainda mais pessoas acometidas com a doença e que não foram ainda diagnosticadas, mas isso envolve uma série de fatores, como políticas públicas”, fala. 

De acordo com Sara Moura, a hanseníase ainda é cadastrada como uma doença negligenciada. A partir disso, ela passa a ser uma doença esquecida, mas todos estão vulneráveis, vez que ela é uma doença contagiosa e depende muito da imunopatogenicidade da pessoa. “Essa é uma doença causada por bactérias, mas se a imunidade da pessoa estiver alta, ela tem menos chances de contrair a doença”, disse. 

A coordenadora do Centro Maria Imaculada enfatiza que a qualidade de vida desses pacientes pode baixar por conta dessas deformidades no seu corpo quando é diagnosticado tardiamente. A hanseníase pode ter dois tipos de reações: a tipo 1 é mais branda, a 2 é nodosa, criando nódulos no corpo do paciente, chegando a deixar a pessoa até deformada. Talvez isso cause o receio de pessoas em entrarem em contato, evitando a paciente. Ainda existe o estigma da doença. 

"É uma doença que pode causar como pé caído, ou seja, uma marcha lenta, além de lesões na pele, como deformidades. Mas vários fatores podem fazer com que o paciente se sinta excluído da sociedade, até mesmo por familiares. Temos casos em que casais se separam, que filhos se afastam dos pais por descobrirem da doença. As pessoas têm receio de entrarem em contato com quem tem hanseníase”, comenta.

Por: Isabela Lopes

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