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Teresina 167 anos: do quintal de casa às imponentes construções

A família de Maria de Nazaré Alves mora na região que hoje abriga o Parque da Cidadania há mais de 30 anos

16/08/2019 09:42h - Atualizado em 19/08/2019 11:49h

O Parque da Cidadania, localizado na Avenida Frei Serafim, é hoje um dos pontos turísticos e de lazer mais visitados de Teresina. Antes de ser inaugurado em 2016 e de se tornar um espaço destinado a manifestações culturais e atividades esportivas, o local era apenas um grande terreno abandonado. 

Natural de Campo Maior, dona Maria de Nazaré Alves mora ao lado do Parque da Cidadania há mais de 30 anos e viu o local se transformar no que é hoje. “Viemos de Altos para Teresina em 1986 porque meu marido era ferroviário. Aqui não tinham casas, só a nossa. Quando viemos para cá, já tinha meus dois filhos e criei mais três. Eu gostava de morar aqui e, mesmo sendo isolado, eu não tinha medo. Eu acompanhei todo o processo de mudança desse local. Na frente da estação, tinham casas, as pessoas tiveram que sair e foi ficando diferente e também vi a construção de grandes prédios importantes na Avenida Miguel Rosa”, comenta.

Mesmo pequena, com apenas 10 anos na época, a filha de dona Maria de Nazaré, a cerimonialista Eveline Alves lembra de muitos detalhes de sua infância, inclusive da construção da ferrovia. Ela conta que brincava em meio à obra com os irmãos e criou laços de amizade com os operários que trabalhavam no local.


Maria de Nazaré acompanhou a construção da estação ferroviária e do Parque da Cidadania - Foto: Elias Fontinele/O Dia

“Para mim é muito gratificante ver a mudança e o desenvolvimento porque, quando chegamos, o acesso era ruim, só mato, não tinha nada, nem vizinhos. Quando chegamos aqui, ainda não tinha o metrô, então tínhamos acesso para passar pelo muro. Acompanhamos a construção do metrô. Brinquei muito no meio da construção, tanto que, para fazer as escavações, tiveram que colocar dinamite e para nós era muito divertido e participamos de tudo. Por medida de segurança, tínhamos que sair de casa, mas nas horas vagas brincávamos dentro da construção. Tínhamos amizade com os operários e com todo o processo e transformação”, conta Eveline Alves.


“Para mim é muito gratificante ver a mudança e o desenvolvimento" - Eveline Alves


Experiência entre gerações

A mesma experiência que Eveline viveu na infância, seus filhos passaram na época que o Parque da Cidadania foi construído. Ela conta que as crianças também acompanharam o processo e as mudanças que foram implantadas e, para Eveline, ver essa evolução de um local, que antes era abandonado e hoje é um dos pontos mais visitados da cidade, dá uma sensação de gratidão.

“Eu vi meus filhos passando por esse processo, pois eles participaram da construção do parque. Hoje o Matheus tem 22 anos e a Isadora 19 anos, mas, na época, eles eram adolescentes. Hoje eu posso dizer que, por ter participado de todo o processo de construção do Parque, me sinto contemplada em ver as famílias desfrutando desse local. Dá uma sensação de pertencimento, pois é como se hoje nós realmente tivéssemos fincando nossa vida aqui, pois, até então, nós só morávamos, mas hoje temos nossa origem aqui justamente por termos participado”, comenta Eveline. 


Foto: Elias Fontinele/O Dia

Já as memórias de dona Maria de Nazaré vão além de estruturas físicas. Ela, além de ter alimentado os operários que trabalharam na construção do Parque da Cidadania, ainda ajudou a alfabetizar um dos operários da obra. Com a aproximação cada vez maior, dona Maria teve o prazer de, no muro da sua casa, ser construída uma porta que dá acesso ao Parque.

“Eu que cuido dos patos que vivem na lagoa do parque. Eles só vivem querendo entrar dentro de casa. Para mim, aqui tem muita atividade e eu gosto de ficar acompanhando, é como se o parque fosse o quintal da minha casa”, conclui dona Maria de Nazaré.

Por: Glenda Uchôa e Isabela Lopes - Jornal O Dia

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