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De 2,7 mil detentos do Piauí, 70% não são réus primários

De cada 10 presos que saem da cadeia, oito voltam a cometer crimes

17/06/2011 16:25h

O caso registrado nesta última quinta-feira (16) em Teresina, quando um ex-presidiário, fugitivo da Penitenciária Major César, assaltou uma loja na zona sul da cidade, não é um fato isolado em se tratando de um egresso do Sistema Penal. Mesmo estando na condição de foragido da Justiça, o acusado do crime, Thiago Anderson Alves Rocha, 23 anos, mais conhecido como "Pequi", é apenas um exemplo da reincidência que atinge aqueles condenados pela Justiça.

Mais da metade dos presos do Piauí não é mais réu primário. Do total de 2,7 mil detentos, 70% estão de volta à cadeia. Entre eles, estão aqueles que receberam benefícios legais, como o indulto (chamado de "saidão") e o regime semiaberto, e se valeram da liberdade para cometer mais delitos. O Estado segue os mesmos índices do país. De cada 10 presos que saem da cadeia, oito voltam a cometer crimes.

E o pior, na maioria das vezes, os últimos crimes praticados são bem mais graves que os primeiros. De acordo com Rosângela Queiroz, diretora de Humanização e Reinserção Social da Secretaria Estadual de Justiça, dois fatores são determinantes para a reincidência no sistema prisional piauiense: a vulnerabilidade histórica social do detento e as condições de confinamento.

Ela aponta que o perfil socioeconômico dos detentos contribui para que eles voltem a cometer crimes. Para provar isso, ela aponta que dados da Secretaria de Justiça revelam que a maioria dos 2,7 mil presos custodiados pelo órgão (não estão incluídos os presos em delegacias de responsabilidade da Secretaria de Segurança) são jovens entre 18 e 35 anos e que 80% destes não possuem sequer o ensino fundamental completo. Cerca de 70% são presos provisórios, ou seja, apenas 28% deles são sentenciados (condenados).

"As condições de vida dessas pessoas revela a vulnerabilidade social delas, ou seja, mostram como elas já entram no sistema prisional. Sabemos o nome e endereço dos motivos que levam essas pessoas a cometer crimes mais uma vez. Mas as políticas necessárias para mudar essa realidade são amplas e passa pelo acesso à educação, saúde e condições mínimas de vida digna", explicou Rosângela Queiroz.

A diretora acredita que os ex-presidiários precisam de assistência maior para não caírem na criminalidade mais uma vez. "A reincidência é alta, tem de diminuir. Os egressos vão para o mesmo local em que moravam, para as mesmas companhias. Tudo favorece que ele volte ao comportamento que tinha antes de ser preso", diz. Segundo ela, porém, há oficinas nas cadeias que ajudam o processo de ressocialização. "Mas só isso não basta", reconhece.

Por: Mayara Bastos

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