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Trânsito: de cada 10 amputados, sete sofreram acidente de moto

Fisioterapeuta do Ceir destaca que a maioria dos pacientes são pacientes jovens e que sofreram lesões graves no trânsito.

25/09/2019 09:03h - Atualizado em 26/09/2019 08:02h

O Centro Integrado de Reabilitação (Ceir) atende pessoas com deficiência no Piauí e conta com uma equipe multidisciplinar, que utiliza técnicas modernas e equipamentos de última geração. Aline Matos é fisioterapeuta e integra a equipe do setor de amputados do Centro. Segundo ela, a maior incidência de pacientes que dão entrada no Ceir é de pessoas vítimas de acidente envolvendo motocicleta. Em geral, são pacientes jovens e que sofreram lesões graves

“Eu, por exemplo, só atendo pacientes amputados, então de 10 pacientes, sete são vítimas de motocicletas. Muitos desses pacientes ficam em cadeiras de rodas, paraplégicos e tetraplégicos por conta do acidente. Quem vem de cadeiras de rodas acha que a vida acabou, mas queremos mostrar para esse paciente que não, que é possível ele ter sua independência e ser reinserido, tanto na vida profissional como na sociedade como um todo”, comenta Aline Matos.


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A fisioterapeuta reforça que é preciso conscientização por parte dos motoristas para que dirijam de maneira prudente no trânsito e enfatiza que misturar álcool e direção, excesso de velocidade e falta de atenção resultam em acidentes graves e até fatais. 

“Falta conscientização para entender que dirigir de forma incorreta pode ser um risco. Os acidentes acontecem e as sequelas são para o resto da vida, pois os tipos de amputações podem ser variadas, desde uma perna, as duas, os braços e até todos os membros inferiores e superiores, além das sequelas de traumatismo craniado, isso quando não perde a vida”, pontua.


Aline Matos destaca que a reabilitação visa dar independência para o paciente - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Recuperação

Para que a recuperação desse paciente evolua positivamente, é preciso não somente que a equipe multidisciplinar se dedique, mas que o paciente também tenha interesse e força de vontade. A fisioterapeuta Aline Matos enfatiza que a autoestima e a aceitação são essenciais para que a recuperação seja rápida.

“Quando o paciente dá entrada no Centro de Reabilitação, ele passa por um processo de triagem e já conseguimos observar do que ele está precisando: se é uma cadeira de banho, de rodas, muletas, e também determinamos quais terapias eles podem ser enquadrados. A maioria dos pacientes amputados são enquadrados na hidroterapia e na reabilitação desportiva (RD), que são pacientes que praticam natação ou futebol de amputados. Tentamos incluí-los nas atividades, para que eles participem do todo, e também oferecemos suporte psicólogo, tanto em grupo como individual, onde é trabalhada a aceitação”, enfatiza.


Em 2018, a quantidade de motos no Estado triplicou, resultando numa média de uma moto para cada cinco habitante - Foto: O Dia

Metade dos motociclistas não são habilitados no Piauí

Segundo o Anuário da Indústria Brasileira de Duas Rodas 2019, divulgado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), em 2008, a população do Piauí era de 3.119.697 e a frota de motocicletas era 224.327, o que dava uma média de 14 pessoas para cada moto. Uma década depois, em 2018, a população do Estado subiu para 3.264.531 e a quantidade de motos triplicou, saltando para 664.422, uma média de 5 motos para cada habitante. Porém, a quantidade de pessoas com habilitação na categoria ‘A’ é de apenas 352.549, ou seja, quase metade dos motociclistas piauienses não são habilitados.

Samyra Motta, gerente de Educação no Trânsito da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans), pontua que esse grande índice de motociclistas sem habilitação, associado à direção perigosa, são os principais fatores causadores de acidentes e por tornar esse o maior grupo de risco.

“Têm as pessoas que não tiram porque não dão prioridade. É fácil comprar uma moto, com mensalidades pequenas, mas têm pessoas que não tiram a Carteira Nacional de Habilitação porque é cara. Em muitos casos, o pai oferece a moto ao filho menor de idade. Às vezes, ele sai da autoescola obedecendo às regras, mas, com o tempo, adquire vícios, como andar com o capacete sem a fivela”, comenta.


Samyra Motta alerta para os riscos de pilotar sem ter CNH - Foto: Arquivo O Dia

Além disso, a imprudência em não respeitar as leis de trânsito também é um fator que corrobora para os índices elevados de acidente envolvendo esse grupo. Samyra Motta enfatiza que os motociclistas são os que mais atropelam pedestres, vez que, a maioria não para no sinal e avança o sinal vermelho enquanto os pedestres ainda estão atravessando a via.

A gerente de Educação no Trânsito comenta ainda que os motociclistas se arriscam entre os carros ao ficarem em ‘pontos cegos’, impossibilitando de serem vistos pelos motoristas de outros veículos. 

“O motociclista transita entre os veículos; passa no canteiro central; anda sem capacete ou, quando anda com capacete, o equipamento está no cotovelo; transporta mais de um passageiro; crianças de colo ou menor de sete anos. Além de utilizar celular digitando com uma mão e a outra no guidom. Por ser a peça mais frágil, ele deveria se proteger mais”, conclui Samyra Motta.

Por: Isabela Lopes e Sandy Swamy, do Jornal O Dia

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