Crise faz com que usuários tenham dificuldade para manter planos de saúde

Em um cenário de recessão econômica, usuários tentam manter equilibrio financeiro para encaixar planos no orçamento

01/07/2017 07:40h - Atualizado em 01/07/2017 08:32h

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A crise econômica definitivamente afetou a forma de consumo das pessoas em todo o Brasil. Com o desemprego e redução do valor médio dos salários, as mensalidades dos planos de saúde, que são anualmente reajustadas, pesam cada vez mais no orçamento. Para grande parte da população, na verdade, o valor de um plano de saúde está acima da capacidade aquisitiva nesse quadro de recessão econômica.

Yasmin Miranda, 26 anos, pela primeira vez teve de abrir mão da proteção particular de saúde. A empreendedora explica que a dificuldade de manter o orçamento equilibrado fez com que, em março deste ano, ela desistisse da cobertura por plano de saúde.

“Eu tinha plano de saúde desde os 11 anos, antes, garantido pelo meu pai, depois, por mim. Mas a dificuldade de equilibrar o orçamento fez com que eu tivesse de abrir mão do plano esse ano, porque ele teve um reajuste de cerca de R$ 40 no fim do ano e estava comprometendo grande parte da minha renda”, explica a jovem, que trabalha como maquiadora autônoma.


Com dificuldade para arcar com plano, Yasmin Miranda teve que abrir mão da assistência de saúde (Foto: Glenda Uchôa/O Dia)

Segundo o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), o mercado brasileiro de planos de saúde encerrou maio com mais uma retração: queda de 2,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Isso significa a perda de pouco mais de 1 milhão de vínculos, o que reduz a 47,36 milhões o total de beneficiários de planos médico-hospitalares no País.

"Enquanto a situação econômica do País não mudar e, principalmente, o saldo de empregos voltar a crescer, provavelmente não teremos uma recuperação dos vínculos perdidos ao longo dos últimos anos", analisa o superintendente executivo do IESS, Luiz Augusto Carneiro.

Enquanto isso, usuários como Yasmin tentam planejar o regresso à cobertura de saúde. Por hora, com caderno e caneta na mão, as contas ainda não fecham. “Eu espero voltar até o fim do ano, mas confesso que quando precisei do SUS, fui bem atendida e isso me trouxe mais segurança. Por isso, enquanto as coisas não voltarem a se equilibrar, ficarei dependendo da saúde pública”, finaliza.

Garantia de assistência de saúde particular é tida como sonho de consumo para população

Garantir o atendimento com o médico e no hospital privado se tornou prioridade para as famílias. Os planos passaram a dividir espaço com a casa própria, estudo, o automóvel, artigos de tecnologia, no sonho dos brasileiros. É o que mostra a pesquisa do Ibope, feita a pedido do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), que revela que o plano de saúde é a terceira conquista mais desejada pela população, perdendo apenas para educação e casa própria.


Plano de saúde é a terceira conquista mais desejada pelas pessoas (Foto: Divulgação)

Para a aposentada Maria Freitas, 72 anos, garantir o plano de saúde ainda é uma prioridade de vida. “Depender da saúde pública, principalmente na velhice, é muito difícil. Por isso, sempre me esforcei para ter plano de saúde, mesmo que tivesse que apertar o orçamento para outras áreas”, constata.

De acordo com o Ibope Inteligência, dos 1.600 beneficiários entrevistados 75% (1.200) se disseram “satisfeitos ou muito satisfeitos” com os serviços, contra 18% (288) “mais ou menos satisfeitos” e 7% (112) “pouco ou nada satisfeitos”. No total, 86% das pessoas entrevistadas “com certeza” ou “provavelmente” permanecerão com o plano contratado.

Apesar de retração nacional, Piauí registra aumento de contratação de planos

Dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostram que, em meio à crise econômica, mais de um milhão de pessoas enceraram o mês de maio abandonando a cobertura por planos de saúde no comparativo do mesmo período do ano anterior. Na contramão do cenário de retração, o Piauí apresentou um pequeno crescimento na contratação de planos de saúde com aumento de 1,5%.


Grande maioria da população continua a depender dos serviços do SUS, que ganha mais usuários com retratação de adeptos a planos (Foto: O Dia)

Apesar do aumento, apenas 9,2% da população piauiense conta com cobertura por plano de saúde, sendo assim, a grande maioria da população continua a depender dos serviços de atendimento do Sistema Único de Saúde.

Segundo a ANS, os dados nacionais são de retração do mercado. Os números mostram que, enquanto em maio de 2016, 48,4 milhões de pessoas tinham assistência médica por planos de saúde no Brasil, o número reduziu em um milhão de pessoas registrando 47,3 de usuários este ano, o que representa uma retração de 2,16%.

Regulação do setor

O Sistema Único de Saúde (SUS) é o responsável pelo acesso gratuito e integral a procedimentos na área da saúde para a população brasileira. Criado em 1988, o sistema abrange desde um simples atendimento ambulatorial até o transplante de órgãos. Mas, com o passar do tempo a população brasileira cresceu, consequentemente o número de dependentes do SUS aumentou. Por conta disso a demanda tornou-se maior do que a capacidade de atendimento do Sistema.

Devido a esse fato surgiu o mercado de planos de saúde, para suprir a carência do SUS. O plano de saúde é um serviço oferecido por empresas privadas, “operadoras”, com a função de prestar assistência médica e hospitalar por meio de contrato. Podendo este ser individual, empresarial ou coletivo por adesão.

Para colaborar na regulamentação do setor de saúde, em 1999 é criada a (ANS). A Agência além de regulamentar, é responsável pela organização e fiscalização das operadoras de planos de saúde.

Pesquisar variações de preço de planos pode resultar em economia para o usuário

Diferentemente de algumas assistências e coberturas, como seguro de automóveis ou residenciais, os planos de saúde mudam de valor e aumentam os respectivos custos com o passar do tempo, seja pelo reajuste anual, que não possui regulação da ANS (Agência Nacional da Saúde) no caso de planos coletivos, seja pelo envelhecimento do segurado. Há também a inclusão de novos procedimentos no rol de coberturas obrigatórias e novas tecnologias, dois fatores que também encarecem o serviço. Por isso, é importante realizar cotações de tempos em tempos para saber se existem opções diferentes no mercado que atendam melhor as necessidades do indivíduo e ofereçam valores menores que o atual.

Segundo Marcelo Alves, diretor da Célebre Corretora, empresa do segmento de planos de saúde e seguros no país, o cliente que procura por novas tarifas está em vantagem, pois ele já vem de um cenário não muito favorável e deseja fechar negócio com quem lhe oferecer a melhor opção.


Dica é realizar cotação de preços para conseguir economia (Divulgação)

“Quando o beneficiário decide trocar de plano é porque não está satisfeito ou não pode mais pagar. Assim, ele decide procurar algo que ofereça um bom custo-benefício e, com certeza, receberá propostas mais atraentes”, explica o diretor.

Para realizar novas cotações, o segurado ou a empresa deve procurar um corretor em média a cada três anos. “Este tempo é o ideal para se traçar um perfil de usuário que o corretor possa utilizar no momento de negociar planos com diferentes empresas. Além disso, após três anos, o segurado já possui embasamento para eliminar coberturas que se mostraram desnecessárias”, sugere Alves.

O diretor também destaca que realizando cotações regulares é possível conseguir uma economia de até 40%. Após optar pela mudança, vale ressaltar que o usuário deve estar atento aos períodos de carência que ele precisará cumprir novamente, sendo que o mínimo para consultas, exames e internações é de 180 dias, segundo a ANS (Agência Nacional da Saúde).

“A carência só é excluída em casos bem específicos e o cliente precisa estar ciente de que ele está começando do zero mais uma vez, por isso vale estar com a saúde em dia e não interromper nenhum tratamento”, conclui o executivo.

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Por: Glenda Uchôa - Jornal O Dia

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