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Conheça o escritor Júlio Romão, um nome para não ser esquecido

Jornalista, teatrólogo, Júlio Romão é tido como um dos primeiros afrodescendentes que se notabilizou pela cultura, na história do País.

23/11/2019 10:26h - Atualizado em 25/11/2019 11:28h

Ativista de organizações em defesa da cidadania do negro, Júlio Romão da Silva nasceu em 22 de maio de 1917 em Teresina. Con­siderado um dos maiores escritores, era filho de Luís e Joana Que­rino da Silva. Jornalista, teatrólogo, Júlio Romão é tido como um dos primeiros afrodescendentes que se notabilizou pela cultura, na história do País. Ainda jovem, já despertava o grande talento, publicando suas primeiras produções literárias nos jornais Gaze­ta, de Teresina, e Combate, de São Luís (Maranhão).

O escritor piauiense se transferiu para o Rio de Janeiro, em 1937, formando-se pela Faculdade de Filosofia da Uni­versidade do Brasil e se tornando um dos primeiros jornalis­tas brasileiros graduado em curso superior de Comunicação Social. Exerceu cargos e funções de destaque no IBGE e em outros setores da administração pública federal, municipal e estadual. Como jornalista, colaborou em vários órgãos da imprensa periódica e diária carioca, notadamente em O Ma­lho, Vamos Ler, Revista da Semana, Dom Casmurro, Diário Carioca, Jornal do Comércio, de que foi revisor, e no Correio da Manhã, onde começou como revisor, em 1951, e trabalhou por um período de dez anos, destacando-se como repórter político e redator responsável pelo Suplemento Econômico.


Júlio Romão. Foto: Arquivos O Dia.

Júlio Romão foi um dos idealizadores do Movimento da Negritude Brasileira, declarado em manifesto de 1945 pelo Comitê Democrático Afro-Brasileiro, do qual fizeram par­te o poeta Solano Trindade, os sociólogos Edison Carneiro e Guerreiro Ramos, o escritor Raymundo Sousa Dantas, e o teatrólogo Abdias Nascimento, entre outros. Participou tam­bém da criação do Teatro Experimental do Negro, do Teatro Popular Brasileiro e da Orquestra Afro-Brasileira.

O notável piauiense, além de teatrólogo e poeta, dedicou-se ao estudo e resgate de artistas e intelectuais afro-brasilei­ros como Aleijadinho, Teodoro Sampaio, Solano Trindade e Luiz Gama, entre outros. Este último foi aquinhoado com minuciosa pesquisa de vida e obra, que resultou em duas edi­ções do volume Luiz Gama e suas poesias satíricas, obra em que apresenta alentado ensaio crítico a respeito do precursor da poesia negra brasileira, a que se segue a reprodução na ín­tegra das Trovas burlescas de Getulino, publicadas em 1859 e ignoradas por boa parte de nossa historiografia literária.

Além de ter deixado dezenas de obras escritas, algumas tra­duzidas para outras línguas, Júlio Romão foi membro da Aca­demia Piauiense de Letras recebeu da Academia Brasileira de Letras os prêmios João Ribeiro e Cláudio de Sousa – este, pela publicação do livro José, o vidente: saga dramática de Israel. Foi ainda agraciado, em 2010, com o título de Dou­tor Honoris Causa da Universidade Federal do Piauí, além de homenageado no II Congresso Internacional de História e Patrimônio Cultural que ocorreu em Teresina naquele mes­mo ano.

Homem de teatro, com peças representadas no país e ver­tidas para o castelhano, incluem-se em sua bibliografia, além de uma comédia de fundo político, três autos-dramáticos inspirados em temas bíblicos, analisados por Alceu Amoroso Lima, em ensaio de 1974. De acordo com Elio Ferreira, a saga de Júlio Romão se assemelha à dos mártires e grande benfeitores da humanidade. Marceneiro na infância e na adolescência. Negro e pobre, passou por inúmeras provações e constrangimentos. Mas não se deixou abater, seguiu em frente na busca do sonho de tor­nar-se doutor e um grande homem. (...) Não esqueceu o compro­misso de homem negro, de origem humilde, comprometido com a condição humana de seus irmãos de cor e classe social, e ainda com o futuro político do país e da terra natal. O escritor faleceu aos 95 anos, no dia 9 de março de 2013, em Teresina.

Edição: Marco Antônio Vilarinho

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