Com casa engolida pela lama, taxista segurou no telhado para salvar família

Agnelo Mendes Frazão estava em casa com a esposa e com a filha de 13 anos no momento em que o mar de lama invadiu seu imóvel.

05/04/2019 13:30h

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Um taxista e sua família estão entre as dezenas de pessoas que viveram momentos de terror na noite desta quinta-feira (5), durante a enxurrada que atingiu casas no Parque Rodoviário, zona sul da capital. Pelo menos onze pessoas ficaram feridas, e duas morreram - uma idosa de 71 anos e uma criança de 2.

O taxista Agnelo Mendes Frazão, que mora no Parque Rodoviário há 10 anos, relata que o dilúvio ocorreu por volta das 21 horas de quinta-feira. Ele estava com a esposa e com a filha em casa quando a onda de lama entrou de uma vez no imóvel.

O taxista Agnelo Frazão é o proprietário de uma das casas que foi mais atingida pela enxurrada (Foto: Cícero Portela / O DIA)

A água começou a entrar pelo teto e em poucos segundos já havia tomado todo o imóvel, derrubando parte das paredes. Ele morava em frente à casa de Maria das Graças Bacelar, 71 anos, uma das duas vítimas que morreu. A residência da idosa foi completamente destruída.

Agnelo relata que só conseguiu sobreviver com sua família porque ele segurou no telhado da casa, e o nível da água não demorou a baixar, depois de ter tragado todo o imóvel.


Além de destruir a propriedade do taxista, a enxurrada carregou sua motocicleta por uma distância de aproximadamente 50 metros, e também arrastou o carro de Agnelo, modelo Renault Logan, que era seu instrumento de trabalho. A força da onda de lama foi tamanha que o veículo, que estava na garagem, na entrada da residência, foi parar na parte de trás do imóvel.

Taxista perdeu tudo com enxurrada que atingiu Parque Rodoviário (Foto: Cícero Portela / O DIA)

“A água subiu de uma vez. Na hora pensei que fosse o rio que estivesse invadindo tudo, porque faltou luz e era muita lama. A água entrou pelo teto da nossa casa e empurrou tudo para cima, depois arrebentou as portas e janelas e levou tudo. Quando a água subiu nós fomos empurrados em direção ao teto, eu consegui me segurar nas madeiras e agarrei minha esposa e minha filha. Foi desesperador, não tinha luz, tudo no escuro total. A água baixou logo e conseguimos escapar. Graças a Deus, porque não iriamos aguentar por muito tempo pendurados”, disse.

Casa do taxista ficou completamente destruída (Foto: Cícero Portela / O DIA)

Além de ter que enfrentar o suplício de perder sua moradia e ter os dois veículos danificados, Agnelo revela que parte dos seus bens foram saqueados.

“O meu táxi, que estava estacionado aqui na frente, foi jogado lá pra trás. A minha moto foi arrastada por um quarteirão. Retirei todos os adesivos do táxi, pois havia colocado à venda, para comprar outro veículo com a prestação mais barata. Agora, desse jeito que está, vai ficar difícil vender [...] Ontem depois que as águas baixaram separei um bocado de coisas, quando cheguei hoje de manhã não tinha mais nada. Levaram tudo, até a minha televisão", lamenta o taxista.

Parentes e amigos das famílias atingidas fizeram mutirão para auxiliar vítimas a recolher móveis das casas que ainda podiam ser aproveitados (Foto: Poliana Oliveira / O DIA)

O morador afirma que a área era considerada segura e não tinha histórico de alagamentos. Como a água da enxurrada foi proveniente de uma lagoa que se formou dentro de uma propriedade privada, nem os moradores nem as autoridades tinham conhecimento da situação de alto risco da área.

“Antes de comprar minha casa, há cerca de 10 anos, eu fiz uma pesquisa com os moradores da região. Perguntei se aqui tinha alagamento no período chuvoso e as pessoas disseram que não. Eu comprei confiante, nunca houve nestes 10 anos em que estou aqui, e nem nos 30 anos pra cá, conforme fui informado pelos moradores mais antigos. O pessoal que vivia aqui sempre falava que aqui era seguro”, afirmou o taxista.

Família ainda tentou recuperar o que restou após enxurrada (Foto: Cícero Portela / O DIA)


Fotos: Poliana Oliveira / O DIA

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Por: Cícero Portela

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