Cirurgias são adiadas no HGV por falta de insumos básicos

Um profissional relata que, na semana passada, tomou conhecimento de que pelo menos seis cirurgias foram canceladas por falta de degermante, produto usado para assepsia.

27/03/2019 14:25h - Atualizado em 28/03/2019 09:54h

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Profissionais da saúde que trabalham no Hospital Getúlio Vargas denunciam que vários procedimentos cirúrgicos estão sendo suspensos por conta da falta de insumos básicos na unidade de saúde estadual.

Entre os materiais em falta estão: capotes cirúrgicos (vestimenta esterilizada utilizada pelos profissionais e por pacientes nos centros cirúrgicos) e campos estéreis (superfícies feitas de tecidos ou outros materiais que funcionam como uma membrana com o propósito de impedir a passagem de micro-organismos da equipe cirúrgica e do paciente para o campo operatório, diminuindo os riscos relacionados à contaminação e infecção).

Um profissional relata que, na semana passada, tomou conhecimento de que pelo menos seis cirurgias foram canceladas por falta de degermante, produto usado para assepsia. 

Especificamente no setor de oftalmologia, oito procedimentos teriam sido suspensos por falta de fios cirúrgicos. O portal O DIA também recebeu relatos de que neste setor há uma fila de 12,5 mil consultas agendadas, além de aproximadamente 40 mil exames e procedimentos a serem realizados.

A situação no hospital estaria tão grave que um médico, chefe de um dos setores, teria encaminhado um memorando para a direção da unidade recomendando que seja suspenso o agendamento de cirurgias até que o estoque de insumos seja reposto.

Contraponto

A reportagem entrou em contato com a Fundação Estatal Piauiense de Serviços Hospitalares, responsável pela gestão do HGV, em busca de uma posição a respeito da denúncia.

Por meio da assessoria de comunicação da Fepiserh, a direção do Hospital Getúlio Vargas (HGV) informou que os insumos que estavam faltando para regularização das cirurgias já estão sendo providenciados, e que as 40 cirurgias programadas diariamente estão sendo realizadas. 

A diretora-geral, Fátima Garcêz, explica que a falta de insumos são pontuais e que, com todas as dificuldades financeiras que o Brasil passa, o hospital tem cumprido a meta de realizar mais de mil cirurgias/mês. Somente em 2018 foram realizadas 15 mil procedimentos cirúrgicos.

Em relação à Oftalmologia, Fátima Garcêz explicou que os insumos para a realização das cirurgias de catarata já foram adquiridos e o hospital está aguardando a entrega pelos fornecedores. Ela acredita que, até o começo da próxima semana, os pacientes começarão a ser chamados para o atendimento.

Quanto à lista de espera para consultas oftalmológicas, o coordenador do Núcleo de Regulação Interna do HGV, Cícero Sousa, explica que a fila de consultas e exames não é de responsabilidade do HGV e, sim, da Central de Regulação de Consultas e Exames da Prefeitura de Teresina. "O HGV apenas realiza as consultas já previamente agendadas. Segundo ele, cabe esclarecer que o município de Teresina é responsável pelo agendamento de consultas e exames de todos os hospitais da Rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2018, o HGV realizou mais de 169.701 exames e 108.424 atendimentos ambulatoriais", informa a nota divulgada pela Fundação Estatal Piauiense de Serviços Hospitalares.

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Por: Cícero Portela

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