Centro de Controle vai monitorar vazamentos e reduzir perdas de água

Os benefícios prometidos pela Aegea nos serviços de abastecimento e saneamento básico em Teresina terão um preço mais alto que o valor cobrado atualmente.

11/06/2017 09:07h

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A empresa Aegea, que assume a gestão do abastecimento e do saneamento básico a partir do dia 1º de junho, garante que uma das primeiras medidas em Teresina será implantar um Centro de Controle de Operações (CCO) para monitorar todo o funcionamento da empresa.

A exemplo do que já acontece em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, o centro de monitoramento identifica até pequenos vazamentos que ainda não emergiram, o que reduz as perdas de água.

Segundo José Vicente Marino, gerente de operações da Águas Guariroba, a maior unidade da Aegea, uma equipe técnica da empresa já está em Teresina fazendo a avaliação da produção de água e das principais necessidades e prioridades. “O CCO terá que ser instalado de imediato, porque a automação e a tecnologia é que garante a eficiência do serviço”, afirma.

Em Campo Grande, o índice de perda de água é de 19%. Há 10 anos, esse percentual era de 50%, índice parecido com o de Teresina atualmente. “Hoje, nós temos todos o conhecimento tecnológico que nos permite atingir um nível de excelência mais rapidamente”, garante Marino.

Rede de esgoto

A Aegea também ficará responsável pela ampliação da rede de esgoto em Teresina, que atualmente não chega a 20% de cobertura. O objetivo, segundo José Vicente, é reduzir os esgotos clandestinos que são jogados nos rios Parnaíba e Poti. “O primeiro passo é a concessionária disponibilizar a rede de coleta para que os clientes tenham alternativa e saiam da situação irregular”, afirma.

O crescimento da rede de esgoto, no entanto, está vinculado ao que foi compactuado no contrato de concessão. Em Campo Grande, a empresa demorou 10 anos para atingir 84,1% da cobertura e pretende chegar à universalização em 2025. “Em Teresina nós pretendemos antecipar as metas e cumprir o contrato em menos tempo que o previsto”, disse o Marino.

Tarifas

Os benefícios prometidos pela Aegea nos serviços de abastecimento e saneamento básico terão um preço. Atualmente, os teresinenses não pagam tarifa de esgoto, o que vai acontecer quando a nova empresa assumir e passar a ampliar a rede.

Em Campo Grande, uma cidade com dimensões parecidas com Teresina, a tarifa social de água custa R$ 21,00. Para pagar esse valor, é preciso ser cadastrado como baixa renda, ganhar um salário mínimo e não consumir mais que 10m³. A essa taxa, soma-se mais 70% para a tarifa de esgoto, totalizando uma conta mensal de quase R$ 36,00. Já a tarifa residencial, paga pela maioria dos consumidores daquela cidade, custa o dobro desse valor.

Segundo José Vicente Marino, a rejeição da população já é esperada, mas ele acredita que o incômodo de pagar mais será compensado com a qualidade do serviço oferecido pela empresa. “Esgoto é saúde e melhora os índices de qualidade de vida. Em Campo Grande reduzimos em 91% as internações por doenças diarreicas”, afirma.

Ele diz também que a falta de água se tornará um problema do passado. “Nossos reservatórios são interligados para evitar desabastecimento. Se tiver problema em uma região, o outro reservatório compensa”, garante Marino.

A subconcessão da Agespisa está sendo marcada por polêmicas e denúncias. O governo assinou o contrato com a empresa vencedora da licitação, mas o processo foi judicializado após a Águas do Brasil, que ficou em segundo lugar, ter acusado o governo do estado de beneficiar a Aegea.

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Por: Nayara Felizardo

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