Censo 2010: Teresina possui 2ª menor renda per capita por domicílio entre as capitais

Capital do Piauí apresentou, em 2010, rendimento nominal domiciliar per capita médio de R$ 636/mês

16/11/2011 16:04h

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira, dia 16, novos números do Censo Demográfico de 2010.

Os dados mostram uma realidade desoladora, embora bastante previsível. Segundo nota divulgada pelo próprio IBGE, a desigualdade de renda permanece bastante acentuada no Brasil, apesar da tendência de redução observada nos últimos anos.

Em 2010, a média nacional de rendimento domiciliar per capita ficou em R$ 668. Todavia, 25% da população recebiam até R$ 188, e metade dos brasileiros tinham rendimento de até R$ 375, valor inferior ao salário mínimo praticado no ano passado - que era de R$ 510.

Consideradas apenas as 26 capitais, Teresina desponta entre os piores resultados. Com um rendimento nominal domiciliar per capita médio de R$ 636/mês, a capital do Piauí ocupa a penúltima colocação no ranking, à frente apenas de Macapá (AP), que apresentou R$ 631/mês no mesmo indicador. Completam a relação das cinco capitais com menores rendimentos domiciliares per capita: Manaus (AM), com R$ 641/mês; Rio Branco (AC), com R$ 646/mês; e São Luís (MA), com R$ 653/mês.

Outro indicativo vexatório apresentado pela capital piauiense é o rendimento domiciliar per capita mediano, que ficou em míseros R$ 323. Isto é, metade dos teresinenses que integram a população economicamente ativa tinham renda de até R$ 323 em 2010. Neste índice, Teresina ficou à frente apenas de Macapá (R$ 316/mês) e Maceió (R$ 309/mês).

As outras capitais com as piores rendas medianas (per capita) foram: São Luís (R$ 329/mês), Manaus (R$ 334/mês), Rio Branco (R$ 340/mês), Boa Vista (R$ 340/mês), Belém (R$ 340/mês) e Fortaleza (R$ 340/mês).

Entre os municípios das capitais, mantém-se a tendência histórica de melhores níveis de rendimento domiciliar per capita nos estados das regiões Sul e Sudeste. Florianópolis (SC) registrou o maior valor (R$ 1.573), com metade da população recebendo até R$ 900, seguida de Vitória (ES), cujas cifras eram de R$ 1.499 e R$ 755, respectivamente. Em 17 das 26 capitais, 50% da população não recebia até o montante do salário mínimo. Os valores dos rendimentos domiciliares per capita médios de Macapá (AP), Teresina (PI), Manaus (AM), Rio Branco (AC), São Luiz (MA), Maceió (AL), Boa Vista (RR) e Belém (PA) representavam 40% do rendimento observado em Florianópolis.

É importante enfatizar que os dados utilizados para gerar os resultados de rendimento são preliminares, pois ainda não foram submetidos a todos os processos de crítica e imputação previstos para a apuração do Censo Demográfico 2010.

O rendimento é um dos temas abordados pelos Indicadores Sociais Municipais do Censo 2010, que contemplam também outros assuntos a partir dos resultados do Questionário do Universo do Censo 2010 (aplicado a todos os domicílios recenseados), com foco na análise municipal por classe de tamanho populacional. Os indicadores estão calculados para todos os 5.565 municípios brasileiros.

Homens continuam com maiores rendimentos

Ainda de acordo com o Censo Demográfico de 2010, em termos de rendimento total (trabalho, aposentadorias, pensões, transferências etc.), em âmbito nacional, os homens recebiam em média 42% mais que as mulheres (R$ 1.395 contra R$ 984) e metade deles ganhava até R$ 765, cerca de 50% a mais que metade das mulheres (até R$ 510).

O IBGE ainda constatou que a discrepância de renda entre os gêneros é maior nas cidades menos desenvolvidas.

Nos municípios com até 50 mil habitantes, os homens recebiam, em média, 47% a mais que as mulheres: R$ 903 contra R$ 615. Já nos municípios com mais de 500 mil habitantes, os homens recebiam, em média, R$ 1.985 e as mulheres, R$ 1.417, uma diferença de cerca de 40%.

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Por: Cícero Portela

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