Celso Barros Neto avalia gestão e ressalta ações desenvolvidas na OAB Piauí

Celso Barros também falou sobre os desafios e conquistas da advocacia no estado diante da pandemia da Covid-19, bem como enxerga o futuro dos experientes e jovens advogadas e advogados no Piauí

23/08/2021 10:22h

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Em entrevista exclusiva ao Jornal O Dia, o Presidente daOrdem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), Celso Barros Neto, fez um balanço do seu primeiro mandato à frente do órgão. O jurista foi pioneiro em diversas decisões junto à OAB-PI, como a paridade de gênero, luta travada há anos pelas advogadas piauienses em busca da equidade no colegiado.

Foto: Aquivo/ODIA

Celso Barros também falou sobre os desafios e conquistas da advocacia no estado diante da pandemia da Covid-19, bem como enxerga o futuro dos experientes e jovens advogadas e advogados no Piauí.

Por fim, o membro da Academia Brasileira de Direito teceu comentários acerca da eleição que escolherá o Presidente da OAB-PI pelos próximos três anos.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

1.  Como o senhor avalia o seu mandato na OAB?

Avalio como positivo. Estavam presentes muitos desafios no início do mandato. Inicialmente, começamos organizar a gestão. Definir prioridades e os executores para cada ação. Além de ouvir os advogados e as advogadas. Aproximar a gestão de todos e todas. Ir em todos os cantos do Piauí onde tem representação da Ordem. Quando organizamos e o trabalho começou a ganhar ritmo, a pandemia chegou. Com isto, o mundo parou. E fomos pegos de surpresa. Muitas de nossas ações, infelizmente, não puderem ser implantadas. Pois, repito: o mundo parou.

2.  Então a pandemia dificultou a realização das suas ações?

Sim, totalmente. Tudo parou. Tivemos forte isolamento social. A economia declinou. O Judiciário e o Ministério Público limitaram as suas ações, em particular, o atendimento à população e aos advogados(as). A sociedade funcionou em modo lento. As pessoas não puderam sair de casa, o trabalho remoto surgiu. Em razão da pandemia, milhares de empregos sumiram. Vidas perdidas. A crise econômica chegou forte e afetou todos, inclusive, a advocacia.  E sendo gestor, assim como tantos outros, sei das consequências perversas da pandemia. Quanta dor, perdas, mortes. Quantas famílias destruídas. Quantas pessoas desempregadas. Com a chegada da vacina, a esperança surgiu para que o mundo, em particular, o Brasil, voltasse a funcionar normalmente. É esta a minha esperança. Aos poucos estamos voltando. 

3.  A OAB agiu nesta pandemia?

O mundo parou. Mas não paramos totalmente. Claro, caso não fosse a pandemia, o planejado para o nosso mandato teria sido realizado por inteiro. Tenho certeza disto. Estamos em contato direto com para reabrir Comarcas que foram agregadas, tais como Angical, Curimatá e de Redenção e Beneditinos, e para ampliar número de Varas e de Juizados. Esse é um problema crônico que remonta há anos: a população cresce e o Judiciário não acompanha esse crescimento com maior estrutura. Estivemos em Itainópolis há alguns dias inaugurando uma Sala da Advocacia (a de número 175) e o fórum remonta à década de 80. Ou seja, falta muita estrutura ainda em fóruns como de Itainópolis, Altos e Demerval Lobão. São problemas antigos que estamos tentando resolver com a força da OAB. Outra ação marcante foram as duas pós-graduações gratuitas para mais de 3 mil advogados e advogadas. Estes cursos foram oportunos para o momento da pandemia. Além de proporcionar o constante aprendizado gratuito para a advocacia piauiense; a única no Brasil. Continuamos a ampliar a oferta de salas para que os advogados e as advogadas pudessem atender os clientes. Sedes da OAB foram reformadas. Apesar do nosso baixo orçamento, propiciamos, dentro daquilo que a OAB podia, auxílio financeiro para parcela dos advogados(as). Foi pouco? Sim. Mas eram as condições. E facilitamos o pagamento da anuidade da OAB. O que estava ao nosso alcance fizemos. Não abandonamos o advogado e a advogada na pandemia.

4.  Quais os desafios dos advogados para o futuro?

Seguir em frente. A pandemia está arrefecendo. Torcemos para que as dificuldades econômicas do país e do mundo sejam superadas. Que os empregos e a renda das pessoas voltem. Com elas, a sociedade como um todo é beneficiada. E, claro, os advogados(as). A lógica é simples:mais emprego e renda para a população, o demandante por direitos terá recursos para remunerar o profissional do Direito de maneira legitima e correta. Com o fim da pandemia, os advogados(as) voltarão a ter mais oportunidades. Inclusive, os jovens. E a OAB estará do lado dos advogados nesta retomada para garantir celeridade do Judiciário, defesa das prerrogativas, valorização dos advogados(as), bem-estar para todos eles, qualificação, e dar condições para os advogados(as), em particular os jovens, de conquistarem clientes. Dois pontos: pretendemos ofertar aos advogados previdência e também melhores condições do plano de saúde.

5.  Como o senhor enxerga o futuro da advocacia?

Digo sempre que temos o direito de sonhar e a advocacia  também tem o dever de sonhar. Nossos sonhos transformam as vidas das pessoas que passam a exercer seus direitos e cidadania. Estou otimista. Com o fim da pandemia, e a retomada do crescimento econômico, mais oportunidades para todos e todas. Inclusive, para os advogados(as). Novas áreas estão criando oportunidades para que os advogados atuem, dentre as quais: tecnologia, esportes, meio ambiente, direitos autorais. O advogado(a) é a garantia do Direto na sociedade. É a garantia da Constituição. O advogado(a) é de fundamental importância para o funcionamento adequado da sociedade. O advogado(a) é e continuará a ser a profissão do futuro. E no presente e no futuro a OAB estará ao lado do advogado(a) criando oportunidades para eles, promovendo o seu bem estar e garantindo as suas prerrogativas.

6.  E as eleições deste ano? Será candidato?

Sim, sou pré-candidato com muita disposição e desejo para fazer aquilo que não foi feito em razão da grave crise sanitária. Quero trabalhar mais e sem pandemia dessa vez.

7.  Por que o senhor pleiteia novo mandato?

Sim, como frisei. Quando organizamos e a gestão começou a ganhar ritmo, a pandemia chegou. Tudo parou. A sociedade parou. Agora, é olhar pra frente. Reforçar o que já foi feito. Trazer mais avanços e ampliar as conquistas do advogado e advogada. Vamos seguir com a OAB para todos e todas. Com independência. Sem grupinho, brigas, ou politização da Ordem.  Escutando os advogados e advogadas. Estando em todos os cantos do Piaui. E um dado importante: a OAB existe para atender e defender o advogado e a advogada e não fazer política. E, claro, a OAB existe para garantir os direitos da população.

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