Castelo do Piauí, região mística, atrai visitantes com seu contos religiosos

Por conta das lendas a cidade se tornou um importante ponto de turismo religioso

19/10/2012 10:16h

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A peregrinação religiosa dos piauienses também passa por um majestoso castelo de formações rochosas com grandes blocos de arenito, situado no interior da cidade de Castelo do Piauí, às margens do Rio Poti. O mais importante entre os monumentos da cidade, fascina e encanta curiosos e visitantes desde os primórdios de nossa civilização por dois motivos: por guardar registros de civilizações pré-históricas através de marcas do vivencia do homem primitivo, e por conta das lendas que lhe tornam um importante ponto de turismo religioso.

Uma testemunha desse encantamento e admiração é o professor de geografia, Antônio Augusto Nascimento, 32 anos, o entusiasmo pelo estudo das características da terra e seus fenômenos, assim como da ação do ser humano no meio ambiente e vice-versa, lhe levou a ser guia turístico e encontra no trabalho o prazer de apresentar à cerca 2 mil visitantes de todo o mudo, somente no dia 2 de novembro - Dia de Finados, um dos dias de maior movimentação no local, o potencial do turismo de aventura, arqueológico e religioso da sua terra.

"A religiosidade é um apego dos sertanejos, por conta disso muitas cidades se desenvolvem no entorno de igrejas e têm sua sociedade movida pelo dia a dia religioso. E esse o turismo mais forte em Castelo, a partir do momento em que trouxeram uma imagem de Nossa Senhora do Desterro, padroeira de Campo Maior. Conta a lenda que a imagem foi encontrada dentro de uma das grutas do Castelo de Pedra. A imagem (esculpida em pedra arenítica) teria sido retirada do local e trazido aqui para a cidade e colocada no alta da capela. Porém, dias depois a imagem desapareceu da capela e reapareceu na gruta. Um dia, quando um dos moradores retornou ao Castelo encontrou a imagem as santa no mesmo local e a trouxe para capela novamente, contudo, ela reapareceu na gruta. Isso aconteceu uma três ou quatro vezes. E assim, ela misteriosamente reaparecia na gruta por várias vezes, até que a população decidiu então, levá-la mais uma vez para a capela, acorrenta-la e colocando-a em uma cela, mesmo assim ela desapareceu novamente e nunca mais foi vista. Hoje, os mais devotos, dizem que com muita fé conseguiam vê-la ou toca - la. É por isso que local tem seu maior foco no turismo religioso", explica.

Para os mais devotos a Pedra de Castelo é um local sagrado, ainda que marcada pelo misticismo. Os mais velhos dizem que vista ao longe, durante a noite, a pedra se assemelha a um castelo feudal, esse é motivo da denominação de Pedra de Castelo para à gruta que por muitos séculos também foi cemitério cristão.

Outra lenda é que explica a comparação do local com um castelo medieval. De acordo com a comunidade, há muito tempo, a pedra foi um castelo de verdade, onde um rei tirano e perverso se divertia fazendo orgias sexuais com seus servos. Sempre que queria praticar essas atividades mandava que seus soldados procurassem os jovens mais bonitos no reino, para que fossem obrigados a participar de suas "festas".

"Ao final desses bacanais, o tirano mandava matar todos que haviam participado do ato e essas pessoas eram enterradas ali mesmo. Um dia, o Todo Poderoso (Deus), se enfureceu com aquela situação e mandou dois anjos à Terra, para dar fim aquele pecado. Quando um dos anjos foi levado ao castelo para participar de mais uma noite de prazeres do tirano, foi lançada uma maldição naquele rei e seu reino, o anjo transformou todos, em pedras, inclusive o Castelo. Dizem que aquelas pinturas e inscrições rupestres encontradas na gruta, seriam enigmas, que uma vez decifrados, fariam a caverna voltar ao formato original", conta o professor.

Seja qual for a semelhança que atribuem ao monumento, embora não tenha passado por um estudo científico arqueológico, são notáveis as utilização do local como abrigo para indígenas e cemitério. Na misteriosa formação rochosa há salões, templos, passagens e paredões que guardam pinturas rupestres e gravuras em baixo relevo, assim como túmulos antigos - o que ainda permanece preservado data de 1929.

"A pedra hoje é utilizada como capela para devoção. Onde as gente das variadas religiões deixam imagens, símbolos e uma grande quantidade de ex-votos ( esculturas que retratam a graça alcançada). Sou espírita, então acredito nas experiências que algumas pessoas têm aqui", confessa o Robson Lima, coordenador de Turismo de município.

Ele conta que devoção e crença das pessoas na Pedra como um local sagrado é tamanha que todos os anos o padre da cidade vizinha, Juazeiro, realiza uma procissão que se inicia naquela cidade e segue em direção à Pedra de Castelo, em uma procissão, a Caminha da Paz, de aproximadamente 8km, que reuni de 3 mil pessoas, durante a Semana Santa.

Iniciada na década de 50, a caminha tem sua marca no alto do Castelo, onde brilha mais um símbolo de um povo acredita veementemente em sua religião e nas crenças de sua comunidade. Um cruzeiro, fincado pela matriarca da família Monteiro, é símbolo da graça conquistada por uma das famílias mais religiosas da região, na qual, a mãe, ao conseguir a tão desejada saúde do filho, foi primeira devota de Nossa Senhora do Desterro a fazer o percurso de Juazeiro à Pedra de Castelo, levando nas costas a cruz que foi fincada sob as gruta 15 m de altura.

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Por: Katylenin Frana

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