Alta no preço dos alimentos é puxada pelo dólar e auxílio emergencial

De acordo com o economista James Brito, alimentos básicos como arroz, óleo e carne seguem com preço alto até dezembro.

10/09/2020 12:48h - Atualizado em 10/09/2020 14:17h

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Nos últimos meses os consumidores viram o preço do arroz, óleo e feijão aumentarem. E segundo o economista James Brito, isso ocorreu devido ao aumento do dólar e do auxílio emergencial. 

" Um dos fatores primordiais que levou ao aumento de preços de produtos básicos foi o dólar alto, o que incentiva os produtores a aumentarem as exportações, reduzindo, assim, a oferta de produtos no mercado interno; outro fator, se trata do benefício do governo federal que estimulou o aumento do consumo. Foi direcionado, em grande parte, para a população mais pobre do país, que tem uma cesta de compras formada, em sua maioria, por produtos básicos, como alimentos, arroz, carne, leite, óleo", explica James Brito.

Nesta quarta-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e mostrou que a inflação do país, subiu 0,24% em agosto. Este já é o terceiro mês seguido de aumento da inflação. 


Economista James Brito diz que aumento da cesta básica é influenciada pela alta do dólar e auxilio emergencial. Foto: Divulgação

No acumulado em 2020, o IPCA registra alta de apenas de 0,70%, e em 12 meses, de 2,44%, ainda abaixo do piso da meta do governo para o ano, que é de 2,5%. Desta forma James Brito, acredita que a alta inflação seguirá até dezembro de 2020.

"Estima-se que, segundo o governo, não irá faltar alimentos no Brasil, no entanto espera-se que em meados de dezembro pra janeiro já se comece a colher novas safras desses produtos, principalmente o arroz e soja, esta última, matéria prima do óleo consumido pela maioria dos brasileiros. Esse aumento vai influenciar fortemente a inflação de 2020, o que seguramente ainda teremos alguns meses de 2020 com altos preços de produtos alimentícios básicos", diz James Brito.

Alimentos básicos triplicam de preço em dois meses

Francisca Pereira, é salgadeira e em poucos dias observou que o preço da farinha de trigo, óleo, frango, queijo mussarela, catupiry e margarina aumentaram significativamente.

"Há dois meses eu comprava o fardo de trigo há R$22,00, uma semana depois aumentou para R$30,00. Quando eu menos percebi, hoje eu só encontro de R$ 40,00 a R$45,00. Já o óleo estava R$3,80 e foi aumentando e de R$4,50 foi direto para R$7,00", diz salgadeira.


Arroz, óleo e carne estão entre os alimentos que tiveram aumento do preço. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A empreendedora ainda pode sentir diferença no preço do queijo mussarela que passou de R$ 20,00 o quilo e para R$40,00. Já o creme de leite era R$ 1,90 e agora o mais barato é R$2,80. O leite condensado, por exemplo, teve acréscimo de R$1,40, passando de R$3,80 para R$5,20. 

“A carne eu comprava de R$18,00 o quilo, mas hoje eu não consigo comprar menos de R$28,00. Teve coisas que triplicaram o preço, isso é absurdo”, finaliza.

Alimentos que podem substituir o arroz

Sabe-se que no Brasil, o arroz e feijão são alimentos indispensáveis nas principais refeições, hoje é arroz de 5Kg está custando em média R$27,00. Mas este alimento pode ser substituído como explica a nutricionista Maria Luz.

“O arroz pode ser substituído pela batata doce, pois ela é rica em fibras, principalmente a casca. Então, é interessante está consumindo com a casca. Pode comprar ela na versão que tem a casca totalmente roxa. Ela melhora a glicemia, colesterol, como também auxilia na digestão”, diz Maria Luz. 

Além disso, a batata doce é uma leguminosa, fonte de ferro, vítima C, potássio, vitamina E e A. E pode ser consumida cozida, na forma de purê e até assada. Já a batata inglesa tem muito potássio, cálcio e fósforo, substância com prioridades antioxidantes.

Nutricionista diz que arroz pode ser substituído por batata doce, inhame ou macarrão. Foto: Reprodução/ Instagram

 "As batatas ainda podem ser feitas na foram recheadas, basta cozinhar ela inteira e depois rechear com alguma proteína como carne moída ou frango desfiado", sugere Maria Luz.

Outro alimento seria o inhame, rico em vários nutrientes, vitaminas, minerais, gordura, índice glicêmico baixo, e uma quantidade grande de fibra. A nutricionista lembra ainda, que os estudos recentes mostram que o inhame pode ser consumido na prevenção de câncer, auxiliar na saúde mental, sintomas de TPM e menopausa. 

" O inhame também pode ser consumido cozido, ou como purê. Outra substituição pode ocorrer com o macarrão, vamos destacar o macarrão integral, que vai ter mais fibras, o que melhora o trânsito intestinal. Em relação aos nutrientes, ele tem uma quantidade de vitamina E, de antioxidante", descreve a especialista

Sobre a quantidade de macarrão, a nutricionista explica que vai depender da pessoa. Ela diz ainda que ele pode ser consumido com legumes e molho de tomate caseiro. A macaxeira também pode ser utilizada nesse processo, pois possui fontes de cálcio, magnésio, potássio, que são nutrientes essenciais.

Veja sugestão de receitas:

1. Penne ao basílico (Manjericão)

Ingredientes:

500g macarrão tipo penne

1 colher de chá rasa de sal na água do cozimento do macarrão

3 tomates vermelhos picados sem pele e sem sementes

1 fio de azeite

1/2 colher de chá de sal

1 copo de requeijão light ou cremoso 

Folhas de manjericão para decorar

Modo de preparo: 

Aqueça 5 litros de água. Acrescente o sal, o azeite, o macarrão e cozinhe até ficar ‘al dente’. Escorra e reserve. Molho: misture bem o tomate, o sal, o requeijão e leve ao fogo para aquecer. Misture ao macarrão e sirva em seguida.

2. Batata Doce Assada com Ervas

Ingredientes:

300g batata doce cortada em cubos

mix de ervas desidratadas (oregano, manjericão e alecrim)

sal e pimenta do reino a gosto

Preparo:

Lave bem as batatas, corte em cubos (pode deixar as cascas) tempere com

sal, mix ervas secas (alecrim, manjericão e orégano) coloque em assadeira untada com azeite e leve ao forno pré aquecido por 20 minutos, vire e deixe

por mais 20 minutos.

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Por: Sandy Swamy

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