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“Deixar de consumir, faz o preço cair”, ensina economista

Apesar do impacto, estes grupos sofreram quedas de preços e a inflação recuou 0,01% em junho

11/07/2019 07:19h - Atualizado em 11/07/2019 11:16h

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de junho aponta uma variação de 0,01% em relação ao mês de maio, acumulando, no ano, inflação de 2,23%. Em junho de 2018, o índice fora de 1,26%. Segundo o levantamento, os grupos ‘Alimentação e bebidas’ e ‘Transportes’ respondem, juntos, por cerca de 43% das despesas das famílias, com deflação em junho de -0,25% e -0,31%, respectivamente.

O tomate teve alta, passando de -15,08% em maio para 5,25% em junho, assim como as carnes, que subiram de 0,25% em maio para 0,47% em junho. Apesar disso, o grupo ‘Alimentação e bebidas’ teve queda (-0,25%) em junho, acumulando variação de 2,89% em 2019. Essa deflação deve-se à intensificação na queda dos preços de frutas (-6,14%) e feijão-carioca (-14,80%). Os dois itens já haviam recuado em abril e maio: respectivamente, -0,71% e -2,87% para as frutas e de -9,09% e -13,04% para o feijão-carioca.

A inflação sobre o tomate teve alta, passando de -15,08% em maio para 5,25% em junho - Foto: Arquivo O Dia

Já o grupo ‘Transportes’ (-0,31%) concentrou os impactos mais intensos sobre o IPCA de junho. O item passagem aérea, por exemplo, registrou 18,90% de variação e 0,07 p.p. de impacto. Já os combustíveis tiveram deflação (-2,41%) com destaque para a gasolina (-2,04% e -0,09 p.p.).

Segundo a economista Teresinha Ferreira, a deflação em alguns itens ajudou a conter o crescimento do IPCA. De acordo com ela, os grupos de ‘Alimentos’ e ‘Transporte’ foram os mais afetados devido à crise econômica no país, que hoje concentra mais de 13 milhões de desempregados.

“Isso diminuiu a renda que circula na economia, levando à deflação, vez que as pessoas não têm dinheiro para estar comprando. Se observarmos nos supermercados e lojas, todos os comerciantes estão reclamando que não estão vendendo. Mas isso é um efeito cascata, pois consequentemente faz baixar os preços. A cebola estava sendo vendida a R$ 8 na semana passada e agora está custando R$ 5”, comenta a economista.


“Deixar de consumir, faz o preço cair” 

A ligeira queda de preço dos combustíveis se reflete no transporte público e no deslocamento dos alimentos, especialmente na cidade de Teresina. “Aqui na capital, não produzimos praticamente nada, ou seja, os produtos vêm de fora. Se há uma queda no óleo diesel ou na gasolina, isso vai repercutir na logística de transporte. Como o consumidor pode pressionar os preços para baixo? Deixando de consumir, e isso faz o preço cair. Nosso papel enquanto consumidor é esse”, frisa Teresinha Ferreira.

E a alternativa para reduzir os custos é simples: economizar. Teresinha Ferreira pontua que é preciso investir o salário na compra de bens e serviços essenciais, além de evitar o desperdício. Também é necessário fazer um planejamento financeiro, especialmente nesse período de crise, bem como cortar os gastos supérfluos.

Outros grupos

O grupo ‘Comunicação’ também teve queda de preço de -0,02% no IPCA de junho. Já ‘Saúde e cuidados pessoais’ (0,64%) foi o grupo com a maior variação e o maior impacto (0,08 p.p.) sobre o índice, devido à alta de 1,50% do item higiene pessoal, cujo impacto no IPCA foi de 0,04 p.p.

O grupo ‘Habitação’ desacelerou de maio (0,98%) para junho (0,07%), especialmente por conta do item energia elétrica (-1,11%), que exerceu pressão de -0,04 p.p. no IPCA. Isto deve-se à vigência, em junho, da bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional para o consumidor. Em maio, vigorava a bandeira tarifária amarela, com custo adicional de R$ 0,01 por quilowatt-hora consumido.

Por: Isabela Lopes - Jornal O Dia

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