Promotora e advogado brigam em Fórum de Monsenhor Gil

Além de testemunhar, eles foram submetidos a exame de corpo de delito

18/06/2013 17:38h - Atualizado em 19/06/2013 08:09h

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Após acalorada discussão nas dependências do Fórum, um advogado deu voz de prisão a uma promotora na cidade de Monsenhor Gil, a 65 quilômetros de Teresina. O caso ocorreu na manhã desta terça-feira (18).

Após toda a confusão, o advogado Dalton Rodrigues Clark, de 65 anos, e a Promotora Rita de Cássia de C. Rocha Gomes de Souza foram encaminhados para o 18º Distrito Policial.

O advogado conta que foi até o Fórum buscar um alvará de seu interesse. Ao reclamar da demora na entrega do documento com a escrivã, identificada como Zélia, a analista judiciária, de nome Maria, teria saído de sua mesa e ido ao corredor para desacatá-lo.

Dalton Clarck mostra o boletim de ocorrência (Foto: Elias Fontenele/ODIA) 

Segundo Dalton, Maria afirmou que ele estava falando muito alto. Então, a promotora saiu em defesa das servidoras, dando voz de prisão a ele por desacato à autoridade.

“Ela [a promotora] saiu da sala e veio dizer que eu estava preso por desacato à autoridade. Eu não desacatei ninguém. Por isso dei voz de prisão à promotora por abuso de poder. Então ela me agrediu e fomos encaminhados para a delegacia, para prestar depoimento”, declara o advogado.

Além de prestar depoimento, os dois foram submetidos a exame de corpo de delito. O advogado apresentou alguns arranhões no braço direito. A promotora também apresentou lesões consideradas leves.  

O advogado apresentou algusn arranhões (Foto: Elias Fontenele/ODIA)

Dalton Clark afirmou que após o ocorrido se dirigiu à sede da OAB-PI, em Teresina, e denunciou o caso à Procuradoria Geral de Justiça.

Outro lado

Em conversa com a equipe de O Dia, o presidente da Associação do Ministério Público, Paulo Rubens, caracterizou como “lamentável” a situação. Apesar de considerar o fato como isolado, ele pede que seja apurado da maneira devida. De acordo com Paulo Rubens, todo o apoio necessário será prestado à promotora.

Em nota, o representante dos promotores defendeu Rita de Cássia. Confira a íntegra do comunicado:

“A Associação Piauiense do Ministério Publico (APMP) vem a público lamentar o episódio ocorrido na cidade de Monsenhor Gil, no qual a representante do Ministério Público do Estado do Piauí, Rita de Cássia de Carvalho Rocha, foi agredida pelo advogado Dalton Clarck. O fato aconteceu na manhã desta terça-feira (18), no fórum do município, e foi presenciado pela juíza Andréa Parente Lobão Veras.

 De acordo com relatos da promotora de Justiça Rita de Cássia, tal acontecimento resultou em lesões leves em seu braço. Ela registrou Boletim de Ocorrência na delegacia do município e realizou exame de corpo de delito, após desacato proferido contra servidoras do Tribunal de Justiça do Estado do Piauí.

Como entidade representativa da categoria, a APMP reforça seu apoio à promotora Rita de Cássia no caso e informa que adotará todas as medidas necessárias para resguardar suas prerrogativas profissionais como integrante do Ministério Público. A entidade reforça, também, que o caso merece a devida apuração.

Finalmente, a APMP reconhece que trata-se de acontecimento isolado que não reflete o respeito que deve marcar o relacionamento entre representantes do MP e advogados. Assim, esta entidade lamenta o acontecimento e presta irrestrito apoio à promotora de Justiça Rita de Cássia Rocha, na certeza da valorosa contribuição que seu trabalho vem prestando à sociedade piauiense.”

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Por: Cida Cardoso

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