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"œSó dá para o básico e nem isso direito", diz beneficiária do auxílio emergencial

Beneficiários do auxílio emergencial em todo o país chega a mais de 67 milhões de pessoas.

17/10/2020 08:11

A pandemia do novo coronavírus causou impactos enormes em várias esferas da vida: os relacionamentos sociais presenciais tiveram que ser interrompidos, as interações interpessoais se virtualizaram e essa necessidade de afastamento entre as pessoas acabou prejudicando a economia de uma forma nunca antes vista na história. Vender sem ter contato direto com o cliente se tornou um enorme desafio e aqueles que não conseguiram se adaptar à nova realidade foram os mais penalizados por ela.

Leia também: Somados auxílio e Bolsa Família, renda de ambulante não passa dos R$ 700

Trabalhadores informais, gente que acabou perdendo o emprego devido à crise e as famílias que já se encontravam em situação de vulnerabilidade e viram sua situação ficar ainda mais crítica com a pandemia formam uma parcela considerável do povo brasileiro. São os chamados “invisíveis” aos olhos do poder público.

A saída encontrada pelo Governo para amenizar os impactos causados pela crise da covid-19 foi criar mais um programa de transferência de renda que assegurasse aos brasileiros mais vulneráveis um rendimento mínimo. Lançado ainda em abril, em pouco mais de cinco meses, o Auxílio Emergencial já era pago a mais de 40% dos domicílios brasileiros e o total de beneficiários em todo o país chega a mais de 67 milhões de pessoas.

A maior dificuldade não é necessariamente o recebimento do Auxílio, mas o que se fazer com um valor muitas vezes insuficiente para se cobrir os gastos essenciais. A vendedora ambulante Auricélia Sousa, dona de uma banca no Centro de Teresina, é taxativa: melhorou sim, mas se eu não tivesse outra tenda, não teria dado”.


Vendedora ambulante, Auricélia recebe R$ 600 de auxílio - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Moradora de Timon, ela vive com mais três pessoas em casa e disse já ter recebido cinco parcelas de R$ 1.200,00 do Auxílio Emergencial. No momento, recebe apenas a de R$ 600,00 até dezembro, quando o programa de transferência de renda deve ser encerrado pelo governo federal, que ainda não definiu como ficará o destino dos brasileiros beneficiários do programa. E é esse destino indefinido que preocupa Auricélia, assim como os mais de 1,3 milhões de piauienses que recebem o auxílio emergencial.

“Além do auxílio, eu recebo também R$ 119,00 pelo Bolsa Família, mas isso não dá pra nada. Eu vou ter que inventar outra fonte de renda, porque o que ganho aqui não dá pra cobrir os gastos de casa, porque eu moro de aluguel e tem que comer, tem gás, tem filhos, tenho água, tenho luz, tenho internet, tem que vir pra cá. Eu tiro R$ 80,00 por dia aqui e não tenho mais de onde tirar”, desabafa Auricélia.

Vendedora ambulante Auricélia recebe R$ 600 de auxílio

De acordo com os dados do Ministério da Cidadania, os mais de 1,3 milhões de beneficiários do Auxílio Emergencial no Piauí correspondem a 39,85% da população do Estado. Preocupa ainda mais o fato de que do total de pessoas contempladas pelo programa, pelo menos 453 mil integrem o Bolsa Família. Isto significa dizer que cerca de 35% das pessoas que recebem o auxílio emergencial no Piauí já faziam parte de um programa de transferência de renda anterior justamente porque estavam em situação de vulnerabilidade social.

Por: Maria Clara Estrêla
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