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Preço da gasolina sobe 10 vezes mais que a inflação em um ano

Enquanto isso, consumidores lamentam a escalada de reajuste e apertam o orçamento para conseguir se deslocar.

14/05/2019 07:22h

Os motoristas têm sentido no bolso o preço elevado do combustível. Em apenas cinco meses, o valor da gasolina subiu 35,5%, quase 10 vezes mais do que a meta inflacionária do Brasil, que é de aproximadamente 4% ao ano. Os consumidores lamentam essa escalada de aumento e precisam apertar o orçamento para conseguir se deslocar no dia a dia.

“Esse é o maior aumento que já vi até agora. Está muito difícil manter, principalmente para mim que sou motorista de aplicativo e rodo bastante. Eu trabalho contra o aumento da gasolina, porque quanto maior, mais caro para mim. Esse valor já passou do extremo. Já cheguei a abastecer com gasolina de até R$ 5,05, um valor bem alto, e faz diferença quando coloca muitos litros”, explica Edvan Filho, motorista de aplicativo.


O valor cobrado pelo litro da gasolina em Teresina já ultrapassou a casa dos R$ 5,00. Foto: Poliana Oliveira/ODIA

Segundo ele, por dia, chega a gastar até R$ 100 para conseguir trabalhar e atender às solicitações de chamadas. Para Edvan Filho, não tem compensado trabalhar com a gasolina neste valor, mas continua atuando na área devido à necessidade.

Quem também tem reclamado do preço do combustível é Jefferson Sá Cardoso. Segundo ele, por mês, chega a gastar mais de R$ 700 para abastecer sua motocicleta e carro. Um valor que faz falta no final do mês. “O valor está bem elevado, eu estou colocando álcool por estar mais em conta, cerca de R$ 3,65, e a gasolina está R$ 1 mais cara e isso faz uma grande diferença. Por dia, eu coloco R$ 30, R$ 20 no carro e R$ 10 na moto, porque tenho filho pequeno e preciso ir trabalhar”, disse.

De acordo com Alexandre Cavalcante, presidente do Sindicato dos Donos de Postos de Combustíveis do Piauí, esse aumento no preço da gasolina é diário e tem relação direta com a cotação do dólar. Ainda segundo ele, os postos de combustíveis fazem os repasses de acordo com o que adquirem nas distribuidoras. “Todos os dias os preços do combustível têm movimento, é como uma bolsa de valor. O posto não tem relação direta com a refinaria, acabamos nos atendo ao preço da distribuidora, que é de onde realmente nós compramos. Quando começa a ter muita subida nas refinarias, nós sabemos que irá repercutir na gente”, comenta.

Alexandre enfatiza que o valor do litro do combustível, que está sendo vendido atualmente, é um dos mais altos já registrados no Piauí. “Sem dúvida, estamos em um pico de preço. Eu nunca vi combustível nessa cifra. Se vai subir mais ou recuar, ainda não temos como saber. Só em cinco meses, o combustível superou a meta inflacionária do país em 10 vezes, sendo que a meta inflacionária do país é de aproximadamente 4% ao ano”, comenta.


Valor nas bombas reflete a política de preços da Petrobras, baseada no dólar. Foto: Poliana Oliveira/ODIA

Impostos estaduais

O proprietário de um posto de combustível, que preferiu não se identificar, afirma que o aumento do preço da gasolina tem relação não apenas com a moeda norte-americana, mas também com a pauta fiscal do Governo do Estado, que sobe a cada 15 dias, além do aumento do Petrobras.

“Alguns postos têm tentado manter o preço mais baixo, outros não conseguem. Alguns motoristas reclamam, mas eles sabem que não depende da gente e que esse valor é com base no que a Petrobras repassa. O que praticamos geralmente é inferior do que a pauta fiscal tabelada pelo Governo, que tem o valor bem mais elevado que o preço da bomba, ou seja, se fossemos colocar realmente o valor que deveria ser, seria superior ao que está agora”, conclui o dono de posto.

Por: Isabela Lopes

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