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Maia bate boca com líder do governo e diz que o excluiu de relações

A relação de Maia com o líder é sabidamente ruim desde o início do ano. Maia afirmou publicamente pela primeira vez, porém, que não recebe o líder desde março.

22/05/2019 08:21h

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), bateram boca nesta terça-feira (21), durante a reunião de líderes partidários. Em seguida, Maia anunciou que havia rompido "relações pessoais" com o deputado.

"Fui atacado e por isso exclui ele das minhas relações pessoais", disse Maia, conforme áudio da discussão ouvido pela reportagem.

Mais tarde, o presidente da Câmara falou a jornalistas que não tem como romper com Major Vitor Hugo (PSL-GO) porque nunca o recebeu. " "Eu não posso romper com quem eu não tenho relação."

A relação de Maia com o líder é sabidamente ruim desde o início do ano. Maia afirmou publicamente pela primeira vez, porém, que não recebe o líder desde março.

"Eu não recebo ele desde março. Prejudicou até agora? Nada", respondeu, quando questionado sobre se a briga poderia atrapalhar o andamento da Casa em uma semana crucial para o governo.

Na reunião, Maia afirmou que o governo tem criado um ambiente de desgaste permanente entre os Poderes e que as manifestações convocadas para o próximo domingo (26) não vão encurralar o Congresso.


Foto: Agência Brasil

"Não vou tratar manifestações com viés antidemocrático como algo relevante para que a gente possa organizar ou não a pauta da Câmara", afirmou Maia. "Foi criado um ambiente, não pela manifestação, mas pelo governo, de que alguém estava querendo ampliar o número de ministérios, de prejudicar o governo. É claro que não", disse aos presentes.

Segundo Maia, "se o governo tivesse o mínimo de organização", as pautas do Palácio do Planalto já haviam avançado no Congresso.

Maia voltou a criticar mensagens enviadas pelo deputado em março para deputados do PSL.

"[A relação] não tem conserto não. Um deputado que coloca uma charge atacando o parlamento não tem conserto comigo", afirmou.

Ele se referia a um episódio de março, em que o líder do governo criticou o presidente da Câmara e a "velha política". Na ocasião, o deputado enviou para correligionários postagens sobre supostas negociações de cargos nos governos Michel Temer (MDB) e Dilma Rousseff (PT) em troca do apoio do Congresso.

A primeira mensagem resgatava reportagem do jornal O Globo de novembro de 2017, cujo título é "Para aprovar mudanças na Previdência, Temer autoriza Maia a negociar cargos".

A segunda era uma charge que ironizava o diálogo do governo Dilma com deputados e senadores. Na imagem, a ex-presidente levava ao Congresso um pacote de cargos para garantir as conversas.

Na época, as mensagens chegaram ao grupo do presidente da Câmara, que entendeu como ataque.

Vítor Hugo reagiu dizendo que as críticas nunca foram pessoais, que a mensagem foi tirada de contexto e que diversas vezes tentou buscar o contato com Maia para estabelecer uma relação republicana.


Vitor Hugo (PSL) - Foto: Agência Brasil

"Não pretendo ser amigo de vossa excelência. A crítica pública que eu fiz e repito aqui foi uma crítica construtiva", afirmou.

"A minha crítica foi no sentido de que havia reuniões sendo feitas fora da Câmara, com tomadas de decisão escalonadas e com líderes também participando de maneira escalonada. Na minha visão, isso não é democrático e não é correto. Ou a gente faz aqui, cada um olhando no olho do outro e falando o que pensa ou a gente faz na casa de um deputado ou do presidente da Câmara", disse Vitor Hugo.

Segundo ele, a residência oficial está no arcabouço da União e não cabe a Maia "definir quem entra e quem não entra, se estiver ocorrendo uma reunião oficial". O líder disse que o presidente não quis "abrir as portas" para ele.

Maia reagiu: "Se o deputado considera que diálogo é um pacote de dinheiro, me desculpe".

Depois da discussão, o líder da Câmara afirmou a jornalistas que não quis fazer uma ofensa pessoal a Maia ao criticar a forma como eram conduzidas reuniões na residência oficial.

"Na minha perspectiva, isso não vai atrapalhar a pauta do governo na Câmara. O país é maior do que isso", afirmou.

Há na Casa, por parte de uma ala dos governistas, a vontade de substituir Vitor Hugo no posto de líder do governo. Ele, no entanto, é próximo ao presidente Jair Bolsonaro, que resiste em apeá-lo do cargo.

O embate aconteceu durante reunião de líderes da Câmara que discutia a pauta da semana na Casa. O governo precisa aprovar ao menos três medidas provisórias nesta semana para evitar que elas percam validade.

A mais importante delas é a MP 870, que reestrutura a Esplanada dos Ministérios. Caso ela não seja aprovada até o dia 3 de junho nas duas Casas do Legislativo, o número de pastas saltará para 29.

O centrão concordou em votar a medida provisória e o líder do PP, Arthur Lira (AL) propôs que a votação fosse feita nominalmente.

O PSL tinha intenção de fazer esse requerimento para constranger deputados do centro a votarem pela manutenção do Coaf no ministério da Justiça. Os líderes da maioria, no entanto, decidiram peitar a estratégia do governo e dizem ter votos para mudar o órgão para a Economia.

Fonte: Folhapress

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