Investigação de carro fuzilado ficará por conta das Forças Armadas

Lei sancionada por Temer em 2017 diz que crimes dolosos contraa vida, cometidos por militares das Forças Armadas, serão investigadas pela Justiça Militar da União.

08/04/2019 11:36h

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A investigação do fuzilamento de um carro em Guadalupe, na Zona Norte, que terminou com a morte de um homem de 51 anos neste domingo (7), será feita pelo Exército. A informação foi confirmada pela Polícia Civil. Uma lei de 2017, sancionada pelo presidente Michel Temer, diz que crimes dolosos contra a vida, cometidos por militares das Forças Armadas, serão investigados pela Justiça Militar da União, se o crime acontecer nos seguintes contextos:

  • do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da República ou pelo Ministro de Estado da Defesa;
  • de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar, mesmo que não beligerante; ou Ver tópico
  • de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem ou de atribuição subsidiária
  • A perícia feita pela Polícia Civil e o laudo de necropsia serão enviados ao Exército para que a investigação continue.

Fuzilamento em Guadalupe


Um carro foi atingido por tiros em operação do Exército — Foto: Reprodução

Homens das Forças Armadas que patrulhavam a região atiraram cerca de 80 vezes no veículo, que levava uma família. As cinco pessoas que estavam no carro iam para um chá de bebê: Evaldo Santos Rosa, que morreu no local; a esposa; o filho de 7 anos; o sogro de Evaldo (padastro da esposa, também ferido) e outra mulher.

A Polícia Civil realizou a perícia no local porque os militares tiveram dificuldade em realizá-la, segundo o delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios, devido à revolta dos moradores que testemunharam o crime. Os envolvidos foram ouvidos em uma delegacia militar.

"Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados, e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma [no carro]. Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares", afirmou o delegado em entrevista à TV Globo.

Logo após a morte de Evaldo dos Santos Rosa, o Comando Militar do Leste (CML) negou que tenha atirado contra uma família e disse que respondeu a uma "injusta agressão" de "assaltantes". À noite, em outra nota, informou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar com a supervisão do Ministério Público Militar.

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Fonte: G1

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