Há 25 anos, morte chocou a F-1, mas foi ofuscada por tragédia de Senna

Nesta terça-feira (30), o site da F-1 postou um texto em homenagem ao piloto, que morreu aos 33 anos em 30 de abril

30/04/2019 16:48h

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A dimensão das homenagens, inevitavelmente, é menor. Tanto há 25 anos como atualmente. Mas a Fórmula 1 e seus personagens a cada ano tentam cumprir o desafio de preservar a memória de Roland Ratzenberger, piloto austríaco que morreu no dia anterior ao tricampeão Ayrton Senna nos treinos para o Grande Prêmio de San Marino de 1994.

Nesta terça-feira (30), por exemplo, o site da F-1 postou um texto em homenagem ao piloto, que morreu aos 33 anos naquele 30 de abril que marcava seu terceiro fim de semana na categoria. Com declarações de ex-pilotos, a elite do automobilismo tenta manter a lembrança e evitar que a morte que encerrou um período de 12 anos sem vítimas fatais em fins de semana de provas não caia no esquecimento.

"Embora não tenha sido abençoado com os mesmos dons naturais que Ayrton Senna, o homem com quem ele estará ligado para sempre depois daquele trágico final de semana em Ímola, ele fez uma virtude de seu compromisso inflexível e entusiasmo de evoluir aos mais altos escalões do automobilismo", diz o texto do site da F-1.

Ratzenberger esteve longe de ser um piloto de ponta. Antes de chegar à F-1 aos 33 anos, passou pela F-3000 Japonesa, F-3 Inglesa (ambas categorias de acesso) e teve cinco participações nas tradicionais 24 Horas de Le Mans. Na principal categoria do automobilismo, não conseguiu se classificar para o GP do Brasil, que abriu o campeonato, e terminou em 11º a prova seguinte, em Aida, no Japão.

Na terceira etapa da temporada, seu nome ficaria marcado de forma trágica. Durante o treino, ele perdeu um pedaço da asa dianteira de sua Simtek, passou reto na curva Gilles Villeneuve e se chocou forte ao guardrail, a mais de 320 km/h. A forte imagem fez com que o próprio Senna organizasse uma tentativa de boicote ao restante daquela sessão.

A organização, porém, manteve no dia seguinte a realização do GP de San Marino, mesmo após a confirmação da primeira morte em um fim de semana de provas desde Riccardo Paletti, em 1982. A história do dia 1º de maio de 1994 já é mais do que conhecida.

Desde então, porém, fãs da categoria sempre cobram a manutenção da lembrança também de Ratzenberger. Nas redes sociais, as mensagens servem quase como um alerta de que não se pode esquecer de uma morte que, inevitavelmente, teve uma repercussão menor. Desde aquele fatídico fim de semana.

A comparação mais emblemática desta diferença está nas grandiosidades dos funerais. Enquanto o enterro de Senna levou milhões de brasileiros às ruas para o último adeus ao tricampeão, 250 estiveram na cerimônia do austríaco. Entre eles o então presidente da FIA, Max Mosley, que nunca se esquivou sobre o assunto.

"Para mim, foi mais trágico do que a morte de Ayrton porque ele chegou à F-1 com seu esforço e ajuda de sua família. Ele não tinha dinheiro, ele conseguiu com seu próprio trabalho e era realmente uma boa pessoa. A morte dele seria algo muito grande se a de Senna não tivesse acontecido no dia seguinte", disse.

Quem vivenciou a tragédia em Ímola, porém, sentiu o mesmo impacto com as mortes de Senna e Ratzenberger. Como conta Dick Bennets, dirigente da West Surrey Racing que conviveu com os dois pilotos na F-3.

"Mesmo quando ele estava conosco, Ayrton tinha uma atitude de que ele era o melhor. Ele tinha muito talento, mas isso também tinha algumas implicações, e ele poderia ser uma pessoa difícil de lidar. Roland nunca teve isso. Ele era um tipo mais calmo, um cara adorável que viveu por corridas. Nós sempre nos lembraremos deles. Foi uma tragédia para o automobilismo. Mais importante, foi uma tragédia para dois jovens", disse.

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Fonte: UOL / Folhapress

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