Com pressão de alimentos e gasolina, inflação de março chega a 0,75%

Para um mês de março, foi a maior inflação desde 2015.

10/04/2019 14:49h

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A inflação oficial brasileira acelerou e fechou março em 0,75%, acima dos 0,43% do mês anterior, informou nesta quarta-feira (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foi a maior taxa desde junho de 2018, quando os preços sofreram impactos da greve dos caminhoneiros.

Para um mês de março, foi a maior inflação desde 2015. Alimentos e transportes foram responsáveis por 80% do índice - o primeiro com alta de 1,37% e o segundo, de 1,44%. Juntos, alimentação e transportes representam 43% das despesas das famílias.

No primeiro trimestre, a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) soma 1,51%, a maior para o período desde 2016.

Em 12 meses, a inflação acumulada é de 4,58%, acima centro da meta estabelecida pelo governo – de 4,5%, com com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Foi o maior indicador desde fevereiro de 2017, quando a taxa chegou 4,76%.

A alta dos alimentos foi puxada por aumentos nos preços do tomate (31,84%), batata-inglesa (21,11%), feijão carioca (12,93%) e frutas (4,26%), disse o gerente do IBGE responsável pelo IPCA, Fernando Gonçalves. Em geral, os aumentos foram provocados por questões climáticas nas áreas de produção.

Preferência dos brasileiros e produzido apenas no país, o feijão carioca, por exemplo, sofreu com a estiagem no Rio Grande do Sul durante a primeira safra do ano. No primeiro trimestre, o preço do produto já subiu 105%, a maior alta desde o Plano Real.

Já o grupo transportes foi pressionado pela alta de 2,88% no preço da gasolina -o item com maior impacto na inflação de março- e de passagens aéreas, que subiram 7,29%. Com alta de 7,02% no mês, o etanol também ajudou a pressionar a inflação.

Sozinha, a gasolina foi responsável por 0,12 ponto percentual do IPCA de março. A alta reflete o repasse às bombas de reajustes de 10,82% promovidos pela Petrobras em suas refinarias durante o mês.

Para Gonçalves, a pressão inflacionária "parece pontual", por sofrer impactos mais fortes de combustíveis e questões climáticas. Ainda não há, segundo ele, pressões de demanda, que geralmente aparecem na inflação dos serviços -que fechou o mês em 0,32% e em 12 meses soma 3,59%.

"As pessoas ainda estão tímidas em relação a consumo", diz Gonçalves. "Os últimos resultados da Pnad [pesquisa que calcula o desemprego] mostram aumento na desocupação e aumento no desalento. Isso tudo contribuiu para que as famílias empreguem os seus rendimentos no que é essencial, habitação e alimentação."

Em abril, os combustíveis devem continuar pressionando a inflação: no mês, o preço da gasolina nas refinarias já subiu 5,61% nas refinarias. O preço do diesel está represado há duas semanas, segundo a nova política de preços da Petrobras, que estipula prazo mínimo de 15 dias entre reajustes.

Segundo Gonçalves, há ainda impactos previstos de reajustes na conta de luz em Campo Grande e Rio Branco, passagens de ônibus em Salvador e Campo Grande e de metrô no Rio.

O gerente do IBGE diz, porém, que o indicador de 12 meses ainda está pressionado pela inflação atípica de junho de 2018, quando os preços subiram de forma atípica pelas dificuldades de abastecimento causadas pela greve dos caminhoneiros.

"Quando a gente tiver 12 meses sem esse evento pontual, vamos ter uma noção melhor do cenário inflacionário", comentou. O último relatório Focus, do Banco Central, mostra que o mercado espera que o IPCA feche o ano em 3,9%. Na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), o BC projeta 4,1%.

O INCC (Índice Nacional da Construção Civil) fechou março em 0,52%, acima dos 0,21% de fevereiro.

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Fonte: Nicola Pamplona - Folhapress

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