Técnica da NSA é presa por vazar dados sobre interferência russa a um site

A funcionária era contratada da empresa Pluribus e trabalhava em um prédio da agência em Augusta, no Estado da Geórgia, desde 13 de fevereiro. Ela teria sido descoberta pelo sistema de auditoria da NSA.

06/06/2017 08:40h

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Uma prestadora de serviços da NSA (Agência Nacional de Segurança dos EUA) foi indiciada nesta segunda-feira (5) por vazar informações do órgão de espionagem americano sobre a interferência russa nas eleições de 2016.

Reality Leigh Winner, 25, foi presa no sábado (3) pelo FBI por enviar ao site The Intercept um documento secreto sobre um programa do governo russo para hackear softwares de registro de eleitores americanos.

O relatório da NSA, com data de 5 de maio, foi publicado pelo site nesta segunda (5). Segundo a agência, a Unidade de Inteligência Militar da Rússia fez um primeiro ataque ao programa em agosto, três meses antes da eleição.

O segundo ataque cibernético, feito no início de novembro, atingiu os computadores de 122 membros do conselho eleitoral. O The Intercept afirma ter recebido o informe de um agente da NSA que não quis se identificar.

Uma hora após a publicação, porém, o Departamento de Justiça americano revelou que Winner havia sido presa no sábado (3) pelo FBI. Segundo a pasta, ela teria confessado o envio do documento ao ser levada para a cadeia.

A funcionária era contratada da empresa Pluribus e trabalhava em um prédio da agência em Augusta, no Estado da Geórgia, desde 13 de fevereiro. Ela teria sido descoberta pelo sistema de auditoria da NSA.

Os investigadores afirmam que seis pessoas imprimiram o documento secreto. Em seguida verificaram as máquinas de todos os suspeitos e encontraram um e-mail enviado por Winner a um jornalista do The Intercept.

Ela foi indiciada pela Lei de Espionagem e, se condenada, poderá pegar até dez anos de prisão. O vice-secretário de Justiça, Rod Rosenstein, comemorou a prisão, a primeira por vazamentos no governo de Donald Trump.

"A divulgação de documentos confidenciais sem autorização ameaça a segurança da nação e mina a fé pública no governo. Pessoas em quem confiamos para receberem informações confidenciais e juram protegê-los precisam ser indiciadas quando violam sua obrigação."

Vazamentos

A prisão deve diminuir os questionamentos a Trump sobre a sequência de vazamentos em seu governo. Desde que tomou posse diversas informações de inteligência foram entregues por agentes à imprensa.

A maioria delas está relacionada a encontros de membros da equipe de Trump com o funcionários do governo russo. A primeira, em fevereiro, levou à renúncia do conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn.

As reuniões principalmente com o embaixador em Washington, Sergei Kislyak, levaram o secretário de Justiça, Jeff Sessions, a se afastar da investigação russa e levantou suspeitas contra Jared Kushner, genro de Trump.

A quantidade de vazamentos também afeta a confiança e a relação com países aliados. O próprio presidente revelou ao chanceler russo, Sergei Lavrov, informação confidencial sobre uma ameaça da facção Estado Islâmico.

Segundo a imprensa americana, o dado foi recolhido por Israel. No final de maio, a polícia britânica chegou a cortar o acesso à informação dos americanos sobre o atentado em Manchester devido ao excesso de vazamentos.

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Fonte: Folhapress

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