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Como as garrafas explicam as procedências dos vinhos franceses

Tradição é dividir as vinícolas por formatos das embalagens; diferenças podem ser vistas em supermercados brasileiros

27/05/2019 12:22h

Nas gôndolas do mercado ou dentro de uma geladeira , elas parecem iguais: geralmente têm a mesma litragem, são altas, com ombros, rolhas e rótulos. Em alguns casos, as garrafas de vinho chamam atenção por adornos especiais, como brasões estampados no vidro, ou apenas porque são de safras realmente antigas. No entanto, qualquer francês poderia ensinar a um consumidor brasileiro como uma garrafa ajuda a entender as propriedades e o tipo de cada vinho.

Na França, as vinícolas só começaram a envasar seus vinhos em garrafas por volta do século XVIII, substituindo os tradicionais barris que ocupavam grandes espaços nos cafés e restaurantes das cidades. Foi por volta dessa época também que os fabricantes fixaram a quantidade em 750 ml ? um volume que é seguido à risca no país e que tem poucas alterações em outros mercados. Naquele século, as garrafas também foram adaptadas para sinalizar aos bebedores qual tipo de vinho elas possuíam ? em um tempo em que não havia rótulos. 

É por isso que as garrafas esguias indicam que seus vinhos são da região da Alsácia, na fronteira com a Suíça, ou que as mais altas e com "ombros" finos são de Borgonha. A única diferença entre elas se dava quando a bebida era fabricada nas terras de algum nobre, que costumava colocar o brasão da família em alguma parte do vasilhame.

Os vinho da região de Borgonha, por exemplo, têm garrafas altas, com ombros macios e pescoço fino, semelhante a um pequeno barril. Já os produzidos em Bordeaux ? muito famosos no Brasil ?, também conhecidos como vin frontignan, são tradicionalmente colocados em garrafas em formato de cone, hoje mais cilíndricos do que no século XVIII, quando o formato fazia com que fosse difícil manuseá-la. As garrafas bordelaises são comuns em outras regiões da França porque, na falta de tipos próprios, elas acabaram adotando o modelo considerado clássico. 

Parecida com a garrafa de Borgonha, apenas mais fina, os vinhos do Vale do Loire ficaram conhecidos no país por causa do brasão da região que se acostumou a gravar nos vinhos produzidos no território francês do antigo Império Angevino. Já os chamados provençais (nome dado por causa das vinícolas da região de Provença) usam duas formatações de garrafas: uma chamada de "flauta", com base estreita, semelhante a um espartilho de mulher, e uma muito parecida com a de Bordeaux, mas em um estilo mais clássico que, por isso, abriga vinhos mais caros. 

Flautas também dão o tipo das garrafas dos vinhos da Alsácia, cuja diferença é que são mais altas. O estilo é tão famoso que as vinícolas francesas conseguiram patenteá-la com exclusividade da região em um decreto assinado pelo governo francês em 1955. Geralmente as maiores garrafas das gôndolas dos supermercados da França, elas são parte da cultura vinícola do país e costumam ser consumidas especialmente para eventos especiais. 

Outra garrafa protegida por lei é a que envasilha os vinhos produzidos na região de Jura ? uma das raras que possuem uma litragem diferente: 620 ml. Chamado de clavelin ou vin jaune, esse vinho tem uma coloração amarela pelo seu método específico de produção: ele fica obrigatoriamente seis anos em um barril, sem nenhum tipo de manuseio, até que uma parte da bebida evapore.

Mas é possível identificar a procedência de um vinho apenas observando sua garrafa? Sim e não, porque a forma da garrafa não é uma patente que proíbe produtores de outros países de fabricarem embalagens semelhantes. É por isso que, apesar das diferenças, um supermercado brasileiro geralmente possui vinhos chilenos, argentinos ou até mesmo nacionais com a garrafa de Bordeaux, ou que os vinhos italianos geralmente sejam envasados em garrafas que, na França, são exclusivos de Borgonha. 


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