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Notícias Mundo

10 de maio de 2019

Guaidó pede ação e diz que Maduro ultrapassou

Guaidó pede ação e diz que Maduro ultrapassou "linhas vermelhas"

Familiares de parlamentares da Assembleia Nacional da Venezuela - opositores do regime que são acusados e detidos - contam que perdem o contato com eles após a prisão.

O deputado venezuelano e autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, pediu ação à comunidade internacional para resolver a crise no país. Ele acusa o presidente Nicolás Maduro de já ter passado todas as "linhas vermelhas" e cita como exemplo a detenção do deputado Edgar Zambrano, que qualifica de sequestro absurdo.

Familiares de parlamentares da Assembleia Nacional da Venezuela - opositores do regime que são acusados e detidos - contam que perdem o contato com eles após a prisão.

Refúgio

Nas últimas horas, foram registrados pedidos de abrigo de políticos em embaixadas estrangeiras. Agências de notícias informaram que o deputado Américo de Grazia refugiou-se na embaixada italiana.

Este não é o primeiro integrante do governo de Maduro a pedir abrigo. O deputado, Richard Blanco já tinha procurado refugio na embaixada da Argentina.

Esses deputados fazem parte de um grupo de dez, de quem o Supremo Tribunal retirou a imunidade parlamentar, depois de terem manifestado apoio ao autoproclamado presidente Juan Guaidó.

O pedido de refúgio dos dois parlamentares ocorre depois da prisão de Edgar Zambrano, vice-presidente da Assembleia Nacional, de quem também tinha sido retirada a imunidade.


Juan Guaidó - Foto: Reprodução/Instagram

Maduro

Do lado do presidente Nicolas Maduro, o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, advertiu os países que condenaram a detenção, na quarta-feira (8), do vice-presidente do Parlamento, Edgar Zambrano, para que não se intrometam nos assuntos internos venezuelanos.

Acrescentou que haverá novas medidas contra outros políticos venezuelanos, além dos parlamentares opositores dos quais a Assembleia Constituinte retirou a imunidade.

Estados Unidos

O secretário de Estado dos Estados Unidos (EUA), Mike Pompeo, exigiu, nessa quinta-feira (9) à noite, a "libertação imediata" do vice-presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Edgar Zambrano.

"Este é um ataque à independência do Poder Legislativo democraticamente eleito e faz parte dos constantes ataques do regime (do presidente Nicolás) Maduro para esmagar o livre debate na Venezuela", declarou Pompeo, em comunicado.

O chefe da diplomacia norte-americana disse que a "detenção arbitrária" do vice-presidente do Parlamento é "um ato inaceitável e ilegal que reflete, mais uma vez, a repressão do regime de Maduro".


Leandra Felipe - Repórter da Agência Brasil/EBC

"Zambrano deve ser libertado imediatamente", afirmou.

A declaração Pompeo foi dada um dia depois de aviso da embaixada virtual dos EUA em Caracas, que prometeu, em mensagem no Twitter, que "haverá consequências" se o parlamentar não for libertado.

"A detenção arbitrária de Edgar Zambrano pelas forças de segurança opressivas de (Nicolás) Maduro é ilegal e imperdoável",  disse a embaixada, cuja sede está na capital norte-americana.

A conta oficial da embaixada no Twitter é administrada pelo Departamento de Estado norte-americano, em Washington.

Prisão

Na última quarta-feira, ao fim do dia, Zambrano foi detido por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência da Venezuela (Sebin, serviços secretos) quando se encontrava dentro do seu carro, à porta da sede do partido Ação Democrática, em Caracas.

Como se recusou a sair do carro, a polícia rebocou o carro para a prisão do Sebin, denominada Helicoide.

Papa torna obrigatório que religiosos denunciem abusos sexuais

Papa torna obrigatório que religiosos denunciem abusos sexuais

O pontífice determinou que todas as dioceses do mundo devem criar, antes de junho de 2020, sistemas acessíveis a quem quiser fazer denúncias, além de garantir proteção e assistência aos denunciantes.

O papa Francisco assinou norma, nessa quinta-feira (9), que torna obrigatório aos membros do clero denunciar suspeitas de abusos sexuais, de poder ou de acobertamento de casos ocorridos dentro da Igreja Católica. O documento estabelece, assim, um novo procedimento a ser seguido nas dioceses, além de exigir rapidez nas investigações preliminares.

O pontífice determinou que todas as dioceses do mundo devem criar, antes de junho de 2020, sistemas acessíveis a quem quiser fazer denúncias, além de garantir proteção e assistência aos denunciantes. As novas regras são ditadas no Motu Proprio (documento de iniciativa do próprio papa) Vos estis lux mundi (Vós sois a luz do mundo).

"Para que tais fenômenos, em todas as suas formas, não aconteçam mais, é necessária uma conversão contínua e profunda dos corações, atestada por ações concretas e eficazes que envolvam todos na Igreja, de modo que a santidade pessoal e o empenho moral possam concorrer para fomentar a plena credibilidade do anúncio evangélico e a eficácia da missão da Igreja", afirmou o papa.

As novas regras fazem parte da promessa feita por ele de erradicar os abusos sexuais dentro da Igreja, após a inédita cúpula no Vaticano com representantes de todas as conferências episcopais para tratar da questão. As regras se aplicam a todos os casos em que "se obrigue alguém, com violência ou ameaça ou por meio do abuso de autoridade, a realizar ou sofrer atos sexuais; realizar atos sexuais com menor ou pessoa vulnerável; produzir, exibir, possuir ou distribuir material pornográfico infantil", segundo o Artigo 1º do documento.


Foto: Reprodução/Instagram

O texto inclui medidas voltadas aos casos de violência contra as mulheres do clero, assim como o assédio a seminaristas ou noviços e os crimes de acobertamento, além de "ações ou omissões voltadas para interferir ou evitar investigações civis ou canônicas, administrativas ou penais".

A maior novidade apresentada no documento é que os religiosos têm a "obrigação de informar a um bispo ou superior religioso, o que não interfere nem modifica nenhuma outra obrigação de informar às autoridades civis competentes".

No texto, o papa Francisco afirma que, embora muito já tenha sido feito, é preciso continuar "a aprender com as lições amargas do passado, a fim de olhar com esperança para o futuro". Para ele, essa responsabilidade recai primeiramente sobre os que estão no governo pastoral.

"Por isso, é bom que se adotem, em nível universal, procedimentos que tendem a prevenir e contrastar esses crimes que traem a confiança dos fiéis", alertou o pontífice na apresentação inicial das novas regras. 

06 de maio de 2019

Extinção acelera e 1 milhão de espécies estão ameaçadas, diz ONU

Extinção acelera e 1 milhão de espécies estão ameaçadas, diz ONU

Pelo menos 680 animais vertebrados foram extintos desde o século 16. Mais de 9% de todas as raças domésticas de mamíferos, usados para obtenção de comida e na agricultura, desapareceram até 2016.

O ritmo de extinção de espécies de animais e plantas está acelerando de forma inédita no mundo e já coloca mais de 1 milhão de espécies sob risco. A conclusão é do mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Ecossistema (IPBES, na sigla em inglês).

O relatório contou com informações de 145 cientistas de 50 países e a análise de 15 mil fontes de dados, no que é apontado pela plataforma intergovernamental como o mais extenso relatório sobre o tema já feito. 

"A maior evidência da Avaliação Global do IPBES, num vasto leque de diferentes áreas de conhecimento, apresenta um quadro sinistro", disse o presidente do IPBES, Robert Watson. "A saúde dos ecossistemas dos quais nós e todas as outras espécies dependem está se deteriorando mais rapidamente do que nunca. Estamos erodindo as fundações de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo".

Segundo dados do estudo, a média de espécies nativas na maioria dos principais habitats terrestres diminuiu 20% desde 1900. Pelo menos 680 animais vertebrados foram extintos desde o século 16. Mais de 9% de todas as raças domésticas de mamíferos, usados para obtenção de comida e na agricultura, desapareceram até 2016. Pelo menos outras mil raças estão ameaçadas. 

Mais de 40% das espécies de anfíbios, 33% dos corais e mais de 33% de todos os mamíferos marinhos também estão sob ameaça. O quadro não é tão claro ao analisar o risco dos insetos, mas estimativas apontam para ameaça de 10% das espécies. 

O relatório apontou ainda as principais causas de extinção das espécies: mudanças no uso da terra e dos mares, exploração animal, mudanças climáticas, poluição e competição com outras espécies invasoras. A expectativa é de que, nos próximos anos, as mudanças climáticas passem a ser o fator mais relevante no aumento do risco às espécies.

Outra conclusão do relatório é a que a diversidade das espécies, suas relações com o ambiente, assim como os benefícios extraídos pela humanidade da natureza, estão se deteriorando rapidamente. Ainda assim, ainda há tempo de criar uma alternativa sustentável para o planeta. 

A solução, porém, não deve ser alcançada pelas metas globais de sustentabilidade já traçadas (e que não deverão ser alcançadas). O relatório aponta ser preciso uma nova transformação social, econômica, política e tecnológica. 

O risco de extinção das espécies deve minar o alcance de 80% das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável relacionados a pobreza, fome, saúde, acesso à água, cidades, clima, terras e oceanos.

Outros dados do relatório

- Três em cada quatro ambientes terrestres e cerca de 66% dos ambientes marinhos foram significantemente alterados pela ação do homem. Na média, esses impactos foram menores ou inexistentes em áreas de ocupação indígena e de comunidades locais.

- Mais de um terço da superfície terrestre e cerca de 75% das fontes de água doce estão reservadas para agricultura ou pecuária

- A degradação do solo reduziu a produtividade em 23% da superfície

- Mais de U$ 577 bilhões anuais em plantações estão em risco, devido à perda de polinizadores, e uma população entre 100 e 300 milhões de pessoas estão sob ameaça de enchentes e furacões por causa da perda de habitat marinhos, que servem de proteção à costa. 

- A poluição por plástico aumentou dez vezes desde 1980.

China autoriza importação de gordura de porco do Brasil

China autoriza importação de gordura de porco do Brasil

Ministra Tereza Cristina visita quatro países do continente asiático.

O governo chinês autorizou a exportação de gordura comestível de carne de porco do Brasil, disse hoje (5) o presidente da República, Jair Bolsonaro, em sua conta no Twitter. “Para suprir uma lacuna de demanda deixada pela peste suína, o governo chinês autorizou exportadores de carne de porco do Brasil a embarcar também a gordura comestível do animal. A medida atende a um pedido feito pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)”, escreveu o presidente.

Bolsonaro acrescentou que, segundo a entidade, o subproduto tem valor de mercado superior ao das carnes tradicionais. “Até o fim de 2019, a China pode ter um déficit de oferta de 1 milhão a 2 milhões de toneladas no processamento de suínos. Podemos avançar muito neste setor”, destacou.

Visita à Ásia

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com o surto de peste suína africana atacando os rebanhos chineses, o Brasil quer ampliar o fornecimento de carnes para a China, que é a maior produtora e consumidora da proteína suína no mundo.


Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina - Arquivo/Agência Brasil

O ministério estima que o país asiático perdeu cerca de 30% de rebanho de suínos em decorrência da dA partir de amanhã (6), a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, junto com comitiva, inicia viagem de 16 dias por quatro países do continente asiático – Japão, China, Vietnã e Indonésia.

Segundo o ministério, o Brasil tem 79 plantas de frigoríficos com possibilidade de serem habilitadas para exportar para a China. Em visita no ano passado, técnicos chineses vistoriaram 11 frigoríficos. Desses, um foi reprovado e dez tiveram de fornecer informações adicionais. Agora, os chineses solicitaram ao Brasil a lista dos estabelecimentos autorizados a vender para a União Europeia, que totalizam 33.

Além dessa lista, a comitiva brasileira levará dados sobre estabelecimentos inspecionados, mas que não são habilitados para a União Europeia; lista de produtores de suínos habilitados para outros mercados exigentes como Estados Unidos e Japão e produtores de bovinos, aves e asininos habilitados para outros mercados exigentes com exceção da União Europeia.

Japão

Durante a viagem à Ásia, a ministra vai discutir também com as autoridades japonesas a abertura de mercado para material genético, abacate, estabilizantes, extrato de carne e carnes bovinas. Na China, também haverá debate sobre exportação de produtos de organismos geneticamente modificados, suco de laranja, novas tecnologias, melão, status sanitário de produtos brasileiros e empresas de lácteos.

Na visita, a ministra participará do Encontro de Ministros da Agricultura do G20, que ocorrerá em Niigata (Japão) no dia 11 de maio, e terá reuniões com autoridades de outros países, além da Ásia.

Com o vice-ministro da Agricultura da Rússia, por exemplo, Tereza Cristina pretende tratar de soja, pescado, farinhas e trigo. No Vietnã e na Indonésia, a ideia é abrir para a venda de bovinos vivos, farinha e melão. Cerca de 100 empresários, parlamentares e representantes de associações produtoras integram a comitiva. Os custos da viagem serão arcados por cada integrante, informou o ministério. 

03 de maio de 2019

Guaidó pede manifestação pacífica neste sábado na Venezuela

Guaidó pede manifestação pacífica neste sábado na Venezuela

O Grupo de Lima vai se reunir hoje para analisar a situação do país.

O deputado venezuelano e autodeclarado presidente interino Juan Guaidó voltou a apelar ao povo venezuelano para que saia às ruas neste sábado (4), numa manifestação pacífica frente às bases militares do país, de modo a pedir ao Exército que deixe de apoiar Nicolás Maduro. Entretanto, o Grupo de Lima vai se reunir hoje para analisar a situação do país, onde foi decretada a prisão do líder da oposição, Leopoldo López, agora refugiado na embaixada espanhola em Caracas.

Em sua conta no Twitter, Guaidó escreveu: “Sábado, dia 4: mobilização pacífica nacional nas principais unidades militares para que se juntem à Constituição”.

“Convoco todos os setores do país a pronunciar-se e a exigir o fim da usurpação, a ação constitucional das Forças Armadas, a sua participação na Operação Liberdade e a organizar e realizar um dia de greve ou protesto setorial durante a próxima semana”.


Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O Exército é ator central no poder venezuelano, pois domina o setor de petróleo, do qual o país obtém 96% de suas receitas.

“Continuar nas ruas é a única maneira de manter a atenção, pressão e ação da comunidade internacional, impulsionar a ação constitucional das Forças Armadas e demonstrar a quem ainda apoia o ditador que não haverá estabilidade enquanto a usurpação continuar”, acrescentou.

Guaidó destacou, no entanto, a importância de que essas manifestações sejam pacíficas. “Peço a todos que mantenham o caráter massivo e pacífico dos protestos e que não coloquem a vida em risco”.

Facebook bane extremistas de suas redes sociais

Facebook bane extremistas de suas redes sociais

Entre os banidos estão Alex Jones, radialista americano de extrema direita, Louis Farrakhan, líder do grupo Nação do Islã, e Milo Yiannopoulos, comentarista político britânico e ex-editor do site de extrema direita americano Breitbart News.

Numa tentativa de reduzir o conteúdo extremista em suas plataformas, o Facebook baniu vários extremistas americanos, conhecidos por seus discursos de ódio, e alegou que eles violaram sua proibição de "indivíduos perigosos".

Entre os banidos estão Alex Jones, radialista americano de extrema direita e teórico da conspiração, Louis Farrakhan, líder do grupo Nação do Islã, que é acusado de antissemitismo, e Milo Yiannopoulos, comentarista político britânico e ex-editor do site de extrema direita americano Breitbart News.

Também foram punidos Paul Nehlen, que concorreu como "candidato cristão branco" na eleição de 2018 para o Congresso dos Estados Unidos, Paul Joseph Watson, radialista britânico e teórico da conspiração, e Laura Loomer, ativista política que trabalhou como repórter da página canadense de extrema direita Rebel Media.

O banimento se aplica tanto à rede social Facebook quanto ao Instagram. As páginas de fãs (fanpages) e outras contas relacionadas também foram enquadradas na proibição, afirmou ontem (2) o Facebook.


Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Proibição

A medida faz parte de um esforço conjunto do gigante das redes sociais para remover indivíduos, grupos e conteúdos extremistas de sua plataforma. No mês passado, o Facebook baniu vários grupos britânicos de extrema direita – incluindo a Liga de Defesa Inglesa e o Partido Nacional Britânico – e instituiu uma proibição ao conteúdo nacionalista branco.

"Indivíduos e organizações que disseminam ódio, ou atacam ou pedem a exclusão de outro com base no que eles são não têm lugar no Facebook", afirmou a empresa.

Críticos elogiaram a decisão, mas disseram que mais precisa ser feito.

"Sabemos que continuam existindo  outras figuras extremistas que ativamente usam ambas as plataformas para disseminar seu ódio e preconceito", disse Keegan Hankes, analista da Southern Poverty Law Center, uma organização que monitora grupos de ódio nos Estados Unidos.

O Facebook insistiu que sempre baniu contas e páginas que proclamam uma missão violenta ou odiosa ou estão envolvidas em atos de ódio ou violência, independentemente da ideologia política.

02 de maio de 2019

Protestos na Venezuela já fizeram dois mortos e dezenas de feridos

Protestos na Venezuela já fizeram dois mortos e dezenas de feridos

Juan Guaidó confirmou a segunda morte em sua página no Twitter

Os protestos dessa quarta-feira (1º) na Venezuela levaram à morte de uma mulher, depois de, no dia anterior, ter morrido um jovem em Aragua. O segundo dia consecutivo de manifestações teria ainda deixado quase 50 pessoas feridas mas, de acordo com o Serviço Municipal de Saúde, todas estão fora de perigo. As manifestações poderão continuar hoje.

Jurubith Rausseo, de 27 anos, morreu numa clínica depois de ter sido atingida na cabeça por uma bala durante os protestos. A informação é da organização não governamental Observatório Venezuelano de Conflito Social.

Juan Guaidó confirmou essa morte em sua página no Twitter. “Comprometo-me a fazer com que a morte de Jurubith Rausseo, de apenas 27 anos, numa sala de cirurgia, pese a quem decidiu disparar contra um povo que decidiu ser livre”, afirmou.


Foto: Agência Brasil

“Isso tem de parar, e os assassinos terão de ser responsabilizados pelos seus crimes. Dedicarei a minha vida a que assim seja”, acrescentou o presidente interino do país.

Crise

A Venezuela vive enorme tensão política desde janeiro deste ano, quando Maduro tomou posse de um novo mandato que não é reconhecido pela oposição e por parte da comunidade internacional. Guaidó se autoproclamou presidente de um governo interino, que conta com o apoio de mais de 50 países.

Paralelamente, o país sul-americano vive a pior crise econômica de sua história, o que gera protestos diários para denunciar a escassez severa de alimentos e remédios e a péssima prestação de serviços públicos.

01 de maio de 2019

29 de abril de 2019

Socialistas vencem eleições na Espanha, mas veem ascensão da ultradireita

Socialistas vencem eleições na Espanha, mas veem ascensão da ultradireita

Eleição espanhola teve alto comparecimento do eleitorado: 75%, o maior desde 2004 (houve quatro pleitos desde então).

Os socialistas venceram as eleições parlamentares da Espanha neste domingo (28), mostram os dados da apuração oficial, mas não conquistaram maioria para governar sozinhos.

Já seu principal rival, o Partido Popular (PP, de direita), pode ter sofrido um revés histórico, vendo sua bancada encolher em torno de 50%.

Os resultados também confirmam a entrada no Congresso de deputados do Vox, a primeira legenda de ultradireita a chegar ali desde o fim da ditadura de Francisco Franco, em 1975.

Mas não se concretizou, ao que parece, a onda de conservadorismo radical que, segundo analistas, poderia alçar a sigla novata ao terceiro lugar, à frente de Cidadãos (centro) e Podemos (ultraesquerda).

Outro destaque é o alto comparecimento do eleitorado, de 75%, o maior desde 2004 (houve quatro pleitos desde então).


Foto: POOL/Agência Brasil

Com 98,6% das urnas apuradas, o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) teria 123 cadeiras na próxima legislatura, um crescimento expressivo em relação às 85 atuais e a melhor marca desde 2008.

O desempenho, se confirmado, legitima Pedro Sánchez como líder partidário. Derrotado nas eleições gerais de 2015 e 2016, que não produziram maiorias claras para formar governo, ele queria um terceiro embate com o então premiê, Mariano Rajoy (PP).

Foi forçado por correligionários a recuar do plano e acabou deixando o comando da agremiação. Voltou no ano seguinte, impulsionado pela base, e conseguiu, em junho de 2018, fazer aprovar uma moção de desconfiança na gestão Rajoy que o transformou em primeiro-ministro.

Dito isso, Sánchez vai precisar do apoio do Podemos e de outras legendas menores (algumas das quais ligadas ao separatismo catalão, o que deve dificultar as conversas) para governar pela segunda vez.

O partido de esquerda radical sofreu um baque semelhante ao do PP, passando dos atuais 71 deputados para 42.

No campo da direita, o Partido Popular teria 66 assentos no próximo Congresso, contra 137 hoje. Tudo indica que será a pior performance da história do establishment conservador espanhol.

Criado em 2013 por egressos do PP, o Vox adentra o Legislativo nacional com 24 deputados, marca vigorosa, porém inferior à que as pesquisas mais recentes apontavam (entre 29 e 27).

Na centro-direita, o Cidadãos, que buscou durante a campanha se posicionar como "o" partido para quem desejasse desalojar Sánchez do Palácio da Moncloa (sede do governo), deve passar de 32 cadeiras a 57, fortalecimento que, no entanto, não será suficiente para desbancar o tradicional PP.

28 de abril de 2019

Espanhóis vão às urnas para escolher novo Congresso

Espanhóis vão às urnas para escolher novo Congresso

Favorito, partido de Sánchez pode ter dificuldade para formar coalizão

As seções eleitorais na Espanha foram abertas neste domingo (28) para a eleição dos novos membros do Legislativo do país, composto por 350 deputados e 208 senadores.

Os socialistas do PSOE aparecem como os favoritos, mas a incógnita é se a sigla e outras legendas de esquerda vão conquistar cadeiras suficientes na Câmara para formar uma coalizão estável ou se os partidos liberais e de direita terão cadeiras suficientes para formar o seu próprio bloco. A eleição ainda deve marcar a entrada no Parlamento de um partido de extrema direita, uma corrente política que, nas últimas quatro décadas, teve papel secundário no país.

O pleito deve se estender das 9h às 20h (horário local, 4h e 15h em Brasília) – exceto nas Ilhas Canárias, onde todo o processo se realiza uma hora mais tarde. Assim, nenhum dado será conhecido antes das 21h locais.

Mais de 36 milhões de espanhóis foram convocados a votar.  Entre eles estão mais de 2 milhões que vivem no exterior. Cerca de 1,2 milhão do total são jovens que vão votar pela primeira vez. O pleito ainda terá uma novidade: 100 mil pessoas com algum tipo de deficiência cognitiva também poderão exercer o direito, graças à reforma aprovada em 2018.

Para garantir segurança cibernética e física, o governo implantou um novo sistema para proteger o envio e o processamento de dados eleitorais, reforçou as medidas antiterroristas e convocou 92 mil agentes de diferentes forças policiais.

Um governo estável terá de ser apoiado por mais de metade (175) do total de deputados (350) que vão ser eleitos para o Congresso dos Deputados.

As sondagens, por enquanto, apontam para um resultado muito fragmentado, com cinco partidos ultrapassando 10% das intenções de voto, o que deve dificultar as negociações para formar uma coalizão de governo estável.

O favorito para chefiar um novo governo é o primeiro-ministro Pedro Sánchez, do PSOE, que desde junho do ano passado lidera o país. O partido de Sánchez, porém, não deve conquistar cadeiras suficientes para governar sozinho, o que significa que terá que buscar alianças com outras legendas. Tudo isso em um ambiente político que se complicou desde a tentativa de secessão fracassada da Catalunha.

De longe, a novidade dessas eleições é o surgimento do partido de extrema-direita Vox, que parece prestes a fazer sua estreia no Parlamento nacional.  Fundado por um ex-membro do conservador Partido Popular (PP), com uma forte postura contra a imigração ilegal, o Vox cresceu graças à sua linha dura contra os separatistas na Catalunha.

Sánchez foi forçado a convocar as eleições antecipadas deste domingo depois que legisladores pró-independência catalães no Parlamento nacional, irritados com o julgamento de seus líderes em Madri, recusaram-se a lhe dar o apoio necessário para a aprovação do orçamento para 2019.

O PSOE lidera as sondagens com cerca de 30%, seguido do PP (Partido Popular, direita) com quase 20% e um grupo de três partidos entre 10 e 15%: Cidadãos (direita liberal), Podemos (extrema-esquerda) e Vox (extrema-direita).

A fragmentação partidária e a porcentagem elevada de indecisos detectada pelas pesquisas de opinião, cerca de 40%, também dificultam muito as análises sobre as várias possibilidades pós-eleitorais para a formação de coalizões.

Por isso, mesmo depois de o resultado ser divulgado, ainda pode demorar semanas, ou até mesmo meses, até que a Espanha conheça o seu novo primeiro-ministro.

Cristina Kirchner reaparece e sugere candidatura na Argentina

Cristina Kirchner reaparece e sugere candidatura na Argentina

No livro "Sinceramente", Cristina abre o jogo sobre como se sentiu ao ter de entregar o cargo a Macri

Na semana em que o presidente argentino, Mauricio Macri, teve um desgaste inédito com a disparada recorde do dólar e da inflação, a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015) mostra-se novamente como boa estrategista. Colocou à venda "Sinceramente" (Sudamericana), um livro em que conta alguns bastidores do poder, ataca o atual governo, defende-se das acusações de corrupção e anuncia, nas entrelinhas, sua candidatura para as eleições de outubro deste ano.

O lançamento oficial da obra será apenas no dia 9 de maio, em um evento na Feira Internacional do Livro, de Buenos Aires, que está ocorrendo na cidade até 13 de maio. Distribuído às livrarias na manhã da última quinta-feira (25), em menos de 24 horas sua primeira edição, de 60 mil volumes, já estava esgotada. Neste fim de semana, uma nova impressão está sendo preparada às pressas, para que uma nova fornada do livro já esteja disponível nas livrarias na próxima segunda-feira (29).

O curioso é que esse fenômeno de vendas da ex-presidente ocorre num momento em que o mercado editorial argentino, por conta da crise local, não anda nada bem. Editoras grandes estão tendo prejuízo, e muitas das pequenas estão fechando, enquanto livros importados vêm custando cada vez mais caro por conta da alta do dólar. "As vendas não vão bem já há alguns anos, mas acreditamos que num espaço como a Feira do Livro se possa promover mais a leitura", disse à reportagem Oche Califa, diretor do evento que reúne ao redor de 1 milhão de visitantes todo ano. "Um milhão de visitas infelizmente não tem correspondido a um milhão de vendas, muitos vêm só para passear, mas esperamos estimular a compra das obras", conclui.

Nesse contexto, o furor por "Sinceramente" está deixando autores, editores e, principalmente, os políticos opositores a Cristina morrendo de inveja. Um livro considerado best-seller no país hoje vende por volta de 50 mil exemplares. Cristina vendeu mais que isso em apenas um dia e provavelmente dobrará essa marca na próxima semana. Enquanto na abertura da feira o secretário de Cultura de Macri, Pablo Avelluto, foi vaiado durante sua fala de inauguração, os organizadores do evento agora quebram a cabeça para resolver como vão fazer caber dentro do espaço tanto seguidores de Cristina no dia do lançamento de seu livro, cuja apresentação terá entrada gratuita.

Por outro lado, o livro, se analisado com atenção, não traz tantas novidades, e se nota uma edição feita às pressas, para aproveitar o "timing" político da má fase de Macri. Na obra, ela faz a defesa de seus filhos, especialmente de Florencia Kirchner, 28, internada para tratamento médico em Cuba, acusada de corrupção e cuja presença na Argentina é requerida pela Justiça local. Florencia teve transferidos à sua conta milhões de dólares cuja procedência é, supostamente, ilícita.

Chama atenção no livro a escolha da cor azul para a capa, num tom um pouco mais escuro que o celeste da bandeira argentina. É uma cor muito simbólica para evocar um "peronismo puro", algo que sempre é motivo de disputa em tempo de eleições -só neste período de pré-campanha há quatro candidatos peronistas.

Ainda na capa, a palavra "sinceramente", escrita à mão é corroborada pelos próprios editores, pois Cristina teria escrito o livro sozinha, sem "ghost writers" e passado por um processo de edição com quase nada de intervenção. Segundo a própria Cristina, não é uma obra nostálgica, e sim um retrato de como se sente hoje.

No livro, a defesa das acusações de corrupção é evasiva, não vai aos detalhes técnicos das investigações, e as classifica como uma "perseguição política". A ex-presidente admite ter cometido erros e evoca o movimento feminista que tomou o país nos últimos anos, mas do qual ela mesma nunca foi um símbolo, até aqui. "Sou Cristina, uma mulher, com tudo o que implica ser mulher na Argentina. Com uma vida em que se cruzaram sucessos e frustrações, acertos e erros, mas que foi honestamente vivida sem nunca abandonar minhas convicções."

Cristina também abre o jogo sobre como se sentiu ao ter de entregar o cargo a Macri: "Muitas vezes, depois do resultado divulgado, pensei na cena, em que eu entregava o bastão a Mauricio Macri!! Isso me destruía o coração. Mais pensei em muitas maneiras de faze-lo. Numa delas eu tirava a faixa e a deixava sobre uma mesa junto com o bastão presidencial, depois, dava as costas a ele (Macri) sem ver nada mais do que ocorria".

Na verdade, Cristina, depois de discussões diretas com Macri, acabou nem aparecendo no dia da posse. Quem entregou o mando do país a Macri foi o então líder do Senado, Federico Pinedo, que ficaria famoso em memes e piadas como "o presidente da Argentina por 12 horas", período em que, de fato, ficou com o poder, enquanto Cristina ia embora e Macri preparava-se para assumir. Cristina se abre sobre isso: "Todo o Cambiemos (aliança que elegeu Macri) queria essa foto minha entregando o mando do país a Macri. Então eu seria caracterizada como eles sempre me chamaram, a 'jumenta', a autoritária, por fim rendendo-se. Não podia deixar que isso acontecesse".

Não se conhece nem se pode prever nada sobre a eleição de outubro. Mas o fato é que a última semana, com Macri em queda por conta da situação econômica negativa e sem perspectivas de melhora rápida, e Cristina sabendo pegar a onda que está se formando em seu favor, configuram um quadro novo, quando até pouco tempo atrás se falava de uma reeleição fácil do atual presidente. Os próximos meses serão de disputa acirrada e sujeitos a novas surpresas.

27 de abril de 2019

Medina é eliminado por John John nas quartas em Bells

Medina é eliminado por John John nas quartas em Bells

O brasileiro terminou a bateria com a somatória de 15,17 pontos (6,67 e 8,50) e não superou os 16,87 pontos de John John, que recebeu notas 8,87 e 8,00 nas suas duas melhores ondas.

Gabriel Medina está eliminado da etapa de Bells Beach, na Austrália, a segunda da temporada 2019 do Circuito Mundial de Surfe. O bicampeão mundial caiu nas quartas de final contra o havaiano John John Florence.

Medina terminou a bateria com a somatória de 15,17 pontos (6,67 e 8,50) e não superou os 16,87 pontos de John John, que recebeu notas 8,87 e 8,00 nas suas duas melhores ondas.

O surfista de Maresias amarga a segunda eliminação seguida nas quartas. Na estreia da temporada, ele parou na mesma fase na etapa de Gold Coast, também na Austrália.


Foto: Reprodução/Instagram

Outro brasileiro que se despediu hoje nas quartas de Bells foi Italo Ferreira. Campeão em Gold Coast, o líder do ranking caiu contra o sul-africano Jordy Smith.

O brasileiro foi punido com uma interferência por surfar uma onda na frente do adversário sem ter a prioridade. Com isso, teve sua segunda melhor nota zerada e terminou com 8,40 no total, contra 15,23 de Jordy (7,33 e 7,90). Depois da interferência, Italo não esperou o fim da bateria e já saiu do mar.

O único brasileiro que segue vivo em Bells é Filipe Toledo. Filipinho bateu o australiano Jacob Willcox nas quartas e avançou à decisão depois de eliminar o também australiano Ryan Callinan na semifinal.

25 de abril de 2019

Sarah Menezes e mais 17 atletas representam o Brasil no Pan-Americano de Judô

Torneio é disputado até o dia 28 de abril, na cidade de Lima, Peru, e servirá como classificatório para os Jogos Pan-Americanos 2019.

Atualização às 15 horas

Sarah Menezes iniciou o torneio com vitória sobre a argentina Oritia Gonzalez, nas punições. Brasileira imprimiu maior volume de ataques e forçou 3 shidos (penalidade mais fraca no judô).

Agora, a piauiense vai enfrentar a paulista Larissa Pimenta, uma das revelações da nova geração do judô brasileiro.

Notícia original

A judoca piauiense Sarah Menezes integra a equipe do Time Judô Rio que participará do Campeonato Pan-Americano de Judô, disputado desta quinta-feira (25) até o domingo (28), na cidade de Lima, capital do Peru.

Além de Sarah (meio-leve), do Flamengo, também foram convocados, pela equipe Time Judô Rio, outros dois atletas: Rafaela Silva (leve) e David Moura (pesado), ambos do Instituto Reação.

Além do trio, completam a seleção brasileira no Campeonato Pan-Americano os seguintes atletas: Nathália Brígida (ligeiro), Larissa Pimenta (meio-leve), Aléxia Castilhos (meio-médio), Maria Portela (médio), Mayra Aguiar (meio-pesado), Maria Suelen Altheman (pesado), Beatriz Souza (pesado), Eric Takabatake (ligeiro), Daniel Cargnin (meio-leve), David Lima (leve), Lincoln Neves (leve), Eduardo Yudy Santos (meio-médio), Rafael Macedo (médio), Leonardo Gonçalves (meio-pesado) e Rafael Silva “Baby” (pesado).

Sarah Menezes está entre os 18 atletas que integram a seleção brasileira que participarão do Campeonato Pan-Americano de Judô (Foto: Federação Internacional de Judô)

Os atletas foram selecionados após passar por treinamento de campo em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, que contou com representantes de oito países, entre eles potências como França e Holanda, e adversários continentais - Chile, Equador e Argentina. 

Esta será a penúltima competição antes do Mundial Tóquio 2019, que acontece entre os dias 25 de agosto a 1 de setembro.

Além de valer o sexto ponto no Ranking Mundial, o Pan de Judô servirá também como etapa classificatória e evento-teste para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2019. Ele e a Copa Pan-Americana, que acontecerá nos dias 22 e 23 de maio na Cidade do Panamá, formarão o ranking pan-americano que definirá os classificados para os Jogos de Lima. 

Haverá ainda o Grand Slam de Baku, no Azerbaijão, de 10 a 12 de maio, último torneio a contar pontos para o ranking antes da convocação para o Mundial, mas Sarah Menezes não participará desta competição. 

A escolha dos nomes foi baseada nos critérios de convocação estabelecidos pela Comissão Técnica e apresentados no final de 2018 durante a última etapa da Seletiva Nacional – Tóquio 2020, em Lauro de Freitas (BA). 

A seleção brasileira que vai a Lima tem quatro medalhistas olímpicos. Além de Sarah (ouro em Londres 2012) e Rafaela Silva (ouro na Rio 2016), também já conquistaram medalhas em Jogos Olímpicos: Mayra Aguiar (bronze em Londres 2012 e bronze na Rio 2016), e Rafael Silva, o "Baby" (também bronze nas últimas duas Olimpíadas).

5º lugar em Grand Prix

Sarah Menezes ficou em quinto lugar no Grand Prix de Antalya, na Turquia, disputado no início deste mês.

Em sua segunda competição internacional no ano na categoria meio-leve, para a qual mudou há poucos meses, a piauiense só perdeu na etapa classificatória para a azeri Gultaj Mammadaliyeva. Sarah começou perdendo por um waza-ari, buscou o empate no tempo normal, mas acabou sofrendo uma segunda projeção no golden score e terminou em quinto lugar.

Para chegar à semifinal, Sarah venceu Arbresha Rexhepi, da Macedônia, Khorloodoi Bishrelt, da Mongólia, e Joana Ramos, de Portugal.

Já na semi, Sarah foi derrotada pela romena Andrea Chitu, duas vezes vice-campeã mundial na categoria até 52 kg.

23 de abril de 2019

Ataques no Sri Lanka foram represália a massacre na Nova Zelândia

Ataques no Sri Lanka foram represália a massacre na Nova Zelândia

Também nesta terça, o grupo Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do ataque, por meio da agência de notícias Amaq, ligada ao grupo.

Os atentados que causaram mais de 300 mortos no Sri Lanka no domingo de Páscoa (21) foram em resposta ao massacre em duas mesquitas na Nova Zelândia em março, disse o governo do país asiático nesta terça-feira (23).
"As investigações preliminares apontam que o ocorrido no Sri Lanka foi em represália pelo ataque aos muçulmanos em Christchurch", disse Ruwan Wijewardene, ministro da Defesa do país, ao Congresso. Ele não deu mais detalhes.
Os ataques na Nova Zelândia foram realizados em 15 de março. Um homem armado invadiu duas mesquitas e matou 50 pessoas. O atirador foi preso pela polícia e publicou um manifesto, no qual defende ideias supremacistas brancas e questiona a presença de muçulmanos em países da Europa.
Também nesta terça, o grupo Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do ataque, por meio da agência de notícias Amaq, ligada ao grupo. No entanto, não foram apresentadas evidências da participação.
Para o governo do Sri Lanka, o ataque foi realizado pelo grupo local NTJ (National Thowheeth Jama'ath), com apoio do movimento radical islamita JMI (Jammiyathul Millathu Ibrahim), da Índia. Ambos os grupos são pouco conhecidos e não reivindicaram a autoria das explosões.O governo do Sri Lanka, no entanto, considera que pode ter havido ajuda de outros grupos terroristas estrangeiros. O primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, disse acreditar que os ataques possuem ligação com o EI.
Agentes do FBI ajudam nas investigações dos atentados, que o governo do Sri Lanka acredita que foram realizados com apoio estrangeiro.
Membros do setor de inteligência do governo dos EUA ouvidos pela agência Reuters disseram que os ataques trazem elementos geralmente usados pelo Estado Islâmico, mas chamam a atenção para o fato de que o grupo demorou a se pronunciar.
O EI costuma ser rápido ao reivindicar sua participação em ataques contra alvos estrangeiros ou grupos religiosos, mesmo que não tenha se envolvido nas ações, disseram esses agentes.
Até agora, o governo do Sri Lanka prendeu cerca de 40 pessoas na investigação, incluindo um sírio. Realizados com homens-bomba, os ataques no domingo atingiram três igrejas e sete hotéis. Houve ao menos 321 mortos e 500 feridos.
Nesta terça, foi declarado um dia de luto oficial. Cerimônias para enterrar as vítimas estão sendo realizadas pelo país.

Atentados mostram que influência do Estado Islâmico persiste, diz analista

Atentados mostram que influência do Estado Islâmico persiste, diz analista

O governo do Sri Lanka apontou o pequeno grupo jihadista local NTJ (National Thowheeth Jama'ath, ou Organização Nacional Monoteísta) como autor de oito explosões no domingo

Os atentados que mataram quase 300 pessoas no Sri Lanka no domingo de Páscoa (21) mostram que a capacidade do grupo Estado Islâmico (EI) de influenciar ataques terroristas pelo mundo continua presente, diz Iain Overton, diretor da Ação em Violência Armada, entidade que trabalha para reduzir o número de mortes causadas por armas no mundo.

"É quase impossível dizer se [o ataque no Sri Lanka] foi feito por ordem direta do EI ou por sua influência. Mas o Estado Islâmico opera por meio da influência. A propaganda é um elemento da estratégia dele. Eles tentam repassar suas ideias para um grande número de grupos pequenos e lobos solitários", disse Overton à Folha, por telefone, do Reino Unido.

Com esta estratégia, o Estado Islâmico consegue estimular a realização ações terroristas em vários países do mundo, mesmo sem precisar se envolver diretamente, como enviar homens, armas ou bombas.

O governo do Sri Lanka apontou o pequeno grupo jihadista local NTJ (National Thowheeth Jama'ath, ou Organização Nacional Monoteísta) como autor de oito explosões no domingo, que atingiram igrejas cristãs e hotéis de luxo em três cidades do país. Ao menos 290 pessoas morreram e 500 ficaram feridas. Ninguém reivindicou a autoria do ataque.

"Não creio que [o NTJ] seja um grupo grande operando em Sri Lanka, mas certamente sabemos que há muitas, muitas pessoas lutando pelo EI em diferentes países. E o Sri Lanka é um deles", prossegue o jornalista, autor do livro "The Price of Paradise: How the Suicide Bomber Shaped the Modern World" (O Preço do Paraíso - Como Homens-Bomba Deram Forma ao Mundo Moderno, de 2019, não lançado no Brasil).


Foto: Reprodução

O NTJ se tornou conhecido no Sri Lanka depois seus membros atacaram estátuas budistas em dezembro, ação que chocou a maioria dessa religião. Abdul Razik, um dos responsáveis pelo grupo, foi preso várias vezes por incitamento ao ódio religioso. Em janeiro, a polícia do Sri Lanka apreendeu 100 kg de explosivos em um esconderijo e prendeu quatro extremistas islâmicos, mas nenhuma organização foi acusada.vPara o governo do país, os ataques da Páscoa foram realizados com apoio de uma rede internacional, mas não foram citados nomes.

Atentados com homens-bomba já haviam sido usados no país durante a guerra civil que durou de 1983 a 2009, pelo grupo Tigres de Liberação do Tamil Eelam, influenciado por ações realizadas pelo Hezbollah no Líbano. Esse grupo buscava criar um estado independente e foi derrotado pelo Exército do Sri Lanka. "O Tigres enviou lutadores para aprender com o Hezbollah como usar homens-bomba em ataques", diz Overton, que visitou o Sri Lanka em 2018 e conversou com ex-militantes que haviam concordado em ser homens-bomba durante a guerra civil do país.

Segundo ele, os atentados naquele período eram, em grande maioria, contra alvos do governo e das forças de segurança, e não contra civis. "Os atentados atuais ilustram como as justificativas jihadistas para atacar civis mudaram o foco do terrorismo em todo o mundo e como o EI tem influenciado o terror suicida", defende o analista.

No início da década, o grupo Estado Islâmico tomou o controle de partes do Iraque e da Síria. Em junho de 2014, este território foi proclamado como um califado pelo líder da facção, Abu Bakr al-Baghdadi. O paradeiro do terrorista iraquiano, que chegou a ser dado como morto, é desconhecido. No auge de sua expansão, o EI chegou a controlar, no Iraque e na Síria, uma área equivalente ao estado de São Paulo.

Em março de 2019, forças sírias apoiadas pelos EUA conquistaram o último bastião dominado pelo EI, na Síria. Mesmo assim, o grupo continua sendo considerado uma ameaça devido à sua capacidade de estimular ataques a nível global. "A derrota do EI no Iraque e na Síria não terminou com as ações de homens-bomba. Em 2016, 26 países tiveram ataques suicidas deste tipo. O Sri Lanka é um novo campo de atrocidades para eles", analisa Overton.

"É provável que mais ataques dessa natureza aconteçam de novo e de novo", prevê o jornalista. No entanto, ele acredita que as chances de novas ações no Sri Lanka nos próximos dias são pequenas. "Tudo pode acontecer, mas segundas ou terceiras ondas de ataque não são comuns após ações feitas por homens-bomba."

22 de abril de 2019

Homem mais rico da Dinamarca perdeu três filhos em ataques

Homem mais rico da Dinamarca perdeu três filhos em ataques

Povlsen é proprietário do grupo de moda Bestseller, que possui marcas como Vero Moda e Jack & Jones.

Anders Holch Povlsen, o homem mais rico da Dinamarca, perdeu três de seus quatro filhos durante os ataques terroristas ocorridos no Sri Lanka no domingo (21). 

Explosões em igrejas e hotéis do Sri Lanka mataram ao menos 290 pessoas. O governo local apontou um grupo jihadista como culpado pelos atos. 

Povlsen é proprietário do grupo de moda Bestseller, que possui marcas como Vero Moda e Jack & Jones. De acordo com a Forbes, ele possui cerca de US$ 7,9 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões) em patrimônio. 

As mortes foram confirmadas pela empresa, mas a identidade e a idade das vítimas não foram reveladas. "Pedimos que a privacidade da família seja respeitada e não faremos outros comentários", declarou à AFP Jesper Stubkier, gerente de comunicações da Bestseller. 

Segundo a imprensa dinamarquesa, Anders, sua esposa Anne e os quatro filhos estavam de férias no Sri Lanka. 

Considerado a pessoa mais rica na Dinamarca, Povlsen, 46, herdou o grupo de moda Bestseller, criado em 1975 por seus pais, Merete e Troels Holch Povlsen. A empresa possui cerca de 3.000 pontos de venda em 70 países.

Povlsen também é acionista majoritário da marca britânica de moda online ASOS e faz parte do capital da Zalando, especialista alemã em vendas pela internet.

O bilionário também possui o equivalente a 1% das terras da Escócia, além de uma grande reserva na Romênia dedicada à preservação de lobos e ursos, segundo a Forbes. 

Número de mortos em ataques no Sri Lanka sobe para 290

Número de mortos em ataques no Sri Lanka sobe para 290

Segundo o porta-voz do Sri Lanka, 24 pessoas foram detidas por suspeita de participação nos ataques.

O número de mortos na série de atentados coordenados que ocorreram no Sri Lanka no Domingo de Páscoa (21) subiu para 290. Cerca de 500 pessoas ficaram feridas. Os ataques, cometidos em alguns casos por homens-bomba, tiveram como alvos templos católicos e hotéis de luxo.

Ao divulgar o mais recente balanço de vítimas, o porta-voz da Polícia do Sri Lanka, Ruwan Gunasekara, anunciou que 24 pessoas foram detidas por suspeita de participação nos ataques.  Os detidos estão sendo interrogados pela divisão de investigação criminal da Polícia, acrescentou Gunasekara.

A maior parte dos mortos é de cidadãos do Sri Lanka, mas há pelo menos 32 estrangeiros entre as vítimas, incluindo cidadãos da Bélgica, dos Estados Unidos, da China, do Reino Unido, da Índia e de Portugal.

Nenhum grupo reivindicou a autoria das ações até o momento. Por enquanto, o governo segue divulgando informações dispersas sobre as suspeitas no caso. O ministro da Defesa, Ruwan Wijewardene, disse que os autores dos ataques foram identificados como "extremistas religiosos" e pertenciam a um único grupo, sem dar mais detalhes.

O ministro da Saúde do país, Rajitha Senaratne, disse que sete das oitos explosões foram cometidas por terroristas suicidas e que todos esses homens-bomba eram cidadãos do Sri Lanka. 

Rajitha Senaratne, um porta-voz do governo, por sua vez, afirmou que o ataque coordenado deve ter contado com ajuda externa. "Não acreditamos que esses ataques foram executados por um grupo de pessoas restrito a este país. Esses ataques não teriam sido bem-sucedidos sem uma rede internacional”, disse.

Segundo o jornal New York Times, um alto integrante da polícia do Sri Lanka advertiu o governo, há 10 dias, sobre o risco de atentados contra igrejas no país, e que a minoria cristã do país estava na mira de um grupo islâmico radical chamado Thowheeth Jama'ath. Não ficou claro, no entanto, se as autoridades tomaram alguma medida adicional de segurança. O primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe disse que não foi informado sobre a ameaça. "Temos que verificar por que precauções adequadas não foram tomadas", disse ele.

Após os ataques, a embaixada dos Estados Unidos em Colombo advertiu que "grupos terroristas" continuam preparando ataques no Sri Lanka. "Os grupos terroristas continuam tramando possíveis ataques no país. Os terroristas poderiam atacar, com pouca ou nenhuma advertência, áreas públicas", anunciou o Departamento de Estado por meio da sede diplomática americana no país asiático.

A embaixada americana cita como possíveis alvos desses ataques espaços turísticos, centros de transporte, mercados, shoppings, instalações do governo, hotéis, clubes, restaurantes, lugares de culto, parques, eventos esportivos e culturais importantes, instituições educativas e aeroportos.

21 de abril de 2019

Proposta nos Estados Unidos mira envio de imigrantes para interior

A ideia é simples e, ao mesmo tempo, desafiadora: o governo americano concederia vistos para imigrantes qualificados desde que eles vivessem e trabalhassem em estados no coração do país.

Uma nova política de imigração, direcionada para cidades menos desenvolvidas, poderia ajudar a resolver um dos principais problemas econômicos dos EUA: o declínio demográfico.

A ideia é simples e, ao mesmo tempo, desafiadora: o governo americano concederia vistos para imigrantes qualificados desde que eles vivessem e trabalhassem em estados no coração do país.

Segundo pesquisa do Grupo de Inovação Econômica (EIG), essas regiões têm perdido mão de obra para centros urbanos localizados nas áreas costeiras, como Nova York, Los Angeles, Boston e São Francisco, e ficado para trás quando o assunto é escolaridade e desenvolvimento econômico.

O presidente Donald Trump (Foto: Divulgação)

O debate acontece em meio à escalada das medidas anti-imigração do presidente Donald Trump, que defende a construção de um muro na fronteira com o México e disse que poderia enviar imigrantes ilegais detidos para as chamadas "cidades santuários" –locais comandados por democratas que se opõem às políticas migratórias da Casa Branca.

Os problemas de imigração são a trama central do governo Trump, que busca se cacifar para uma possível reeleição no ano que vem com o mesmo discurso nacionalista e protecionista que o levou à Presidência em 2016.

Somente em março deste ano, por exemplo, mais de 100 mil imigrantes ilegais foram levados sob custódia, estimulando a retórica do presidente de que há uma grave crise imigratória que precisa ser resolvida no país.

A maioria da população americana, no entanto, parece não concordar com esse discurso de ódio: dados divulgados pelo Pew Research Center no mês passado mostra que 59% avaliam que imigrantes são uma força e não um peso para o país –e destacam seus talentos no lugar de temer que eles roubem seus benefícios e postos de trabalho.

A proposta apresentada pelo estudo do EIG, no entanto, trata somente de pessoas que entrariam legalmente nos EUA como forma de impulsionar a economia das regiões mais centrais do país – hoje menos desenvolvidas.

Especialistas, porém, avaliam que o posicionamento da Casa Branca – que vê os imigrantes como uma ameaça à segurança nacional– não é suficiente para impedir que projetos como esse avancem, já que a legislação nos estados funciona de forma independente nos EUA.

"Concordo que essa é uma proposta desafiadora num cenário como esse [governo Trump], mas não é assunto impossível de ser debatido", afirma Ann Chih Lin, especialista em políticas públicas da Universidade de Michigan.

"A questão da imigração ser entendida como uma disputa entre republicanos e democratas é relativamente nova, começou com Trump, mas muitos republicanos apoiam a imigração, porque apoiam os negócios", completa.

A professora acredita que a implementação desse tipo de projeto –que já teve embriões em outras épocas no Congresso americano, capitaneados inclusive por republicanos– mudaria significativamente a política do país, pois obrigaria os estados a discutirem a imigração de maneira mais transparente.

Os economistas Adam Ozimek, Kenan Fikri e John Lettieri, autores da pesquisa do EIG, apontam que, de 2010 a 2017, mais de 85% dos municípios dos EUA cresceram menos que o resto do país –enquanto cidades costeiras se desenvolveram, as localizadas nas regiões mais centrais tiveram perda populacional, em alguns casos, de mais de 5%.

Esse declínio demográfico é uma das principais razões pelas quais vários analistas esperam que a economia americana cresça menos a partir de agora, o que tem preocupado investidores.

Com a proposta de canalizar imigrantes para essas regiões mais pobres e menos desenvolvidas, dizem os pesquisadores, seria possível driblar o ciclo vicioso criado pela fuga de mão de obra de cidades menores e mais rurais.

Na avaliação da professora de Michigan, porém, a solução não é tão simples e há pelo menos dois problemas a serem considerados na discussão do projeto.

Segundo ela, o emprego é o fator determinante para um trabalhador temporário escolher o local onde vai se estabelecer mas não está claro na proposta dos vistos quem chegaria primeiro: os imigrantes ou as empresas.

A outra questão, ela diz, é por que não priorizar os próprios americanos para suprir essa necessidade de mão de obra nas regiões centrais do país, visto que hoje os imigrantes também preferem as cidades mais desenvolvidas que, consequentemente, tem mais opções de mercado de trabalho.

Na proposta dos economistas, os vistos para cidades específicas não estariam vinculados a um único empregador, como é o caso do H-1B – destinado a quem já têm trabalho nos EUA – permitindo que as pessoas mudassem de emprego e até pudessem montar um negócio próprio.

Incêndio em Paris liga alerta sobre preservação na Europa

Ministério da Cultura da Espanha convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Patrimônio Histórico, para avaliar a quantas andam os planos de proteção de bens culturais em casos de emergência.

Não foi apenas entre os turistas e as maiores fortunas francesas que o incêndio que destruiu na segunda (15) boa parte do teto e uma torre secundária da catedral Notre-Dame causou comoção.

As imagens do cartão-postal parisiense em chamas estimularam um exame de consciência em escala continental: o quanto alguns dos monumentos históricos que constituem o cânone da arquitetura da Europa estão de fato a salvo de incidentes com fogo ou de outras ocorrências que possam comprometer sua estrutura?

Para tentar começar a responder, o Ministério da Cultura da Espanha convocou, para o fim de abril, uma reunião extraordinária do Conselho de Patrimônio Histórico. A ideia, segundo o titular da pasta, José Guirao, é avaliar a quantas andam os planos de proteção de bens culturais em casos de emergência.

"É claro que isso [o incêndio na catedral parisiense] é um alerta. Vamos verificar todas as instalações elétricas dos grandes monumentos", afirmou à rádio RNE.

Em Portugal, a imprensa cogitou nos últimos dias o que aconteceria com o equivalente (em popularidade relativa) de Notre-Dame, o Mosteiro dos Jerônimos (Lisboa), se um incêndio ocorresse. A joia arquitetônica do século 16 mistura influência gótica com elementos do renascimento e figura na lista do patrimônio mundial da Unesco desde 1983.

Monumento luso mais visitado (1,2 milhão de pessoas passou por lá em 2017), o local não dispõe de um plano de evacuação eficaz, segundo especialistas. A Direção-Geral do Patrimônio Cultural contesta essa avaliação.

Para a ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, em entrevista ao jornal português Observador, é preciso lembrar que "não é só o Estado que tem responsabilidades". A Igreja, lembra a professora universitária, "é detentora de muito patrimônio de valia e tampouco investe tanto quanto seria sua obrigação histórica".

De avareza não se poderá acusar o Tesouro britânico, que deve desembolsar 3,5 bilhões de libras (R$ 18 bilhões) na década que vem para a reforma do Palácio de Westminster, em Londres, onde funciona o Parlamento.

O complexo tem algumas alas erguidas na mesma época de Notre-Dame, no século 12. Entre 2007 e 2017, 60 focos de incêndio foram identificados e controlados ali –em 1834, boa parte da construção foi consumida pelas chamas.

No começo de abril, uma sessão na Câmara dos Comuns teve de ser suspensa por causa da água que caía de grandes goteiras no teto do plenário.

Na esteira do fogo na igreja francesa, parlamentares britânicos voltaram a alertar sobre as possíveis consequências da decrepitude de Westminster.

Dois dias antes do ocorrido em Paris, o vice-premiê do Reino Unido, David Lidington, havia assinado uma coluna em um jornal dizendo que os sistemas elétrico, de encanamento, de calefação e de esgoto de Westminster tinham há muito chegado ao fim de sua vida útil. "A cada ano que passa, cresce o risco de um incêndio catastrófico", escrevera.

A França também dedica um borderô significativo a gestão e conservação do patrimônio histórico: cerca de 320 milhões de euros anuais (R$ 1,4 bilhão), segundo o jornal Le Monde.

Alexandre Gady, professor de história da arte na Universidade Sorbonne, porém, diz à mesma publicação que eles são com frequência contingenciados para compensar estouros orçamentários em outras rubricas, "o que cria problemas de segurança graves".

Por isso, ele conclui, o estado do patrimônio francês não condiz hoje com a estatura de um dos países mais assíduos na relação de locais que a Unesco considera patrimônio da humanidade.

"Nossos monumentos não recebem manutenção suficiente. Fazemos 'gambiarras'", afirma ao Parisien. "Restauramos antes de resolver problemas técnicos. Não é sério."

O Ministério da Cultura francês, responsável por uma restauração de Notre-Dame em curso desde julho de 2018, diz que não havia improviso ou negligência no canteiro da parte alta do prédio, onde as obras se concentravam por ora.

Os administradores da catedral vão no mesmo tom, lembrando medidas como a instalação de portas corta-fogo e detectores de fumaça, além de um sistema de monitoramento in loco 24 horas.

Ainda assim, uma fonte do setor da construção civil ouvida pela AFP sob anonimato afirma que, para cumprir prazos, não raro mestres de obras ignoram regras de segurança simples, como a de não fazer solda após o começo da tarde –a fim de que, se houver hiperaquecimento do metal e princípio de fogo, ainda exista alguém na obra para agir no ato.

Seja qual tenha sido a causa do desastre na catedral, o presidente do Centro dos Monumentos Nacionais da França vê uma lição a tirar do episódio.

"Talvez esse drama contribua para uma tomada de consciência sobre o lugar que os monumentos ocupam em nossa vida", diz Philippe Bélaval ao Monde. "É um preço muito alto, mas, paradoxalmente, esse trauma pode reforçar a ligação entre o país e seu patrimônio."