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Notícias Mundo

14 de fevereiro de 2019

Justiça dos EUA discutiu tirar Trump após demissão de chefe do FBI

Justiça dos EUA discutiu tirar Trump após demissão de chefe do FBI

McCabe diz que ordenou à equipe do FBI que expandisse seu escopo para verificar se Trump teria obstruído a Justiça ao demitir Comey.

Autoridades do alto escalão do Departamento de Justiça americano discutiram se deveriam convencer membros do gabinete a invocar a 25ª emenda constitucional e remover o presidente Donald Trump do cargo, preocupadas com a decisão do republicano de demitir o ex-diretor do FBI James Comey.

A declaração faz parte de um trecho de entrevista dada por Andrew McCabe, ex-vice-diretor da polícia federal americana, ao programa "60 Minutes", da emissora CBS, que vai ao ar neste domingo (17). Trechos da conversa foram divulgados nesta quinta (14).

Na entrevista, McCabe diz que, preocupado com as ações do presidente, ordenou à equipe do FBI que investiga a interferência russa nas eleições de 2016 que expandisse seu escopo para verificar se Trump teria obstruído a Justiça ao demitir Comey. A intenção era verificar se o presidente estaria trabalhando em benefício da Rússia contra os interesses americanos.

O ex-vice-diretor do FBI, que lança na próxima semana o livro "The Threat: How the F.B.I. Protects America in the Age of Terror and Trump" ("A ameaça: como o FBI protege a América na era do terror e Trump", em tradução livre), afirmou que conversou com o presidente após a demissão de Comey. No dia seguinte, reuniu-se com o time que estava investigando a interferência russa nas eleições.

"Eu fiquei preocupado em colocar o caso da Rússia em um terreno absolutamente sólido", afirmou. "Que se eu fosse removido rapidamente, deslocado ou demitido, o caso não seria encerrado ou desapareceria na noite sem nenhum rastro."

Em março de 2018, na véspera de sua aposentadoria, McCabe foi demitido pelo ex-secretário de Justiça Jeff Sessions, que alegou falta de sinceridade.

No trecho divulgado, o jornalista Scott Pelley afirma que o ex-vice-diretor do FBI confirmou que o subsecretário de Justiça Rod Rosenstein sugeriu usar uma escuta em reuniões com Trump e que autoridades do Departamento de Justiça discutiram recrutar membros do gabinete para invocar a 25ª emenda para remover Trump.

"Houve encontros no Departamento de Justiça nos quais foi discutido se o vice-presidente e uma maioria do gabinete poderiam ser convencidos a remover o presidente dos Estados Unidos sob a 25ª emenda", afirmou Pelley. "Esses foram os oito dias após a demissão de Comey até o ponto em que Robert Mueller foi nomeado procurador especial. E as autoridades de mais alto nível da supervisão da lei americana estavam tentando descobrir o que fazer com o presidente."

Ex-oficiais de justiça disseram que as declarações foram feitas durante encontros em 16 de maio de 2017. McCabe e seus ex-colegas guardaram memorandos sobre suas trocas com Trump e autoridades do Departamento de Justiça.

Um dos memorandos, escrito por McCabe, indica que o ex-agente do FBI escreveu que a capacidade do presidente esteve sob discussão, assim como a possibilidade de ele ser removido do escritório sob a 25ª emenda. O subsecretário de Justiça indicou que analisou a questão e determinou que seriam necessários uma maioria, ou 8 de 15 membros do gabinete. McCabe acrescentou que Rosenstein sugeriu que ele teria apoiadores na Secretaria de Justiça e no Departamento de Segurança Doméstica.

Rosenstein contesta a informação sobre a escuta e sobre a 25ª emenda.

09 de fevereiro de 2019

Trump e Kim Jong-un reúnem-se no fim do mês no Vietnã

O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano no Twitter

O presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, vão se reunir nos dias 27 e 28 deste mês em Hanói, capital do Vietnã.

O anúncio foi feito por Trump no Twitter, após visita a Pyongyang esta semana do representante especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, Stephen Biegun. Ele se reuniu com a autoridade correspondente norte-coreana, em um encontro que, segundo o presidente norte-americano, foi bastante produtivo. Trump disse que espera que a reunião comKim Jong-un possibilite o "avanço da causa pela paz".

No Twitter, Trump escreveu ainda que a Coreia do Norte, sob a liderança de Kim Jong-un, vai se tornar uma grande potência econômica.

(Foto: Reprodução da Internet) 


O Vietnã foi escolhido por ser um local relativamente neutro para as duas partes. A Coreia do Norte tem tradicionalmente mantido relações estreitas com o país. Já os Estados Unidos reataram oficialmente os laços diplomáticos com o Vietnã em 1995, depois de décadas de tensões.

A primeira cúpula entre Estados Unidos e Coreia do Norte, no ano passado, terminou com uma vaga promessa de Pyongyang pela desnuclearização, mas os diálogos ficaram paralisados. A Coreia do Norte quer o fim das sanções em resposta aos esforços do país, enquanto os Estados Unidos afirmam que primeiramente querem verificar um progresso concreto.

*Com informações da NHK (emissora pública de televisão do Japão)

07 de fevereiro de 2019

Rússia sinaliza corrida armamentista, mas aceita conversar com os EUA

Na terça (5), o presidente Donald Trump sugeriu em seu discurso do Estado da União que poderia abrir negociações sobre o tema.

Após sinalizar que está pronta para uma nova corrida armamentista, a Rússia afirmou que aceita conversar com os Estados Unidos sobre um novo tratado de controle de mísseis que possa substituir o acordo suspenso por Washington na semana passada.

Na terça (5), o presidente Donald Trump sugeriu em seu discurso do Estado da União que poderia abrir negociações sobre o tema.

Ressalvando que um novo acordo deveria incluir outros países, como a China, o vice-chanceler russo, Serguei Riabkov, disse nesta quinta (7) que "quando nossos colegas americanos chegarem ao ponto de nos apresentar algo concreto, nós vamos examinar isso com interesse e positivamente".

Os EUA suspenderam sua participação no INF (sigla inglesa para Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário), um acordo vital para o fim da Guerra Fria que foi assinado em 1987 e baniu 2.692 mísseis soviéticos e americanos da Europa.

Washington alega que um novo míssil russo, o 9M729, viola o acordo. Moscou nega e também suspendeu sua participação no INF, que veta mísseis balísticos (de trajetória uniforme) e de cruzeiro (mais lentos, mas que desviam do terreno) lançados do solo com alcance entre 500 e 5.500 km. O objetivo era retirar ogivas nucleares de rápido emprego do território europeu.

Na sequência do anúncio americano, o presidente Vladimir Putin respondeu da forma tradicional nesse tipo de discussão: anunciou novas armas e flexionou seus músculos militares. Putin prometeu desenvolver até o fim do ano uma versão capaz de ser lançada do solo do míssil de cruzeiro Kalibr, que já foi lançado de navios contra alvos na Síria.

Na quarta (6), a Rússia também testou uma versão modernizada de um de seus principais mísseis balísticos intercontinentais, o RS-24 Iars. Uma arma que começou a ser produzida em 2010, o Iars pode carregar várias ogivas nucleares - ninguém sabe ao certo, mas os números variam de três a dez, a depender da potência de cada uma.

O lançamento ocorreu do cosmódromo de Pletesk, próximo à Finlândia. O míssil, armado com ogivas convencionais, atingiu seus alvos a mais de 6.000 km dali, em Kura, na península de Kamchatka (extremo oriente russo). Isso é apenas metade do alcance do foguete.

O sinal é inequívoco para os americanos, como Riabkov disse em sua entrevista a jornalistas russos: a ameaça de uma corrida armamentista por parte de Trump será respondida de forma proporcional pelo Kremlin.

O INF, acreditam especialistas, está morto. Ele já era uma relíquia na prática, dado o desenvolvimento militar desde então. Mas ele sinalizava comedimento de lado a lado. Além de um eventual novo acordo, americanos e russos ainda precisam começar a negociar o chamado Novo Start, o principal tratado de limitação do uso de armas como o Iars, as mais poderosas do mundo.

O Novo Start foi assinado em 2010, passou a valer em 2011 e expira em 2021. Ele limita o número de mísseis, bombardeiros, submarinos operando armas nucleares. Cada país pode ter um máximo de 1.550 delas, com uma tolerância de algumas centenas para mais, prontas para uso.

É bem menos do que as 2.800 e 2.200 que Rússia e EUA tinham, respectivamente, nessa condição em 2010. Mas ainda é suficiente para aniquilar o mundo algumas vezes em caso de conflito. Ao todo, os dois países reúnem 92% das 14,5 mil ogivas existentes, segundo a Federação dos Cientistas Americanos.

06 de fevereiro de 2019

Gestor brasileiro preso nos EUA se declara culpado por fraude de US$ 750 mil

Gestor brasileiro preso nos EUA se declara culpado por fraude de US$ 750 mil

O brasileiro, sócio da Modena Capital, responde por uma acusação de conspiração para cometer fraude eletrônica, que possui sentença máxima de 30 anos.

O gestor de investimentos Marcos Elias, 47, se declarou culpado, na última segunda-feira (4), de conspiração para cometer fraude eletrônica e roubo agravado de identidade em um esquema que desviou mais de US$ 750 mil (R$ 2,7 milhões) de um banco de Manhattan. A informação foi anunciada pelo procurador Geoffrey Berman, do tribunal do distrito sul de Nova York. Ele afirmou que o brasileiro confessou a culpa à juíza Laura Taylor Swain. Elias foi extraditado da Suíça a Nova York em 28 de agosto de 2018, e está preso desde então.

O brasileiro, sócio da Modena Capital, responde por uma acusação de conspiração para cometer fraude eletrônica, que possui sentença máxima de 30 anos, e por uma acusação de roubo agravado de identidade, com uma sentença mínima obrigatória e consecutiva de dois anos. A pena deve ser anunciada pela juíza em 4 de abril.

Elias -um dos fundadores, em 2010, da consultoria de investimentos Empiricus, onde ficou até 2012- ficou preso na Suíça entre junho e agosto de 2018, quando foi extraditado. Ele teria participado de um esquema fraudulento que desviou mais de US$ 750 mil de um banco de Manhattan usando documentos falsos e identidades roubadas de correntistas da instituição.

A procuradoria americana acusa Elias de montar um esquema de fraude "sofisticado" que envolvia uma empresa de fachada no Panamá e uma conta bancária em Luxemburgo. Os documentos relacionados ao processo na justiça americana dizem que, desde pelo menos 2012, uma empresa brasileira detinha uma conta em uma instituição financeira sediada em Manhattan. A empresa seria o grupo varejista Zaffari, e a conta pertenceria a um dos integrantes da família Zaffari.


Marcos Elias é sócio da Modena Capital. Foto: Reprodução

Questionado em setembro de 2018, o Grupo Zaffari disse que possuía uma conta em uma instituição financeira nos EUA, para suas atividades de importação e exportação. Em 2014, ao perceber que a conta havia sido violada, o grupo notificou imediatamente a instituição financeira envolvida e passou a colaborar com as investigações das autoridades americanas. O Zaffari já foi restituído do valor depositado.

Segundo a procuradoria, a partir de junho de 2014, Elias começou a se corresponder com um vice-presidente do banco sobre uma conta bancária no nome da empresa brasileira. O funcionário da instituição americana, então, passou a receber emails supostamente de um empregado da companhia e que o instruíam a transferir dinheiro a uma conta bancária de Luxemburgo, que parecia estar no nome dessa companhia brasileira.

Mais tarde, os investigadores descobriram que os emails foram enviados de um endereço criado no mesmo dia e que nunca havia sido usado pelo empregado da empresa brasileira. Esse email continha instruções falsas com uma assinatura forjada.

Por causa dos documentos falsos, em julho de 2014 o banco transferiu US$ 752 mil da conta da empresa para a conta bancária em Luxemburgo, acreditando se tratar de um pedido legítimo do cliente. 

Mas a transferência, na verdade, não tinha sido autorizada pela empresa brasileira, que também não tinha conta bancária ou de outro tipo em Luxemburgo e não havia enviado os emails com os supostos pedidos. O beneficiário da conta em Luxemburgo, os investigadores descobriram, era o próprio Elias. A conta havia sido aberta em nome de uma empresa no Panamá na semana anterior à transferência fraudulenta.

A conta em Luxemburgo era mantida no nome da empresa brasileira para criar a falsa impressão de que o dinheiro dessa companhia estava sendo transferida para outra conta que pertencia e ela, quando, na verdade, o beneficiário era o sócio da Modena.

A Procuradoria também acusa Elias de tentar obter dinheiro de uma segunda instituição financeira em Manhattan usando o dinheiro e suposto passaporte do dono da conta bancária sem a autorização dele.

Elias ajudou a fundar a consultoria de investimentos Empiricus em 2010. Três anos depois, o grupo americano Agora comprou metade da empresa por um valor não revelado. Em setembro de 2018, a Empiricus disse que Elias deixou a companhia em 2012, "anos antes dos acontecimentos relatados". "Desde sua saída, nenhum sócio ou colaborador da Empiricus manteve qualquer tipo de contato com ele", afirma.

03 de fevereiro de 2019

Sistema de sirenes era acionado por central fora da mina, diz Vale

A empresa disse que autoridades investigam porque as sirenes não tocaram

A Vale, empresa responsável pela barragem que se rompeu e matou pelo menos 121 pessoas em Brumadinho (MG), afirmou em comunicado que o sistema sonoro de alerta, que não tocou, era manual, acionado por um centro de controle de emergências que funciona 24 h por dia de fora da mina.

A empresa disse que autoridades investigam porque as sirenes não tocaram e, de acordo com a mineradora, informações iniciais indicam que a falha ocorreu pela velocidade da onda de lama. Segundo os bombeiros de Minas Gerais, ela chegou a 80km/h.

A Vale destaca ainda que a barragem passava por inspeções quinzenais reportadas à Agência Nacional de Mineração (ANM). A última registrada no sistema do governo federal ocorreu em 21 de dezembro de 2018. Este ano, foram realizadas inspeções nos dias 8 e 22 de janeiro. 

"Foram realizados ainda um simulado externo de emergência em 16 de junho de 2018, sob coordenação das Defesas Civis e com o apoio da Vale, e um treinamento interno com os empregados em 23 de outubro de 2018", segue o texto. 

A empresa também afirma que a rota de fuga prevista no plano de emergência de barragens de mineração foi executada em Brumadinho. Ele que teria sido passado aos funcionários no treinamento de outubro. 

Sobre as imagens que foram veiculadas pela imprensa na sexta (1º), que mostram o momento em que a barragem I se rompe, a empresa garantiu que não haviam obras sendo realizadas no local. 

De acordo com a Vale, os profissionais da empresa que aparecem nas gravações "estavam realizando tarefas rotineiras". O comunicado afirma que a presença de funcionários em barragens inativas "faz parte das medidas rotineiras e dos procedimentos básicos de segurança e manutenção dessas estruturas". Eles seriam encarregados, por exemplo, de realizar a coleta de dados determinada pela ANM. 

Sobre a presença de dutos que drenavam água da barragem, a mineradora diz que eles são parte de medida padrão de segurança. A barragem que se rompeu teve drenos adicionais instalados ainda em 2018. "Cabe lembrar que se tratavam de medidas preventivas, dado que os laudos técnicos indicavam a total estabilidade da estrutura", ressalta a Vale. 

Neste sábado, o número de mortos em Brumadinho chegou a 121. Ainda há 226 pessoas desaparecidas. 

Segundo o plano de emergência da Vale para a barragem, relevado pela Folha na sexta-feira, seis sirenes estavam fora da rota prevista para uma eventual inundação. O plano também previa que em caso de colapso da estrutura, a onda de rejeitos e lama poderia atingir o refeitório dos funcionários da mineradora e a área administrativa em até um minuto. 

O local foi um dos primeiros a serem soterrados na tragédia, onde estavam parte dos mortos e desaparecidos. O documento calculava que um eventual rompimento da barragem destruiria suas instalações e poderia gerar uma onda de rejeitos com alcance de até 65 quilômetros do ponto de ruptura. 

Para especialistas, devido à proximidade das instalações com a barragem de rejeitos, os profissionais no local teriam pouca chance de escapar ainda que o alerta sonoro tivesse funcionado.

30 de janeiro de 2019

Desempenho de Trump é avaliado como abaixo do esperado

Os resultados não são animadores para o presidente, que vem de uma derrota para os democratas na queda de braço envolvendo o financiamento ao muro na fronteira do México.

O desempenho do presidente Donald Trump em seus dois anos à frente do governo americano é avaliado como abaixo do esperado por americanos, segundo pesquisa do jornal The Washington Post e da emissora ABC News.

O levantamento avaliou dez temas principais e de personalidade envolvendo o republicano, como capacidade de lidar com a segurança na fronteira e saúde, habilidade no manejo da economia e competência para lidar com o déficit federal.

Os resultados não são animadores para o presidente, que vem de uma derrota para os democratas na queda de braço envolvendo o financiamento ao muro na fronteira do México - em disputa que levou à mais longa paralisação do governo dos EUA.

A aprovação geral do trabalho de Trump nesses dois anos é de 37%, um ponto acima do seu recorde de baixa, em agosto de 2018.

A pesquisa foi conduzida por telefone entre 21 e 24 de janeiro, antes de Trump concordar em reabrir o governo sem o dinheiro para o muro, no último dia 25. Foram entrevistados 1.001 adultos, e a margem de erro é de 3,5 ponto percentual, para mais ou para menos.

Segundo o levantamento, 57% dos consultados avaliaram negativamente a forma como o presidente lidou com a segurança da fronteira, uma de suas principais plataformas de campanha. É um percentual próximo aos 54% que se opõem à construção do muro na fronteira com o México.

A decisão de reabrir o governo sem dinheiro para a obra colocou Trump em choque com comentaristas conservadores, que viram uma espécie de capitulação do presidente.

A autora Ann Coulter, uma das maiores apoiadoras do republicano, afirmou que, se Trump adotasse princípios do "Manifesto Comunista", de Friedrich Engels e Karl Marx, seria uma traição menor do que o recuo em relação à promessa de campanha.

Peter Wehner, membro do conservador Ethics and Public Policy Center e que trabalhou para presidentes como Ronald Reagan, George Bush e George W. Bush, afirmou que Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados americana, havia exposto Trump como "desprezivelmente fraco, todo fanfarrão, um negociador patético."

Na pesquisa do Post com a ABC, 35% dos americanos disseram confiar no presidente para tomar a decisão correta sobre o futuro do país.

No quesito, a avaliação dos principais adversários do republicano também não é boa. Só 34% têm confiança nos democratas no Congresso, ante 30% nos republicanos e 30% em Pelosi.

Quando se contrasta a confiança no presidente, em Pelosi, nos democratas no Congresso e nos republicanos, a maioria tem mais dúvidas sobre o republicano do que sobre os demais.

Quase cinco em dez americanos dizem questionar a tomada de decisões futuras de Trump. Para Pelosi, o número é de 37%, enquanto três em dez confiam nos democratas no Congresso e nos republicanos.

No campo econômico, logo após a posse, seis em dez americanos esperavam que o republicano tivesse um bom desempenho. Hoje, metade avalia a performance como positiva e a outra metade, como negativa.

Até mesmo os mais otimistas e pessimistas estão divididos, mostra a pesquisa: 27% dizem que a maneira como ele lida com a economia tem sido "excelente", mesmo percentual que afirma ser "ruim".

A queda é mais ampla entre os independentes: 67% esperavam que o republicano tivesse um bom desempenho na economia, mas só 49% consideram que ele fez um bom trabalho.

A maior diferença entre as expectativas iniciais envolvendo o presidente na posse e hoje se dá no déficit federal. Logo ao ser empossado, metade dos americanos considerava que Trump conseguiria lidar bem com o assunto.

Hoje, 33% avaliam a atuação como positiva. Uma das maiores mudanças ocorreu na visão dos republicanos: dois anos atrás, 87% deles esperavam que ele lidasse efetivamente com o déficit. Agora, são 67%.

Na saúde, a avaliação positiva do trabalho do presidente também caiu, recuando de 44% para 33%.

Ao lado do déficit e da saúde, as piores avaliações de Trump vêm nos assuntos mulheres de relações raciais, áreas nas quais o presidente começou mal já.

Um terço diz que ele fez um trabalho excelente ou bom nos primeiros dois anos, mas seis entre dez qualificam a performance do republicano como ruim ou não tão boa.

O presidente também não tem performance boa no manejo de crises internacionais. Nessa questão, as expectativas estão alinhadas com sua posse, com 43% considerando que Trump fez um trabalho bom ou excelente.

Já a resposta do presidente ao terrorismo foi qualificada como pior. Dois anos atrás, 56% esperavam que ele fosse bem-sucedido no assunto, fatia que hoje é de 50%.

Quando a avaliação é sobre a personalidade do presidente, a situação piora. Um em três americanos diz ter impressões favoráveis dele como pessoa.

A maioria não avalia que Trump tenha a personalidade ou temperamento para ser presidente. Ele também não é visto como um negociador político efetivo. Além disso, a maior parte também diz que o republicano não trouxe a mudança necessária a Washington.

A avaliação do presidente varia conforme demografia e regiões. Brancos e não-brancos qualificaram a performance de Trump na economia pior que o esperado, mas uma maioria de brancos (58%) aprova a performance econômica do republicano, e só um terço de não-brancos deram a ele notas boas ou excelentes na economia.

O Oeste é onde estão os mais insatisfeitos com a economia, com 58% das pessoas esperando sucesso, mas só 40% dizendo que Trump foi bem.

No Sul, 66% avaliavam, no início, que o presidente iria bem, percentual que hoje se aproxima da metade. A menor decepção se deu no Meio-Oeste, com queda de cinco pontos percentuais, para 54% de aprovação.

As famílias de baixa renda mostravam maior decepção com o presidente. Quando ele assumiu, metade das famílias de todas as rendas esperava que ele tivesse sucesso em ajudar a classe média.

Após dois anos, um terço das famílias que ganham menos de US$ 50 mil ao ano consideram que ele está sendo bem-sucedido, comparado com 43% dos mais abastados.

Maduro diz aceitar novas eleições legislativas, mas não presidenciais

Maduro diz aceitar novas eleições legislativas, mas não presidenciais

No sábado passado (26), Espanha, França, Alemanha e Reino Unido deram a Maduro um prazo de oito dias para a convocação de eleições.

O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, declarou-se disposto a organizar eleições legislativas antecipadas e a manter um diálogo com a oposição, que deve sair às ruas nesta quarta-feira (30) em resposta a uma convocação do presidente autoproclamado do país, Juan Guadió, que pediu mais sanções à União Europeia. Maduro, no entanto, descartou a convocação de novas eleições presidenciais, argumentando que as últimas "aconteceram há menos de um ano, há 10 meses".

"Não aceitamos ultimatos de ninguém no mundo, não aceitamos a chantagem. As eleições presidenciais aconteceram na Venezuela e, se os imperialistas querem novas eleições, que esperem até 2025", disse, em uma entrevista à agência de notícias russa RIA Novosti.

No sábado passado (26), Espanha, França, Alemanha e Reino Unido deram a Maduro um prazo de oito dias para a convocação de eleições. Em caso contrário, devem reconhecer Guaidó como "presidente" da Venezuela para que organize novas eleições. "Estou disposto a comparecer à mesa de negociações com a oposição, para falar, pelo bem da Venezuela, pela paz e pelo futuro", declarou Maduro.


Foto: Reprodução/Fotos Públicas

"Seria muito bom organizar eleições legislativas antes, seria uma boa forma de discussão política, uma boa solução através do voto popular." Maduro repetiu ainda afirmação feitas em outras ocasiões de que o governo do presidente Donald Trump ordenou seu assassinato.

Maduro se diz disposto a negociar com a oposição na Venezuela após sanções americanas e o corte de rendas do petróleo. Guaidó está sendo alvo da Suprema Corte venezuelana. Protestos em massa esperados para hoje. Americanos não devem viajar para a Venezuela até segunda ordem", escreveu Trump em um tuíte na manhã desta quarta. 

Por sua vez, expressou reconhecimento ao presidente russo, Vladimir Putin, que apoia o governo venezuelano. A Venezuela recebe a cada mês armamento russo, "o mais moderno do mundo", como parte dos acordos vigentes, disse. Já Guaidó pediu mais sanções da União Europeia (UE) contra o regime de Maduro, em entrevista ao tabloide alemão Bild.

"Estamos em uma ditadura e deve existir pressão", afirmou. E completou "Precisamos de mais sanções por parte da União Europeia, como decidiu o governo dos Estados Unidos".

Presidente da Assembleia Nacional, de maioria opositora, Guaidó pediu aos venezuelanos que saiam às ruas das 12h às 14h (14h a 16h de Brasília), com bandeiras, panelas, ou cartazes. Embora a cúpula militar tenha classificado de "engano", Guaidó insistirá durante o dia na oferta de anistia aos militares que colaborarem com uma transição, em uma tentativa de romper a principal base de apoio de Maduro, as Forças Armadas.

28 de janeiro de 2019

Em oração do Angelus, Papa cita vítimas da tragédia de Brumadinho

Em oração do Angelus, Papa cita vítimas da tragédia de Brumadinho

O Pontífice citou também a tragédia ocorrida no estado mexicano de Hidalgo, onde a explosão de um oleoduto perfurado ilegalmente mantou até o momento 114 pessoas.

Após a oração do Angelus de hoje (27), no Lar do Bom Samaritano Juaz Díaz, na Cidade do Panamá, o Papa Francisco lembrou as vítimas do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), no início da tarde de sexta-feira (25). Pelo menos, 37 pessoas morreram.

O Pontífice citou também a tragédia ocorrida no estado mexicano de Hidalgo, onde a explosão de um oleoduto perfurado ilegalmente mantou até o momento 114 pessoas. “Desejo expressar meus sentimentos de pesar pelas tragédias que atingiram os estados de Minas Gerais, no Brasil, e Hidalgo, no México. Confio à misericórdia de Deus todas as pessoas falecidas. Ao mesmo tempo, rezo pelos feridos e expresso meu afeto e proximidade espiritual a seus familiares e a toda a população. ”


Foto: Reprodução/DanielI Banez

CNBB

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também manifestou sua solidariedade para com as vítimas de Brumadinho. Em nota divulgada nesse sábado (26), os bispos destacam que aquela tragédia recente e semelhante quando houve rompimento de outra barragem em Mariana (MG) ensinou muito pouco.

“As famílias e as comunidades esperam da parte do Executivo rigor na fiscalização, do Legislativo, responsabilidade ética de rever o projeto do Código de Mineração, e do Judiciário, agilidade e justiça“, destaca o texto.

A CNBB manifesta estar unida também com toda a família arquidiocesana de Belo Horizonte e reforça o pedido do arcebispo dom Walmor Oliveira: “É urgência minimizar a dor dos atingidos por mais esse desastre ambiental, sem se esquecer de acompanhar, de perto, a atuação das autoridades, na apuração dos responsáveis por mais um triste e lamentável episódio, chaga aberta no coração de Minas Gerais”.

“[A CNBB] oferece orações ao Senhor da Vida em favor das famílias, das comunidades da Arquidiocese de Belo Horizonte, atingidas pelo rompimento da barragem da mineradora Vale. Convidamos cada pessoa cristã a se associar aos irmãos e irmãs que sofrem com a perda de seus entes queridos e de seus bens", diz a entidade.

Guaidó fala à nação e conclama para manifestações ao longo da semana

Guaidó fala à nação e conclama para manifestações ao longo da semana

“A nossa luta não terminou por excesso de usurpação de poder”, afirmou ele.

O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, fez um pronunciamento, por meio de transmissão ao vivo nas redes sociais, em que anunciou manifestações em todo país, na próxima quarta-feira (30) e no sábado (2). Também agradeceu o apoio internacional e a ajuda humanitária prometidos ao povo venezuelano.

A reação dele ocorre logo após a Organização das Nações Unidas (ONU) apelar para novas eleições na Venezuela e a maior parte da comunidade internacional anunciar apoio ao governo interino. 

“A nossa luta não terminou por excesso de usurpação de poder”, afirmou o interino, no início da declaração, ressaltando ter informações de que seu nome foi vetado em rádios do país. Ao conclamar para novas manifestações ao longo da semana, ele pediu que sejam “pacíficas” e frisou a palavra.

“Peço a todos os venezuelanos que saiam às ruas”, disse Guaidó. “Levando a nossa mensagem”, acrescentou o presidente interino, lembrando que a ONU deu prazo de oito dias, a contar de sábado (27), para serem realizadas novas eleições no país.

Juan Guaidó. Foto:Reprodução/Redes Sociais

O pronunciamento durou cerca de 14 minutos e foi ao ar por volta das 23h (horário de Brasília). Guaidó usou um cenário simples para discursar: sentado em uma mesa, tinha atrás dele, do lado esquerdo do vídeo, a bandeira da Venezuela e à direita um busto de Símon Bolívar, herói nacional.

Guaidó ressaltou que é necessário cessar com as “perseguições e assassinatos” na Venezuela e com o desrespeito aos direitos humanos. Também lembrou que há cerca de 160 militares presos no país. Nos últimos dias, ele tem defendido a anistia aos militares e civis que servem ao governo do presidente Nicolás Maduro. 

Sem mencionar o nome de Maduro, Guaidó se refere a ele apenas como “usurpador”. Segundo o presidente interino, o esforço será também para recuperar a economia da Venezuela, iniciando com as emergências humanitárias com apoio internacional, oferecido por vários países, inclusive os Estados Unidos e o Reino Unido.

Mais cedo, Guaidó apelou para que as Forças Armadas “não disparem mais contra o povo da Venezuela, nem reprima as manifestações que têm caráter pacífico e democrático”.

Militares israelenses começam hoje resgate de vítimas em Brumadinho

Militares israelenses começam hoje resgate de vítimas em Brumadinho

Na conta das Forças Armadas de Israel, no Twitter, há um vídeo em que relatam o trabalho que será feito no Brasil, semelhante a outros realizados em distintos países.

Um grupo de cerca de 130 militares médicos, engenheiros, bombeiros e técnicos de Israel começa a trabalhar nas primeiras horas de hoje (28) nas operações de resgate na região de Brumadinho, nos arredores de Belo Horizonte (MG). Os israelenses trouxeram equipamentos modernos para rastreamento, com capacidade de captação de imagens e detectores de vozes e ecos.

Os homens e mulheres israelenses chegaram por volta das 21h30 a Belo Horizonte e foram recebidos pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), na pista do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na região metropolitana da capital.


Foto: Forças de Defesa de Israel/Redes Sociais

Os militares israelenses vão ajudar nas buscas por vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da empresa Vale, em Brumadinho. Na conta das Forças Armadas de Israel, no Twitter, há um vídeo em que relatam o trabalho que será feito no Brasil, semelhante a outros realizados em distintos países, como Estados Unidos, Sri Lanka, Índia, Cambodja, Congo, Argentina e Colômbia. O vídeo mostra as bandeiras do Brasil e da Índia.

Em sua conta pessoal no Twitter, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, postou ontem (27) imagens dos militares enviados para o Brasil e destacou a importância da operação. “A delegação israelense está a caminho do Brasil para ajudar as vítimas do desastre do desabamento da barragem. Nós ajudamos nossos amigos.”

25 de janeiro de 2019

EUA pedem reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre Venezuela

EUA pedem reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre Venezuela

Segundo Maduro, os diplomatas venezuelanos que estão nos Estados Unidos devem retornar à Venezuela até amanhã (26).

Os Estados Unidos solicitaram formalmente uma reunião com o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para tratar da crise que atinge a Venezuela. O pedido é para que o encontro ocorra amanhã (26).

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, utilizou hoje (25) seu perfil na rede social Twitter para dizer que o país é “amigo” do povo venezuelano. “Vocês sofreram por um longo tempo sob o regime socialista corrupto de [Nicolás] Maduro. Apoiamos vocês e estamos prontos para ajudá-los a começar o processo de sua vida, do país e da economia”.

Embaixadas fechadas

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fechou a embaixada do seu país em Washington e todos os consulados nos Estados Unidos. A decisão foi tomada após o anúncio do rompimento das relações políticas e diplomáticas com o governo norte-americano.

Segundo Maduro, os diplomatas venezuelanos que estão nos Estados Unidos devem retornar à Venezuela até amanhã (26).

Crise

Na última quarta-feira (23), o líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó, se declarou presidente interino. Brasil, Estados Unidos, União Europeia e a própria ONU, além do Grupo de Lima e da Organização dos Estados Americanos (OEA), se manifestaram favoravelmente a Guaidó, em defesa de novas eleições gerais na Venezuela.

Internamente, Maduro resiste e conta com apoio da cúpula militar. Os confrontos entre simpatizantes do Maduro e de Guaidó agitaram a Venezuela nos últimos dias. Segundo entidades civis, pelo menos 14 pessoas foram mortas por causa da forte repressão.

A situação na Venezuela se agravou após a posse de Maduro para o segundo mandato presidencial, em 10 de janeiro. Para o Brasil, o Grupo de Lima, que reúne 14 países, e a OEA, o mandato é ilegítimo.

24 de janeiro de 2019

Rússia adverte EUA contra banho de sangue na Venezuela

Serguei Riabkov disse à agência Interfax que uma eventual ação militar estrangeira levaria a um "cenário catastrófico" no país.

Preocupada com o risco de perder sua cabeça de ponte estratégica no quintal dos Estados Unidos, a Rússia advertiu os americanos a não intervir militarmente na Venezuela e previu que o impasse atual no país pode acabar em um "banho de sangue".

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia manteve o reconhecimento do ditador Nicolás Maduro e advertiu que o estabelecimento de um governo paralelo liderado pelo opositor Juan Guaidó é uma via para a "anarquia e o banho de sangue".

Já o adjunto do ministério, Serguei Riabkov, disse à agência Interfax que uma eventual ação militar estrangeira, liderada ou estimulada pelos EUA, levaria a um "cenário catastrófico" no país.

Ao longo dos anos, tanto a Rússia quanto a China estabeleceram uma forte parceria para sustentar o regime chavista. Enquanto Pequim optou pela via do poder do dinheiro, tornando-se a maior credora de Caracas, Moscou criou laços geopolíticos lastreados também em poder militar.

De 2005 para cá, estima-se que a Rússia tenha vendido entre US$ 11 bilhões e US$ 20 bilhões em armamentos para a Venezuela, que tornou-se no começo da década a segunda maior compradora de produtos bélicos russos.

Não se pode levar isso, contudo, pelo valor de face. Hugo Chávez e Maduro sempre fizeram financiamentos com os russos dando petróleo como garantia e pagamento, e autoridades em Moscou se queixam reservadamente de calotes.

Isso não demoveu o Kremlin de manter sua aposta política e emprestar cerca de US$ 17 bilhões desde 2016 para a ditadura. Em dezembro, Maduro anunciou US$ 6 bilhões em novos investimentos russos, dinheiro que não apareceu ainda.

A Rosneft, a Petrobras russa, tem participação de 40% (a máxima permitida) em cinco campos de petróleo e retira cerca de 210 mil barris do produto por dia da Venezuela -contra 170 mil de operações sino-venezuelanas. De forma mais sensível, ela comprou 49,9% de uma petroleira subsidiária da estatal venezuelana, a PDVSA, nos EUA. A Citgo opera refinarias na costa do Golfo do México. Dois campos de gás no Caribe são operados pela gigante Gazprom.

Toda essa interligação é barulhenta por que o presidente Vladimir Putin viu no regime antiamericano de Chávez/Maduro a oportunidade de restabelecer um pé no quintal dos EUA, assim como a União Soviética tinha Cuba como base de apoio na Guerra Fria.

Assim, de tempos em tempos navios russos fazem exercícios navais no Caribe e os temidos bombardeiros estratégicos Tu-160, com capacidade de uso de armas nucleares, visitam aeródromos chavistas. Há anos são debatidos termos para a instalação de uma base russa na costa caribenha da Venezuela.

Tudo isso é demonstração de capacidade de projeção de poder, não de que desejam ir às vias de fato com os EUA para defender Maduro.

Desde a guerra na Geórgia em 2008, Putin desafia o Ocidente com aventuras militares, e tem sido bem sucedido. Mas elas ocorrem dentro de sua esfera geopolítica natural: Ucrânia, na vizinhança imediata, e Síria, no Oriente Médio politicamente valioso e com impacto direto no Cáucaso russo.

A relação com o chavismo foi um negócio barato até aqui, mas o custo de defender Maduro com algo mais que palavras parece muito difícil de bancar. Se o Kremlin perder a Venezuela, corre o risco de ficar sem alguns bilhões e operações rentáveis no futuro, mas politicamente não é um desastre total.

Dinheiro mesmo quem colocou lá foram os chineses. Segundo estimativa do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos de Washington, Pequim investiu US$ 62 bilhões de 2008 a 2018 na Venezuela, a maior parte em projetos energéticos conjuntos.

Hoje a China é a maior credora venezuelana: Caracas deve US$ 23 bilhões ao país. Do ponto de vista econômico, é a ditadura comunista asiática quem mais tem a perder caso o governo sul-americano se torne hostil a ela. Mas nunca se espera dos chineses algo como a ameaça de um confronto militar com os EUA, ainda mais em tempos de guerra comercial aberta.

Com isso, é bastante óbvio que quaisquer intenções de fazer uso da força sob o manto das Nações Unidas, ainda que numa missão de paz para a eventual transição caso Maduro caia, não será simples. Putin e Xi Jinping certamente farão uso do poder de veto que têm no Conselho de Segurança da ONU.

Isso leva, num cenário intervencionista, à opção adotada pelos EUA em 1965 na República Dominicana. Visando evitar a instalação de um governo esquerdista, Washington fez com que a OEA (Organização dos Estados Americanos) chancelasse o envio de tropas ao país centro-americano.

O maior contingente era americano, 42 mil homens, mas o Brasil e outros cinco países da região legitimaram a ação. Em dívida pelo apoio ao golpe militar de 1964, Brasília enviou 4.000 homens ao longo de mais de um ano, chegando a liderar a operação.

No Brasil de 2019 sob o governo fortemente militarizado de Jair Bolsonaro (PSL), tal ideia pode encontrar ressonância, mas não é casual a resistência das Forças Armadas a essa opção até aqui.

A Venezuela tem pouco mais 2.000 km de fronteira com o país, e uma crise humanitária já em curso com refugiados que entram por Roraima. Qualquer acirramento militar do conflito tenderia a agravar a situação.

Por mais que elementos da direita no Brasil e na Colômbia gostassem de liderar uma intervenção com procuração americana na Venezuela, os russos estão certos sobre o risco de um "cenário catastrófico" caso as Forças Armadas de Caracas não desertem.

Desde 2005, Putin ajudou o regime a se armar bastante. Há muito material de segunda mão soviético, como canhões antiaéreos Zu-23, mas também o formidável sistema terra-ar S-300, um dos melhores do mundo. As condições de operação, contudo, são duvidosas.

A estrela do pacote, o caça Sukhoi-30, é o mais poderoso do tipo na América Latina, mas os relatos são de que a frota de 24 aeronaves mal sai do chão para treinamento. Tanques e blindados, por outro lado, parecem estar em ordem.

Muito mais importante, para repressão interna, contam mais os 200 mil rifles de assalto AK-103 da Kalachnikov, distribuídos para milicianos chavistas. Já a famosa fábrica da arma, prometida em 2006, nunca operou. É aí que o "banho de sangue" temido pela Rússia parece ser mais provável.​

Brasileiros imigrantes em Lisboa dormem na porta do consulado

Sobrecarregada com a chegada de uma nova onda de imigrantes, a rede consular brasileira em Portugal dá sinal de esgotamento.

A cena se repete mais ou menos da mesma forma de segunda a sexta: no início da madrugada, uma fila começa a se formar na porta do consulado do Brasil em Lisboa. Às 7h, uma hora antes de a repartição abrir as portas, aos brasileiros enfileirados ocupam quase todo o quarteirão.

Sobrecarregada com a chegada de uma nova onda de imigrantes, a rede consular brasileira em Portugal dá sinal de esgotamento.

Cerca de mil pessoas buscam o consulado brasileiro de Lisboa todos os dias, mas o órgão só tem capacidade de atender até 750. 

Como a assistência é feita com base na ordem de chegada, as pessoas tentam de todas as formas garantir um lugar na dianteira da fila.

A demanda crescente fez ressurgir uma prática comum há alguns anos: a venda de lugares e senhas para o atendimento. Há quem madrugue para garantir uma boa posição na fila só para vendê-la a quem pagar mais depois.

Muitos dos brasileiros que buscam agora o consulado são recém-chegados ao país, em processo de legalização. Um dos documentos exigidos pelas autoridades migratórias é o certificado de bons antecedentes criminais, que deve ser obtido no consulado.

É o órgão também que atesta a veracidade de todos os documentos brasileiros, como certidões, carteiras de motorista e diplomas.

Grávida de oito meses, a empresária paulista Ellen Barros passou horas em pé na calçada do consulado nesta segunda. Em Portugal há dois anos e meio, ela precisa do certificado de ausência de registros criminais para renovar seu visto.

"Já passei mal, já vomitei. Prioridade aqui, só depois da senha", disse ela, que afirma notar que há cada vez mais brasileiros buscando os serviços do consulado nos últimos meses, percepção semelhante da que tem o caminhoneiro Carlos Saldanha.

"Todos os anos, preciso de um atestado da veracidade da minha CNH para o meu trabalho. Estou em Portugal há dez anos e a situação piorou muito agora. Muita gente nova chegando", opina Saldanha, que não dormiu na fila, mas madrugou por lá.

Os números oficiais da imigração brasileira em Portugal em 2018 ainda não saíram, mas o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) admitiu em entrevista ao jornal Público que houve no período um "aumento significativo" de cidadãos do Brasil residindo no país.

Em 2017, houve alta de 5,6% no número de brasileiros em Portugal, após seis anos de queda na quantidade de migrantes. 

Em nota, o site do consulado informa que retomou, nesta semana, o agendamento de pedidos online, o que deve contribuir para reduzir as filas. 

Para tentar minimizar os transtornos, a repartição também passou a abrir uma hora mais cedo, às 8h, além de entregar a maioria dos documentos no mesmo dia dos pedidos.

23 de janeiro de 2019

Suprema Corte apoia veto de Trump a transgêneros nas Forças Armadas

Suprema Corte apoia veto de Trump a transgêneros nas Forças Armadas

Por cinco votos a favor e quatro contra, a derrubada das liminares que impediam o veto mostrou a inclinação mais conservadora.

A Suprema Corte dos Estados Unidos (EUA) deu o aval nessa terça-feira (22) à medida do presidente Donald Trump que proíbe que transgêneros sirvam nas Forças Armadas americanas. Os juízes não analisaram o mérito do caso, porém determinaram que o veto pode entrar em vigor enquanto é aguardada a decisão de recursos em instâncias inferiores.

Por cinco votos a favor e quatro contra, a derrubada das liminares que impediam o veto mostrou a inclinação mais conservadora que a corte adquiriu com a chegada do juiz Brett Kavanaugh no final do 2018. Trump indicou Kavanaugh para substituir Anthony Kennedy.

A corte não decidiu sobre a questão da legalidade da medida, no entanto, ao derrubar as liminares, sinalizou que provavelmente dará vitória a Trump no caso de o impasse chegar até sua instância.

Histórico

Em julho de 2017, Trump anunciou que transgêneros não poderiam mais servir nas Forças Armadas, alegando "tremendos custos médicos e interrupções" no trabalho. A decisão invalidava uma política anunciada pela gestão do ex-presidente americano Barack Obama. Críticos do veto alegam que ele atenta contra o direito à igualdade, que está na Constituição americana.

Em março do ano passado, o Pentágono apresentou a proposta para proibir nas Forças Armadas transgêneros que desejavam ou já haviam passado pelo processo de transição de gênero e que tivessem um histórico de disforia de gênero, um transtorno que ocorre devido ao desconforto entre o sexo biológico e a identidade de gênero. A entrada em vigor da proposta, porém, foi bloqueada pela Justiça, diante de recursos que argumentavam que a medida era discriminatória e violava os direitos constitucionais.


Foto: Reprodução/ Agência Brasil/JIM LO SCALZO/

Com o impasse, o governo de Trump decidiu levar seu veto ao Supremo em novembro, para que a principal corte do país se pronunciasse sobre essa política. Argumentou que o bloqueio judicial forçou o Exército a manter uma política anterior, apesar de um relatório elaborado pelo Pentágono ter estabelecido que a incorporação de transgêneros "coloca em risco a letalidade e eficácia militar".

Há três semanas, o Tribunal de Apelações do Distrito de Columbia decidiu que essa proibição anunciada pelo Pentágono em 2017 não deveria ter sido bloqueada enquanto era contestada, apesar de a medida não poder entrar em vigor por decisões similares de outros tribunais. A decisão do Supremo Tribunal é provisória, até que o complexo processo judicial, que ainda está em análise produza sentença definitiva.

Defesa

"Há mais de 30 meses, soldados transgênero estão servindo nosso país abertamente, com valor e distinção, mas agora novamente tiveram o tapete puxado", afirmou Peter Renn, um dos advogados que entraram com o recurso contra a medida.

A líder democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, afirmou que a decisão de Trump de banir transgêneros foi construída para "humilhar homens e mulheres corajosos que procuram servir ao seu país".

O Pentágono elogiou a decisão do Supremo e afirmou que a medida foi baseada em julgamento militar para garantir que as Forças Armadas americanas "continuem sendo as mais letais e efetivas do mundo em combate". Não há números oficiais sobre transgêneros nas Forças Armadas dos Estados Unidos. Um estudo de 2016, no entanto, estimou que havia cerca de 2.450 na época.

20 de janeiro de 2019