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Visita ao Museu: Uma viagem pela história do Piauí

São 15 salas com exposição sobre Terra, O Homem- Arqueologia e Índio, Piauí Colônia, Piauí Império, República Velha, República Nova, Arte Sacra, Arte Popular, Comunicações, Heráldica, Numismática, Pinacoteca e a Sala Galeria dos Governadore

14/03/2010 10:39h

Peças que lembram os primeiros dias da colonização do Piauí, a matança dos índios, os brados dos destemidos vaqueiros em busca da liberdade do jugo português, bem como os namoros e lamentos das sinhazinhas que viam o mundo pelas frestas das janelas dos sobrados. Isto e muito mais pode ser visto e vivido numa visita ao Museu do Piauí/Casa de Odilon Nunes, um dos primeiros prédios construídos em Teresina – próximo à Praça da Bandeira. A escada, coberta por um tapete vermelho, é prenúncio do que está por vir.

São 15 salas com exposição permanente, assim discriminadas: Terra, O Homem- Arqueologia e Índio, Piauí Colônia, Piauí Império, República Velha, República Nova, Arte Sacra, Arte Popular, Comunicações, Heráldica, Numismática, Pinacoteca e a Sala Galeria dos Governadores. O conjunto funciona como uma viagem pela história do Piauí, enfatizando costumes, manias de gerações que, pelo legado deixado, conta sua própria trajetória – como se não precisasse de interlocutor.

As salas Terra e O Homem-Arqueologia e Índio transportam o visitante para uma época de descobertas, como uma rara peça, de grande valor histórico: uma urna funerária de cerâmica que contém ossos de uma
criança, com data aproximada de três mil anos. Se há as descobertas, também há a sensação das perseguições aos nativos – por parte do branco opressor que tencionava tomar conta das terras para a proliferação de fazendas, para a abertura de estradas por onde seria escoado o gado para as regiões do garimpo, nas Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso – ainda no século XVI. O Piauí era um corredor de exportação de boiadas que iriam alimentar as populações dessas localidades.

Peixes fossilizados, troncos de árvores petrificados, amostras de minerais, solos, couro de tamanduá dão um pouco do tom da natureza da terra inexplorada. Já as flechas, urna funerária, cocar, arcos, vasilhames e machados, além de outros utensílios, fazem o visitante compreender um pouco da vida dos primeiros habitantes das terras piauienses. Percorrer esse espaço é como voltar ao tempo, imaginar florestas e uma civilização trucidada pela forças das armas; pela ganância do português que aqui aportara.

Por um simples atravessar de umbral chegamos ao Piauí Colônia, recebendo, de imediato o aviso da cicerone: “Tudo o que há na sala é doação de governos”.

Entretanto, simbolizam uma época em que não havia muito luxo, mas praticidade: conjuntos de cadeiras em
palhinha, espelhos contornados para parede, relógio de pêndulo do século XVIII, castiçais de vidro, estantes e espadas – com destaque para um exemplar dos primeiros tempos do Piauí colônia.

Fausto e delicadeza em móveis e obras de arte

Saindo do Piauí colônia, o visitante – como num túnel do tempo – passa a viver uma outra realidade: o Piauí imperial, com seus espelhos de rara beleza; bengalas, porta-chapéus, conjunto harmonioso de cadeiras e louças vindas de Portugal, da Índia e de outras paragens. Como eternos vigilantes de uma época de riqueza, onde se media o valor da família pela tradição e pelo dinheiro, José Francisco Miranda Osório – um dos responsáveis pela independência do Piauí – e João José da Cunha Fidié, o militar que chefiou os
portugueses na batalha do Jenipapo, em 13 de março de 1823 – em pinturas que retratam seu espírito guerreiro, parecem estar prestes a um novo confronto.

A viagem pelo Piauí imperial continua, com a exposição de móveis e outros objetos que refletem a vida de senhores severos e de sinhazinhas frágeis, diáfanas, obedientes à sociedade machista de uma época cheia de medo, de incertezas, mas também de romantismo e de amores fugidios. No centro, a cama de casal da Casa Grande São Domingos – doada pelo ex-senador Fausto Gaioso Castelo Branco -, os uniformes da guarda nacional, do século XIX, usados pelos bravos na guerra do Paraguai, além das espadas e bainhas aparecem como símbolos da casa grande, do poder viril.

Contrastando com essa visão masculina, os leques importados e os adornos de cabelos parecem estar
ali, como num toucador, à espera do próximo baile. Naquela época as festas aconteciam no palácio de governo, em algumas residências ou no Theatro 4 de Setembro.

Às sinhazinhas, moças da alta sociedade, não era permitido o “flerte” nem os namoros escandalosos das décadas seguintes. No entanto, em muitos casos a vigilância dos pais não impedia essa comunicação:
as meninas mais sapecas usavam a linguagem do leque, onde traduziam seus sentimentos com simples movimentos, como o fechamento brusco da peça – que significava “não te quero mais”. Uma peça de destaque, embora não esteja na sala do império, é quadro gigante de Dom Pedro II, pintado por Victor Meireles, datada de 1875: suntuoso, magnífico.

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Fonte: Marco Vilarinho / Jornal O Dia
Edição: Portal O Dia
Por: Portal O Dia

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