Novo método deixa mulher estéril sem cirurgia

As brasileiras já podem contar com um novo método para controle da natalidade permanente e de forma menos invasiva.

02/10/2009 23:13h

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As brasileiras já podem contar com um novo método para controle da natalidade permanente e de forma menos invasiva. Trata-se de um dispositivo para bloquear as trompas e promover a esterilização definitiva sem a necessidade de corte e anestesia.

Chamado Essure, o dispositivo foi criado pela empresa norte-americana Conceptus e é usado nos Estados Unidos e Europa. Segundo dados da empresa, desde a aprovação pela FDA (Food and Drugs Association), em 2002, mais de 9 mil médicos adotaram o procedimento e mais de 310 mil mulheres optaram pelo Essure no mundo como método anticoncepcional definitivo.

No Brasil, o dispositivo está em uso desde fevereiro passado, quando recebeu aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde). A ginecologista e obstetra paulista Bárbara Murayama, especializada em Endoscopia Ginecológica, pela Unifesp (Escola Paulista de Medicina), que já aplica o método, disse que o dispositivo é constituído de um tipo de "molinha" com espessura de um fio de cabelo, feita de aço inoxidável e revestida por uma capa de níquel-titânio. Com cerca de 4 cm, ele é colocado nas trompas por uma técnica endoscópica que permite visualizar a cavidade uterina. Para isso, é introduzido por via vaginal um histeroscópio, aparelho pelo qual entra um cateter que conduz o dispositivo para ser depositado nas trompas.

"Os tecidos reagem a esse corpo estranho, inflamam e acontecem cicatrizações e aderências que fecham esse canal entre os ovários (de onde sai o óvulo) e o útero (onde chegam os espermatozoides), o que torna a mulher estéril", afirmou. Ao contrário do DIU (Dispositivo Intrauterino), que também é introduzido via vaginal para evitar a gravidez, o Essure não deve ser retirado após certo período, pois é um método definitivo e irreversível. É bom lembrar que, de acordo com a legislação brasileira, só podem utilizar esse tipo de procedimento mulheres com 25 anos ou mais ou que já tenham pelo menos dois filhos vivos.

Segundo a especialista, o ideal é que o procedimento seja feito em ambiente ambulatorial, ou seja, um consultório dentro de um hospital, onde há estrutura para atender a paciente em caso de complicações. Mas não há restrições em realizar o processo em consultório, já que é rápido, cerca de 20 minutos, e não requer anestesia, cortes ou pontos. A mulher pode ir para casa em seguida e retornar às suas atividades normais, sem a necessidade de internação. "O que pode acontecer é uma cólica por conta da distensão da cavidade uterina", disse.

A simples colocação do Essure não significa, entretanto, a imediata esterilização. É preciso um tempo para que o organismo crie as barreiras. "A paciente é liberada para relações sexuais sem anticoncepcionais (pílula, preservativo) depois de três meses, quando ela realiza a histerossalpingografia, exame radiológico do útero e das trompas para verificar se o dispositivo ficou no lugar certo e se já fechou o canal", disse a ginecologista. Se não ocorreu o bloqueio total das trompas, ela ainda pode engravidar.

No Brasil ainda não há dados sobre o sucesso do procedimento, já que o método é novo por aqui. Mas números do exterior, onde o dispositivo é usado há anos, mostram falha de até 10%. "Porém aconteceram em pacientes que não seguiram as recomendações: não fizeram o exame depois de três meses, não esperaram os três meses para ter relação sem método anticoncepcional ou já estavam grávidas e não foram diagnosticadas antes de colocar o dispositivo. Todas que seguiram os processos indicados tiveram resultados eficientes", afirmou Bárbara.

Essure x laqueadura
Definido que a mulher está dentro da indicação para esterilização definitiva, o método mais comum até então era a laqueadura, cirurgia pela qual se cortam e se amarram as pontas das trompas para evitar o encontro do óvulo com os espermatozoides. "Independentemente da via de acesso para as trompas ao se fazer a laqueadura - vaginal, laparoscópica (com vídeo) ou abdominal (com corte na barriga) -, é uma cirurgia e requer anestesia geral ou raquidiana e se corre todos os riscos inerentes, o que não acontece com o Essure", disse.

Para colocação do Essure, em alguns casos, é dada anestesia local ou leve sedação para pacientes que não suportam nenhum tipo de dor. Em pacientes que toleram minimamente a dor, é possível realizar o procedimento tranquilamente.

A desvantagem do Essure é o preço. O kit (molinha, cateter) custa em torno de R$ 5 mil, fora o uso do histerioscópio e honorários médicos. "Quando for possível baratear o preço do dispositivo, esse método pode até ficar mais em conta do que laqueadura, que requer internação e anestesia", afirmou.
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Fonte: Terra
Edição: Portal O Dia
Por: Portal O Dia

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