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Lâmpadas fluorescentes são um risco ao meio ambiente

Elas guardam em seu interior o mercúrio, uma substância tóxica e muito perigosa, inclusive para a saúde dos humanos

18/03/2009 13:57h

A lâmpada que ilumina sua casa pode parecer uma inocente ferramenta doméstica. Mas, há muito tempo, os ambientalistas já enxergam os riscos que elas podem causar quando são despejadas no meio ambiente. O problema está concentrado nas lâmpadas fluorescentes compactas, adotadas pelos brasileiros como uma alternativa mais econômica. Elas guardam em seu interior o mercúrio, uma substância tóxica e muito perigosa, inclusive para a saúde dos humanos.

Quando ainda estão dentro de sua vida útil, as lâmpadas fluorescentes parecem uma ótima opção. Mais econômicas do que as tradicionais lâmpadas incandescentes, elas serviram de alento para os brasileiros que tentavam poupar energia durante o apagão de 2001. O problema aparece quando a lâmpada queima e precisa ser substituída. Jogar o material na lixeira pode resolver a questão dentro da sua casa, mas não para o resto do ambiente. Em Teresina, por exemplo, não existe nenhuma ação no sentido de reciclar o mercúrio presente nas lâmpadas fluorescentes descartadas. A substância acaba sendo despejada diretamente no aterro sanitário, ou vazando durante este percurso, contribuindo para a contaminação do solo ou da água.

O professor Francisco Carlos Marques, do Departamento de Química da Universidade Federal do Piauí, explica que a quantidade de mercúrio presente nas lâmpadas fluorescentes já é suficiente para provocar um envenenamento ambiental em longo prazo. “Por ser o mercúrio uma substância líquida, ele se espalha facilmente, tanto no corpo humano, como no ambiente”, diz. Segundo o professor, uma planta atingida pelo mercúrio pode sofrer atrofia na raiz e nas folhas. Já nos humanos, o contato com doses altas da substância, ou o contato reiterado, podem gerar problemas no sistema nervoso e até uma doença chamada hidrargirismo, em que os órgãos param de funcionar. “Os efeitos do contato com o mercúrio se manifestam depois de algum tempo, e podem demorar até 10 anos para aparecer, mas, geralmente, sua toxidade é irreversível”, destaca o professor.

Segundo o químico, a solução para o problema do descarte das lâmpadas fluorescentes seria a reciclagem do mercúrio presente nas lâmpadas, para que fossem reutilizados em termômetros e outros produtos que aproveitam a substância, mas ele desconhece qualquer projeto neste sentido na capital piauiense. “Isto até acontece em algumas cidades do sul do país, mas mesmo naquela região não é algo muito comum. Trata-se de um problema mundial”, afirma. Atualmente, o Brasil consome 150 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano.

Mercúrio na iluminação pública vai acabar

Em Teresina, a lâmpadas fluorescentes movidas a mercúrio podem perder o reinado em breve. O Projeto Reluz prevê a substituição de 39 mil lâmpadas fluorescentes utilizadas na iluminação pública por outras do tipo vapor de sódio, substância menos tóxica ao meio ambiente.

“Vamos trocar não só as lâmpadas como todo o conjunto de luminárias, conjuntores e outros aparelhos”, explica Alexandre Silveira, gerente de Serviço Urbano da SDU – Sudeste. As lâmpadas movidas a vapor de sódio são ainda mais econômicas do que as que utilizam mercúrio. Estima-se que a economia chegue a 28%. Mas o gerente afirma que a substituição visa também uma maior proteção ambiental. “O sódio é menos nocivo ao ambiente, e estas lâmpadas têm uma durabilidade maior e uma eficiência maior também”, destaca Alexandre.

Na capital piauiense, o Projeto Reluz ainda está em fase de licitação para aquisição dos materiais e não tem prazo definido para implantação.

Cuidados ao quebrar

Os especialistas alertam para os cuidados que os usuários devem ter com as lâmpadas fluorescentes. Apesar de guardarem uma quantidade pequena de mercúrio, a substância, quando liberada no ambiente, já pode ser prejudicial à saúde. Em caso de acidentes que provoquem a quebra da lâmpada, o consumidor deve tomar certas precauções.

A Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA) oferece algumas dicas para estas situações. De acordo com a EPA, em caso de quebra da lâmpada fluorescente e vazamento de mercúrio, o melhor a se fazer é seguir os seguintes passos:

Antes da limpeza:

Ventilação
1.Tire pessoas e animais domésticos do ambiente e NÃO permita que andem na área afetada.
2.Abra uma janela e saia da sala por no mínimo 15 minutos.
3.Caso tenha ar condicionado, desligue-o durante esse período.

Limpeza passo a passo:
1.Retire pedaços de vidro e pó com papel e coloque tudo num plástico ou recipiente de vidro (com tampa).
2.Use fita adesiva para retirar pedaços menores do chão e móveis.
3.Limpe a área com papel toalha úmido (ou lenços umedecidos). Descarte esse papel e fita adesiva junto com os cacos de vidro

O que fazer com
os restos ?
1.Coloque o material recolhido do lado de fora da casa numa lixeira protegida e separada do lixo normal.
2.Lave as mãos ao terminar a limpeza.
A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) também disponibiliza um telefone para dúvidas sobre intoxicação. O número do disque-intoxicação é 0800-722-6001.
Fonte: Clarissa Poty / Jornal O Dia
Edição: Portal O Dia
Por: Portal O Dia

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