Cursos pouco concorridos, mas muito lucrativos

Física, Matemática e Engenharia de Agrimensura são áreas onde não falta emprego.

14/09/2009 09:06h

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Em geral, por falta de informação, estudantes esnobam cursos de nível superior que podem representar bons negócios no futuro profissional. Física, Matemática e Engenharia de Agrimensura são alguns exemplos de cursos oferecidos pelas universidades e faculdades do Piauí que têm concorrência baixíssima (menos de dois candidatos disputando uma vaga), apesar de o mercado oferecer boas oportunidades.

Larisse Pinheiro Fontenele, graduada e especialista em Engenharia de Agrimensura, é uma das profissionais que garantem que o curso, apesar de não estar entre os preferidos dos estudantes, abre largas portas no mercado. Segundo ela, há um grande preconceito com o engenheiro agrimensor, que é tido pelo senso comum como medidor de terras, e só. Entretanto, o profissional desta área não trabalha apenas com topografia.

Também são atribuições do agrimensor, entre outras coisas: preparar áreas para obras urbanas, de infraestrutura hidráulica, sanitária, elétrica ou de transportes; medir terrenos e pesquisar características do solo e do relevo em determinada área; orientar projetos de loteamento e definir o traçado de cidades; criar, organizar ou atualizar arquivos de informações geográficas e topográficas. Desta forma, este profissional pode prestar consultorias para prefeituras, indústrias e construtoras.

“O mercado é bastante amplo, mas as pessoas pensam que só existe a área de topografia. Eu garanto: é possível ganhar bem, só não pode é se acomodar, tem que trabalhar, como em qualquer outra profissão”, defende Larisse, que é professora da Universidade Federal do Piauí.

A engenheira Ângela Melo prova que a carreira escolhida por ela é promissora. Formada há oito anos, ela nunca tinha trabalhado em sua área por ter sido aprovada em um concurso do Governo do Estado do Piauí para um cargo técnico da Secretaria de Educação. Mas, agora, a própria secretaria solicitou que Ângela fosse deslocada para um setor onde poderá desempenhar seus conhecimentos de agrimensura. “Como fiquei muito tempo distante, estou me atualizando com a professora Larisse para começar a trabalhar na minha área”, entusiasma-se.

Larisse Fontenele defende que o trabalhador autônomo tem mais chances de ser bem sucedido na profissão de engenharia de agrimensura, porque os órgãos públicos ainda não pagam o engenheiro seguindo a orientação do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), que é de seis salários mínimos para profissionais que trabalham durante seis horas por dia e sete salários para quem trabalha oito horas.

Física é um investimento a longo prazo, diz graduada

Ninguém disse que seria fácil. Mas a graduada em Física Jaciara Cássia decidiu seguir seu sonho e abraçou o curso como se fosse o mais honrado de todos. Inicialmente, ela não sabia que poderia ser bem-sucedida profissionalmente, mas depois viu que sim, desde que investisse em sua carreira.

“Física é um investimento a longo prazo. Ninguém começa a ganhar dinheiro antes de ter títulos de mestrado e doutorado”, avalia a estudante, que começou a fazer mestrado logo depois da graduação. A piauiense está em São Paulo, estudando Física Aplicada na USP.

No Piauí, ela diz, o leque ainda é muito fechado para o profissional da Física, mas ainda assim há oportunidade de trabalhar e ser bem-sucedido, sendo professor das redes pública ou privada ou atuando como pesquisador da universidade. “Nosso estado não tem grandes empresas que contratam físicos, mas fora dá para fazer muita coisa”, avalia.

Jaciara Cássia destaca que ramos ainda novos da Física têm expandido o mercado e prometem fazer muito mais. É o caso da Física aplicada à Medicina. Segundo a física, todo consultório médico e odontológico que possui um aparelho de raio-X tem que ter um físico na supervisão. Isso ainda não ocorre na prática em todos os estados brasileiros. Em geral, são técnicos que assumem essa função.

“É uma grande contradição. Na Alemanha, por exemplo, um físico tem maior status na sociedade do que um médico ou advogado ou qualquer outra profissão. É uma tendência nos países mais desenvolvidos, mas infelizmente no Piauí ainda não é assim”, compara.
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Fonte: Pollyana Rocha/ Jornal O Dia
Edição: Portal O Dia
Por: Portal O Dia

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