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Tabu prejudica doações de órgãos no Piauí, afirma coordenadora

No Estado, ainda há muitas manifestações pela não doação, sobretudo por falta de conhecimentos legais sobre os procedimentos.

04/01/2020 09:11h

O processo de doação de órgãos ainda é visto pelos piauienses como tabu. No Estado, ainda há muitas manifestações pela não doação, sobretudo por falta de conhecimentos legais sobre os procedimentos. É o que informa a médica e coordenadora do sistema de transplantes no Piauí, Maria de Lourdes de Freitas Veras.

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“Quando a família não tem conhecimento prévio, ou acredita que não teve o bom atendimento que o ente querido deveria ter, ela se manifesta pelo não. Por isso, temos que fazer um atendimento assistencial de excelência na emergência, porque todo processo de doação de órgãos é regulamentado por lei federal e tudo que é feito segue um protocolo predeterminado.Desde o início da notificação de um potencial doador na unidade terapia intensiva (UTI) até o seguimento pós-transplante, a gente acompanha o passo a passo”, diz Lourdes de Freitas. 

A médica descreve que os potenciais doadores são pessoas jovens vítimas de mortes violentas, como acidentes; são pessoas sadias que tiveram sua vida tirada por uma fatalidade ou hemorragias intracranianas, onde se tem problemas no cérebro, mas os órgãos estão íntegros.


Tabu prejudica doações de órgãos no Piauí, afirma coordenadora. Fotos: Assis Fernandes

“Uma vez dada entrada na terapia intensiva e na grande urgência, havendo o diagnóstico de morte encefálica, os médicos têm por obrigação no Brasil de informar a família, independente de doação. São dois exames clínicoscom dois médicos diferente e, no país, ainda é feito o exame complementar gráfico, você tem que provar que o cérebro está morto, para não ter dúvida”, explica Lourdes de Freitas.

Segundo a coordenadora, após o diagnóstico, os médicos estão autorizados a assinarem o atestado de óbitoem seguida a família tem o direito de se manifestar e decidir sobre doar ou não os órgãos.

“Após a aprovação da família, começa uma corrida contra o tempo, porque após a morte encefálica, todos os órgãos começam a entrar em deterioração. Temos que ter leito de terapia intensiva, ventilação para ter oxigenação no pulmão, nas células, medicamentos para manter a pressão arterial, o coração funcionando, porque eu tenho que fazer exames antes da retirada desses órgãos. Uma vez que os exames sorológicos são negativospartimos para os exames imunológicos para procurar compatibilidade, com profissionais que trabalham 24 horas. E tendo em mente que quanto menos tempo eu levo neste processo, eu aumento a viabilidade do órgão, tudo tem que ser feito com muita agilidade”, afirma Lourdes de Freitas.

Edição: Virgiane Passos
Por: Sandy Swamy- Jornal O Dia

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