Retrospectiva 2020: Redes sociais se consagram como plataformas para negócios

De portas fechadas, empresas migraram para o virtual e tiveram que acelerar o processo de transformação digital.

30/12/2020 08:44h

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Quando o presencial se restringiu apenas ao essencial, as redes sociais protagonizaram uma adesão ascendente. Empresas de todos os segmentos econômicos iniciaram ou ampliaram sua presença digital para chegar até os consumidores. Uma adequação necessária para se manterem vivas no mercado. Dentro deste contexto, duas plataformas ganharam destaque: o Instagram e o WhatsApp.


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Segundo estudo realizado pela Socialbakers, plataforma global de soluções para otimização de performance corporativa em redes sociais, o Instagram ampliou sua liderança sobre o Facebook durante a pandemia de Covid-19. Em termos de audiência global, a rede social ampliou para 31,2% a vantagem que já era de 28% no primeiro trimestre de 2020. O total de interações no Instagram foi 18,7 vezes maior do que no Facebook entre os meses de abril, maio e junho.

Foto: Arquivo Pessoal

Já o aplicativo WhatsApp, instalado em 99% dos smartphones no Brasil, é o meio de contato preferido dos usuários para se comunicar com empresas e demais negócios. Além disso, especialistas afirmam que o app é a primeira opção de 55% desses consumidores na hora de contatar uma empresa. Pesquisas indicam ainda que, desde fevereiro, o aumento no uso do WhatsApp por clientes que preferem conversar de forma bidirecional com empresas cresceu em 101%.

A relevância dessas plataformas é atestada pela dentista Wildenia de Castro Pedreira Carvalho, que atribui, ao trabalho executado através do Instagram e do WhatsApp, a sobrevivência da sua clínica durante a pandemia. “Se eu não tivesse o Instagram ou o WhatsApp, com certeza, teria sido mais difícil”, destaca. 

A dentista, que é proprietária de uma clínica localizada na zona Norte de Teresina, confessa que chegou a pensar que sua empresa não iria conseguir superar a crise desencadeada pelo novo coronavírus. “Quando eu tive que fechar o consultório, foi um baque muito grande, porque minha clínica tinha aberto em novembro, então estava só com quatro meses de vida. A gente ainda estava engatinhando e, de uma hora para a outra, teve que fechar. Pensamos até que não iríamos segurar e ela teria que ser fechada definitivamente”, lembra.

Todavia, com esforço pessoal e suporte no gerenciamento do perfil da clínica no Instagram, Wildenia conseguiu manter contato com os clientes e passou a atender, conforme as regras dos decretos municipais, os casos de urgência e emergência. Ela relata que, sem a ajuda da gestora em redes sociais, não teria conseguido enfrentar esse momento de crise.

“A consultoria eu já tinha desde antes da pandemia. Ela tira minhas dúvidas, me ajuda a colocar em prática as ideias que tenho, tem mais experiência nessa parte de redes sociais, além de ser acessível, de ter me ajudado dando apoio na época da pandemia. Pra mim, foi fundamental esse suporte”, completa.

Falhas no atendimento foi erro mais recorrente na transição do presencial para o virtual

Com a chegada da pandemia, quem já utilizava o Instagram pra divulgar seu negócio saiu na frente daqueles que ainda precisaram conhecer as ferramentas da plataforma. E nesse processo de transição do presencial para o virtual, muitos empreendedores e empresas cometeram falhas.   

Segundo a gestora de redes sociais, Alline Vasconcelos, os erros mais recorrentes aconteceram no setor de atendimento. “As pessoas não estavam preparadas para essa nova condição e também não estavam preparadas para essa demanda. E no online tudo é muito rápido, as pessoas não querem esperar. Imagina que você tem seu negócio e quantas outras pessoas vendem o mesmo que você, então essa demora no atendimento, em ser ágil, em resolver o problema do seu cliente, é uma das falhas mais recorrentes”, avalia.

A especialista cita outras falhas que também aconteceram no período. “A respeito da entrega, quem trabalha com delivery não estava preparado, não conseguiu se organizar para atender essa demanda, então atrasava na entrega. Outro erro comum que as pessoas não conseguem visualizar é fazer promoções que não funcionam no online. A estratégia pode funcionar fora das redes sociais, mas nas redes sociais são mais complicadas de darem certo”, completa. 

Todavia, Alline acredita que o legado que a pandemia vai deixar para o segmento de negócios é a necessidade de as pessoas começarem a olhar para o online de forma mais estrutural, dando a devida importância que ela tem. “Quem já trabalhava com gerenciamento de redes sociais já falava sobre essa importância, tanto que o próprio Instagram, recentemente, atualizou sua plataforma e está cada vez mais voltado para o e-commerce. E a vantagem principal são os custos. Numa loja física, você tem todo um gasto de aluguel, funcionário, água e luz, que, no online, você não vai ter tanto. Você precisa de uma internet boa, um aparelho para fotografar as imagens, uma pessoa para ficar respondendo as demandas”, analisa.

“Passei a vender para o Brasil inteiro”, revela empreendedora do ramo de joias e semijoias 

“A pandemia me trouxe desespero, mas também solução”. As palavras de Edna Pessoa resumem a gangorra de emoções que enfrentou durante o cenário, até então, inimaginável. Ela, que já vendia joias e semijoias através das redes sociais desde outubro de 2019, se viu em um beco sem saída quando a cidade parou e se isolou por conta do novo coronavírus.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

 “Apesar de eu ter conta no Instagram, minhas vendas eram basicamente para pessoas próximas. Então, ia para o presencial, vendia muito para as minhas amigas, família, amigos dos amigos, o pessoal do meu outro trabalho formal. Eu andava com a minha maletinha e realizava mais as minhas vendas de forma presencial”, conta. 

E justamente quando Edna aguardava um grande carregamento de novas mercadorias, a pandemia se instalou. “Eu me desesperei no início, porque eu tinha feito um pedido muito grande em março, estava chegando essa mercadoria em abril e eu me vi muito desesperada. O mês que eu mais me aperreei foi o mês de maio, porque eu tinha muita mercadoria e eu não estava saindo, nem encontrando com meus clientes para oferecer, mostrar os produtos. Me vi num beco sem saída”, confessa. 

Depois do impacto, a solução. Edna despertou para as possibilidades que estavam a sua frente e apostou nas redes sociais para retomar suas vendas. “Passei a movimentar o Instagram todos os dias, me acalmei, e fui em busca de melhorar mais o meu perfil, a minha audiência, o meu engajamento, então eu acabei me encontrando, colocando a minha loja num ponto de partida para ela poder alavancar. Porque eu estava estagnada, praticamente vendendo para as mesmas pessoas, tipo num ciclo vicioso”, descreve. 

A empreendedora revela que, enquanto participava de cursos online para se capacitar, acabou encontrando outras pessoas que atuavam no mesmo segmento que o seu e que lhe mostraram uma nova possibilidade: construir um site para a venda de seus produtos. “Eu sempre pensei, tinha esse desejo de ter um site, mas não imaginava que isso podia se tornar realidade agora, imaginava mais lá pra frente. E aí, em meio à pandemia, em poucos meses, eu montei uma loja online. Fui me reinventando sem nem me dar conta”, afirma. 

Edna ressalta que essas transformações elevaram seu negócio para outro nível: “Minha loja online não é mais a venda para as mesmas pessoas, hoje eu vendo para o Brasil inteiro, como Espírito Santo, Tocantins”. E ela atribui esse sucesso ao seu empenho em se dedicar, em se capacitar para essa nova etapa do seu negócio, e também às ferramentas que utiliza.

“As redes sociais foram imprescindíveis para as minhas vendas e ainda são. Então, eu uso o Instagram como a vitrine da minha loja online e hoje eu me sinto muito mais segura porque eu tenho meu espaço. O maior desafio, pra mim, nesse período de pandemia, foram as redes sociais, principalmente o Instagram, porque, para movimentar todos os dias, dá muito trabalho. E as pessoas acham que vender pela internet é você tirar foto do produto, colocar preço e, pronto, o produto vai se vender sozinho. Eu tenho que estar online todos os dias, fazer posts todos os dias, tenho que ter muita criatividade para fazer stories, IGTV, lives. Para nós do online, a gente tem que encantar esse cliente de alguma forma e da melhor forma possível. É uma responsabilidade muito grande”, completa a empreendedora que pretende, no futuro, se manter financeiramente exclusivamente com as vendas de seu negócio. 

(Virgiane Passos)

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Por: Virgiane Passos

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