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Relação de jovens com álcool expõe excessos e dificuldade para prevenção

Atualmente, já existe categorização para estudar a prática, o chamado Binge Drinking, traduzido como ‘bebedeira’ ou ‘beber pesado episódico’.

29/02/2020 09:23h - Atualizado em 29/02/2020 09:56h

Miguel* era um jovem de 19 anos quando teve sua primeira amnésia alcoólica. E não precisou de nenhuma situação atípica para que isso acontecesse: festa de aniversário na casa de uma amiga, exagero de bebidas em um curto espaço de tempo para, poucas horas depois, sua memória do que fez ou como chegou em casa estar confusa e “apagada”. 


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Já Bárbara* lembra que aos 18, após participar de uma festa e ingerir grande quantidade de bebida alcoólica, fez uso da direção e, em alta velocidade, quase se envolve em um grave acidente de trânsito, arriscando não apenas a sua, mas a vida do irmão mais novo que estava ao lado. Histórias diferentes, mas que têm um personagem em comum: o álcool ingerido em grandes quantidades. Beber ao ponto de se deixar guiar por impulsos ou se sentir fisiologicamente afetado não é um cenário raro de se encontrar pelo país. 

Atualmente, já existe categorização para estudar a prática, o chamado Binge Drinking, traduzido como ‘bebedeira’ ou ‘beber pesado episódico’, é um padrão que costuma se caracterizar pelo consumo de, no mínimo, quatro doses de álcool em uma única ocasião para mulheres, e cinco doses para homens, o que leva a uma concentração de etanol no sangue de 0,08% ou superior.

Em um artigo denominado “A prática de binge drinking entre jovens e o papel das promoções de bebidas alcoólicas: uma questão de saúde pública”, a médica psiquiatra Zila Sanchez explicam que os episódios de uso abusivo agudo de álcool não apenas influenciam a mortalidade geral, mas também contribuem para agravos à saúde, particularmente aqueles decorrentes de acidentes e agressões, colocando em risco o intoxicado e a coletividade.


Relação de jovens com álcool expõe excessos e dificuldade para prevenção. Reprodução

“Entre a população geral, o BD (binge drinking) está associado a maiores ocorrências de abuso sexual, tentativas de suicídio, sexo desprotegido, gravidez indesejada, infarto agudo do miocárdio, overdose alcoólica, quedas, gastrite e pancreatite”, descreve a pesquisadora. Zila destaca que apesar de sua relevância no campo da Saúde Pública, o cenário que favorece e as consequências deixadas pelo uso e abuso de álcool ainda são pouco estudados na população brasileira.

“O primeiro levantamento nacional dos padrões de uso de álcool no Brasil, realizado em 2005-2006, identificou uma prevalência de BD no ano anterior à pesquisa de 28% em adultos, 40% nas faixas etárias de 18 a 24 anos e 53% entre os adolescentes do sexo masculino. Estudo realizado em 2010, com estudantes do Ensino Médio das 27 capitais do país, revelou uma prevalência de 32% de prática de BD naquele ano, maior entre os adolescentes mais ricos e nas regiões Norte e Nordeste”, acentua.

Apesar de o álcool ser uma droga lícita, sua venda e fornecimento a menores de 18 anos são proibidos por lei no Brasil (Lei federal no 13.106, de 17 de março de 2015).

Por: Glenda Uchôa

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