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Família acolhedora: muito além de uma adoção temporária

Participante do programa Família Acolhedora compartilha experiências, desafios e perspectivas

16/09/2019 17:08h

Quando Lidiane Magalhães, de 44 anos, passou a frequentar a Casa do Reencontro, seguindo um programa pessoal intitulado “Amparo”, adotar uma criança ainda não estava nos planos. Segundo a missionária, que chegou ao Piauí em 2017, um dos principais fatores que a moveu foi a curiosidade. “Conheci esses programas de voluntariado em uma capacitação que fiz em Curitiba. Fiquei curiosa para conhecer mais”.

“Não estava nos planos eu participar efetivamente dos programas, e sim dar alguma ajuda e apoio". Alguns meses atrás, essa ideia acabou por se solidificar em uma necessidade de engajamento mais profundo. “Me encantei... e aqui estamos!”. Do apadrinhamento de oito crianças na Casa do Reencontro, Lidiane chegou ao acolhimento de duas delas, por meio do programa Família Acolhedora

Lidiane e o marido estão cuidando de duas meninas há mais de um ano - Foto: Sescapi

As duas meninas, de 9 e 4 anos, estão com ela desde maio deste ano. A família, formada também pelo esposo e pelas filhas de Lidiane, comemorou a Páscoa toda junta.

O Família Acolhedora é um serviço da Prefeitura de Teresina, oferecido por meio da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), e trata-se de uma ação de acolhimento temporário que pode se tornar permanente. 

A pessoa adotada, que pode ter de 13 a 18 anos, é transferida a uma família cadastrada que, durante a estadia, é acompanhada por uma equipe técnica. Enquanto isso, os responsáveis de origem passam por uma série de ações socioassistenciais, realizada por uma equipe formada por assistentes sociais e psicólogos, com o objetivo de promover a reintegração adequada da criança acolhida, que realiza visitas ocasionais durante o atendimento. Por motivos de segurança, a família acolhedora tem seu anonimato garantido.

A acolhedora ressalta com frequência como o trabalho vem sendo uma experiência marcante e transformadora. “Tem sido um crescimento pessoal estar envolvida nesse projeto. Às vezes, a gente fica no nosso mundinho, na zona de conforto, e não vê o que tem acontecido fora. Coisas que a gente pensa que está muito longe, estão na casa da gente”. Lidiane espera que as meninas se sintam bem tratadas e diz que pretende continuar agindo por meio da adoção temporária articulada pelo Família Acolhedora. "Já tenho alguma experiência mas a gente sabe que cada caso é um caso."

Princípios do programa

O Família Acolhedora tem como princípio a importância de se oferecer uma segunda chance, de uma nova família temporária para as crianças que vivem em situações de abuso ou negligência no meio familiar de origem. Os menores são temporariamente removidos do ambiente impossibilitado e passam a ser acolhidas por outra família. Durante a estadia, tanto a criança quanto a família de origem passam por um processo de reabilitação, para que no final possam se reunir e restaurar os laços. Lidiane vem lidando com a partida das meninas, que é uma possibilidade futura. “O que conforta o meu coração é ter contribuído na vida dessas crianças. Tenho a esperança que vão estar em um lugar bom, onde possam ser felizes”.

A acolhedora espera que sua história incentive outras pessoas a se engajarem, mesmo que dentro de suas limitações. "Se você não tem a coragem ou os meios, apoie e auxilie quem tem. Financeiramente, não tenho uma super estrutura, mas o pouco que tenho a gente divide e contribui. Tem coisas que talvez eu, como acolhedora, não possa dar, mas alguém tem sobrando e pode. Também evite criticar. Tem gente que diz: ‘ah, você é doida, está correndo risco’. Não fazer esse tipo de coisa, não tentar desestimular e sim, dar apoio também é importante. Às vezes, a própria família julga a gente. Essas crianças não são coisa de outro mundo, não são marginais e temos que incentivá-las e ser e fazer a diferença”, destaca.

Como participar?

Entre os principais critérios estão: residir em Teresina, ser maior de idade (com 21 anos ou mais), ter disponibilidade afetiva para cuidar de crianças ou adolescentes, não apresentar problemas psiquiátricos, não ser dependente de substâncias psicoativas e não responder a processo judicial. Os interessados podem entrar em contato pelo 3131-4751 e agendar uma entrevista. A sede fica no térreo da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) — localizada na Rua Álvaro Mendes, 861, Centro.

“O Família Acolhedora é um programa importante na medida em que fortalece a política de proteção à criança e ao adolescente em Teresina. A criança contemplada pelo projeto não fica limitada ao atendimento institucional e se mantém vivo um convívio familiar, um vínculo solidário. É uma grande e bela missão", destaca o secretário de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas, Samuel Silveira.

A Casa do Reencontro, unidade citada no texto como ponto de partida de Lidiane, está aberta a voluntários e padrinhos e fica na Rua Prof. Odilo Ramos, 1379-1555, no bairro Morada do Sol. O local abriga crianças de 0 a 12 anos incompletos, que tiveram a integridade física e afetiva comprometidas devido à violação de direitos. Os encaminhamentos para a Casa Reencontro são realizados por meio do Conselho Tutelar.


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