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Paciente relata diagnóstico e tratamento pela rede particular

Alcione Nunes Dias, de 44 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em 2017 e faz tratamento pela rede particular de saúde.

03/08/2019 08:36h - Atualizado em 03/08/2019 11:50h

A supervisora administrativa Alcione Nunes Dias, de 44 anos, sabe bem da importância do tempo para se conseguir a cura do câncer de mama. Diagnosticada com a doença em 2017, ela conseguiu realizar todos os procedimentos de exames, diagnóstico e cirurgia em apenas dois meses na rede particular de saúde - o que, para ela, foi crucial na sua recuperação.

“Em março de 2017, eu senti a mama esquerda inchada e dolorida. Como sempre tive cistos mamários, achava que não era nada, e como estavam evoluídos eu conseguia ver o relevo deles quando tirava a roupa, mas nada que me fizesse buscar ajuda médica. Por ironia do destino, eu trabalho em uma clínica de imagem e, um dia, um dos médicos me ouviu reclamando das dores e pediu que eu o procurasse no final do dia para uma avaliação. Ele suspeitou de algo e recomendou que eu buscasse o mastologista. Na imagem, não dava para dizer se era um cisto ou nódulo, mas o corpo encontrado tinha 0.9 mm, menos de 1 cm, algo muito pequeno”, lembra.

Alcione foi diagnosticada em 2017. (Foto: Arquivo Pessoal)

No dia 16 de maio de 2017, Alcione procurou ajuda médica; seu diagnóstico foi dado um mês depois, no dia 16 de junho e, 27 dias após, ela realizou a cirurgia de retirada do nódulo, que já estava medindo 1,5 cm. Na biópsia, foi confirmado se tratar de uma célula cancerígena de Grau 2.

“O câncer é uma doença muito covarde, pois ele surge devagar e não quer ser reconhecido de jeito nenhum. Antes da cirurgia, fiz vários exames para verificar se tinham nódulos em outras partes do corpo e tudo foi muito rápido. Mas essa rapidez só foi possível por conta do plano de saúde, porque se fosse depender do SUS, eu não teria conseguido, como vemos muitos casos todos os dias”, avalia a supervisora administrativa. 

“Ela está quase desistindo”, diz amiga de paciente da rede pública

Em meio ao seu tratamento, a supervisora administrativa Alcione Nunes conheceu uma mulher que tinha acabado de receber o diagnóstico do câncer de mama. Mas diferente de Alcione, ela faria o tratamento pelo SUS. “Ela está desmotivada, revoltada e se sente angustiada porque sabe que se os processos fossem mais rápidos, teria sido diferente. Ela está quase desistindo”, revela Alcione sobre o atual quadro da amiga.

Quando elas se conheceram, em 2017, a colega, de apenas 27 anos, tinha descoberto um tumor de 7 cm na mama. Seu tratamento foi iniciado pelo SUS, mas, devido à demora em conseguir realizar consultas e exames no tempo certo, ela desenvolveu metástase em outros órgãos do corpo.

“Liberaram as quimioterapias, ela fez todas e, quando terminou, o médico pediu o pré-operatório, mas ela não conseguiu nem o parecer do cardiologista, pois fazer os exames é a coisa mais difícil. Quando ela conseguiu fazer os exames, três meses depois, já estava com metástase no crânio, no fígado, no rim. Hoje, ela faz quimioterapia toda semana e está quase partindo. Esse exemplo para mim é o pior de todos. Se ela tivesse um plano de saúde e o tratamento tivesse sido rápido, ela estaria bem”, lamenta Alcione.

A supervisora administrativa destaca que a pobreza influencia diretamente para que as mulheres mais carentes tenham menor sobrevida, especialmente aquelas que dependem exclusivamente do SUS e reforça que os órgãos de Saúde devem investir em mais políticas públicas.

“Hoje a pobreza mata mais do que o câncer. As políticas públicas precisam mudar, principalmente no que se diz respeito à saúde do SUS, pois a quantidade de mulheres com câncer de mama é muito grande. Antigamente, as mulheres eram acometidas com câncer de mama depois dos 50 anos, hoje, temos mulheres com 19 anos recebendo diagnóstico positivo”, desabafa.

Por: Isabela Lopes

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