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“Eu não consigo me distrair”, diz jovem com transtorno de ansiedade

Para manter saúde mental em meio à pandemia, psicóloga dá dicas de atividades e ações que podem ajudar a aliviar os sintomas

24/03/2020 17:00h

“Somos impactados de todas as formas com o novo coronavírus. A gente acaba absorvendo as informações e causa um clima de incerteza, porque a gente não sabe como vai ser nos próximos dias, meses, e quanto tempo vamos aguentar esse perigo invisível. Outro fator é ficar em casa, tem que lidar com uma rotina de home office onde não se tem as mesmas condições de trabalho. Têm afazeres domésticos e lidar com a família em casa”. Este relato é de Emanoel Barbosa*, de 26 anos. 

O jovem sofre de transtorno de ansiedade e é um exemplo de que, em meio à pandemia do Covid-19, a saúde mental é uma das mais atingidas, pois a mudança de rotina, excesso de informação e o atual cenário tem causado pânico. O fato de pensar que milhares de pessoas estão contaminadas e que muitas vão a óbito é motivo de insônia, inquietude e crises de ansiedade.

“Vai gerando uma angústia porque não tem muito o que fazer, além de ficar em casa. Eu não consigo me distrair, eu tenho tentado. Mas estou num estado tão acelerado que eu não consigo parar para me concentrar e assistir um filme todo, um episódio de seriado todo. Eu já cheguei a desativar a internet do meu celular, mas quando liga, vem uma enxurrada de coisas. Então, estou saindo de alguns grupos de WhatsApp e estou, ao longo dia, desativando a internet. E outra coisa que me ajuda é brincar com meu cachorro e ponho uma música alta quando eu vou trabalhar”, explica Emanoel.


Dicas

Para a psicóloga Samantha Carvalho, ser forçado a sair da rotina é realmente uma forma de gerar angústia, ansiedade e tristeza de forma instantânea. Mas casos como de Emanoel podem ter melhoras com algumas atividades.

“Já pensou que nesse momento temos a oportunidade de fazer coisas que durante o nosso cotidiano conturbado vamos deixando de lado? Entre as opções estão: desentulhar papéis e objetos, separar roupas, calçados e brinquedos para doar; tomar um banho demorado, pois também é autocuidado; Assistir um filme e/ou uma série que você adia há tempos; ler um livro; manter a rotina com horário de acordar, fazer atividades domésticas, planejamentos”, descreve Samantha Carvalho.

Além disso, a especialista ressalta que nenhuma dessas atividades faz com que a pessoa negue a realidade. Ao contrário, quando se encontra no dia a dia tempo para fazer coisas que tragam algum tipo de benefício, é possível tirar o foco de notícias e pensamentos que em excesso podem ser angustiantes.

“Assim, é bom evitar o excesso de informações; evitar o excesso de tecnologias, que podem até alterar o sono; evite o excesso de procrastinação e ainda que não esteja assim tão fácil, vamos tentar ter força para manter nossa sanidade. Em alguns momentos, nossa energia física e mental vai baixar e não faz mal, é sinal de que somos humanos e estamos sendo afetados pela realidade!”, finaliza. 

*O nome do personagem é fictício para preservar sua identidade


Como lidar com as emoções e o estresse durante o surto do covid-19

As mudanças de hábitos impostas pela pandemia do Covid-19 estão transformando a vida e as relações das pessoas. Embora o estresse seja inevitável, quando excessivo diminui a imunidade e torna as pessoas mais vulneráveis e suscetíveis a doenças físicas, o que pode representar um risco aumentado para doenças infectocontagiosas. O estresse também pode abrir portas para a depressão, transtornos de ansiedade, síndrome do pânico e outros distúrbios - ou agravar quadros já existentes.

O medo do contágio pessoal e de pessoas queridas, o isolamento social, as limitações e condições impostas pela quarentena e as inúmeras mudanças de hábitos e rotinas a que estamos sujeitos nesta fase podem levar a reações extremadas e gerar intenso estresse e sofrimento - para adultos e crianças.

Cada pessoa irá reagir de forma diferente, mas algumas reações são comuns: sentimentos de raiva, tristeza e frustração; ansiedade elevada e pensamentos em torno do mesmo assunto; dificuldade para pensar com clareza e encontrar soluções para os problemas; dificuldades para se concentrar; alterações no sono e dificuldade para dormir; mudanças no apetite – comer mais ou menos do que o habitual; irritação extrema, impulsividade e descontrole emocional; tensão muscular e dores no corpo; abuso de substâncias como álcool, cigarro e outras drogas.

Quem precisa trabalhar de casa pode ter muitas dificuldades para se concentrar e manter o foco, o que afeta o rendimento e entregas ao mesmo tempo em que é preciso lidar com as demandas e expectativas de empregadores ou clientes - o que gera mais estresse.

Diante deste cenário, além da proteção física para evitar a contaminação é fundamental criar formas de proteção psíquica para passarmos por esta fase com menos sofrimento e menos impactos significativos na saúde mental. Tais como: 

- Evite o bombardeio de informações;

- Use a criatividade e foque nas soluções;

- Se organize e crie rotinas; 

- Para o trabalho em casa, use a técnica pomodoro! (para cada 25 minutos de total foco em alguma atividade faça pequenas pausas);

- Se dedique a projetos; 

- Crie a “quarentena divertida”;

- Não se isole (use a tecnologia a seu favor);

- Seja gentil com você mesmo e com os demais; 

- Respire e medite;

- Busque ajuda profissional.

Edição: Virgiane Passos
Por: Sandy Swamy

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