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Notícias Especiais

04 de abril de 2020

Pandemia faz criatividade aflorar para lidar com

Pandemia faz criatividade aflorar para lidar com "vida em isolamento"

Famílias se reinventam na segurança do lar e contam como estão fazendo para se adequar ao período

Em uma recente entrevista para um site nacional de notícias, o renomado médico Drauzio Varella disse algo que, em um primeiro momento, pode assustar: "Tínhamos visão benigna da epidemia, mas estamos numa situação de guerra. Esquece a vida normal, ela não vai existir por muito tempo. Não vai ser normal porque não poderá ser", intensificou. A constatação, apesar de forte, é uma leitura da vida atual. A vida mudou e, como desafio da adaptação aos novos cenários, muita gente está se reinventando na segurança do lar. Sejam crianças, adultos ou idosos, todos têm, de algum modo, criado opções para lidar com o cenário de isolamento.

Lidar com as crianças que agora passam os dias em casa, criando atividades para entretê-las e, ao mesmo tempo, apontando que, apesar do tempo livre, esse não é um período comum de férias, é um dos grandes desafios.

Agora, grande parte dos familiares começa a trabalhar no modelo home office e esse acaba sendo um momento oportuno para, além da diversão, estreitar laços entre pais e filhos. 

Heloísa, de sete meses, também está com a diversão garantida na quarentena. Foto: Arquivo Pessoal.

É o que aconteceu na família da advogada e empresária Amanda Madeira Reis. Mãe de dois filhos, Augusto de quatro anos e Heloísa de sete meses, ela e o marido tiveram de adaptar a rotina para que o período de isolamento ficasse o menos impactante possível.

A família da advogada e empresária Amanda Madeira Reis já se adaptou ao período. Foto: Arquivo Pessoal. 

"A mudança foi muito grande, pois tínhamos o hábito de passear, de visitar os avós, banhar de piscina. Essa parte tem sido bem difícil, porque as crianças precisam gastar energia, precisam do sol, precisam se movimentar. Mas a gente tem adaptado e estamos banhando de bacia na varanda, correndo, pulando e dançando na sala", destaca.

Para Amanda, uma das maiores lições deixadas pelo mudança que o período exige tem sido a de valorizar a família e o trabalho doméstico. "Fortalecemos nossa fé e estou tentando ensinar ao Augusto sobre paciência, resiliência e solidariedade", conta.

E para conseguir entreter os filhos, Amanda usa a criatividade como trunfo. Como tem um empreendimento também voltado à área do lúdico com crianças, o Espaço Adoleta, agora, ela usa o que trabalha no empreendimento também em casa. "O brincar aqui sempre fez parte da rotina. A quarentena tem dado oportunidade de ampliar esse brincar, do pai estar mais presente e pro Augusto desenvolver muito a criatividade e o brincar sozinho (estamos em home office e com aulas remotas)", explica.

Saúde emocional

De acordo com a psicóloga Hanna Sousa, é importante que as pessoas se entendam também como agentes de cuidado da própria saúde emocional. E lembra que, neste contexto, hábitos simples podem surtir efeito. "Quando estamos diante de algo novo (positivo ou negativo), a ansiedade e o medo aparecem, então buscamos nos ajustar nessa realidade para que ela seja mais segura e confortável possível. Estar longe de quem amamos é dolorido. Por isso, fazer uma nova rotina dentro de casa, com brincadeiras, exercícios ou até mesmo se propor a aprender coisas novas, ajuda a passar por esses dias mais difíceis", diz.

Compartilhamento de experiências

As brincadeiras e jogos que Amanda faz com os filhos são criados através de itens simples que se encontram em casa. Quando trabalhados com criatividade, eles viram excelentes atrativos. Rolos de papel higiênico, palitos, fitas e brinquedos readaptados aparecem como reforço neste período.

Augusto brincando com objetos fáceis de serem encontrados em casa. Foto: Arquivo Pessoal. 

Para inspirar e trocar informações com outras mães, Amanda mostra tudo no instagram que criou, o @brincadeirasaugustoeheloisa. "O perfil no Ig surgiu quando ainda era só o Augusto. Era um perfil fechado para oito amigas, minhas irmãs e primas que são mães, porque a ideia era só ajudá-las a fazer brincadeiras com os filhos. Mas foi crescendo e deixei livre o acesso", explica.

Ela destaca que sempre teve retorno de outras famílias agradecendo por compartilhar e ensinar brincadeiras legais e fáceis de serem feitas. "Nesse período de confinamento, tenho recebido muito direct pedindo explicações sobre as brincadeiras. Me faz muito bem. Eu me sinto feliz em saber que, de alguma forma, eu ajudo pais a se conectarem com seus filhos", destaca.

Exercícios são adaptados para realidade das residências

Para quem sempre priorizou uma vida ativa, o isolamento impôs a adaptação de treinos e exercícios no espaço restrito do lar. É o caso de Ruth Bezerra, de 54 anos, que sempre praticou atividade física e se viu empenhada em estabelecer, dentro de casa, uma rotina que permitisse seu corpo continuar absorvendo os benefícios do movimento.

Ruth decidiu não parar de se exercitar mesmo trabalhando em home office. Foto: Arquivo Pessoal.

"Nessa quarentena, eu trabalho em home office cumprindo meu horário de trabalho como se estivesse na própria repartição; fiz questão de estabelecer essa rotina. Faço de conta que estou lá, tenho horário para começar e encerrar o expediente e, após cumprida esta primeira etapa, saio do escritório da minha casa, assisto TV e etc. Mas às 18h ou às 19h, vou fazer minhas atividades físicas", assegura Ruth.

Toda readequação acontece com a ajuda da internet, por lives e vídeos de exercícios disponíveis em plataformas como Instagram e Youtube, mas também dos treinos personalizados que o educador físico que a acompanhava antes envia por WhatsApp.

"Fico tão suada e dolorida como se estivesse na própria academia. O início deu uma certa preguiça, ambiente diferente, espaço pequeno, mas já entrou na minha rotina. Faço lives dos treinadores porque são mais dinâmicas, divertidas e há uma interação entre eles e a gente ao vivo", destaca.

Para quem sempre teve as trilhas e corridas de rua como aliadas, Ruth conseguiu de forma efetiva fazer as adaptações. Mas da casa, apenas ela aderiu a proposta de fazer exercícios no lar. O marido é aposentado e preferiu ficar no campo e o filho exerce atividade essencial; quando chega, prefere assistir filmes.

"Essa quarentena nos mostra que o fato de não estar correndo na rua, você pode estar fazendo trabalho de fortalecimento muscular em casa. Quando tudo isso passar, sua musculatura estará preparada para voltar às atividades de corrida, sem risco de lesão. Pelo menos é isso que todos os treinadores que assisto nos falam", destaca.

Entre as demais recomendações está a de perceber que o importante da atividade física é a regularidade, não a intensidade. Por isso, é importante partir para movimentos mais simples e entender que o momento é especial, que daqui um tempo as coisas vão voltar ao normal e cada um vai retomar suas rotinas de exercício.

Arte e fé contam para equilíbrio mental

É fato que informações sobre o novo coronavírus podem ser de forte impacto. O número de doentes e falecimentos cresce em muitos países e podem gerar sensação de desespero ou ansiedade. Por isso, o melhor a se fazer nessa situação é entender as melhores maneiras de ter acesso às notícias e de que forma equilibrá-las.

Foi o que fez Antinéia Diniz, de 70 anos, que diz ter se perdido entre tanta informação no início da quarentena. "Eu ficava envolvida com o noticiário e com o tanto de ensinamento do que fazer e o que não fazer, eu estava me perdendo. Então pensei: vou voltar ao que eu já vinha fazendo antes", explica. Ela passou a acordar sempre às 5 horas da manhã para fazer suas orações e agradecimentos que eram constantes na sua vida.

Mas com a ajuda dos netos, uma nova fronteira na utilização da internet se abriu. "Eu aprendi, além do whats, a usar o youtube porque meus netos me ensinaram. Então lá eu posso escutar música e ver as missas", afirma.

Já a servidora pública Marléia Santos destaca que é com a arte que consegue resignificar a experiência do isolamento. "Eu descobri na arte da cartonagem uma forma de contornar algumas questões ligadas à ansiedade. A verdade é que o que fazemos com nossas mãos vai diretamente no nosso cérebro. A arte tem esse poder de trazer para nós a sensação de liberdade, de paz, de tranquilidade, as questões ligadas à arte nos predispõem a ter pensamentos positivos e atitudes positivas: vamos fazer arte!", constata.

Por isso, música positiva, boas leituras, intercâmbios virtuais, chamadas de vídeo e ligações com pessoas queridas também entram no leque de boas atitudes que tornarão este período menos impactante.

Parque Rodoviário: Um ano depois, famílias ainda esperam soluções

Parque Rodoviário: Um ano depois, famílias ainda esperam soluções

Tragédia faz um ano e moradores alegam abandono por parte do poder público

Noite de 4 de abril de 2019. Uma data que marcou a vida de centenas de moradores que residem no Parque Rodoviário, zona Sul de Teresina. O dia em que a enxurrada de lama interrompeu a vida de duas pessoas e destruiu sonhos e anos de trabalho de mais de 50 famílias. Um ano após a tragédia, muitos tentam se reerguer e voltar à normalidade, mas as marcas, tanto na memória quanto nas paredes dos imóveis, ainda assolam a comunidade, que pede providências do poder público.

Foto: Arquivo O Dia.

O comerciante Mayke Martins estava em casa no dia da tragédia. Do imóvel que ficava localizado na Rua Piracema, nº 4298, só restaram algumas paredes e entulhos. As marcas da água também estão lá, vívidas, e não deixam os moradores esquecerem das horas de terror e desespero.

O local foi desapropriado por ser considerado área de risco. Mesmo sabendo disso, o morador nunca pensou em abandonar o terreno. “Essa era minha casa, continua do mesmo jeito [do dia da tragédia]. O mato tomou conta. Eu não recebi nada; não posso reformar minha casa porque o prefeito baixou um decreto desapropriando. Mas eu não me dei por vencido. Quando eu pegar algum recurso, venho aqui e reformo minha casa”, conta.

Foto: Arquivo O Dia.

Atraso no auxílio aluguel

No mesmo terreno havia outra casa, mas nesta não sobraram nem os entulhos. Hoje, o local se transformou em um lixão. O imóvel ficava em frente para outra residência. Era a casa de dona Valdirene, que morava com o filho, a cunhada e o neto. A residência também foi atingida pela correnteza de lama. Dessa moradia também não sobrou nada.

Hoje, Valdirene mora de aluguel, benefício pago pela Prefeitura de Teresina a todos os moradores que ficaram desabrigados em decorrência da tragédia. Segundo ela, o auxílio do “aluguel solidário” está atrasado há três meses e as cobranças por parte do proprietário do imóvel são constantes.

“O dono da casa está pedindo o imóvel, disse que está atrasado o pagamento e, com esse problema do coronavírus, o Cras está fechado, então fica difícil da gente resolver. Não estamos sabendo como resolver e eu queria a solução dos órgãos públicos, que falaram que iam nos ajudar, mas não deram nenhuma solução. Meu filho também está morando de aluguel e não sabemos o que fazer”, conta.

A casa da dona Elena, que desabou com a enxurrada, abrigava 11 pessoas, incluindo ela, suas filhas e netos. Toda a família está morando em um imóvel alugado, pago pela Prefeitura, porém, o pagamento também está atrasado.

“É muito sofrimento. Se a Prefeitura não puder fazer as nossas casas o mais depressa possível, é o jeito voltar para cá, arrumar um barraco e morar aqui. Para onde que eu vou com minhas filhas e netos? Temos que nos virar aqui onde era nossa casa. Sabemos da luta da pandemia que está acontecendo, mas pedimos que nos deem uma resposta”, cobra Elena.

Casas ainda não foram construídas

As famílias que perderam suas casas no Parque Rodoviário ou foram atingidas pela enxurrada estão recebendo auxílio por parte da Prefeitura de Teresina. Algumas recebem cestas básicas, outras aluguel solidário, e ainda tem que recebeu auxílio para reformar seus imóveis. Porém, a preocupação é com as famílias que ainda não receberam suas casas.

Segundo o taxista Agnelo Frazão, ainda faltam cerca de 20 casas serem construídas e entregues pela Prefeitura de Teresina aos moradores que perderam tudo. Os imóveis seriam construídos no terreno do clube da antiga Telemar, local onde justamente acumulou a água que provocou a tragédia. Porém, após um ano, essas residências ainda não foram construídas.

“A Prefeitura reconstruiu e reformou todas as casas que foram danificadas, mas as que caíram com a enxurrada não serão construídas no mesmo local de antes. Serão construídas 22 casas no terreno do clube. Já conversamos com o secretário da Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sul, que nos mostrou a planta do que será feito no terreno e as casas, que devem iniciar ainda no mês de maio, então estamos aguardando”, fala.

O que diz a Prefeitura

De acordo com a SDU/Sul, desde a data que se deu a tragédia, a Prefeitura de Teresina esteve presente prestando toda a assistência possível às famílias atingidas. Logo no início, todas as famílias foram cadastradas e passaram a ser atendidas pelos serviços sociais do município. Ao mesmo tempo, a Prefeitura, através da Superintendência, providenciou a retirada de todo o lixo que se espalhou pelo local, entre outras providências.

A SDU/Sul informou ainda que as casas que faltam ser construídas são justamente aquelas que estavam próximas ao canal de escoamento ou em áreas de risco e que não poderão mais voltar para esses locais. Para essas famílias serão construídas novas moradias em área que pertencia ao clube da Telemar e que foi desapropriada pela Prefeitura de Teresina. Essa obra será licitada em breve. Enquanto isso, essas famílias estão sendo atendidas pelo programa Família Solidária e continuam sendo assistidas pela Prefeitura.

Sobre as demais famílias, a Superintendência pontua que, dos 82 imóveis atingidos, 12 já foram reconstruídos e as famílias já puderam retornar; 48 imóveis necessitaram de pequenas reformas, sendo que 27 foram concluídas e 21 estão em andamento.

Já a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Públicas (Semcaspi) informou que as famílias do Parque Rodoviário atendidas pelo Aluguel Social estão recebendo o valor de R$ 300 mensais. Houve necessidade de verificação dos cadastros junto ao banco e também reavaliar a situação das pessoas que não estavam indo sacar o valor. O dinheiro já foi pago e está na conta. Ao todo, são 53 pessoas cadastradas para receber o benefício.

Relembre o caso

A tragédia do Parque Rodoviário ocorreu na noite de quinta-feira, 4 de abril de 2019, na zona Sul de Teresina. A fatalidade foi motivada pelo rompimento do muro do clube da Telemar, que estava desativado. Devido ao grande volume de chuva em dias anteriores e na noite da tragédia, o muro de contenção não suportou a pressão e rompeu, provocando uma onda de lama que arrastou casas e pessoas.

Com a enxurrada, duas pessoas morreram e dezenas de moradores ficaram feridos. Além disso, cerca de 50 imóveis foram destruídos. A correnteza também arruinou veículos, móveis e também matou animais de estimação dos moradores.

03 de abril de 2020

Costureira perde trabalho e se dedica a fazer máscaras para comunidade

Costureira perde trabalho e se dedica a fazer máscaras para comunidade

De forma voluntária, a jovem também confecciona roupas de proteção para equipes médicas que atuam no enfrentamento ao Covid-19

Na zona Norte de Teresina, no final de uma rua sem nome no bairro São Joaquim, periferia da cidade, a máquina de costura de Daiana Soares quebra o silêncio da via quase deserta pela quarentena imposta ao enfrentamento do coronavírus. Em uma pequena sala transformada em atelier, a costureira, de 29 anos, se debruça sobre peças que, em 12 anos de trabalho dedicado à produção de roupas, nunca pensou criar: máscaras de tecido para distribuir aos moradores do bairro e roupas de proteção para equipes médicas que atuam no enfrentamento ao Covid-19 em um hospital da Capital. Mesmo tendo perdido o emprego por conta da quarentena, o trabalho é feito de forma voluntária, sem ganhar nada, a não ser o entendimento que está fazendo o que pode para também enfrentar o cenário: cuidar das pessoas com suas linhas e tecidos.

A ideia de fazer as máscaras veio como reação imediata a uma notícia de que o item estava sendo vendido, unitariamente, a R$ 5 na comunidade. Em um local habitado predominantemente por famílias de baixa renda, investir cinco reais para cada ente da família ter mais proteção significaria aceitar padecer sob outra realidade: a da falta de dinheiro para ter comida em casa. Na Capital, o índice de pessoas em situação de pobreza, em 2018, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mostrava que 29,3% da população vivia abaixo da linha da pobreza, porcentagem que representa 252 mil pessoas.


Costureira perde trabalho e se dedica a fazer máscaras para comunidade - Foto: Glenda Uchôa/O Dia

“Meus familiares e muitos conhecidos moram ali na Vila do Avião e me disseram que uma máscara de tecido era cinco reais, mas eu sei que ali ninguém tem condição. Então, eu vi que tinha muito tecido aqui em casa que dava para reaproveitar. Comecei a fazer as máscaras e mandar pra lá”, explica.

A boa notícia, fruto da generosidade inata de Daiana, se espalhou. As primeiras dez máscaras viraram 20, depois 50 e, quando percebeu, a costureira já tinha feito quase uma centena dos itens a pedido da comunidade.

Também foi por conta dessa iniciativa que uma colega enfermeira procurou Daiana e aumentou o arco dos pedidos ao propor que ela fizesse roupas de proteção para as equipes de saúde do Hospital da Primavera, também na zona Norte da cidade e que faz parte da linha de frente no combate à doença. “Ela [a colega enfermeira] manda os materiais e eu faço. Agora estou fazendo macacão para os médicos e enfermeiros usarem. Boto tudo dentro do saquinho porque tem que ser higienizado e mando pra lá, já fiz 20”, conta orgulhosa.

Para manter o ritmo de produção, Daiana fica quase o dia todo envolvida com a costura. Só para quando tem de lidar com as demandas do cuidado com as filhas, uma de dez e a outra de sete anos, e dos afazeres domésticos.


As primeiras dez máscaras viraram 20, depois 50 e, quando percebeu, a costureira já tinha feito quase uma centena dos itens a pedido da comunidade.


Mas apesar da ocupação, o cenário que vivencia em casa por conta da pandemia também preocupa. “Eu sinto prazer em ser costureira. Tem problema e a gente relaxa aqui [aponta pra máquina]. Mas, agora, as coisas ficaram mais difíceis. Essa colega tem mandado cestas básicas pra gente, e meu marido feito pequenos bicos, que é de onde, agora, a gente consegue dinheiro pra pagar as contas”, detalha.

Afastada do emprego desde a segunda quinzena de março, ela não pode mais contar com a renda que tirava do trabalho de produção de peças de roupa de pronta entrega e, também, dos extras que fazia por fora no pequeno atelier criado em sua casa.

Comunidade se envolve

Esse cenário de dificuldades para conseguir ter alguma renda, agora que as opções de busca por emprego são mínimas, também é relatado pela vizinhança. 

Cristiana Pereira destaca que, sem perspectiva de emprego, o medo para continuar mantendo as necessidades básicas aumenta. Uma opção encontrada por ela é trabalhar vendendo porções de guloseimas, como mingau de milho ou creme de galinha, na comunidade.

A jovem, assim como outros vizinhos, também reforça a ajuda prestada por Daiana e organizam o embalo das vestimentas para os profissionais de saúde, bem como a doação das máscaras. “Tem que ajudar pra ver se esse vírus fica bem longe da gente”, decreta.



Daiana mostra macacão que está sendo enviado para o Hospital da Primavera - Foto: Glenda Uchôa/O Dia

Ministério amplia indicação e recomenda até a produção de máscara caseira

A máscara foi um dos primeiros itens a entrar no radar de quem quer evitar o coronavírus. Segundo orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), devem utilizar a máscara profissionais de saúde, cuidadores de idosos, mães em fase de amamentação e pessoas diagnosticadas com a doença. Mas, no Brasil, o avanço da epidemia já leva o governo a recomendar o uso de máscaras feitas em casa, como as de pano.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse na quarta-feira (1º) que máscaras de proteção podem servir como barreira eficiente para a população em geral contra o coronavírus. A sugestão de Mandetta tem como foco o uso de máscaras alternativas, preservando as cirúrgicas e as N95 para os profissionais de saúde.

As máscaras caseiras impedem a entrada e saída de gotículas desde que sejam feitas com um tecido filtrante, como o TNT, e em três camadas: externa, intermediária filtrante e interna.


31 de março de 2020

Veterinária diz que pets não se contagiam com coronavírus humano

Veterinária diz que pets não se contagiam com coronavírus humano

Porém, a especialista alerta que se a pessoa estiver contaminada e espirrar ou tossir em cima do pet, pode contaminar o pelo e outra pessoa pode vir a contrair o vírus.

A pandemia do coronavírus também preocupa os tutores de pet. A dúvida entre eles é para saber se o animal de estimação pode pegar a Covid-19 através do contato com o ser humano. De acordo com a veterinária Joyce Magalhães, não há indícios de que gatos ou cachorros possam transmitir ou contrair o novo vírus. 

Porém, a especialista alerta que se a pessoa estiver contaminada e espirrar ou tossir em cima do pet, pode contaminar o pelo e outra pessoa pode vir a contrair o vírus. Assim, é imprescindível deixar os pelos dos animais escovados.

“Os animais não se contagiam com o coronavírus pela respiração. O coronavírus que acomete os animais é uma espécie específica. O coronavírus canídeo acomete o trato gastrointestinal dos cães e não pode ser passado para os gatos. E é possível ser prevenido através da vacinação”, explica Joyce Magalhães.

Os gatos também podem ser acometidos por outro tipo específico de vírus, que pode causar doenças como peritonite infecciosa, que não tem cura e não tem vacina para prevenir. Mas é possível evitar que o pet tenha convívio com muitos gatos. O ideal é que utilize desinfetante à base de amônia quaternária para que o gato não entre em contato com a secreção de outro gato que possa estar desenvolvendo a doença.


Joyce Magalhães orienta como deve ser o passeio com os animais neste período - Foto: Arquivo Pessoal

“A amônia pode ser usada na casa e pode ajudar na prevenção de outras doenças. Por isso, não use máscara e álcool em gel no bicho. Pode causar estresse e baixar a imunidade do animal, causando outras doenças. Assim, não precisa entrar em desespero e nem deixar de curtir a companhia do seu pet”, alerta Joyce Magalhães. 

Passeios

Sobre os passeios com os animais durante a quarentena, a veterinária diz que também são importantes, pois têm animais que foram ensinados a fazer xixi e cocô durante o passeio. Mas é preciso estar atento e evitar lugares que transitam outras pessoas e animais. 

Ao chegar em casa, o tutor deve limpar o cão com lenço umedecido e lavar as patas. Não se deve usar produtos à base de álcool, pois pode dar alergia. Existem ainda tênis e botas que podem ser usados ao sair para a rua e retirados ao entrar em casa.

"Outras coisas que pode acalmar o animal é o óleo de melaleuca, que melhora o sistema imunológico, combate bactérias, fungos e até vírus. Pode ser encontrado em farmácias de manipulação ou na internet. E como terapia utilizar a luz violeta em casa, que pode acalmar o animal e diminuir a ansiedade", conclui.

Por causa da pandemia, professores utilizam tecnologia para dar aula

Por causa da pandemia, professores utilizam tecnologia para dar aula

Aulas no Youtube, questões via WhastApp e lives para explicar os conteúdos estão entre os recursos utilizados neste período.

A tecnologia pode ser uma grande aliada da educação em meio à pandemia do novo coronavírus. No programa Cidade Olímpica Educacional, uma iniciativa da Prefeitura de Teresina, os professores decidiram não parar as atividades voltadas para as olimpíadas de conhecimento e estão fazendo uso das redes sociais e de aplicativos para interagir com os estudantes.

O professor de matemática Delano Moura explica que os estudantes têm o objetivo de se prepararem para as olimpíadas e, por isso, precisam sempre estar resolvendo questões.

"Eu já tinha um canal no Youtube que servia como extensão da sala de aula. Agora, com a crise do coronavírus que todo mundo tem que ficar em casa, eu estou intensificando um pouco com eles", diz Delano.

Por não saber quanto tempo o isolamento social vai durar, o professor publica listas de exercícios no grupo do Whatsapp, faz comentários das questões por meio de vídeos no Youtube e lives no Instagram.

"Nossos alunos são muito dedicados e até cobram se você prometer uma lista de exercícios e não colocar no horário. Eles fazem desafios nos grupos de estudo e sugerem materiais de leitura", revela.


Delano Moura prepara alunos para olimpíadas educacionais - Foto: Arquivo Pessoal

"Nem todos possuem Wi-Fi, mas têm celulares com pacote de dados"

A preocupação em dar continuidade ao processo de ensino que acontecia de forma presencial fez com que o professor de física, Raphael Ramon, também procurasse meios para continuar interagindo com os estudantes.

"Muitos dos nossos alunos apostam tudo o que têm na educação, como forma de transformar a vida deles. Sabendo disso e por amor ao que faço, não poderia parar com as aulas. Sabemos que nem todos possuem rede de Wi-Fi em casa, mas possuem celulares com pacote de dados de internet; com isso, tenho um grupo de WhatsApp que utilizo para orientar eles a respeito das atividades que devemos fazer", explica Raphael Ramon.

As atividades periódicas são padronizadas e enviadas para o grupo de alunos, onde há discussão das questões. Além disso, o professor está produzindo vídeos para explicar os conteúdos.

"O retorno dos alunos é sempre positivo, eles compram a ideia que é transmitida. É um trabalho pedagógico onde utilizo a empatia que tenho com eles pra motivá-los diante da dificuldade que podemos ter em algum momento", fala Raphael Ramon.

O professor diz ainda que tem uma sala de aula virtual, onde utiliza uma metodologia ativa, chamada de sala de aula invertida. Essa sala é feita utilizando os aplicativos do Google para educação. Através do aplicativo, Raphael consegue postar atividades e monitorar, ao passo que eles executam as atividades.

29 de março de 2020

Cantor vira motorista de aplicativo: “toda minha renda era da música”

Cantor vira motorista de aplicativo: “toda minha renda era da música”

Como tem compromissos financeiros, Daniel teve a ideia de aderir à profissão de motorista de aplicativo.

Há cinco anos, Daniel Lima sobrevive exclusivamente da renda conseguida através de suas apresentações enquanto músico em Teresina. Mas o cantor, que atualmente compõe uma dupla sertaneja, Ítalo e Daniel, viu sua fonte de renda ficar estagnada a partir das paralisações necessárias por conta do Covid19. Para não ter que ficar totalmente parado, o músico aderiu à atuação de motorista de aplicativo.


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“Neste momento, a gente deixou de cantar sofrência nas festas e vem encarando o sofrimento na vida real. Tive todos os shows cancelados e ficamos realmente sem ter renda”, destaca. A dupla fazia uma média de quatro shows por semana. Nos próximos dias, já eram nove agendados. “Agora, não tem mais nenhum. Toda minha renda era da música”, lamenta o músico.

Como tem compromissos financeiros, Daniel teve a ideia de aderir à profissão de motorista de aplicativo. No entanto, mesmo com a estratégia, a sua renda diminuiu em 90%, segundo contabiliza. “Também não está tendo corrida, então foi um baque muito forte”, completa.

Mas a esperança, como destaca, é que, quando os efeitos da pandemia passarem, ele terá muita festa de comemoração para trabalhar. “É acreditar que vai passar, que vai dar certo, e todo mundo vai querer se divertir na volta”, finaliza.


Site que concentra divulgação de shows e espetáculos acompanha mudanças

Site que concentra divulgação de shows e espetáculos acompanha mudanças

Jônatas Freitas afirma ter notado, inicialmente, um esforço dos locais para se adequarem às normas da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O site Agenda The, um dos mais destacados no segmento de divulgação de shows e espetáculos em Teresina, acompanhou as mudanças com a paralisação de atividades artísticas na Capital. Jônatas Freitas, fundador e colaborador da plataforma digital, que também possui perfil no Instagram, afirma ter notado, inicialmente, um esforço dos locais para se adequarem às normas da Organização Mundial de Saúde (OMS), mas, depois, a paralisação por completo das atividades.


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“Alguns até já prometeram que ficariam fechados e voltaram a abrir para ficar só no serviço de delivery. O ruim mesmo da situação fica pros músicos, que tinham que contar com o valor do couvert e agora estão organizando até vaquinha online pra angariar algum dinheiro. Mas alguns locais já estão se organizando pra transmitir lives com alguns deles, e é algo que pode pelo menos atenuar a situação, ainda que sejam poucos restaurantes até agora fazendo isso”, ressalta.


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A pandemia do coronavírus também impactou fortemente o setor das artes que, com espetáculos, peças e oficinas paradas, contabiliza prejuízos.

No mês de fevereiro, o Coletivo Piauhy Estúdio de Artes fazia estreia de sua programação artística incendiando plateias, em Teresina, com o espetáculo Fogo, que trabalha a narrativa sobre os incêndios criminosos ocorridos na Capital na década de 40. Tinha tudo pra ser um ano quente para o coletivo, mas as expectativas foram frustradas pouco menos de um mês depois. A pandemia do coronavírus também impactou fortemente o setor das artes que, com espetáculos, peças e oficinas paradas, contabiliza prejuízos.


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Adriano Abreu, diretor do coletivo Piauhy Estúdio das Artes, explica que muitas estreias estavam previstas para os próximos meses. Em abril, o coletivo iria apresentar o espetáculo Entre Quatro Paredes, que acontece dentro do projeto de incentivo da Lei Arimateia Tito Filho. Agora, o Coletivo terá de pedir prorrogação de datas.

“Os artistas são trabalhadores autônomos, dependem de criarem coisas para ganhar seus recursos, algumas pessoas no coletivo têm outros empregos, mas ainda assim ligados à arte, são professores de artes cênicas, e tem sido uma preocupação constante pra todos nós”, destaca Adriano.

Os setores artísticos se identificam com grande facilidade à economia criativa, que é definida pelos negócios que têm como base o capital intelectual e cultural geradores de valor econômico. A indústria criativa estimula a geração de renda, cria empregos, promove a diversidade cultural e o desenvolvimento humano.

“Existe toda uma cadeia na economia criativa das artes. Quando paramos, param os artistas no palco, os técnicos, o carregador de equipamentos, os ambulantes nos espetáculos, existem também os alunos do curso de arte que também estão parados. É toda uma cadeia da economia criativa que está paralisada”, lamenta.

No entanto, Adriano sabe que as recomendações são necessárias e diz estar na espreita de melhoras. “Como é uma situação nova, a gente não sabe como agir. É uma situação muito impactante nas artes e na vida social como um todo, mas esperamos que melhore. Vamos aguardar”, finaliza.

28 de março de 2020

“Não adianta cancelar sem discutir os motivos”, destaca pesquisadora

“Não adianta cancelar sem discutir os motivos”, destaca pesquisadora

Em entrevista ao O DIA, Daniela Marino, mestra em Ciências da Comunicação pela ECA/USP, debate aspetos relacionados à cultura do cancelamento, ligados ao privilégio de grupos sociais dentro da sociedade.

A cultura do cancelamento e os privilégios de quem não precisa ter empatia. Este é o tema do artigo de Daniela Marino, a Dani, que é mestra em Ciências da Comunicação pela ECA/ USP, e é uma das criadoras de conteúdo do site Minas Nerds. A pesquisadora debate aspetos relacionados à cultura do cancelamento, ligados ao privilégio de grupos sociais dentro da sociedade. Em entrevista ao O DIA, ela destaca: “não adianta cancelar influencer sem discutir os motivos pelos quais seu discurso foi problemático. É preciso uma mudança profundaem nossa cultura para que uma pessoa não haja de forma racista apenas por medo de ser cancelada”.


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Tribunal da internet: Fenômeno do "cancelamento" impacta a vida das pessoas 


Em seu artigo, você não se propõe apenas a falar sobre este fenômeno do cancelamento, mas discutir sobre privilégios, branquitude e segregação. Destaca a invisibilização secular de grupos dentro da sociedade, como pessoas negras e a população LGBT. Por que chamar atenção a isto é tão importante quando pensamos em articulações (cancelamentos) que promovem retaliação a certas atitudes consideradas inapropriadas dentro e fora do ambiente da internet?

Porque nenhum evento social pode ser descolado de um contexto ou contextualização, embora grande parte das discussões na internet se deem sem o devido aprofundamento. Há décadas, diversas minorias buscam chamar a atenção para o fato de que certos grupos são deliberadamente apagados de determinados espaços devido a questões de gênero, orientação sexual e cor da pele. As pautas identitárias lutam justamente para que essa invisibilização acabe. No entanto, as pessoas integrantes das classes que são consideradas socialmente dominantes nunca se importaram com essas pautas e ainda criticam as lutas identitárias como sendo "mimimi".


“Não adianta cancelar sem discutir os motivos”, destaca pesquisadora. Arquivo Pessoal

Ou seja, no momento em que pessoas brancas e famosas pas sam a sofrer consequências de seus discursos e correm o risco de perder certos privilégios, essas mesmas pessoas que nunca se importaram com o apagamento de outros grupos, apelam para o bom senso da coletividade para que não cancelem seus pares. Então, não há um aprofundamento nessas discussões a ponto de que as pessoas percebam que o cancelamento sempre existiu.

Você também destaca sobre o fato de que “todas as mulheres no meio nerd sofrem algum tipo de boicote por parte de homens que temem nossa ascensão em um meio que consideram ser apenas deles”, e mostra exemplos do que já teve de lidar. Como você, enquanto produtora de conteúdo, tem trabalhado com isto ao longo dos anos?

No começo, eu tinha sintomas de pânico, sofria com uma forte síndrome do impostor. Com o tempo, fui percebendo que a maioria dos homens que nos expõem e nos insultam é covarde e incapaz de produzir qualquer coisa com o mesmo nível de qualidade que nós. Ainda assim, há certos momentos que eu repenso certas publicações. Já tivemos que apagar posts devido a ameaças de incels*, por exemplo. * termo diminutivo da expressão "involuntary celibates", ou celibatários involuntários. Grupo radical que dissemina discurso de ódio.

Em 2018, com a polarização crescente no país, os cancelamentos a empresas, produtos, artistas, aconteceram em forma de enxurrada.Agora, em 2020,dá pra sentir que muito doque foi boicotado lá atrás já não parece, em uma rasa explicação, "tão ruim assim".Este também é um fenômeno que ressalta esta característica da efemeridade advinda das redes sociais?

Com certeza. A verdade é que não temos como prever todas as consequências desses eventos porque eles acontecem enquanto nós vivemos, ou seja, as teorias não dão conta de contemplar tudo que tem acontecido em relação às redes. Há perspectivas extremamente pessimistas e apocalípticas e há outras mais otimistas. Mas, de maneira geral, não dá pra acreditar que uma celebridade perder um patrocínio é o mesmo que uma pessoa negra ser baleada por andar com um guarda-chuva.O racismo e o machismo são estruturais, existem há séculos e suas consequências são muito mais devastadoras do que um youtuber perdendo seguidores. 

As discussões em torno dessa conduta de cancelamento ganha mais e mais atenção. Como você citou no texto: podcasts, reportagens em grandes veículos online, conteúdos em mídias sociais já se debruçaram sobre o fenômeno, é preciso pensar menos em cancelamento e mais em como podemos desenvolver a empatia e alteridade nesses tempos tão difusos?

Justamente! Acredito que esse seja o ponto. Não adianta cancelar influencer sem discutir os motivos pelos quaisseu discurso foi problemático. É preciso uma mudança profunda em nossa cultura paraque uma pessoa não haja deforma racista apenas por medo de ser cancelada, mas porque entende que todos os seres humanos merecem respeito independentemente de sua cor de pele, gênero, orientação sexual ou etnia.

Tribunal da internet: Fenômeno do

Tribunal da internet: Fenômeno do "cancelamento" impacta a vida das pessoas

Mas a plataforma que une é também a que segrega.

Com a pandemia do coronavírus em todo o mundo, as redes sociais, que já eram massivamente usadas como ponte entre as pessoas, se tornaram a principal ferramenta para manter contato. Mas a plataforma que une é também a que segrega. A chamada "cultura do cancelamento" não para de ganhar força na grande rede. Mas o que acontece dentro da internet impacta também quem está fora.

"Cancelar" uma pessoa é sinônimo de boicote e costuma ser aplicado a figuras públicas que tenham feito ou dito alguma coisa considerada ofensiva, preconceituosa ou polêmica. O fenômeno acontece, de forma mais intensificada, desde o ano passado. O termo “cultura de cancelamento” foi eleito como um dos mais destacados do ano pelo Dicionário Macquarie, um dos responsáveis por selecionar anualmente as palavras e expressões que mais moldaram o comportamento humano. É uma eleição que leva em conta a língua inglesa, mas que, por meio das redes sociais e da comunicação, sempre acaba escorrendo para outros idiomas — comofoi o caso do Brasil.

Mês passado, no Carnaval, a atriz Alessandra Negrini foi alvo de ataques duríssimos nas redes sociais e, também, #cancelada por usar um cocar em um bloco de carnaval de rua e ser acusada de apropriação cultural.


Tribunal da internet: Fenômeno do "cancelamento" impacta a vida das pessoas. Reprodução

Já ano passado, quem viveu algo da mesma dimensão foi a cantora Anitta, que decidiu chamar Nêgo do Borel ao palco de uma apresentaçãodo Bloco das Poderosas.  A plateia, no local, vaiou a presença do músico e nas redes sociais uma enxurrada de críticas apareceram. Isso aconteceu porque ele já tinha sido cancelado, após ter feito comentários considerados transfóbicos para Luisa Marilac, que é transexual.

Muito expostos, os artistas são alvos comuns dos boicotes. Mas não apenas eles. Atualmente, com a transmissão de mais uma edição do reallity show Big Brother Brasil, os anônimos que entram na casa também são expostos ao julgamento do público. O mais recente deles, o gaúcho Daniel, foi alvo de constantes ataques nas redes sociais e foi eliminado do programa com mais de 80% de rejeição.

A especialista em direitos da mulher Loretta Rossnão é contra apontar ações e discursos preconceituosos. Ela só acredita que o linchamento virtual (antigamente, público e figurado) não é a melhor maneira de apontar erros alheios. Em um texto de opinião intitulado (em tradução livre) "Eu sou uma feminista negra. Eu acho que a cultura do cancelamento é tóxica", publicado no jornal New York Times, ela argumenta que há maneiras melhores de se fazer justiça social.

24 de março de 2020

“Eu não consigo me distrair”, diz jovem com transtorno de ansiedade

“Eu não consigo me distrair”, diz jovem com transtorno de ansiedade

Para manter saúde mental em meio à pandemia, psicóloga dá dicas de atividades e ações que podem ajudar a aliviar os sintomas

“Somos impactados de todas as formas com o novo coronavírus. A gente acaba absorvendo as informações e causa um clima de incerteza, porque a gente não sabe como vai ser nos próximos dias, meses, e quanto tempo vamos aguentar esse perigo invisível. Outro fator é ficar em casa, tem que lidar com uma rotina de home office onde não se tem as mesmas condições de trabalho. Têm afazeres domésticos e lidar com a família em casa”. Este relato é de Emanoel Barbosa*, de 26 anos. 

O jovem sofre de transtorno de ansiedade e é um exemplo de que, em meio à pandemia do Covid-19, a saúde mental é uma das mais atingidas, pois a mudança de rotina, excesso de informação e o atual cenário tem causado pânico. O fato de pensar que milhares de pessoas estão contaminadas e que muitas vão a óbito é motivo de insônia, inquietude e crises de ansiedade.

“Vai gerando uma angústia porque não tem muito o que fazer, além de ficar em casa. Eu não consigo me distrair, eu tenho tentado. Mas estou num estado tão acelerado que eu não consigo parar para me concentrar e assistir um filme todo, um episódio de seriado todo. Eu já cheguei a desativar a internet do meu celular, mas quando liga, vem uma enxurrada de coisas. Então, estou saindo de alguns grupos de WhatsApp e estou, ao longo dia, desativando a internet. E outra coisa que me ajuda é brincar com meu cachorro e ponho uma música alta quando eu vou trabalhar”, explica Emanoel.


Dicas

Para a psicóloga Samantha Carvalho, ser forçado a sair da rotina é realmente uma forma de gerar angústia, ansiedade e tristeza de forma instantânea. Mas casos como de Emanoel podem ter melhoras com algumas atividades.

“Já pensou que nesse momento temos a oportunidade de fazer coisas que durante o nosso cotidiano conturbado vamos deixando de lado? Entre as opções estão: desentulhar papéis e objetos, separar roupas, calçados e brinquedos para doar; tomar um banho demorado, pois também é autocuidado; Assistir um filme e/ou uma série que você adia há tempos; ler um livro; manter a rotina com horário de acordar, fazer atividades domésticas, planejamentos”, descreve Samantha Carvalho.

Além disso, a especialista ressalta que nenhuma dessas atividades faz com que a pessoa negue a realidade. Ao contrário, quando se encontra no dia a dia tempo para fazer coisas que tragam algum tipo de benefício, é possível tirar o foco de notícias e pensamentos que em excesso podem ser angustiantes.

“Assim, é bom evitar o excesso de informações; evitar o excesso de tecnologias, que podem até alterar o sono; evite o excesso de procrastinação e ainda que não esteja assim tão fácil, vamos tentar ter força para manter nossa sanidade. Em alguns momentos, nossa energia física e mental vai baixar e não faz mal, é sinal de que somos humanos e estamos sendo afetados pela realidade!”, finaliza. 

*O nome do personagem é fictício para preservar sua identidade


Como lidar com as emoções e o estresse durante o surto do covid-19

As mudanças de hábitos impostas pela pandemia do Covid-19 estão transformando a vida e as relações das pessoas. Embora o estresse seja inevitável, quando excessivo diminui a imunidade e torna as pessoas mais vulneráveis e suscetíveis a doenças físicas, o que pode representar um risco aumentado para doenças infectocontagiosas. O estresse também pode abrir portas para a depressão, transtornos de ansiedade, síndrome do pânico e outros distúrbios - ou agravar quadros já existentes.

O medo do contágio pessoal e de pessoas queridas, o isolamento social, as limitações e condições impostas pela quarentena e as inúmeras mudanças de hábitos e rotinas a que estamos sujeitos nesta fase podem levar a reações extremadas e gerar intenso estresse e sofrimento - para adultos e crianças.

Cada pessoa irá reagir de forma diferente, mas algumas reações são comuns: sentimentos de raiva, tristeza e frustração; ansiedade elevada e pensamentos em torno do mesmo assunto; dificuldade para pensar com clareza e encontrar soluções para os problemas; dificuldades para se concentrar; alterações no sono e dificuldade para dormir; mudanças no apetite – comer mais ou menos do que o habitual; irritação extrema, impulsividade e descontrole emocional; tensão muscular e dores no corpo; abuso de substâncias como álcool, cigarro e outras drogas.

Quem precisa trabalhar de casa pode ter muitas dificuldades para se concentrar e manter o foco, o que afeta o rendimento e entregas ao mesmo tempo em que é preciso lidar com as demandas e expectativas de empregadores ou clientes - o que gera mais estresse.

Diante deste cenário, além da proteção física para evitar a contaminação é fundamental criar formas de proteção psíquica para passarmos por esta fase com menos sofrimento e menos impactos significativos na saúde mental. Tais como: 

- Evite o bombardeio de informações;

- Use a criatividade e foque nas soluções;

- Se organize e crie rotinas; 

- Para o trabalho em casa, use a técnica pomodoro! (para cada 25 minutos de total foco em alguma atividade faça pequenas pausas);

- Se dedique a projetos; 

- Crie a “quarentena divertida”;

- Não se isole (use a tecnologia a seu favor);

- Seja gentil com você mesmo e com os demais; 

- Respire e medite;

- Busque ajuda profissional.

“Os animais não se contagiam com o coronavírus pela respiração”

“Os animais não se contagiam com o coronavírus pela respiração”

De acordo com a médica veterinária Joyce Magalhães, os animais podem contrair um tipo do vírus espécie especifico.

A pandemia do coronavírus também preocupa os donos de pet. A dúvida entre os tutores é para saber se o animal de estimação pode pegar o Covid-19 através do contato com o ser humano. De acordo com a médica veterinária Joyce Magalhães, não há indícios que gatos e cachorros possam transmitir ou contrair o novo coronavírus. Os animais podem contrair um tipo do vírus espécie especifico.

Porém, a especialista alerta que se a pessoas estiver contaminada e espirrar ou tossir em cima do pet pode contaminar o pelo, e outra pessoa pode vir a contrair o vírus. Assim, é imprescindível que deixe os pelos dos animais escovados.

“Os animais não se contagiam com o coronavírus pela respiração. O coronavírus que acomete os animais são espécie específico. O coronavírus canídeo acomete o trato gastrointestinal dos cães e não pode ser passado para os gatos. E é possível ser prevenido através da vacinação”, afirma Joyce Magalhães.

Já os gatos também tem uma espécie que pode acomete-lo. O vírus pode causar doenças como, peritonite infecciosa que não tem cura e não tem vacina para prevenir. Mas é possível evitar que o pet tenha convívio com muitos gatos.  O ideal é que utilize desinfetante a base de amônia quaternária para que o gato não entre em contato com a secreção de outro gato que possa estar desenvolvendo a doença.

“A amônia pode usar na casa e pode ajudar na prevenção de outras doenças. Por isso, não use máscara e álcool em gel no bicho. Pode causar estresse e baixar a imunidade do animal, causando outras doenças. Assim, não precisa entrar em desespero e nem deixar de curtir a companhia do seu pet”, diz Joyce Magalhães. 

Sobre passeios com os animais durante a quarentena a veterinária diz que também são importantes. Por que tem animal que foi ensinado a fazer xixi e cocô durante o passeio.  Mas é preciso estar atento e evitar lugares que transitam outras pessoas e animais. Ao chegar em casa o tutor deve limpar o cão com lenço umedecido e lavar as patas. Não se deve usar produtos à base de álcool pois pode dar alergia. Existem ainda tênis e botas que podem ser usados ao sair para a rua e retirados ao entrar em casa.

"Outras coisas que pode acalmar o animal é o óleo de melaleuca, que melhora o sistema imunológico, combate bactérias, fungos e até vírus. Pode ser encontrado em farmácias de manipulação ou na internet. E como terapia utilizar a luz violeta em casa que pode acalmar o animal e diminuir a ansiedade", conclui.

Arquiteto recomenda criar “zona suja” para evitar proliferação do Covid-19

Arquiteto recomenda criar “zona suja” para evitar proliferação do Covid-19

Algumas pessoas ainda precisam fazer atividades essenciais como: ir ao supermercado, farmácia e até trabalhar. Por isso é preciso adotar medidas de higiene.

Mesmo com as recomendações do Ministério da Saúde para não sair de casa, por causa da pandemia. Algumas pessoas ainda precisam fazer atividades essenciais como: ir ao supermercado, farmácia e até trabalhar. Por isso é preciso adotar medidas de higiene na entrada da casa para reduzir o risco de contaminação do novo coronavírus.

Durante a quarentena o arquiteto Sanderland Ribeiro, criou uma “zona suja” e uma “zona limpa” ao entrar em casa. Esse método é uma de garantir que a sujeira da rua não adentre o lar.


Arquiteto recomenda criar “zona suja” em casa para evitar proliferação do Covid-19. Arquivo Pessoal

“A gente procura limpar a dobradiça e fechadura com álcool em gel, ao sair e entrar no apartamento. A gente também tem uma mesa para deixar os pertences como chave, carteira. Um cesto para colocar a roupa suja e outro de calçado, que é revestido com um saco plástico. Tudo isso para não correr o risco de entrar em casa e trazer o vírus”, explica.


Para evitar a contaminação no celular, basta enrolar o aparelho no papel filme. Aquivo Pessoal

O arquiteto diz que para evitar a contaminação no celular, basta enrolar o aparelho no papel filme. E afirma que quando sai de casa, sempre usa luvas plásticas e ao chegar, joga no lixo. Além de sempre tomar banho ao chegar.

Para fazer a zona suja em casa é simples:

- Crie uma linha divisória entre a zona suja e a zona limpa. Os pertences que utilizou para ir à rua, ficam na zona suja;

- Determine um local para deixar bolsas e chaves penduradas;

- Tire roupas e calçados e coloque em cestos;

- É preciso deixar o álcool em gel em local de fácil acesso. Higiene as mãos, depois limpe celular e óculos com o produto;

- Deixe separado um calçado limpo e vá para tomar banho;

- Na zona limpa procure sempre estar higienizando os móveis, pisos e eletrodomésticos.

- As mulheres ao sair de casa, devem manter o cabelo preso, para não precisar arrumar e assim, evitar a contaminação dos fios. Caso não seja possível, lave o cabelo ao chegar em casa;

-Evite sair com bolsas, brincos, anéis, relógios e pulseiras.

23 de março de 2020

PMT baixa novo decreto sobre uso de transporte público para forçar isolamento

PMT baixa novo decreto sobre uso de transporte público para forçar isolamento

Diante da pandemia do novo coronavírus, para garantir à proteção direta dos idosos, foi assinado hoje o Decreto nº 19.541 que dispõe sobre as medidas na área do transporte público para o enfrentamento à pandemia provocada pelo covid19

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS) informou nesta segunda-feira (23) que cerca de 3 mil passageiros idosos utilizaram, com direito à gratuidade, o transporte coletivo de Teresina. Diante da pandemia do novo coronavírus, para garantir à proteção direta dos idosos, foi assinado hoje o Decreto nº 19.541 que dispõe sobre as medidas na área do transporte público para o enfrentamento à pandemia provocada pelo covid19.

Portanto, está suspensa a gratuidade do idoso, referente ao uso do transporte público, por ser o de maior risco. De acordo com as autoridades de saúde, fica limitado o funcionamento do Transporte Eficiente (que atende pessoas com deficiência), para atendimento através de agendamento somente em casos especiais de saúde e de abastecimento pessoal.  Além disso, está determinado também às empresas que operam o sistema de transportes públicos que mantenham o funcionamento da frota mínima prevista e que os consórcios de ônibus forneçam os materiais necessários de segurança e de limpeza.

O superintendente da Strans, Weldon Bandeira, afirmou que esperava uma redução de passageiros de todas as idades, mas na categoria dos idosos não se verificou no mesmo percentual das demais.

“Nosso apelo é para que as famílias impeçam os idosos de saírem de casa. Já está comprovado e alertado que são os idosos os que mais apresentam problemas de saúde com esse vírus. Se faz necessário proteger esses idosos e evitar a transmissão da doença na cidade”, explica.

A recomendação das autoridades da área da saúde e dos gestores é que todas as pessoas fiquem em casa.  No caso das pessoas com mais de 60 anos de idade, por ser o grupo de maior risco de contrair o Covid -19, esta recomendação deve ser obedecida. Em todo o Brasil teve início hoje, 23, a campanha de vacinação contra a gripe para pessoas com idade a partir de 60 anos, mas existem postos funcionando em 91 Unidades Básicas de Saúde (UBS )em todos os bairros da cidade e até em escolas.

Egresso do IFPI elabora site para monitorar COVID-19 no Brasil

Egresso do IFPI elabora site para monitorar COVID-19 no Brasil

Bruno de Castro sempre estudou em escolas públicas até ser aprovado no ENEM para o curso de Geoprocessamento do IFPI, em 2012

O novo coronavírus vitimou pelo menos 1.604 pessoas e levou ao óbito 25 brasileiros, os dados são do último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde neste domingo, 22. Para saber o número de casos por estado é possível acessar o  site https://coronavirusnobrasil.org, criado por Bruno de Castro egresso do Instituto Federal do Piauí (IFPI), campus de Teresina Central.

Bruno de Castro nasceu no Pará e morou no estado até os 7 anos, quando me mudou para cidade de Água Branca no Piauí. O jovem sempre estudou em escolas públicas até ser aprovado no ENEM para o curso de Geoprocessamento do IFPI, em 2012. 

Em 2014, o paraense teve a oportunidade de participar do programa Ciência Sem Fronteiras do Governo Federal. Que dava oportunidade aos estudantes, principalmente das Ciências Exatas, para estudar no exterior em diversos países pelo mundo.


Bruno de Castro é egresso do Ifpi e criou uma plataforma para monitorar a evolução dos casos do Coronavírus - Foto: Reprodução

“Eu fui aceito pela Rice University, Houston – TX e durante o meu ano acadêmico eu comecei um estágio com o professor Farès el-Dahdah. Eles  estava criando um mapa diacrônico da cidade do Rio de Janeiro, o imagineRio.org, e precisava de alguém que entendesse de Sistemas de Informações e falasse português. Continuei nesse estágio até mesmo depois de retornar ao Brasil após o fim do programa, trabalhando remotamente. Em 2017, assim que me formei, fui convidado a voltar para a universidade como Pesquisador em Sistemas de Informações Geográficas”, explica Bruno Castro. 

O site para monitorar os casos de coronavírus no seu país de origem surgiu após o Bruno observar mapas de COVID-19 que mostravam todos os países, mas não mostravam os estados do Brasil. 

“Acreditei que as pessoas gostariam de uma ferramenta que compilasse os dados dos estados em um único local e decidi criar um mapa para poder mostrar essa informação. Meu chefe gostou e adquiriu o domínio “coronavirusnobrasil.org”, daí passamos a divulgar o site. O propósito do site é facilitar o acesso à informação sobre o COVID-19 no nosso país”, diz. 

Para o jovem o cenário atual é de muita preocupação pois o número de casos que estão surgindo pode superlotar sistema público de saúde. 

“Seguindo a proporção de aumentos de casos em outros países, o Brasil já está saindo na frente e o cenário pode se tornar pior que em outros países. Precisamos de distanciamento e isolamento social. Não mais sair às ruas sem necessidade. A ordem pelas próximas semanas, ou meses, é ficar em casa”, conclui.

22 de março de 2020

Movimento incentiva consumidores a

Movimento incentiva consumidores a "apoiar negócio locais"

As pequenas lojas de vestuário, artigos de esporte, material de escritório e lojas de R$ 1,99, entre outras, vão perceber queda da demanda

Na internet, uma corrente visa incentiva os consumidores, neste momento, a procurarem os serviços de pequenos e micro negócios. O texto compartilhado destaca: "Um mês difícil pode 'quebrar' um negócio. Peça comida das pequenas lanchonetes. Compre no petshop da esquina e não das grandes redes. Mc Donalds vai sobreviver. Carrefour vai sobreviver. Ajude aquelas empresas que precisam para continuar existindo".

O cenário é real: as pequenas lojas de vestuário, artigos de esporte, material de escritório e lojas de R$ 1,99, entre outras, vão perceber queda da demanda. A efetiva taxa de contaminação da doença e o grau de receio da população vão interferir diretamente no volume de vendas desses pequenos negócios.

Por outro lado, a procura por produtos básicos (alimentos, remédios e de higiene) cresce consideravelmente como resultado do desejo de estocar mantimentos.

Mercados e farmácias de bairro, por sua vez, devem continuar vendendo normalmente. Como a capacidade de estocagem é pequena, caso o pedido de produtos ao fornecedor seja adiantado, o foco deve ficar nos bens essenciais, que serão mais procurados neste momento.


"Algumas atividades produtivas estão sendo paralisadas totalmente, coisas que ainda não tinha visto na história da economia brasileira. Isso, é claro, afeta os pequenos negócios, mas agora é importante também olhar para a carteira de clientes e buscar uma forma de continuar ofertando produtos e serviços para eles".
Pandemia de Coronavírus afeta economia local

Pandemia de Coronavírus afeta economia local

Com a determinação de isolamento social e quarentena, as empresas de menor porte tendem a ser as mais afetadas.

Nem as leituras mais pessimistas do cenário econômico mundial poderiam prever que, em 2020, fosse uma pandemia a responsável por deixar na corda bamba a expectativa do equilíbrio econômico global. Olhando mais de perto para a economia local é impossível não notar que os impactos também chegaram, em diferentes níveis, às grandes, médias e pequenas empresas. O economista Fernando Galvão amplia seu olhar sobre como os fluxos financeiros serão afetados e propõe: "é hora de adotar estratégia defensiva". Com a determinação de isolamento social e quarentena, as empresas de menor porte tendem a ser as mais afetadas. 


"Os pequenos negócios estão sendo atingidos em cheio. As lojas têm que adotar estratégia defensiva agora, porque vão ter menos demandas por seus produtos e serviços e, ainda assim, ter gastos com funcionários e pagamento de serviços".

A dica do economista é que os empreendimentos ajustem, dentro de suas possibilidades, o trabalho em home office. Isso envolveria, por exemplo, oferecer produtos e serviços por meio de delivery.

"Se um shopping é fechado, os lojistas têm que pagar o aluguel do espaço, têm que pagar funcionário, o pessoal vai ficar sem receita para cobrir custo operacional, porque a verdade é que ninguém estava preparado para uma crise como essa. Então, é hora de pensar nessas outras estratégias", reforça.

Fernando também lembra que o Governo Federal precisa criar estratégias para garantir linhas de crédito para que as empresas possam continuar. Uma das opções é que as empresas de pequeno porte podem recorrer às linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Mas o cenário assusta. Para o especialista, as projeções são, de fato, para um impacto negativo bastante pronunciado, mas ainda não dá para prever o quanto.


21 de março de 2020

Crianças e adolescentes precisam ter informações sobre o Covid-19

Crianças e adolescentes precisam ter informações sobre o Covid-19

Organização Mundial da Saúde (OMS), em conjunto com o governo chinês, aponta que eles são vetores da doença.

As crianças fazem parte do grupo menos afetado pelo novo coronavírus por razões ainda desconhecidas pelos cientistas. Mas em um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), em conjunto com o governo chinês, aponta que eles são vetores da doença.

Foto: coronavírus

Por este fator, a psicóloga infantil Valéria Macêdo acredita que é preciso informar as crianças e os adolescentes sobre o atual cenário, pois esta é uma forma de prevenção contra o vírus.

“É mito achar que as crianças não entendem. Elas não entendem como os adultos, mas é necessário explicar para elas o que está acontecendo, dizendo: ‘tem muita gente doente, essa é uma gripe que pode ser que alguém que  a gente conheça vai ficar gripado, e é por isso que a gente está em casa esses dias, para não ficar doente e não passar doença para ninguém´. Não precisa causar pânico na criança. E vai respondendo de acordo com que ela vai preguntando”, indica.

No estudo da OMS, verificou-se ainda que crianças com menos de 10 anos expostas ao vírus o contraíam na mesma taxa que os adultos, na faixa de 8%. O risco de contaminação é o mesmo. Já uma pesquisa publicada no The Pediatric Infectious Disease Journal revela que crianças e adolescentes respondem por apenas 2% das hospitalizações em razão do novo vírus. A maioria dos pacientes tinha alguma outra doença pré-existente.

Para manter os baixos níveis, Valéria diz que é necessário falar a verdade da maneira mais simples e tranquila, além de aproveitar o momento da quarentena para fazer as tarefas da escola, adiantar algum conteúdo. É possível que os pais se aproximem das crianças, inventar brincadeiras, pular corda ou elásticos, fazer brincadeiras antigas, jogar em jogos de tabuleiros e evitar eletrônicos para poder interagir com outras pessoas.

“Se alguma criança ficar nervosa, é preciso trabalhar a respiração, porque alguma hora ela vai escutar sobre a pandemia e tem que dizer que ‘nós moramos em um país, e outras pessoas moram em outros países. Pandemia quer dizer que pessoas no nosso país e outras estão com a mesma doença, então é necessário que a gente fique em casa. E que gripe a gente pega pela gotícula de saliva e a gente sem querer passa a mão na boca, no olho’, tem que ir explicando. Não é pra gente cria pânico”, conclui.

14 de março de 2020

O impacto das águas na economia de Teresina

O impacto das águas na economia de Teresina

Áreas como agricultura, construção civil e comércio estão entre os que sentem o impacto do aumento da constância pluviométrica que, em fevereiro, marcou 337,9 mm na Capital.

As chuvas que continuam a precipitar sobre Teresina não impactam apenas a infraestrutura da cidade. A mudança do tempo afeta diversos setores e a economia é um deles. Áreas como agricultura, construção civil e comércio estão entre os que sentem o impacto do aumento da constância pluviométrica que, em fevereiro, marcou 337,9 mm na Capital. 

Na construção civil, por exemplo, de acordo com o Sindicato da Indústria de Construção Civil (Sinduscon/Piauí), durante o período chuvoso, as obras passam por uma drástica paralisação. Todo o setor se programa para que, neste período, não tenha escavação ou movimentação de terra. 

“Todos os funcionários ficam abrigados por questão de segurança, tudo que é elétrico, todas as gruas, são desligadas e, neste ponto, você tem uma parada geral da obra. Toda movimentação de terra também não é possível porque, além da dificuldade de transporte, no ato de uma compactação, você tem que ter uma umidade ótima para o serviço ser realizado. Com as chuvas, você não consegue quantificar isso do controle da umidade. Há serviços que não consegue se executar”, destaca o vice-presidente do Sinduscon, Guilherme Fortes. 


O impacto das águas na economia: chuva interfere na infraestrutura. Reprodução

Para a construção civil em geral, segundo o empresário, o mês de fevereiro é um mês curto de demandas. Por conta dos feriados e período chuvoso, o tempo de trabalho é diminuído. Historicamente, nenhuma obra se inicia nesta época do ano.

 “Você empurra essa obra para um período mais adequado, mas, com as chuvas, as pessoas se programam para fazer serviços de acabamento, como cerâmica, pintura, reboco interno, instalações. Mas até isso é complicado porque o deslocamento interno do funcionário é prejudicado”, afirma. 

Com a obra parada, a demanda de suprimento e a logística geral do canteiro de obras são diretamente alteradas. Ou seja, é preciso ter atenção principalmente aos fornecedores, já que não faz sentido comprar material se ele não for utilizado. Portanto, é fácil perceber o quão necessário é tentar se precaver e tomar medidas preventivas quando acontece uma construção em período de chuvas. Ao fazer isso se evita não somente o atraso e a alteração da dinâmica da obra, mas também a possibilidade de precisar lidar com acidentes de trabalho.

Comércio registra queda no fluxo de clientes

O comércio de Teresina também sente os efeitos da chuva. Tertulino Passos, presidente do Sindicato dos Lojistas do Piauí (Sindlojas), lembra que os episódios de falta de energia, comuns neste período, impedem o funciona

mento de muitas lojas no Centro da cidade. Além disso, o fluxo de clientes também diminui. “Não conseguimos precisar em quanto seria este impacto, mas é claro que fatores como 

a instabilidade da energia, a dificuldade de atrair clientes e até algumas lojas que são invadidas por águas são fatores que prejudicam o desempenho do comércio”, afirma. 

Saiba o que é o coronavírus e o que já se descobriu sobre a pandemia

Saiba o que é o coronavírus e o que já se descobriu sobre a pandemia

Atualmente, há mais de 115 países com casos declarados da infecção.

A cada dia, novos casos de Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, se confirmam no mundo. A doença, que foi classificada pela OMS como uma pandemia, se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa. Atualmente, há mais de 115 países com casos declarados da infecção. Para esclarecer algumas das principais dúvidas sobre o surto, leia as informações abaixo: 

O que é o cornavírus? 

É uma família de vírus que podem infectar animais e seres humanos e causar doenças respiratórias que variam de resfriados comuns até a Sars (síndrome respiratória aguda grave). Seu nome vem dos picos de suas membranas que lembram uma coroa. 

O novo coronavírus foi batizado de Sars-CoV-2, e o nome da doença respiratória que ele causa é covid-19. Como ocorre a transmissão?

 O contágio ocorre a partir de pessoas infectadas. A doença pode se espalhar desde que alguém esteja a menos de 2 metros de distância de uma pessoa com a doença. A transmissão pode ocorrer por gotículas de saliva, espirro, tosse ou catarro, que podem ser repassados por toque ou aperto de mão, objetos ou superfícies contaminadas pelo infectado.

Quais são os sintomas? Os sintomas do Covid-19 envolvem febre, cansaço e tosse seca. Parte dos pacientes pode apresentar dores, congestão nasal, coriza, tosse e diarreia. Alguns pacientes podem ser assintomáticos, ou seja, estarem infectados pelo vírus, mas não apresentarem sintomas. O Ministério da Saúde estima que os pacientes mais jovens são os mais passíveis de não apresentar qualquer sinal da doença.


Saiba o que é o coronavírus e o que já se descobriu sobre a pandemia. Reprodução

 Qual o período de incubação do vírus? 

De acordo com a OMS, a estimativa é que o período de incubação seja de 1 a 14 dias. Ou seja, o vírus teria esse tempo para se manifestar. O mais comum é a manifestação por volta de cinco dias. Mas há pessoas que não apresentam sintomas.

 Quais são os maiores problemas e os públicos mais vulneráveis? 

A OMS calcula que 1 em cada 6 pacientes pode ter um agravamento do quadro, com dificuldades respiratórias sérias. No início de março, a taxa de letalidade era de 3,5%. Mas o Ministério da Saúde suspeita que pode ser menor, em razão de haver subnotificação dos casos em alguns países. Os públicos mais vulneráveis são idosos e pessoas com doenças crônicas (diabetes, pressão alta e doenças cardiovasculares). O uso de álcool gel para prevenção ao coronavírus é eficaz? Sim. De acordo com o Conselho Federal de Química, o álcool gel é “eficiente desinfetante de superfícies/objetos e antisséptico para a pele”.

 O grau alcóolico recomendado para o efeito é de pelo menos 70%. Preciso usar máscara para me proteger? 

A máscara não tem efeito algum para pessoas sem o vírus. Ela deve ser utilizada por quem apresenta sintomas da doença, pois previne que alguém infectado espalhe o vírus e venha a contaminar outras pessoas. O uso também é recomendado para pessoas que tenham contato com indivíduos com suspeita ou confirmação do novo coronavírus. Máscaras também devem ser usadas por profissionais de saúde que atuem em locais com pacientes com suspeitas ou sintomas. Após o uso, a orientação é descartar a máscara em local adequado e lavar as mãos. 

É possível pegar o Covid-19 de alguém sem sintomas?

De acordo com a OMS, as chances são pequenas, pois o vírus é transmitido por saliva, espirro, tosse ou catarro, elementos mais presentes quando uma pessoa está com gripe. Existe tratamento para a doença? Segundo a OMS, 80% das pessoas se recuperam sem precisar de tratamento especial. Não há uma medicação que elimine o vírus. Mas há tratamento para mitigar o avanço da doença e diminuir o desconforto.

 Antibióticos ou vitamina D previnem ou curam o novo coronavírus? 

Não. Antibióticos não atuam contra o vírus. Da mesma forma, não há evidências científicas que atestem qualquer impacto sobre o vírus de doses de vitamina D.

No comando do Rota do Dia, Andrey Morais mistura humor e notícias policiais

No comando do Rota do Dia, Andrey Morais mistura humor e notícias policiais

Natural de Parnaíba e com raízes em Esperantina e Teresina, Andrey começou muito jovem nas rádios e há alguns anos se encontrou na TV.

O programa Rota do Dia, da TV O DIA, está de cara nova. O apresentador Andrey Morais, de 45 anos, mistura humor às notícias policiais veiculadas de segunda a sexta-feira no Canal 23.1. Natural de Parnaíba e com raízes em Esperantina e Teresina, Andrey começou muito jovem nas rádios e há alguns anos se encontrou na TV. 

“Desde pequeno, eu já imitava quase todos os desenhos animados e achava que era uma coisa que todo mundo fazia. Quando eu cresci, descobri que era um dom e, a partir de um amigo que era radialista, comecei a me interessar pelo rádio e ficava batendo nas portas das emissoras”, lembra. 

A primeira experiência de Andrey foi na Litoral FM como operador de rádio durante a madrugada. Sua função era colocar música. Algum tempo depois, ele começou a falar a hora certa e, com um mês, foi liberado para falar outras coisas. Três meses depois, já tinha um programa no melhor horário da rádio e era o locutor mais ouvido - o que chamou a atenção de uma rádio instalada em Teresina.

“Quando fui chamado, foi uma surpresa para mim. Um ano depois passei no teste da Jovem Pan em Brasília. Fiz o teste com 32 locutores, a emissora seria uma das nacionais junto com São Paulo. E por conta de fazer humor, eu fiz o piloto e coloquei imitações no final e fui chamado. Depois me chamaram para o Rádio Jornal de Brasília, onde trabalhei por 5 anos”, explica Andrey. 


No comando do Rota do Dia, Andrey Morais mistura humor e notícias policiais. Reprodução

Depois dessas experiências, o comunicador retornou para Parnaíba-PI, quando foi convidado para abrir uma rádio em Tocantins. Em seguida, se mudou pra Palmas e trabalhou com rádio e TV por 9 anos. Antes de começar na TV O DIA, o radialista estava trabalhando com campanha política e caricato para produtoras no litoral piauiense. Nesta época, outra paixão voltou: o surf, que era o esporte da sua infância.

Dentre as personalidades nacionais que Andrey imita estão o presidente Jair Bolsonaro, o ex-presidente Lula, a apresentadora Marilia Gabriela, o ex-jogador Ronaldo fenômeno e o cantor Caetano Veloso. Dos desenhos animados, seus favoritos são Bob Esponja, Mickey e Scooby Doo. Com 25 anos na área da comunicação, o parnaibano teve experiências em emissoras de Tocantins, onde foi repórter de matérias carnavalescas a policiais. No Rota do Dia, Andrey Morais pretende inovar.

 “A nossa novidade é a bagunça, gosto muito de brincar, fazer humor, e quero agradar ao público e fazer com que as pessoas se vejam na televisão da forma mais natural possível. Mesmo o programa com matérias pesadas, não consigo fazer a coisa só seria, meu estilo é igual do Sikêra Júnior (apresentador do programa Alerta Nacional, da Rede TV!)”, conclui.

09 de março de 2020

Campanha combate a violência de gênero e ataques a jornalistas

Campanha combate a violência de gênero e ataques a jornalistas

A campanha é lançada nesta segunda-feira, 9, nas redações de todo o País, em decorrência dos abusos a que essas profissionais estão sujeitas.

Em um momento em que as mulheres jornalistas sofrem graves ataques no exercício da profissão e veem a escalada do machismo e misoginia crescer, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), a partir da integração da Comissão Nacional de Mulheres, formada por 21 jornalistas de 19 sindicatos profissionais do país, inclusive do Piauí, promove a campanha ‘Lute como uma jornalista’ nesta segunda(9), nas redações de todo o país.

Assédio moral, sexual, mulheres que não conseguem sequer concluir uma entrevista sem sofrer ataques on e off-line, que se estendem também após a veiculação de seus trabalhos, são realidades que motivam o cenário de mobilização.

Samira de Castro, vice-presidente da Fenaj, ressalta que o objetivo da comissão é instituir as questões de gênero dentro do movimento sindical jornalista para, desta forma, avançar junto à sociedade.

“É importante ressaltar que a gente tem visto um machismo muito forte atuando sobre a mulher na cobertura política, econômica e esportiva. Se a gente for pegar os casos de agressões e assédios a jornalistas, quando o relatório da violência registra o gênero da vítima, os casos que ligam as mulheres são de violência machistas. Um exemplo comum é dizer que a mulher não sabe escrever, que não sabe narrar um jogo; cantadas de fonte, de superiores hierárquicos, de colegas de profissão. Isso é algo que acontece com frequência e que não podemos naturalizar”, destaca.


Jornalistas de todo o País estão engajadas nessa iniciativa - Foto: Divulgação

O mais notório e recente caso ocorreu com a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, agredida pelo presidente Jair Bolsonaro que, valendo-se dos argumentos de insinuação sexual, atacou injustamente a dignidade da profissional pela sua condição de mulher.

Atualmente, Patrícia aparece em terceiro lugar em uma lista que reúne os dez casos mais graves de ataques feitos a jornalistas no mundo. O índice é de autoria da organização internacional One Free Press Coalition e tem por objetivo chamar a atenção para episódios de perseguição aos profissionais da imprensa.

A repórter foi alvo de depoimento durante a CPMI das Fake News por Hans River e posteriormente, alvo de ataques permanentes nas redes sociais.

08 de março de 2020

Costureira de 90 anos cria família com sete filhos biológicos e 20 adotivos

Costureira de 90 anos cria família com sete filhos biológicos e 20 adotivos

Dona Maria da Conceição Lopes da Silva se orgulha da vida que construiu

Ao abrir a porta, dona Maria da Conceição Lopes da Silva, a Duquesa, estende os braços em forma de C para saudar as visitas com um abraço. De sorriso no rosto e olhar afável, em poucos minutos, ela entrega o segredo de, aos 90 anos, poder admirar a vida que pôde construir ao lado da imensa família que formou: sempre sobrou amor para quem quer que chegue à sua porta. Mas um amor também dedicado a outras fronteiras de vida. A do trabalho, por exemplo, a tornou uma das costureiras mais requisitadas de Teresina a partir da década de 50. Hoje, os anos de experiência lhe dão propriedade suficiente para falar da receita de, como mulher, levar uma boa vida. “É apostar no trabalho [..], no amor, atenção e compreensão”, afirma.

A nonagenária é matriarca de uma família de sete filhos biológicos, um já falecido; 20 adotivos, 31 netos, 27 bisnetos e nove tataranetos. “Eu lembro que tinha vez que a gente dormia até em cadeira preguiçosa, porque não tinha lugar. Era rede pra cima, pra baixo e era assim: maravilhoso! Mas a coisa que eu achei mais maravilhosa realmente foi ver que meus filhos legítimos nunca se incomodaram com os adotivos”, pontua.

Para criar tantos filhos, o trabalho sempre foi um pilar da família. Não só dela, aliás. O marido, com quem dividiu meio século de vida, “50 anos e seis meses de casamento”, como reforça convicta, foi um exímio servidor público do departamento de Direito da Universidade Federal do Piauí.

A matriarca guarda com amor e carinho as recordações de todas as gerações da família(Foto: Jailson Soares/O Dia)

Mesmo após seu falecimento, o patriarca da família não deixou lembranças apenas para os entes queridos, mas em Teresina. Hoje, ‘Newton Lopes da Silva’ é nome de uma rua na cidade, homenageado pelo projeto “Se Essa Rua Fosse Minha”.

Duquesa fala orgulhosa do marido, mas também tem a convicção que sua atitude de não se resignar apenas a cuidar da casa e dos filhos fez dela um pilar fundamental na vida da família Lopes da Silva. “Minha irmã que me ajudava a cuidar dos meninos, porque tinha vezes que não dava tempo nem levantar da máquina para amamentar. Também fui boleira e fiz bolos enormes de casamento e aniversário”, destaca.

Porte de realeza, espírito trabalhador

Na metade do século passado, o exímio trabalho de costureira fez Maria da Conceição Lopes da Silva conseguir destaque para fidelizar uma clientela da alta classe social de Teresina e até criar vestidos para modelos em concurso de beleza, como o Miss Piauí. Sem nunca ter frequentado uma escola de costura e, de forma autodidata, ter aprendido a costurar desde a infância, ela é pontual sobre a habilidade: “Era bom porque eu fazia bem feito. Nunca achei ninguém pra reclamar de uma costura minha”, destaca.

O apelido ‘Duquesa’, que na verdade era usado como sobrenome em seu registro de solteira ‘Maria da Conceição Duquesa’, talvez tenha se confundido tanto no decorrer da vida, que mesmo aos 90 anos de idade, o porte de classe e cuidado a fazem adquirir traços reais.

A matriarca guarda com amor e carinho as recordações de todas as gerações da família(Foto: Jailson Soares/O Dia)

Para os muitos filhos, certamente, a mãe é uma rainha. Regina Maria, de 66 anos, é uma das que compartilha da impressão. “Ela sempre foi um exemplo para nós e nem ela e nem meu pai deixaram faltar nada. Tivemos uma infância feliz e com a casa sempre cheia”, ressalta.

Regina e Duquesa fizeram, juntas, o curso superior de artes plásticas. A troca de saberes entre mãe e filha aproximou ainda mais a relação. Todos os convites de formaturas dos filhos, netos e bisnetos que a Duquesa guardou com tanto carinho, hoje se tornaram um grande álbum personalizado pelo trabalho da filha artista plástica.

Brindando a vida

Recentemente, a matriarca ganhou uma festa de aniversário feita pelos familiares. Cerca de 300 pessoas – a grande parcela de familiares – celebraram os 90 anos de Duquesa. O momento especial ficou marcado em sua vida, mas, ainda assim, para quem sabe desfrutar da vida, ele não basta. “Agora quero viver mais pra ter uma festa ainda maior”. Sem dúvida, para uma família e um coração que sempre cabem mais um, a festa centenária será ainda maior

Familiares e amigos comemoraram a chegada dos 90 anos( Foto: Arquivo Pessoal) 

07 de março de 2020

"Frases de caminhoneiros" estão cada vez mais raras nos para-choques

Silêncio nas estradas: Frases de caminhoneiros desaparecem dos para-choques

Eles cruzam as BRs, avenidas, ruas e estradas do país com cargas de toda ordem: alimentos, medicamentos, combustíveis, equipamentos e tantos outros itens que chegam de uma ponta a outra do Brasil pela força do transporte e a determinação de quem o guia. Por isso, é difícil um caminhão passar despercebido, seja por sua importância, imponência ou pela curiosidade de quem sempre busca, ao ver o transporte seguir, encontrar as frases tão características estampadas nos para-choques do veículo. Mas com que frequência você ainda encontra as famosas ‘frases de caminhoneiros’ por aí?

A verdade é que, desde antes da virada do século, os para-choques em tom de fachada perderam impulso e começaram a desaparecer pelo país. Em 1996, uma resolução do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) determinou dimensões e pintura padrão do equipamento. Já nos anos 2000, chegaram as exigências dos adesivos reflexivos, visando maior segurança no trânsito, o que também inibiu a criação das grandes frases em destaque. Foi o começo do fim.


Foto: Jailson Soares/O Dia

As filosofias de versos simples, ditados bem-humorados ou frases de amor e religiosidade foram deixando de se tornar presente na traseira desses grandes veículos; e as histórias por trás de cada frase, também.

Mas alguns caminhoneiros ainda insistem na tradição. As frases religiosas foram as mais encontradas em Teresina, de “Jesus te ama” a “Deus é fiel”, os para-choques seguem como sinal da religiosidade do motorista do país que ainda tem predominância de cristãos.

Há também os que prestam homenagens a familiares que já partiram ou aos que continuam dando tônica para que as viagens tenham um propósito. As frases mais filosóficas ou divertidas, já não aparecem tanto.

Nesta reportagem, O DIA ouviu histórias de motoristas que ainda levam em seus para-choques mensagens que, mesmo na traseira do caminhão, são os que os impulsionam para seguir.


Os para-choques seguem como sinal da religiosidade do motorista do país que ainda tem predominância de cristãos.


Profissão de pai para filho

O baiano Vando Lopes, há mais de duas décadas, escolheu que trilharia, como o pai, a profissão de caminhoneiro. Hoje, aos 44 anos, ele diz nunca ter se arrependido da escolha que fez. O gene pelo amor à estrada permanece vivo na família já que, aos 73 anos de idade, o pai também nunca largou a profissão. “É uma paixão grande”, afirma.

Tão grande que o sentimento do caminhoneiro é de gratidão por ainda continuar fazendo o que quer. Na traseira, lê-se a confirmação de como ele enxerga o instrumento do seu trabalho: presente de Deus. Vando também homenageia a vó nonagenária, dona Izabel, que sempre respeitou e incentivou a carreira dos filhos e neto com uma placa estampada com seu nome.

Mas o amor pelo que faz não esconde as muitas dificuldades da atividade. A precariedade das estradas, os altos custos que envolvem a manutenção do caminhão, o perigo de assaltos e acidentes são destacados como aspectos negativos. Vando, inclusive, já passou por dois acidentes com tombamentos de caminhão. Em nenhuma dessas vezes, no entanto, ele cogitou parar.


O baiano Vando Lopes, há mais de duas décadas, escolheu que trilharia, como o pai, a profissão de caminhoneiro - Foto: Jailson Soares/O Dia

Sobre a solidão que é sempre guiar sozinho um caminhão, ele diz não sentir. “Hoje escolho fazer uma rota pequena, toda semana volto para casa. Como já são muitos anos com o caminhão, a gente sempre roda com muita gente da mesma cidade, faz muita amizade na estrada, nos postos, não dá pra se sentir sozinho”, destaca.

Geralmente carregado de verduras, o caminhoneiro roda muito pela noite – horário escolhido por muitas profissionais. Vando explica existir a prática do “rapidão”, quando os motoristas conseguem diminuir em até cinco horas o tempo de rodagem quando a estrada e a falta de veículos com que cruza favorecem.

Da Bahia para o Piauí, por exemplo, no ‘rapidão’, ele já gastou apenas 18 horas. Enquanto em uma viagem compassada levaria 24 horas. “Mas é algo que a gente evita fazer, já que é perigoso. Mas é uma prática que quase todo caminhoneiro já possa ter feito”, explica.


"Como já são muitos anos com o caminhão, a gente sempre roda com muita gente da mesma cidade, faz muita amizade na estrada, nos postos, não dá pra se sentir sozinho” - Vando Lopes


A estrada que leva é também a que traz

Os olhos de Lucélio da Silva ainda reagem com admiração quando ele fala da profissão que escolheu quando criança. O sonho de ser caminhoneiro tornou-se realidade aos vinte e poucos anos e, hoje, aos 40, é o que garante o seu sustento e o da família de três filhos. Na boleia do caminhão, uma frase destaca o sonho infantil e no para-choques, o lema que se agiganta é “desistir jamais”. Indicação que, mais de uma década nas estradas depois, o pouco reconhecimento e perigo da profissão tem feito o motorista querer ignorar e cogitar abandonar a atividade.

“Hoje, a dificuldade do caminhoneiro é o reconhecimento, aliás, a falta dele. Não vou falar que na turma não tem gente ruim, mas, na verdade, a maioria é de gente de responsabilidade. Por isso, vê a forma como somos tratados, a gente se revolta com isso. Tudo tem que pagar. Para deixar o caminhão no posto, para usar o banheiro, tudo o caminhoneiro tira do bolso”, destaca.


Foto: Jailson Soares/O Dia

A indignação de Lucélio, que é natural do estado de Alagoas, também se estende às poucas iniciativas que o governo federal tomou para melhoria das condições de trabalho da classe. A combinação do combustível caro e pouca valorização dos fretes fazem com que, ao fim do mês, depois de dias longe da família rodando as estradas do país, o trabalhador acumule apenas cerca de dois salários mínimos.

Assim, o que era sonho de criança acaba virando, muitas vezes, um pesadelo. “As estradas são perigosas, o diesel só aumenta, então, infelizmente, a gente pensa em parar. Não porque não gosta do que faz, porque eu gosto muito, mas porque começa a não valer a pena”, conta.

Entre as circunstâncias que desvalorizam o trabalho do caminhoneiro está, como lembra Lucélio, o trabalho de atravessadores. São pessoas que conseguem fretes para os trabalhadores, mas exigem um percentual do pagamento que a empresa está disposta a pagar. Com caminhão do tipo graneleiro, capaz de transportar grandes montantes, ele não recusa trabalhos de nenhuma ordem, mas ainda assim sente as dificuldades de seguir no trabalho.

“Saio de Alagoas, venho para o Piauí, vou para Maranhão, Recife, Bahia. Deus é quem escolhe nosso destino, mas hoje em dia o nosso trabalho fica cada vez mais desvalorizado. Quando eu era criança e sonhava com isso, eu via meus tios, amigos deles, ganhando dinheiro como caminhoneiro. Hoje, não. Hoje é difícil ganhar dinheiro com essa profissão”, ressalta.

Pela idade e a saudade que sempre parecem aumentar, atualmente, Lucélio diz ficar, no máximo, 20 dias fora de casa. Seguindo, não se sabe até quando, o sonho de criança de não desistir de sair e voltar pelas estradas do país.


"Quando eu era criança e sonhava com isso, eu via meus tios, amigos deles, ganhando dinheiro como caminhoneiro. Hoje, não. Hoje é difícil ganhar dinheiro com essa profissão” - Lucélio da Silva


Estrada da saudade

Dos quase 30 anos que Francisco das Chagas dedica ao trabalho como caminhoneiro, sete deles seguem acompanhados de uma saudade profunda. O nome da mãe, Maria Alves, estampado no para-choques do veículo é uma homenagem à matriarca da família que partiu, mas também um amuleto de proteção, para quem anda pelas estradas Brasil a fora.

“Eu sinto que ela me protege por onde for. Nunca sofri nenhum acidente, apesar dos muitos perigos que a gente encontra, e o Salmo 23 também me acompanha: o senhor é meu pastor e nada me faltará”, declama.

Como tantos outros profissionais que encaram a profissão de transportar as riquezas do Brasil na carga de um caminhão, Francisco também lamenta pela pouca valorização da atividade nos dias de hoje.


Foto: Jailson Soares/O Dia

Teresinense, ele faz rotas em um caminhão de nove eixos transportando grãos do Sul do Estado para demais áreas de Estado. “As estradas são muito ruins e, hoje, as pessoas querem pagar um frete muito pouco. É uma vida difícil e, por isso, muita gente desiste”, afirma.

Francisco fala isso porque o excesso de chuvas e falta de manutenção em rodovias têm feito com que caminhoneiros que trabalham com o transporte da safra de grãos passem dias atolados na região Sul do Piauí. Em um percurso de cerca de 200 quilômetros, por conta da condição das estradas, o caminhoneiro chega a passar 12horas.

Pelas andanças, o caminhoneiro vai aprendendo com as dificuldades, mas também confirmando a paixão de quase duas décadas: ter o controle da vida pelo volante do caminhão.

02 de março de 2020

Folião que teve uma relação sexual desprotegida deve ficar atento às ISTs

Folião que teve uma relação sexual desprotegida deve ficar atento às ISTs

Como não se pode voltar o tempo, quem está nessa situação o melhor a fazer é procurar uma unidade de saúde e fazer os exames mais recomendados.

O carnaval é momento de diversão, descontração, azaração e beijo na boca. Nessa época do ano é comum paquerar e até ficar com pessoas que mal conhecemos, e é aí que mora o perigo. Ao não conhecer o parceiro, estamos sujeito a alguns riscos, como contrair uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Se isso aconteceu, fique atento às recomendações do que fazer para evitar uma IST pós-carnaval.

Segundo Alana Niége, coordenadora municipal de IST e Aids da Fundação Municipal de Saúde (FMS) o folião que teve uma relação sexual desprotegida pode ter sido exposto, não somente a uma infecção sexualmente transmissível, mas também a uma gravidez indesejada. Mas é preciso ficar de olho no tempo de ação de cada método.

“Se a pessoa teve uma relação sexual desprotegida, ela pode procurar tanto a pílula do dia seguinte, como evitar a gravidez, e que deve ser tomada até 72 horas, como também pode procurar a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que também é até 72 horas, mas o ideal é que seja feita até as duas primeiras horas, e só protege contra o HIV”, comenta.


Alana Niége alerta para as providências a serem tomadas, caso a caso - Foto: Assis Fernandes/O Dia

Além disso, se a pessoa teve uma relação sexual desprotegida, é possível fazer um teste rápido para detectar HIV, sífilis e outras IST’s. Nesse caso, a recomendação é que o teste seja feito 30 dias após a relação sexual. Já para Hepatite B e C, o teste deve ser feito com 60 dias ou mais. “Esse é o tempo da janela imunológica, ou seja, o tempo necessário para que algumas dessas infecções sejam detectadas no exame”, explica Alana Niége.

A coordenadora de IST/Aids lembra que, em caso de suspeita de gravidez, o teste rápido pode ser feito nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Vale lembrar que o temo de fecundação não é baseado após a relação sexual desprotegida, mas sim de acordo com o tempo de evolução de cada mulher.

“O atraso menstrual é o parâmetro para avaliar uma possível gravidez, que vai de 7 a 14 dias, então a pessoa pode procurar a UBS para fazer o teste rápido gratuito. Em farmácias é possível comprar testes rápidos de gravidez com tempo de espera menor, de 05 a 10 dia de atraso, ou até de sangue, o Beta HCG, que pode ser feito após 10 dias da fecundação”, disse a Alana Niége.


Onde procurar?

Vale lembrar que o teste rápido de gravidez pode ser feito nas Unidades Básicas de Saúde, já os testes rápidos de HIV, Sífilis e Hepatite B e C podem ser feitos no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) ou em algumas das UBSs da Capital.

“Estamos fazendo a descentralização desses testes e algumas unidades ainda não receberam, mas queremos que todas tenham os testes, para que as pessoas possam realizar na unidade mais próxima de sua casa”, enfatiza Alana Niége, coordenadora de IST/Aids.

O CTA de Teresina funciona na Rua 24 de Janeiro, 124, 4ª andar, no Centro da cidade, próximo à Praça da Liberdade, de segunda a sexta, nos turnos manhã e tarde. O telefone para contato é o 3216-2046.

29 de fevereiro de 2020

Atendimentos por consequência de álcool aumentam em UPA

Atendimentos por consequência de álcool aumentam em UPA

O médico Thybério Gyorgi, diz que se preocupação pois enquanto aumentam os atendimentos por agravos pelo álcool, a idade dos pacientes identificados cai.

A repercussão do consumo exagerado de álcool também impacta no sistema de saúde. Em Teresina, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Antônio Dib Tajra, localizada no bairro Satélite, zona Leste da Cidade, é uma das que pôde constatar o aumento das demandas de serviços para atender complicações advindas do consumo de álcool.


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Segundo Thybério Gyorgi, médico de urgência e emergência da Unidade, a preocupação se dá pela constatação de um fator: enquanto aumentam os atendimentos por agravos pelo álcool, a idade dos pacientes identificados cai.

“Aqui na UPA temos pego diversos casos por conta do abuso de bebidas e percebido que tem diminuído a faixa etária dos pacientes que chegam. Essa prática de misturar cinco tipos de bebidas ao mesmo tempo e sofrer as consequências disso, a gente encontra em uma faixa etária de 15 a 20 anos. Acima de 30 anos, os pacientes chegam aqui, geralmente, com quadro de desidratação que ainda dá para reverter, mas os pacientes mais graves, trazidos pelo Samu, muitas vezes em coma alcoólico, são os jovens”, alerta.

O coma alcoólico ocorre quando se ingere mais álcool do que o organismo consegue metabolizar. O fígado leva, em média, uma hora para processar uma dose de bebida, mas esse tempo pode variar de acordo com o peso, a altura, o físico e o gênero. Em mulheres, o tempo estimado é de quase duas horas.

Com o excesso de bebida, há uma intoxicação e, com isso, alguns órgãos, como o cérebro, o coração, o estômago e os rins, são afetados. “Após estar desidratado e continuar bebendo, o organismo entra em estado de depressão fisiológica. Os sistemas entram em colapso, o PH das células não é mais o mesmo e, uma vez nessa condição clínica, o paciente entra em coma alcoólico”, descreve Thybério.

O quadro pode evoluir para crise convulsiva, que é capaz de deixar sequelas importantes, como a não funcionabilidade de músculos, além de sequelas sensitivas, como a perca do olfato ou paladar e outros prejuízos fisiológicos.

Por isso, segundo o profissional de saúde, o momento da iniciação na bebida alcoólica é um dos pontos mais preocupantes, porque a falta de conscientização a respeito contribui para que casos graves de abuso de bebida continuem deixando consequências não só na sequela de jovens, mas no aumento de violência em toda a sociedade. O que a gente se pergunta todo dia aqui é uma única coisa: “até onde deixaremos isso chegar?”, finaliza o médico.

“Precisamos educar nossa juventude sobre consumo intenso de álcool”

“Precisamos educar nossa juventude sobre consumo intenso de álcool”

Diante desta realidade do consumo de álcool de forma abusiva e sem a preocupação necessária sobre as consequências, o psicólogo Ricardo Cruz aposta na atenção para uma estratégia: a da educação.

Diante desta realidade do consumo de álcool de forma abusiva e sem a preocupação necessária sobre as consequências, o psicólogo Ricardo Cruz, mestrando em Saúde Mental e Transtornos Aditivos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, aposta na atenção para uma estratégia: a da educação. E ela não pode acontecer apenas sob a visão do alerta de riscos, mas do diálogo e da promoção de políticas públicas que possibilitem a superação de tabus sobre a prática.


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“Precisamos criar uma nova forma faladual, porque só falar que o álcool faz mal, que traz danos, não tem ajudado muito. Com isso, eu não quero dizer para sermos permissivos, porque eu tenho defendido que crianças e adolescentes não devem fazer uso de álcool de forma alguma, mas tenho que entender que muitos vão fazer e, para enfrentar isso, precisamos educar nossa juventude sobre este comportamento de consumo intenso”, destaca.


“Precisamos educar nossa juventude sobre esse comportamento de consumo intenso de álcool”.Foto: Jailson Soares

Uma das formas que este debate deve ser levado, na visão do profissional, é no diálogo entre pais e filhos. Ricardo recomenda que os responsáveis possam se informar e, assim, entender e orientar os jovens sobre a sua relação com o álcool. “É chegar e perguntar: como está acontecendo quando tem álcool no seu ciclo social? Você bebe? Já existiu algum episódio onde algum amigo seu bebeu e passou por situação constrangedora? Isso porque temos que fazer eles pensarem sobre o contexto deles para entender como é essa relação. É uso, abuso ou dependência?”, questiona.

Ao abrir este canal de comunicação sem tabus é possível educar para que esta relação com o álcool não possa ser ou se tornar um problema maior. Mas a responsabilidade não é apenas de pais ou responsáveis. Para Ricardo, é necessária uma educação permanente em nível de sociedade e governos, com investimento em pesquisas sobre consumo e desenvolvimento de estratégias de políticas públicas para além do tratamento. “O escritor Eduardo Galeano diz que para modificar uma realidade temos que conhecê-la, então é isso que eu proponho, que possamos conhecer este fenômeno que estamos lidando”, alerta.

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Atualmente, já existe categorização para estudar a prática, o chamado Binge Drinking, traduzido como ‘bebedeira’ ou ‘beber pesado episódico’.

Miguel* era um jovem de 19 anos quando teve sua primeira amnésia alcoólica. E não precisou de nenhuma situação atípica para que isso acontecesse: festa de aniversário na casa de uma amiga, exagero de bebidas em um curto espaço de tempo para, poucas horas depois, sua memória do que fez ou como chegou em casa estar confusa e “apagada”. 


“Precisamos educar nossa juventude sobre consumo intenso de álcool” 

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Já Bárbara* lembra que aos 18, após participar de uma festa e ingerir grande quantidade de bebida alcoólica, fez uso da direção e, em alta velocidade, quase se envolve em um grave acidente de trânsito, arriscando não apenas a sua, mas a vida do irmão mais novo que estava ao lado. Histórias diferentes, mas que têm um personagem em comum: o álcool ingerido em grandes quantidades. Beber ao ponto de se deixar guiar por impulsos ou se sentir fisiologicamente afetado não é um cenário raro de se encontrar pelo país. 

Atualmente, já existe categorização para estudar a prática, o chamado Binge Drinking, traduzido como ‘bebedeira’ ou ‘beber pesado episódico’, é um padrão que costuma se caracterizar pelo consumo de, no mínimo, quatro doses de álcool em uma única ocasião para mulheres, e cinco doses para homens, o que leva a uma concentração de etanol no sangue de 0,08% ou superior.

Em um artigo denominado “A prática de binge drinking entre jovens e o papel das promoções de bebidas alcoólicas: uma questão de saúde pública”, a médica psiquiatra Zila Sanchez explicam que os episódios de uso abusivo agudo de álcool não apenas influenciam a mortalidade geral, mas também contribuem para agravos à saúde, particularmente aqueles decorrentes de acidentes e agressões, colocando em risco o intoxicado e a coletividade.


Relação de jovens com álcool expõe excessos e dificuldade para prevenção. Reprodução

“Entre a população geral, o BD (binge drinking) está associado a maiores ocorrências de abuso sexual, tentativas de suicídio, sexo desprotegido, gravidez indesejada, infarto agudo do miocárdio, overdose alcoólica, quedas, gastrite e pancreatite”, descreve a pesquisadora. Zila destaca que apesar de sua relevância no campo da Saúde Pública, o cenário que favorece e as consequências deixadas pelo uso e abuso de álcool ainda são pouco estudados na população brasileira.

“O primeiro levantamento nacional dos padrões de uso de álcool no Brasil, realizado em 2005-2006, identificou uma prevalência de BD no ano anterior à pesquisa de 28% em adultos, 40% nas faixas etárias de 18 a 24 anos e 53% entre os adolescentes do sexo masculino. Estudo realizado em 2010, com estudantes do Ensino Médio das 27 capitais do país, revelou uma prevalência de 32% de prática de BD naquele ano, maior entre os adolescentes mais ricos e nas regiões Norte e Nordeste”, acentua.

Apesar de o álcool ser uma droga lícita, sua venda e fornecimento a menores de 18 anos são proibidos por lei no Brasil (Lei federal no 13.106, de 17 de março de 2015).

1ª Corrida Rara do Piauí acontece neste sábado

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Em Teresina, a data será comemorada com a 1ª Corrida Rara, que inicia no Parque Potycabana, às 16h, e encerra na Ponte Estaiada.

Hoje, 29 de março, é comemorado mundialmente o Dia das Doenças Raras. A data foi criada para levar informação sobre milhares pessoas e destacar quais são os diagnósticos, tratamentos e assistência médica para pacientes e seus familiares. Em Teresina, a data será comemorada com a 1ª Corrida Rara, que inicia no Parque Potycabana, às 16h, e encerra na Ponte Estaiada.


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“Como eu vivo de desafios, optamos pela corrida, o verdadeiro significado da Corrida Rara é que estamos correndo pelo tempo. Precisamos lutar, dar visibilidade, porque vários pacientes raros estão morrendo por falta de medicamentos, benefício”, explica Cleudiceia Lima.

Durante o evento, terá distribuição gratuita de copos de água aos pacientes, apresentação de um capoeirista e palestras com especialistas, além de banda ao vivo para animar a tarde.

“Para mim, não existe bem maior do que acordar todo dia e respirar. E enquanto eu estiver respirando, eu estarei lutando pela esclerodermia e doenças relacionadas. Por isso, eu digo que você tem que aproveitar cada dia como se fosse o primeiro de muitos que ainda virão, não como se fosse o último dia da sua vida, assim vamos para a corrida rara”, conclui

Existem, aproximadamente, 13 milhões de pessoas com doenças raras no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Com poucos médicos especializados na área e carência de pesquisa clínica feita no Brasil, o ‘universo dos raros’ está repleto de desafios. Entre os principais entraves estão a falta de conhecimento e informação, o preconceito, o diagnóstico tardio, a falta de políticas públicas e o acesso ao tratamento.

Reumatologia é uma das áreas que mais trata ‘pacientes raros’

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As manifestações podem simular doenças comuns, dificultando o diagnóstico, causando sofrimento aos pacientes e às suas famílias.

As doenças raras são caracterizadas pela diversidade de sinais e sintomas, que variam não só de doença para doença, mas também de pessoa para pessoa. As manifestações podem simular doenças comuns, dificultando o diagnóstico, causando sofrimento aos pacientes e às suas famílias.


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A área da reumatologia, geralmente, é a que mais trata pessoas com essas doenças, que podem se manifestar inicialmente pela queda de cabelo, dificuldade em abrir e fechar as mãos ou até abortos frequentes.

“O paciente pode chegar e não ter dores reumatológicas ou musculares. Mas foi encaminhado por outra especialidade que desconfiou dos resultados dos exames. Às vezes, têm doenças raras que os pacientes não conhecem. Já tive paciente que fez exame de urina, estava com dor na barriga e sangramento, e era uma doença reumática. As pessoas pensam que reumatismo é doença de idoso, mas temos uma especialidade de reumatologia pediátrica que são doenças que acontecem antes dos 16 anos”, descreve a médica reumatologista Graça Sousa.

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As mulheres com idade entre 25 e 45 anos são as mais atingidas pelas doenças reumáticas, sobretudo as autoimunescomo lúpus e artrite reumatoide. O surgimento dessas doenças no público feminino está ligado à uma tendência maior de produção de anticorpos, provavelmente relacionada aos hormônios femininos.

“Algumas doenças reumáticas podem comprometer outras partes e funções do corpo humano, como rins, coração, pulmões, olhos, intestino e até a pele. Por isso, é importante que as crianças tenham diagnósticos precoces e tratamento devido, para que a vida delas possam não ser tão limitadas no futuro”, argumenta a médica.

Essas doenças raras demandam muitos exames de laboratórios, pois é preciso rastrear vários órgãos e, após o diagnóstico, os exames são realizados como uma forma de acompanhamento da evolução da doença e dos efeitos colaterais dos remédios.

“As doenças reumáticas ficam em atividade e remissão, e a sociedade vê o que é diferente como uma coisa que não é boa. E o paciente, ao invés de ser acolhido, é marginalizado, não olham a pessoa rara como alguém que precisa de tratamento diferenciado. É preciso entender que a doença crônica não tem cura, mas tem controle. Imagina uma pessoa fazer hemodiálise e conseguiu sair, este é um exemplo de evolução dos tratamentos”, finaliza.

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Para descobrir as doenças raras, Cleudiceia iniciou uma luta contra o tempo. Passou por diversos médicos que lhe deram diagnósticos diferentes.

“Iniciei aos 14 anos de idade. São 29 anos de esclerodermia e 7 anos de lúpus. Eu morava em Campinas (SP), [quando] comecei a sentir umas dores isoladas, fui levada para vários reumatologistas. No início, acharam que eu tinha febre reumática, pediram vários exames onde diagnosticaram que o FAN (Fator Antinúcleo) era positivo. Este fator só apresenta em quem tem doenças autoimunes”. Este é o relato da enfermeira Cleudiceia Limade 43 anos. Ela é natural de Ipiranga do Piauí e mora há 26 anos na Capital.


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Para descobrir as doenças raras, Cleudiceia iniciou uma luta contra o tempo. Passou por diversos médicos que lhe deram diagnósticos diferentes. Por um período, achou-se que ela tinha uma Doença Indiferenciada do Tecido Conjuntivo (DITC), mas, ao retornar para Teresina com 16 anos, as suas médicas pediram mais exames.

“Alguns anos depois, apareceu uma úlcera de polpa digital, quando perdi um dedinho e quase perdi outro. E depois de uma crise muito forte, me mandou fazer outro exame, fora do Piauí em 2004. Foi quando descobriram a esclerodermia sistêmica, que é o endurecimento da pele. No meu rosto não teve muitas modificações, mas a doença deu um estrago no meu organismo, pois ela atinge os órgãos internos. Em mim, afetou o pulmão”, conta Cleudiceia.


Doenças Raras: “Eu caí com esclerodermia e lúpus, e você?”. Foto: Assis Fernandes

Logo após, a enfermeira teve uma fibrose pulmonar, porque a esclerodermia favorece a ocorrência de doenças oportunistas. O tratamento é feito à base de rituximabe, que são anticorpos, a cada 6 meses. Por causa das doenças, Cleudiceia ainda teve que fazer uma cirurgia cardíaca para colocar uma válvula metálica no coração, e ainda colocou uma prótese na bacia, pois o fêmur estava desgastado.

“Pelas complicações, tive que me afastar do que mais gosto de fazer, sou concursada do Estado como técnica de enfermagem, e fiz o superior depois. Mas os médios disseram que eu precisava parar, me cuidar e cuidar das minhas duas filhas, de 17 e 11 anos”, pondera Cleudiceia Lima.

Associação acolhe e acompanha pessoas com doenças raras em Teresina

Após estudar a área da saúde e vivenciar doenças que têm diagnósticos tardios, Cleudiceia Lima começou a se engajar com instituições que auxiliam pessoas com doenças raras. Há algum tempo, ela resolveu criar a Associação Piauiense de Amigos e Pacientes Esclerodérmicos e Doenças Relacionadas (Amese) para dar visibilidade à causa e poder acompanhar os pacientes no Estado.

“Depois que me aposentei do Hospital Universitário, eu sempre vou visitar os pacientes com doenças raras. Mas eu saio aos prantos, porque sei que eles estão em boas mãos, mas não podem ter acompanhante, e outras coisas que eu tenho em hospitais privados. Eles ficam felizes quando vou, porque eles dizem que pensam que se eu viajo, trabalho, tenho filhas, eles também podem ter uma vida normal”, comenta Cleudiceia Lima.

A enfermeira ressalta ainda que só quem entende um raro são pessoas que possuem a doença ou que tenham alguém próximo, pois são situações difíceis de compreender, cada pessoa tem a sua especificidade. Assim, a Amese quer ser esse apoio para quem não tem condições, quem mora fora de Teresina ou até em outros estados e vêm fazer o tratamento na Capital.