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Notícias Especiais

18 de janeiro de 2020

Crossfit: a modalidade esportiva que desafia os limites dos praticantes

Crossfit: a modalidade esportiva que desafia os limites dos praticantes

Sheila Fontenele perdeu 20 quilos em um ano de crossfit, além de superar os limites.

“Tudo começou quando Gustavo, meu esposo, começou a praticar crossfit e passei almoços inteiros o ouvindo falar dos movimentos ou sobre como ele se sente à beira da morte ao final dos treinos, e que, de alguma maneira, ele nunca se sentiu tão vivo. Comecei a notar que ele ficou mais preocupado com a alimentação e começou a usar camisetas com estampa de Kettlebell. E aí, você tem certeza que aquilo só pode ser alguma espécie de lavagem cerebral e, então, você odeia o crossfit”. Este texto é um trecho de uma publicação das redes sociais da jornalista e cerimonialista Sheila Fontenele.

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Após esse ódio descrito por ela, a curiosidade sobre a modalidade a consumiu. Ela, então, decidiu marcar a primeira aula de crossfit. De lá até agora, já se passaram um ano e vinte quilos foram perdidos. Além do incentivo do marido, neste período, a jornalista também havia acabado de ganhar um bebê, o pequeno Luiz Gustavo. O ganho de peso, na época, foi por um bom motivo, um sonho que havia sido realizado.

“Eu estava com 86 quilos e eu precisava de uma atividade de alta intensidade para conseguir perder peso, então decidi entrar no crossfit. No início foi curiosidade, mas depois fui gostando da modalidade, que, no fim, acaba viciando, não sei o que é, e quando você vai vendo os resultados, é uma coisa incrível. Hoje, um ano depois, eu estou com 66 quilos, foram 20 quilos que eu consegui perder e tudo da forma mais saudável possível, aliada a uma dieta balanceada”, conta Sheila Fontenele.

A cerimonialista lembra que a modalidade esportiva é um ambiente em que as pessoas são unidas, pois a atividade é em grupo, ajuda na socialização e todos se tornam amigos. O crossfit, ainda a possibilitou ter um melhor treino cardiorrespiratório, mais disciplina e foco na atividade física.


Sheila Fontenele e sue marido no Crossfit. Arquivo Pessoal

Em novembro, Sheila Fontenele participou de uma competição interna na academia em que treina e ficou em segundo lugar em sua modalidade, intermediário.

“Tinham 15 concorrentes e eu consegui ficar em segundo lugar e eu tenho 35 anos e perdi para uma menina de 22 anos. Então, pra mim, é como se fosse primeiro lugar. E fiquei muito feliz, foi uma superação, como se ganhasse uma medalha de ouro, como se ganhasse as olimpíadas”, comenta.

Para quem começar a fazer crossfit, a dica da jornalista é que a pessoa faça uma aula experimental. Ela garante que os primeiros dias não serão fáceis. Mas os resultados serão animadores.

“A primeira aula é horrível, a segunda você dá vontade de desistir, e na terceira você não quer mais ir. Mas, quando você vai tentado, resultando e conseguindo executar os movimentos, superando os teus limites, aquilo lhe motiva. O crossfit é isso, você e você, é a tua superação pessoalE para quem quer, não precisa ter medo, é só ter perseverança que o resultado vem”, conclui Sheila Fontenele.

Parques ambientais: qualidade de vida aliada ao lazer

Parques ambientais: qualidade de vida aliada ao lazer

Além de se exercitar, o cidadão pode ver pássaros, patos, peixes e sentar na grama quando o cansaço bater.

Caminhar em parques ambientais é uma forma de estar próximo à natureza em meio aos grandes prédios e avenidas de Teresina. Além de se exercitar, o cidadão pode ver pássaros, patos, peixes e sentar na grama quando o cansaço bater. O Parque da Cidade, Estação Cidadania, Matias Matos, Encontro dos Rios e Parque da Macaúba são administrados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semam). Exemplos de equipamentos públicos que podem ser bem aproveitados pela população gratuitamente.

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 No Parque da Cidade, localizado no bairro Primavera, a população pode desfrutar de uma área com aproximadamente 17 hectares. O local também abriga o Batalhão de Polícia Ambiental do Estado do Piauí e funciona todos os dias da semana, das 6h às 19h.

O Parque Estação Cidadaniasituado no cruzamento das avenidas Frei Serafim com a Miguel Rosa, possui um lago, fontes luminosas, pergolados, palco com camarim e banheiros, anfiteatro com capacidade para 1.500 pessoas e um estacionamento para mais de 280 veículos.

Além de contar com uma Galeria de Arte Santeira, que reúne cerca de 50 esculturas produzidas por grandes artesãos locais. O espaço abre às segundas-feiras, das 5h30 às 10h (somente pista de caminhada); de terça a sexta-feira, das 5h30 às 10h e das 16h às 21h30, e aos sábados, domingos e feriados, das 5h30 às 21h30.


Parques ambientais: qualidade de vida aliada ao lazer. Arquivo O dia

Outra opção é o Parque Ambiental Matias Matos,  mais conhecido como Lagoa do Mocambinho, que possui cerca de 4,9 hectares, onde estão estruturadas quadras de esportes (futebol de areia e society, badminton e basquete), ciclovias, playground, pista de caminhada, academia popular, quiosques, prédio administrativo, palco para apresentações culturais e área contemplativa no entorno da lagoa, com grana natural para oferecer mais conforto aos visitantes. O parque está aberto às segundas-feiras, das 5h30 às 10h (somente pista de caminhada); de terça a domingo, das 5h30 às 10h e das 16h às 21h30.

Já o ponto que marca a confluência entre os rios Parnaíba e o Poti, o Parque Ambiental Encontro dos Rios é um dos principais cartões postais da Capital, localizado no bairro Poti Velho. Ao percorrer o parque, o público tem à disposição uma área urbanizada e bem iluminada, onde podem ter acesso a quiosque, playground e uma trilha projetada que fica à disposição do público de segunda à sexta- feira, das 6h às 18h, e aos sábados domingos e feriados, das 6h às 19h.

E o Parque da Macaúba possui uma área de sete mil metros, onde a população pode encontrar um campo de futebol iluminado e com alambrado, pista de caminhada, academia popular, palco para apresentações culturais e quiosques. Seu funcionamento é nas segundas-feiras, das 5h30 às 10h (somente pista de caminhada); de terça a domingo, das 5h30 às 10h e das 16h às 21h30.

Prática esportiva deve estar associada ao bem-estar e prazer

Prática esportiva deve estar associada ao bem-estar e prazer

O personal trainer Gustavo Isaías afirma que realizar atividades que despertam interesse é um meio de não desistir de se movimentar.

A prática de exercício físico pode ser indicada por médico, fisioterapeuta ou ser uma iniciada individual, mas é importante que esteja associada ao bem-estar e prazer. O personal trainer Gustavo Isaías afirma que realizar atividades que despertam interesse é um meio de não desistir de se movimentar.

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“A prática esportiva deve estar intimamente ligada ao lazer, assim a probabilidade de permanência aumenta consideravelmente, mas é claro que devemos levar em consideração alguns fatores como idade e doenças”, alerta Gustavo.

De acordo com o personal, a musculação se mostra efetiva contra hipertensão e diabetes, porque permite, em pouco tempo, um maior controle dos níveis de colesterol e glicose presentes no corpo. Para idosos com osteoporose ou não, a musculação também se mostra eficaz devido ao fortalecimento ósseo e à prevenção de dores e lesões.

“Pra quem procura uma melhoria na qualidade de vida e fortalecimento muscular, o ideal é que se pratique musculação com pesos adequados à sua força e faixa etária. Inicialmente, não pegue muito pesado para que o corpo não entre em processo inflamatório, o que vem a gerar dores e desconforto no dia seguinte ao treino, às vezes até impede a continuidade. É importante sempre tirar dúvidas e seguir os conselhos e ensinamentos do instrutor da academia ou personal trainer”, orienta.

Há ainda os que preferem atividades aquáticas. Para estes, a natação é uma boa escolha em qualquer idade. A hidroginástica é outra opção para idosos, por não haver impacto, preservando, assim, a estrutura óssea.

Para crianças e adolescentesa natação, futebol e lutas são opções atrativas. “A prática esportiva não distingue e nem restringe seu público por idade, o importante é praticar algo que sinta prazer e, ao mesmo tempo, lhe proporcione saúde e qualidade de vida”, afirma Gustavo Isaías.


Prática esportiva deve estar associada ao bem-estar e prazer. Arquivo pessoal

Já para quem não é adepto à musculação e prefere caminhar, é indicado que use um tênis confortável, assim como as roupas. A alimentação tem que ser feita pelo menos de 30 a 40 minutos antes da caminhada, com alimentos leves e sempre procurando se manter hidratado.

Corrida exige respeito ao condicionamento físico

Já a corrida segue outras dicas, como: calçar tênis apropriado para não criar calos e machucar os pés; roupas que facilitem a transpiração; além de respeitar o condicionamento físico e cardiorrespiratório, que é diferente em cada pessoa.

“Inicie com pequenas distâncias, com o tempo e após manter a frequência da corrida, aos poucos pode ir adicionando cada vez mais distância. É importante também não se comparar a ninguém durante qualquer tipo de treino, essa simples dica pode evitar vários tipos de lesões, das mais simples até as mais graves”, pontua o personal trainer Gustavo Isaías.

A postura correta durante qualquer prática de exercício físico é também indispensável. O educador destaca que se deve manter a cabeça com olhar fixo para a frente, ombros relaxados, braços com os cotovelos flexionados, de forma que o braço à frente do corpo seja sempre o contrário à perna. Por exemplo, o braço direito estará à frente do tórax junto com a perna esquerda.

Todavia, o tórax e o pescoço devem estar eretos e levemente inclinados à frente. Durante a corrida, é preciso estar atento para nunca deixar a perna que toca o chão ficar ereta. O joelho deve permanecer sempre semi-flexionado e, por fim, deixar os tornozelos relaxados, para que durante a corrida realize o movimento correto de flexão e extensão – o que ajuda no amortecimento do impacto e na prevenção de lesões.

Emagrecimento saudável está ligado à saúde física e mental

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De acordo com a nutricionista comportamental, Maria Luz, este sentimento vem da mentalidade de dieta, um ciclo doentio que pode desencadear transtornos alimentares.

Com o início do ano, é comum as pessoas terem a sensação de culpa por exagerarem nas comidas e bebidas durante as festividades de fim de ano. De acordo com a nutricionista comportamental, Maria Luz, este sentimento vem da mentalidade de dieta, um ciclo doentio que pode desencadear transtornos alimentares como compulsão alimentar, bulimia ou anorexia. Por isso, a especialista defende que, antes de adotar novos hábitos, é preciso compreender como acontece a perca de peso tão desejada. 

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Crossfit: a modalidade esportiva que desafia vencer os limites “O processo de emagrecimento deve existir com o que chamamos de déficit calórico. Então, não existe um alimento que engorda, ou um alimento que lhe emagrece. O que existe é uma diminuição da quantidade total de calorias que, juntamente com exercício físico, vai fazer com que aconteça o emagrecimento. As pessoas pensam que emagrecer é perder peso, só que é um processo que você está diminuindo a quantidade de tecido adiposo (responsável por armazenar gordura)”, explica Maria Luz.

A nutricionista revela ainda que, no processo de perder peso, a pessoa pode estar perdendo água, músculo,quase nada de tecido adiposo; assim continua com percentual de gordura alto. Por isso, é mais interessante que não foque no peso e, sim, no contexto geral, porque o sobrepeso pode estar relacionado a fatores como: dietas, sedentarismo, hormônio, situação socioeconômico e psicológico.


Emagrecimento saudável está ligado à saúde física e mental. Arquivo Pessoal

“Para quem quer emagrecer, a alimentação tem que ser variada, assim como pra quem não tem este objetivo, porque eu vou estar nutrindo meu organismo de forma mais eficaz, além de estabelecer a quantidade de calorias junto com a prática de exercício físico. E tem que deixar de lado todas as neuras que envolvem o processo, evitar balança e comparações com outras pessoas, pois existem vários biótipos e somos todos diferentes”, ressalta Maria Luz.

A profissional lembra ainda que é importante abandonar alguns comportamentos, como o consumo de alimentos processados, ricos em açúcares, fast-foods. E aderir à alimentação saudável, que é a que você descasca, não a que você abre a embalagem. Com um planejamento é possível consumir arroz, carnes, verduras, frutas, legumes, sementes, oleaginosas e outros alimentos que dão prazer.

“Se a pessoa não tiver alguma restrição, pode estar consumindo sorvete, pizza, contudo, tem que ter uma cautela. A cada 15 dias, se você gosta de sair para jantar, não precisa parar de ter vida social, porém ter cautela ao consumir alguns alimentos. Não usar a ocasião para comer a mais, como se estivesse se despedindo da comida. Se conscientizar que o alimento sempre vai existir e vai poder comer de forma moderada. Quando a pessoa tem essa mentalidade, ela começa a identificar a fome e quando está saciado”, indica Maria Luz.

Alimentação para o pré-treino tem que ser feita uma hora antes

Após decidir qual exercício praticar, levando em conta que seja algo que traga prazer, além de já ter se consultado com o médico, estar com atestado em mãos, a próxima preocupação é o que comer antes do treino, o famoso pré-treino. A nutricionista comportamental Maria Luz afirma que é interessante que a pessoa consuma algo que vai dar energia, mesmo que esteja no processo de emagrecimento. 

“É importante lembrar de fazer o pré-treino uma hora antes do treino, para não ter desconforto gastrointestinal. A cafeína, por exemplo, principalmente para quem está em restrição calórica, dá um up para realizar o exercício. Mas no geral, pode estar comendo uma fonte de carboidrato, uma fruta, banana amassada com aveia, água de coco batida com fruta, uma vitamina”, comenta Maria Luz.

Outra fonte rica de nutrientes indicada pela profissional é a beterraba,um alimento que aumenta a vaso dilação das artérias e, durante o exercício físico, o sangue vai estar percorrendo essas artérias com facilidade, além de oxigenar melhor os tecidos. E quando a beterraba é consumida em suco com gengibre, melancia e limão, é possível ter mais energia por conta do gengibre e da melancia. Fora que é suco funcional, antioxidante, que ajuda a liberar radicais livres.

“Quando falo sobre emagrecimento, gosto de falar sobre curtir o momento, beba muita água, tenha sempre uma garrafa, não beba água somente quando estiver com sede. Tente conhecer seu corpo, se conecte, indico a meditação, pois é uma terapia interessante, nem que seja por meio de aplicativo, para promover o autocuidado”, orienta.


Alimentação para o pré-treino tem que ser feita uma hora antes. Ilustrativo

Já em relação as dietas que são aliadas às atividades físicas, a nutricionista explica que a melhor dieta é a que está adequada ao paciente, levando em consideração a questão econômica, o objetivo a ser alcançado e alguma restrição de saúde.

 “Além disso, tente identificar quando você está com fome fisiológica, pois às vezes você está com um problema e sente vontade de comer, então você se pergunta, estou com fome ou com vontade de comer? Porque a comida não vai resolver o problema de ansiedade. Antes de comer, senta, respira, se acalma, sente o cheiro da comida, para ter consciência plena. E quando estiver satisfeito, pare de comer, mesmo que tenha comida no prato”, conclui.

“Se puder escolher um hábito para mudar, opte sair do sedentarismo

“Se puder escolher um hábito para mudar, opte sair do sedentarismo"

O sedentarismo é considerado a doença do século. Um extenso estudo, feito na Austrália e publicado em 2012, provou que o sedentarismo não só provoca doenças, como encurta a vida.

O sedentarismo é considerado a doença do século. Um extenso estudo, feito na Austrália e publicado em 2012, provou que o sedentarismo não só provoca doenças, como encurta a vida. A pesquisa avaliou mais de 200.000 pessoas acima de 45 anos e descobriu que as mais sedentárias tinham duas vezes maiores chances de morrer em um período de três anos do que os sedentários que se exercitavam mais.

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Além do aumento de peso, a falta de atividade física pode causar fraqueza muscular, dor nas articulações, aumento do colesterol, triglicerídios plasmáticos e glicose sanguínea, apneia do sono, dificuldade de respiração, diminuição da circulação do sangue, raciocínio lento, redução da densidade mineral óssea, gordura no fígado, Diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares como AVC ou infartoUma infinidade de doenças que podem ser prevenidas com a iniciativa de se movimentar. Segundo destaca o médico do esporte, Rafael Levi, a prática de esporte é fundamental em todas as faixas etárias. 

“Eu costumo falar que se você quiser mudar apenas um hábito de vida, deixe de ser sedentário, porque isso te faz ganhar dias de vida. Qualquer esporte é bom, desde que a pessoa faça com bom senso, saiba começar devagar, dentro de suas condições.Mas destaco que abaixo dos 35 anos, se o paciente não tem nenhum tipo de morbidade, você está autorizado a começar uma atividade física”, afirma o especialista.


“Se puder escolher um hábito para mudar, opte sair do sedentarismo". Foto: Jailson Dias

O médico destaca ainda que é fundamental praticar atividades físicas regularmente, pelo menos três vezes por semana, bem como manter uma alimentação balanceada“Uma pessoa que pratica atividade mais de três vezes ao dia já é considerada atleta e um atleta precisa de uma equipe multidisciplinar para atender suas necessidades. Mas, não tenham dúvida: o benefício do esporte é muito maior que o risco. Mas funciona como tudo na vida: se for em excesso, pode fazer mal; se for em pequenas doses, não faz efeito”, constata.

As amigas Nayra Sila e Maira Beatriz, de 19 anos, decidiram fazer do começo de ano uma oportunidade para começar a se exercitar. O objetivo é claro: sair do sedentarismo. “A gente tá tentando ganhar mais disposição e, como consequência, um corpo mais bonito”, explica Nayra. Para isso, elas utilizam os espaços públicos e ao ar livre do Parque Lagoas do Norte, intercalando atividades de caminhada, corrida e musculação.

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A fotógrafa Andressa Sipauba resolveu aderir à prática há quase um ano e afirma que mudou toda sua vida.

Andar de bicicleta é o sonho de muitas crianças e até de adultos. Agora imagina quando se pode aliar bike, trilhas, mudanças de hábitos alimentares e perda de peso? A fotógrafa Andressa Sipauba resolveu aderir à prática há quase um ano e afirma que mudou toda sua vida.

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“Sempre tive muita vontade de andar de bike, mas sempre tive muito medo também, por dois motivos, o primeiro a violência na cidade, e o segundo a falta de respeito no trânsito. Mas eu tomei coragem e fui pro Giro Noturno, que era o mais próximo de casa. Minha vida mudou completamente, a começar pela saúde que hoje tá 100% melhor, melhorei da ansiedade que eu sentia e hoje em dia eu tenho muito mais disposição, condicionamento físico e o humor melhorou demais também, estou mais feliz”, destaca Andressa.

O ciclismo é um esporte que proporciona interação, onde é possível conhecer gente nova e lugares inimagináveis. Andressa faz parte de um grupo de ciclismo e, quando vão pedalar dentro da cidade de Teresina, são cerca de 30 pessoas, o que dá mais segurança. Se a rota for em trilhas aos finais de semana, em média, comparecem 15 pessoas. Às vezes, ela ainda aproveita a companhia do namorado para pedalar, mas ressalta que ainda é algo perigoso a se fazer na capital.


Movimente-se: Ciclismo ajuda praticantes a adotarem hábitos saudáveis. Arquivo Pessoal

Para 2020, a meta da fotógrafa é participar de competições e levar a família para praticar o esporte. Só em 2019, Andressa pedalou quase 4 mil quilômetros, é como se ela tivesse ido de Teresina ao Rio Grande do Sul, de bicicleta.

“Eu já conheci muitos lugares, a maioria foram povoados, mas os mais bonitos mesmo são as paisagens das trilhas. Uma das que eu mais gosto é da que passa pelo povoado Soinho. Também já fui pra Altos de bike, já conhecia, mas ir até lá de bike e voltar dá uma sensação de superação muito grande”, lembra.

Andressa é exemplo de superação. Desde que começou a pedalar, perdeu cerca de 10 kgconciliando mudanças de rotina e alimentação. E para quem quer fazer o mesmo, ela indica que é preciso perder o medo procurar algum dos inúmeros grupos de pedal que têm na cidade, pois, segundo ela, pedalar muda vidas.

13 de janeiro de 2020

“Passo a noite acordada quando escuto um trovão”, diz moradora

“Passo a noite acordada quando escuto um trovão”, diz moradora

A precariedade das moradias, localizadas em pontos historicamente suscetíveis a alagamento são uma junção perigosa para a vida das pessoas.

A chuva deixa em alerta as pessoas que tem moradia fixa. Em Teresina, 52 locais identificados pela Defesa Civil são considerados áreas de risco por conta do período chuvoso. A precariedade das moradias, localizadas em pontos historicamente suscetíveis a alagamento são uma junção perigosa para a vida das pessoas. 

A Vila Apolônio, na zona Norte de Teresina, é um desses locais. Vanda Tavares já passou momentos de pesadelo com os filhos e o marido em dias de chuva onde mora. A casa, perto de uma lagoa, recebe uma grande quantidade de água que mina do solo e, por vezes, já deixou o imóvel todo alagado. Morar no lugar, para a família, é questão de necessidade. Com quatro filhos e apenas a renda do marido para custear todos os membros, pagar aluguel não é uma opção. 

Vanda Tavares já passou por momentos de pesadelo com os quatro filhos e o esposo. (Foto: Jailson Soares/O Dia)

“A gente não dorme direito nesse período chuvoso. Passo a noite acordada quando escuto um trovão. Só eu, Deus e meu marido sabe o que a gente já viveu”, explica. 

Em uma das chuvas do ano passado, Vanda, que ainda estava de resguardo do último filho que hoje tem 11 meses, teve de sair de casa às pressas por conta de um alagamento repentino. Ela ainda lembra das incontáveis vezes que, junto ao esposo, trabalhou em obras de reforço e proteção às chuvas. 

Na parte de trás da casa, onde iniciam os alagamentos, as obras de intervenção já começaram para o novo período chuvoso. Lonas, um pequeno muro de contenção e reforço no piso tentarão fazer com que, este ano, o pesadelo de ver a casa alagada não retorne a acontecer. 

De acordo com as análises climatológicas, o período chuvoso em Teresina ainda está dentro do esperado, sem precipitações tão elevadas.

“Estamos no começo da estação chuvosa, então as possibilidades de eventos de chuva intensa são variáveis, não podemos ter certeza absoluta. Mas já registramos precipitações de 34 milímetros de chuva até agora. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia temos um volume esperado de 1755 milímetros para o mês. Até agora, estamos dentro da média entre 50 e 55 milímetros”, explica Ewerton Costa. 

11 de janeiro de 2020

Período chuvoso em Teresina vira pesadelo para pessoas de rua

Período chuvoso em Teresina vira pesadelo para pessoas de rua

A chuva, apesar de celebrada por muitos, é motivo de preocupação para quem vive em áreas de risco e nas ruas

Quando João Anderson, 34 anos, vê o céu aderir a tons de azul mais forte e o vento soprar com mais constância, ele sabe: é dia de procurar abrigo que não sejam os das praças da cidade, locais que são, cotidianamente, seu local de perma­nência. Essa atenção é compartilhada por outras centenas de pessoas em situação de rua e, também, por quem mora em áreas de risco em Teresina. A chuva, nes­te período, apesar de muito celebrada por quem passa o ano todo sentindo os efei­tos do forte calor resistente na cidade, é motivo de preocupação para quem está suscetível por conta da mudança de tem­po. Uma situação que abarca uma parcela considerável da população.

Tem que ter cuidado para não adoecer, porque eu não tenho mais documentos e não posso ir ao hospital - João Anderson

O último levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Cidadania, Assis­tência Social e Políticas Integradas (Sem­caspi), por exemplo, mostra que o número de moradores de rua passou de 300 em 2017 para 500 em 2018, um aumento de 40%. Sem local fixo para estar, nos perío­dos chuvosos, essas pessoas aderem as mais diversas estratégias.

No caso de João, que é deficiente físico e leva em uma sacola os poucos bens que possui, a estratégia é ocupar uma casa abandonada na zona Leste da cidade. “Os períodos extremos são ruins para a gen­te, muita chuva ou muito calor atrapalha. Mas aí todo mundo dá um jeito. Eu e ou­tros colegas ocupamos uma casa abando­nada na zona Leste para se proteger nes­ses dias”, explica com naturalidade.

Há quatro anos morando na rua depois que problemas de dependência química e saúde o afastaram de casa, ele também destaca a suscetibilidade para as doenças que aparecem neste período. “Tem que ter cuidado para não adoecer, porque eu não tenho mais documentos e não pos­so ir ao hospital. Quando estou doente compro algum remédio na farmácia e tomo por conta própria”, diz em tom de resistência.

Outra situação que também coloca em alerta quem vive nas ruas são as descar­gas elétricas comuns a Teresina neste período. O climatologista Werton Costa explica que o fenômeno é comum em áreas urbanas.

“As descargas acontecem sobre alguns pontos que reúnem condições favoráveis, a quantidade de calor e o arranjo das cida­des é uma delas, por isso temos, em cidades médias e grandes, a tendência de acontecer essas descargas elétricas. Esses locais tem muito material construído e eles têm ten­dência em absorver muita energia radian­te. As nuvens, eletricamente carregadas, são estimuladas a despejar essas descargas sobre a cidade. Então principalmente para pessoas que não estão protegidas, que estão na rua debaixo de árvore, em campo, em locais sem isolamento, essas pessoas estão muito vulneráveis”, destaca o professor.

João intuitivamente sabe disso e, por isso, não se esquiva de segurança. En­quanto conversa, sentado em um banco da Praça da Bandeira, Centro de Teresi­na, ele destaca que aquele é dia de ir dor­mir na casa que, nesta temporada, o deixa melhor protegido.

O céu naquele dia não estava com sinais tão evidentes que poderia chover, mas pela expertise de quem aprendeu a ler sinais do tempo, João sabia da provável queda d’agua. Duas horas mais tarde, em Teresi­na, choveu.

Abrigos atingem capacidade máxima em dias de chuva

Em Teresina, mantidas pelo poder estadual ou municipal, algumas instituições funcio­nam para receber moradores de rua em regime de per­noite. No Centro da cidade, uma dessas casas, localizada na Rua Félix Pacheco, 1984, mantida pela Prefeitura de Te­resina, costuma ver seus leitos com a capacidade máxima de ocupação por conta do perío­do chuvoso.

Edson Araújo, gerente exe­cutivo da casa, explica que são ofertados 40 leitos no es­paço, mas que, em média, 80 usuários são atendidos a cada semana. “A rotatividade é um pouco alta, porque às vezes eles vêm um dia e depois não aparecem mais. Outras, pas­sam de três dias e se deslocam para outra cidade. Mas nota­mos que nos dias chuvosos, a capacidade costuma lotar”, esclarece.

No local, que atende ho­mens e mulheres, são ofere­cidos produtos para higiene e alimentação divididos em jantar, ceia e café da manhã. Para dar entrada, basta chegar ao local por volta de 16 horas e fazer a identificação e visto­ria simples – não é permitida a entrada de drogas ou armas.

Manoel Otávio Mendes, 32 anos, é de União, interior de Teresina, mas está na Capital atrás de emprego. O abrigo é uma opção para se proteger da chuva e manter as poucas mercadorias a salvo. “Já pas­sei várias noites na rua, mas é sempre bom estar em um lugar seguro. Às vezes, saio daqui de manhã cedo e vejo gente encolhida na rua, mo­lhada, sem nenhum cobertor, eu sinto pena, mas não posso fazer nada pra ajudar”, explica.

Foto: Jailson Soares. 

O abrigo também sente va­riação no número de usuários a depender do período do ano ou dia da semana. Aos do­mingos, o local costuma lotar, segundo o gerente executivo, muito pela pouca movimen­tação de comércio no Centro e incapacidade dos bicos para quem está em situação de rua. Da mesma forma acontece nos períodos de festividade de fim de ano que, com o cen­tro mais movimentado e as pessoas mais abertas para so­lidariedade, costuma deixar o abrigo esvaziado.

“De qualquer forma, funcio­namos de segunda a segunda. Muitas vezes tentamos, em conjunto com o Centro Pop (Centro de Referência Es­pecializado para População em Situação de Rua), buscar restabelecer os vínculos fa­miliares dessas pessoas, mas é algo muito difícil. Muitos tem família, mas por conta dos ví­cios e outros problemas estão impossibilitados de voltar”, fi­naliza Edson.

04 de janeiro de 2020

População jovem é a mais acometida com HIV/Aids

População jovem é a mais acometida com HIV/Aids

“Existem estudos que explicam que é a população que não chegou a ver pessoas debilitadas devido ao HIV/Aids na época que o tratamento não era eficaz"

A coordenadora municipal de IST/Aids, Alana Niége, revela que, desde 2018, as estatísticas apontam que a população jovem é a mais acometida pelas infecções sexualmente transmissíveis.

 “Existem estudos que explicam que é a população que não chegou a ver pessoas debilitadas devido ao HIV/Aids na época que o tratamento não era eficaz como temos atualmente. Vemos também que o uso do preservativo pelo público jovem não está sendo tão rotineiro, por isso levamos mais informação a essa população”, destaca.

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“Hoje, qualquer pessoa que faça sexo sem preservativo está vulnerável a ter uma infecção sexualmente transmissível. De 2015 a 2017, tivemos uma crescente bem significativa no número de mulheres com HIV. Alguns estudos dizem que isso pode estar acontecendo por fatores como a vulnerabilidade da mulher em frente ao marido; não usar o preservativo visto que tem um parceiro fixo; violência doméstica que também está aumentando. Essa vulnerabilidade feminina pode estar ajudando para o aumento de casos em mulheres”, ressalta.

Infecção não apresenta sintomas

O HIV não apresenta sintomas, por isso, todos que têm uma vida sexualmente ativa devem fazer o teste para garantir que não foram contaminados. “Quando falamos de HIV, estamos falando de infecção e não obrigatoriamente vai apresentar sintomas. Quem pedimos para procurar e realizar os testes? Qualquer pessoa que tem vida sexual ativa. O tempo de realizar o exame vai depender da forma de vida de cada paciente”, explica Alana Niége, coordenadora municipal de IST/Aids.

Se você se expõe mais ao sexo, deve fazer o teste pelo menos duas vezes ao ano ou a cada três meses. Mas se tem um parceiro fixo e uma vida sexual somente com aquela pessoa, o teste pode ser feito uma vez ao ano. Contudo, se você passou por uma situação de risco, apresenta diarreia crônica que está demorando muitos dias e não apresenta melhoras; infecções oportunistas; pneumonia que passou por tratamento e não curou e está com o sistema imunológico mais enfraquecido, deve realizar o teste.

“Mas não se deve esperar ter esses sintomas para realizar o teste de HIV. A janela imunológica é o tempo que a pessoa precisa, desde o tempo que ela se infectou até fazer o teste, que são de 30 dias. Alguns casos levam até três meses para que a gente consiga identificar”, conclui.


A coordenadora municipal de IST/Aids, Alana Niége, revela que, desde 2018, as estatísticas apontam que a população jovem é a mais acometida. Assis Fernandes

Teste rápido dá resultado para HIV em apenas 30 minutos

O diagnóstico de HIV é feito através de um teste simples, rápido, gratuito e seguro; é feito pela polpa digital e leva apenas 30 minutos para sair o resultado. Se for diagnosticado com HIV, seja na Atenção Básica, em campanha ou unidade hospitalar, o paciente é encaminhado para as unidades de referência para quem reside em Teresina, que fica no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) do Hospital Lineu Araújo, nos turnos manhã e tarde.

O local dispõe de enfermeiros e médicos infectologistas capacitados para dar o andamento e monitoramento daquele paciente. Ele cria um vínculo com aquele serviço, frequentando o SAE durante toda a vida por conta do uso da medicação.

Já o Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela é mais voltado para as pessoas que residem em outros municípios do Piauí e também dispõe de profissionais capacitados para realizar o teste e acolhimento. No Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), esse teste acontece de segunda a sexta-feira, nos turnos manhã e tarde, somente não funciona aos finais de semana.

O Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA Estadual) fica localizado na Rua 24 de Janeiro, 124, 2º andar, Centro/Norte. O telefone para contato é (86) 3216- 2046.


O diagnóstico de HIV é feito através de um teste simples, rápido, gratuito e seguro. Assis Fernandes

Tratamento

Se for diagnosticado com HIV, o usuário recebe sua medicação na unidade de referência, faz exames complementares e é acompanhado durante toda sua vida. O tratamento é uma terapia antirretroviral, que antigamente chamava de coquetel, já que o paciente tomava vários comprimidos. Hoje, com o advento da medicina e atualização das medicações, esse medicamento se resume a um ou dois comprimidos.

“Quem vai escolher a medicação que o paciente vai fazer é o médico infectologista que está fazendo o acompanhamento. Hoje não se tem mais os efeitos colaterais como antigamente, que era o que fazia com que as pessoas abandonassem o tratamento.

O medicamento dolutegravir foi um grande ganho para os pacientes com HIV/Aids, pois é uma medicação extremamente eficaz, que consegue reduzir a carga viral a um nível indetectável, ou seja, a pessoa não está curada, mas a carga viral diminui tanto no organismo que inviabiliza a transmissão para outra pessoa.O tratamento também é uma medida de prevenção, pois diminui os riscos de transmissão”, disse Alana Niége.

Aconselhamento com psicólogo auxilia no diagnóstico da doença

Além dos métodos preventivos, ao procurar o Centro de Testagem e Aconselhamento Estadual (CTA) para realizar o teste de HIV e Aids, o paciente vai ter direito a dois apoios psicológicos: no pré-teste, feito para preparar a pessoa e informando sobre as ISTs, e no pós-teste, o momento da entrega do resultado, sendo ele positivo ou negativo.

 Laiane Lopes é psicóloga e trabalha no Centro de Testagem e Aconselhamento Estadual (CTA) há 10 anos. A profissional explica que, ao atender o paciente, ela busca saber quais informações já tem sobre sexualidade e as prevenções e, a partir disso, tirar as dúvidas e investigar o que traz a pessoa a ir fazer o teste.

“O profissional tem que estar pronto para ouvir, acolher a pessoa com a demanda e as peculiaridades dela, respeitar a forma de vida e a sexualidade sem juízo de valor. Quando a pessoa vem fazer o teste, ela vem por algum motivo e a gente vai esclarecer sobre os possíveis resultados”, diz Laiane Lopes.


Laiane Lopes explica que, ao atender o paciente, ela busca saber quais informações já tem sobre sexualidade e as prevenções. Assis Fernandes

De acordo com a psicóloga, ainda existe muito preconceito em relação às pessoas portadoras do vírus do HIV e da Aids. Muitos não sabem como a infecção é transmitida. Existe até os dias atuais o receio de sentar na mesma cadeira das pessoas que têm HIV, de comer com o mesmo talher. Então, o seu papel, segundo Laiane, é desmistificar estes estigmas, pois é possível conviver com a pessoa que tem o vírus, ela só precisa controlar através de medicamento e usar o preservativo para se proteger.

“O HIV não é mais sinônimo de morte, a gente diferencia o vírus da síndrome, nem todo mundo que tem HIV vai ter Aids. E vamos mostrar para a pessoa que, para evitar isso, as ações estão nas mãos delas, ou seja, a boa adesão ao tratamento, o uso dos insumos de prevenção como: preservativo masculino, feminino, gel lubrificante, pois isso lhe protege de outras doenças”, afirma Laiane Lopes.

 Entretanto, algumas atitudes podem atrapalhar no tratamento como: negação, a pessoa não faz corretamente o uso dos medicamentos; há os que acreditam que não tem a infecção e que o exame está errado e refaz várias vezes; o desconhecimento sobre os sintomas e as estimas que a pessoa trás sobre o HIV.

PrEP e PEP: prevenção além do preservativo contra HIV/Aids

PrEP e PEP: prevenção além do preservativo contra HIV/Aids

Esta ainda não é uma medicação aberta à população em geral, como recomenda o Ministério da Saúde.

O preservativo é o carro chefe na prevenção do HIV/Aids por ser o método mais simples, eficaz e que protege também contra outras ISTs além de gravidez indesejável. Todavia, existem outras formas de prevenção como a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) e a PEP (Profilaxia Pós- Exposição).

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“Podemos comparar a PEP como a pílula do dia seguinte, que é uma medicação antirretroviral em 28 comprimidos que deve ser iniciada até 72 horas após uma exposição de risco, ou seja, uma relação sexual sem preservativo. Essa é uma medida de urgência e não exime o uso da camisinha.O paciente precisa passar por uma entrevista para analisar se esse usuário está apto ou não a realizar essa profilaxia”, explica Alana Niége, coordenadora municipal de IST/Aids. Além da PEP, também existe a PrEP, que é uma medida de pré-exposição. 

Esta ainda não é uma medicação aberta à população em geral, como recomenda o Ministério da Saúde. Inicialmente, era voltada para o  grupo mais vulnerável, sendo tomada diariamente e no mesmo horário para proteger contra o vírus HIV. Porém, a pessoa também deve fazer uso da camisinha, já que a PrEP só protege contra esse vírus.

“O temor maior ainda continua sendo a Aids, mas não podemos esquecer que estamos vivendo um período sensível com relação à Hepatite B, gonorreia, clamídia e sífilis, que também são Infecções Sexualmente Transmissíveis. E esta última vem com os números aumentando bastante. A sífilis é uma doença silenciosa, mas, apesar de ter cura, estamos tendo uma dificuldade de abarcar essa população por conta da não procura da realização do teste rápido”, fala Alana Niége.

Paciente usando medicação, descuidou do uso do preservativo e contraiu sífilis

O estudante Henrique*, de 24 anos, não tem parceiro fixo, mas busca usar preservativos em suas relações sexuais. Porém, após alguns descuidos, ele teve que fazer o uso da PEP por duas vezes. E há cinco meses, faz o tratamento com a PrEP para reforçar a prevenção

Henrique lembra que algo que o incomodava era a questão de que, quando usava o preservativo, acabava estourando e ele ficava muito apreensivo. Ao procurar o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), foi recomendando que ele iniciasse o tratamento da PrEP para reforçar a prevenção do HIV, juntamente com o uso do preservativo.

“Eu sempre tive comigo de fazer exames periódicos a cada 30 dias no início (das relações sexuais) e, recentemente, por conta da medicação (PrEP), a cada 15 dias. Porque como eu confio muito na medicação para prevenção do vírus HIV, eu acabo fazendo relações sem proteção do preservativo. E reconheço, por ser uma pessoa bem estruída, eu sei que é errado”, confessa Henrique.

Mesmo possuindo informações sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis e se prevenindo com medicação contra HIV e Aids, Henrique adquiriu a sífilis, que é uma infecção curável causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode apresentar várias manifestações clínicas e diferentes estágios: sífilis primária, secundária, latente e terciária.

“Por confiar na PrEP como prevenção do HIV eu estava vulnerável a contaminação de outras doenças e, infelizmente, eu contraí a sífilis, que a medicação não inibe. Mas imediatamente eu procurei o tratamento na Unidade Básica de Saúde e já terminei o tratamento, agora vou fazer outros exames de rotina. E mesmo com o tratamento da PrEP não deixo mais de usar preservativo, pois um complementa o outro contra infecções”, afirma.

Em relação aos efeitos colaterais dos dois métodos farmacêuticos, o acadêmico diz que só sentiu tontura nas primeiras semanas ao ingerir o PrEP. Após dois meses de uso, não teve mais nenhum sintoma.

*Henrique é um nome fictício para preservar a identidade do entrevistado.

Aids: luta para desmistificar a infecção sexualmente transmissível

Aids: luta para desmistificar a infecção sexualmente transmissível

HIV e Aids: entenda a diferença e como se prevenir

“Eu fui diagnosticado com Aids em julho de 2018; adquiri por meio do sexo sem uso de preservativo. Quando eu descobri, já estava no quadro da Aids. A minha reação ao saber foi o medo de morrerporque o que eu ouvia falar sobre Aids era aliado a Cazuza pessoas que morrem em decorrência da doença, e eu não estava preparado para a notícia. Mas eu saí muito rápido do luto para a luta”. Este relato é do jornalista maranhense e influencer digital, Francisco Garcia (@fgnico)que, aos 27 anos, descobriu que tinha Aids.

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 Após o diagnóstico, ele pediu demissão do emprego, adesivo o carro e saiu pelo Brasil fazendo palestra educativas em escolas, praças públicas e presídios sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)Francisco Garcia já viajou por 12 estados, passando por 450 cidades e palestrou para quase 100 mil pessoas. A sua história de superação se tornou exemplo para jovens que, assim como ele, não tiveram informações sobre as ISTs na adolescência. Além disso, as suas redes sociais, que possuem mais de 260 mil seguidores, se tornaram uma ferramenta de aproximação com a população.

“Eu decidi tornar público porque eu não tinha referência de pessoas que viviam de HIV ou com Aids de forma saudável. E poucas eram as pessoas que eu conhecia que falavam abertamente sobre isso. Então, eu decidi me tornar essa referência, porque eu não tive educação sexual em casa, na escola e eu quis me tornar essa porta aberta para muitos jovens que têm dúvidas e querem saber mais sobre o assunto”, conta Francisco Garcia.

Atualmente, o jornalista faz tratamento diário da Aids com dois comprimidos que o tornam indetectável, ou seja, ele não transmite o vírus do HIV por via do sexo e leva uma vida saudável, fazendo uso do preservativo e de medicação. Todavia, Francisco acredita que no país ainda há muito a se fazer em relação à conscientização das ISTs e a principal ferramenta é o diálogo dentro de casa, na escola e nos espaços públicos.

“Nós continuamos muito atrasados, o preconceito continua sendo um dos maiores problemas para quem convive com vírus do HIV e a Aids no Brasil. Ainda não há o diálogo como se deveria e pouco são os incentivos. A gente não vê políticas públicas voltadas para implantar uma matéria na escola, ou que o diálogo aconteça com mais frequência”, conclui.

HIV e Aids: entenda a diferença e como se prevenir

“Hoje não chamamos mais de Doença Sexualmente Transmissível (DST), mas sim de Infecção Sexualmente Transmissível (IST), pois, a exemplo do HIV/Aids, na maioria das vezes não há nenhuma sintomatologia. Então, se você não tem nenhum sinal e sintoma, isso não se trata de uma doença, mas sim de uma infecção. Por isso a mudança da nomenclatura”, explica Alana Niége, coordenadora municipal de IST/Aids da Fundação Municipal de Saúde (FMS).

Mas, você sabe a diferença entre HIV e Aids? Elas são bem distintas. A infecção pelo HIV não quer dizer que você está com Aids, mas que você convive com o vírus. “Se fizer o tratamento, tomar a medicação e ter acompanhamento com o infectologista, você não vai virar um caso de Aids, ou seja,não vai adoecer e precisar de uma internação”, explica Alana Niége.

Desde 2014, a infecção por HIV é considerada uma doença de notificação. Assim, automaticamente, esse paciente já entra no sistema e dá início à sua terapia retroviral, que é a medicação. Desta forma, o paciente terá uma vida saudável como qualquer outra pessoa que não convive com o vírus HIV.

E por que, mesmo com várias campanhas, os números de casos de HIV/Aids têm crescido? A coordenadora municipal comenta que, desde 2015, vem aumentando a detecção desta doença em todo o Brasil, vez que o diagnóstico vem sendo descentralizado e expandido.


HIV e Aids: entenda a diferença e como se prevenir. Foto: Assis Fernandes

“Fazemos esse diagnóstico em campanhas nas ruas, praças, parques, nos centros de testagens e aconselhamento, onde são atendidos esse público considerado vulnerável, como travestis, transexuais, pessoas em situação de rua, homens que fazem sexo com homens.Todos podem se dirigir ao CTA para que seja diagnosticado, pois quanto mais cedo, menos casos de Aids teremos no sistema, porque as pessoas não chegam a adoecer”, disse.

Alana Niége enfatiza que as campanhas preventivas são feitas durante todo o ano e inicia ainda nas prévias carnavalescas, em blocos, bares e clubes. Durante o carnaval, duas equipes trabalham de forma volante distribuindo material de prevenção, que são os preservativos masculinos, femininos e o gel lubrificante, além de distribuírem material informativo.

“Vamos também nas instituições privadas e públicas. Levamos campanhas de testagens para empresas, parques e fazemos testagem para aquela população que não tem tanto acesso. Também estamos treinando todas as equipes das Unidades Básicas de Saúde para que esse teste rápido, que te dá o resultado em 30 minutos, seja feito também nas UBSs. Algumas já fazem, mas queremos ampliar para todas as unidades”, acrescenta.

Tabu prejudica doações de órgãos no Piauí, afirma coordenadora

Tabu prejudica doações de órgãos no Piauí, afirma coordenadora

No Estado, ainda há muitas manifestações pela não doação, sobretudo por falta de conhecimentos legais sobre os procedimentos.

O processo de doação de órgãos ainda é visto pelos piauienses como tabu. No Estado, ainda há muitas manifestações pela não doação, sobretudo por falta de conhecimentos legais sobre os procedimentos. É o que informa a médica e coordenadora do sistema de transplantes no Piauí, Maria de Lourdes de Freitas Veras.

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“Quando a família não tem conhecimento prévio, ou acredita que não teve o bom atendimento que o ente querido deveria ter, ela se manifesta pelo não. Por isso, temos que fazer um atendimento assistencial de excelência na emergência, porque todo processo de doação de órgãos é regulamentado por lei federal e tudo que é feito segue um protocolo predeterminado.Desde o início da notificação de um potencial doador na unidade terapia intensiva (UTI) até o seguimento pós-transplante, a gente acompanha o passo a passo”, diz Lourdes de Freitas. 

A médica descreve que os potenciais doadores são pessoas jovens vítimas de mortes violentas, como acidentes; são pessoas sadias que tiveram sua vida tirada por uma fatalidade ou hemorragias intracranianas, onde se tem problemas no cérebro, mas os órgãos estão íntegros.


Tabu prejudica doações de órgãos no Piauí, afirma coordenadora. Fotos: Assis Fernandes

“Uma vez dada entrada na terapia intensiva e na grande urgência, havendo o diagnóstico de morte encefálica, os médicos têm por obrigação no Brasil de informar a família, independente de doação. São dois exames clínicoscom dois médicos diferente e, no país, ainda é feito o exame complementar gráfico, você tem que provar que o cérebro está morto, para não ter dúvida”, explica Lourdes de Freitas.

Segundo a coordenadora, após o diagnóstico, os médicos estão autorizados a assinarem o atestado de óbitoem seguida a família tem o direito de se manifestar e decidir sobre doar ou não os órgãos.

“Após a aprovação da família, começa uma corrida contra o tempo, porque após a morte encefálica, todos os órgãos começam a entrar em deterioração. Temos que ter leito de terapia intensiva, ventilação para ter oxigenação no pulmão, nas células, medicamentos para manter a pressão arterial, o coração funcionando, porque eu tenho que fazer exames antes da retirada desses órgãos. Uma vez que os exames sorológicos são negativospartimos para os exames imunológicos para procurar compatibilidade, com profissionais que trabalham 24 horas. E tendo em mente que quanto menos tempo eu levo neste processo, eu aumento a viabilidade do órgão, tudo tem que ser feito com muita agilidade”, afirma Lourdes de Freitas.

Excesso de medicamentos pode causar cirrose crônica

Excesso de medicamentos pode causar cirrose crônica

Este relato é da professora doutora Edite Maria de Morais Malaquias. Há 5 anos, ela é transplanta de fígado.

“A doação de órgão é importantíssima. Se eu não tivesse feito o transplante, eu já estava do outro lado. Hoje continuo dando aula, viajando, todo mundo deveria deixar um documento dizendo ‘eu sou doador de órgão’”. Este relato é da professora doutora Edite Maria de Morais Malaquias. Há 5 anos, ela é transplanta de fígado. Ela precisou fazer o procedimento aos 59 anos, após descobrir uma cirrose causada pelo consumo em excesso de medicamentos.

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Edite lembra que começou a ter sangramentos vaginais, que não eram comuns em sua idade. Ao se consultar com vários médicos, teve um especialista que a indicou procurar uma doutora que trabalhava com transplantes e pessoas com problema no estômago.

“A médica pediu uma ultrassonografia e disse que eu tinha cirrose crônica, e eu disse que não bebia. Mas ela informou que poderia ser de medicamento, porque sou diabética e hipertensa, mas a gente nunca está preparada. Um dia, eu cheguei com os exames e ela disse ‘a senhora está pronta para fazer o transplante’ e eu me assustei. Mas Deus me preparou, eu não me desesperei, liguei para a minha família e começamos os processos”, conta Edite Malaquias.

A especialista indicou à professora que fosse para o Ceará realizar todos os procedimentos exigidos. Mas por ter familiares em Recife, todo processo de exames e acompanhamento mensal para poder receber o novo fígado aconteceu na cidade. Neste período, Edite estava cursando doutorado e, portanto, afastada das atividades na universidade em que trabalha.

Outro ponto que favoreceu o rápido transplante da docente foi uma crise de encefalopatia, uma doença causada por substâncias tóxicas normalmente eliminadas pelo fígado, que se acumulam no sangue e chegam ao cérebro. 

“Eu comecei a surtar, ter crise, olhava para as pessoas e não conhecia, só lembrava da minha família. Tive uma crise no dia da consulta e o médico se assustou porque não conseguia me dar injeção. Depois disso, fui para o grupo dos mais graves e só tinha uma moça na minha frente, justamente a que me doou o fígado, porque ela tem um problema hereditário que o fígado dela, aos 30 anos, não serve mais para o corpo dela”, descreve.

Edite e a sua doadora ficaram no mesmo quarto no dia do transplante. Sua cirurgia durou mais de sete horas. Após o procedimento, a docente ficou irreconhecível, pois todo o seu corpo ficou inchado.

“Senti dores na coluna, nunca senti nada na barriga. E em todo momento tinha fé em Deus que iria ficar boa, eu nunca chorei, me desesperei. Eu sentia que não estava só, minha família foi maravilhosa. O pior foram as crises, nem a calcinha eu acertava tirar, horrível, não desejo pra ninguém, minha crise demorava dois dias, no máximo. Mas estou bem, até morrer vou tomar quatro comprimidos todo dia, e tenho que fazer exames periodicamente e levar para ao médico”, conclui Edite Malaquias.

Brasil tem o 2º maior volume de transplantes no mundo

Brasil tem o 2º maior volume de transplantes no mundo

O país é referência mundial na área de transplantes na rede pública por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), que financia cerca de 96% dos procedimentos.

O Brasil é referência mundial na área de transplantes na rede pública por meio do SUS (Sistema Único de Saúde), que financia cerca de 96% dos procedimentos no país. Em números absolutos, o Brasil tem o segundo maior volume de transplantes no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, conforme dados do Ministério da Saúde. A rede pública oferece a assistência integral e gratuita, incluindo os exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante.

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A coordenadora da Central de Transplantes do Piauí, Lourdes Veras, explica que no início de 2001, quando o Ministério da Saúde firmou parceria com as companhias aéreas, o Piauí ainda tinha o apoio de empresas conveniadas pelo SUS, tendo o Estado realizado naquele ano 17 transplantes de coração bem sucedidos.

Depois disso, apenas o Hospital Getúlio Vargas assumiu esta função, mas não conseguiu mais dar conta da demanda e o Estado deixou de realizar este tipo de procedimento.

“Temos perspectiva futura para podermos transplantar outros órgãos, mas precisamos melhorar a infraestrutura”, afirma a coordenadora da Central. Ainda segundo Lourdes, a indústria farmacêutica evoluiu e hoje já existem medicamentos que diminuem muito o número de rejeição do órgão transplantado pelo corpo. O rim, segundo ela, é o que mais tem grau de rejeição. Já o fígado tem um período pós-operatório muito grande, no entanto, é raro haver rejeição nos casos.

“No Brasil, são doados coração, rim, pâncreas, fígado, intestino, córnea, pele, que geralmente tira a pele do dórico e atrás dos membros inferiores; osso do fêmur, tíbia, vasos e tendões. Na Europa, transplante composto, mãos, face, pé. É importante dizer ainda que, quando se indica o transplante, é porque é o último estágio da pessoa, não há mais possibilidade de outros tratamentos”, finaliza a médica.

A coordenadora da Central de Transplantes do Piauí, Lourdes Veras, afirma que Piauí já fez 17 transplantes de coração bem sucedidos. Assis Fernandes

Como ser um doador de órgão

No Brasil, foi assinado em 2017 um decreto onde retira a doação presumida de órgãos do RG, desde então, a família passou a ser a responsável por autorizar o ato. Na doação presumida, todo brasileiro que não registrasse sua vontade na identidade afirmando “não ser doador de órgãos e tecidos”, era um doador em potencial.

“Quando foi promulgada a lei para regular os transplantes, o Brasil quis copiar o modelo dos países em que mais se realiza transplantes, mas eles têm uma cultura diferente, só que no Brasil nós não estamos preparadosnosso sistema não tem assistência de qualidade”, conta médica e coordena o sistema de transplante no Piauí, Maria de Lourdes de Freitas Veras.

Portanto, é importante dialogar com a família, sobre o desejo de ser um doador, pois, pela legislação brasileira, não há como garantir efetivamente a vontade do doador, mesmo se for registrada em cartório, não terá validade.

Mais de 500 pacientes estão na fila de espera por doação de órgão no Piauí

Mais de 500 pacientes estão na fila de espera por doação de órgão no Piauí

Transporte aéreo garante recebimento de órgãos a quem precisa de transplante no Estado.

No Piauí, há 504 pacientes classificados como potenciais recebedores de órgãos transplantadosSão 388 ativos na lista de espera por córnea 136 ativos na lista de espera por um rim (dados de dezembro de 2019). No entanto, os números são bem superiores ao que de fato se recebe de doação. Segundo a Central de Transplantes do Piauí, já existem feitas 71 doações de córnea e rim e as doações de múltiplos órgãos não ultrapassam quatro.

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O Estado realiza apenas os procedimentos de transplantes de córnea e rins, já tendo feito 105 de córnea e 19 de rim. Demais órgãos, como fígado e coração, são apenas retirados aqui, no caso de doações, e encaminhados para transplantes em outros estados.

Para garantir a agilidade no transporte destes órgãos, que possuem um reduzido tempo de vida fora do corpo, os hospitais contam com o apoio das companhias aéreas comerciais brasileiras. Pela lei, elas não são obrigadas a transportar órgãos de transplante. O trabalho é voluntário e gratuito, mas garante que pacientes em listas de espera de todo país possam contar com doações de todos os estados brasileiros, o que pode reduzir o aguardo pela realização do procedimento.

Dentro do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), órgão do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), há representantes da Central Nacional de Transplantes (CNT) exclusivamente designados para acompanhar esse processo de retirada, transporte e recebimento de órgãos no país.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), a cada ano, cerca de 9 mil órgãos e tecidos doados chegam a tempo aos pacientes graças à agilidade do transporte aéreo. Só em 2018, foram transportados pela malha aeroviária brasileira 5.198 órgãos. Em 2017, esse número chegou a 9.160. A aviação civil realiza mais de 80% destes transportes por via aérea para transplantes. Os outros 20% correspondem a casos excepcionais em que empresas não operam nos locais de destino e esse transporte acaba sendo feito por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e aeronaves estaduais ou particulares.

  

Adrian Alexandri diz que aeronaves transportando órgãos têm prioridade no pouso e na decolagem em todos os aeroportos. Foto: Assis Fernandes

Adrian Alexandri, representante da Abear, explica que as aeronaves que transportam órgãos para transplante são as mesmas que levam e trazem passageiros por toda a malha aeroviária brasileira. No entanto, elas possuem prioridade no pouso e na decolagem em todos os aeroportos do país. 

“Sempre que há uma distância muito grande, a Central é acionada e o primeiro voo de uma companhia comercial que sair daquele local recebe o órgão, se não tiver um avião da FAB para transportar. Ele vai numa caixa, normalmente junto com o piloto. Nessa caixa, vão um documento contando o nome do médico que assinou a retirada do órgão e o hospital para onde ele vai”, explica Alexandri.

Ele comenta que o fato do Brasil ser um país de dimensões continentais não dificulta a agilidade do transporte. Segundo o representante da Abear, quando um órgão é retirado e precisa ir para outra cidade ou estado, ele é colocado no primeiro voo que sai para aquele destino ou na aeronave que tenha o menor e mais rápido trajeto de modo.

02 de janeiro de 2020

Não negligenciar saúde mental é fundamental para qualidade de vida

Não negligenciar saúde mental é fundamental para qualidade de vida

Para 2020, o não negligenciamento da saúde mental é fundamental para a garantia de uma sociedade com mais qualidade de vida.

Falar sobre saúde mental, depressão, ansiedade e suicídio exige cuidados, mas os temas não podem ser deixados de lado, sobretudo em um cenário de crescimento dos casos de suicídio e diagnósticos de doenças psíquicas em todo o mundo. 

De acordo com especialistas, a dificuldade existe porque há estigmas e pouca compreensão da sociedade dando margem, com frequência, a visões que carregam preconceito

Muitas vezes, o tabu interdita a circulação da informação, o que é importante para evitar novas ocorrências de suicídio. Para 2020, o não negligenciamento da saúde mental é fundamental para a garantia de uma sociedade com mais qualidade de vida. 

“A maior parte das pessoas negligenciam sua saúde mental e acabam cometendo um grande erro, porque não existe saúde sem a saúde mental. Elas buscam auxílio no consultório de psicologia quando estão em grande sofrimento psíquico e fisiológico, devido elas não conseguirem mais se adaptar a sua rotina ou pela frustração de não conseguirem desenvolver suas atividades de vida diária. Isso não pode ser sempre deixado de lado”, alerta a psicóloga Maria Claudineia. 

Os sintomas de alerta para saúde mental são muitos e podem ser percebidos quando se manifestam não só o desgaste mental, mas também falta de concentração, dificuldade para dormir, constante tensão, nervosismo, medo de que aconteça coisas ruins, falta de energia, irritabilidade e perda de interesse pelas atividades que antes eram prazerosas.

 “A organização mundial de saúde alerta que a saúde precisa ter englobada a qualidade de desenvolvimento psíquico, físico e social, algo bem complexo porque nem todos têm esses fatores facilitados, mas é imprescindível que possamos buscá-los ainda mais neste novo ano, depois de tantos acontecimentos impactantes vivenciados coletivamente Brasil a fora”, avalia a especialista. 

A prevenção ao suicídio, por exemplo, deve ser estabelecida por meio de uma abordagem educativa e reguladora, com o objetivo de evitar hábitos que possam favorecer o aparecimento de transtornos mentais. 

Segundo a psicóloga, a prevenção pode ser feita através de campanhas de saúde pública, levando informações à comunidade e lembra que o tratamento adequado de certos transtornos mentais e comportamentais podem reduzir os índices de suicídio, sejam essas intervenções orientadas para indivíduos, famílias, escolas ou outros setores da comunidade em geral. 

“Atualmente a depressão e ansiedade são os transtornos que mais levam as pessoas a buscarem atendimento clínico em psicoterapia. Vários fatores contribuem para o estabelecimento dos quadros citados. Alguns estão estabelecidos na genética do paciente e são potencializados por contextos ambientais e comportamentais. Por isso, é muito importante, desde muito cedo, trabalhar com as crianças as habilidades para lidarem com suas questões emocionais, ajudá-las com as interações sociais e ensiná-las modelos positivos de solução de problemas”, finaliza.

Teresina deve rever verticalização e aproveitar melhor as vias

Teresina deve rever verticalização e aproveitar melhor as vias

Bons locais de moradia, saneamento básico, iluminação, interligação de modais são itens que devem receber total atenção do poder público na área do planejamento urbano.

A garantia de uma boa mobilidade urbana é fundamental para melhorar a qualidade de vida da população das grandes cidades. Mas não só ela. Bons locais de moradia, saneamento básico, iluminação, interligação de modais são itens que devem receber total atenção do poder público na área do planejamento urbano

E são esses aspectos que o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Piauí (CAU/PI), Welligton Camarço, destaca como critérios que devam considerados para a estrutura da cidade neste ano de 2020. A mobilidade, sem dúvidas, deve ganhar especial atenção. Para Camarço, há morosidade nos avanços desta área em Teresina

Welligton Camarço, destaca como critérios que devam considerados para a estrutura da cidade neste ano de 2020. (Foto: Elias Fontenele/O Dia)

“Tudo ficou acomodado pela facilidade que Teresina dar, por ser uma cidade plana e por muito tempo não ter grandes problemas no tráfego; então, as políticas públicas para este setor demoraram a chegar. Agora, por exemplo, foram criadas novas grandes vias sem as devidas faixas para ciclistas, os prédios públicos e privados não estão preparados para receber o trabalhador com este modal. É fácil ver um grande engarrafamento e encontrar uma pessoa por carro; não temos política de carona, de sermos mais generosos com o outro. São coisas que precisam mudar”, afirma.

A grande extensão territorial de Teresina também impõe desafios. Isso porque à medida que as cidades vão crescendo, existe um efeito de espalhamento das atividades ao longo do território e isso faz com que as distâncias percorridas pelas pessoas, para atender às suas necessidades de trabalho, educação, compras, lazer, fiquem cada vez maiores. Com a cidade mais “espalhada”, fica mais difícil atender a essas necessidades a pé, de bicicleta ou com o transporte público. 

Essa, inclusive, é a principal razão dos problemas de mobilidade que se enfrenta hoje no Brasil: o crescimento desordenado das cidades, em um modelo de desenvolvimento que estimulou, por muito tempo, o uso do carro. E segundo o presidente do CAU/PI, Teresina é a maior Capital em termo de área urbana do Nordeste. São mais de 45 km do extremo norte ao extremo sul possíveis de serem percorridos. 

“Para se ter uma ideia, Fortaleza e Recife, juntas, cabem dentro do perímetro de Teresina. Então temos de tentar verticalizar a cidade, aproveitar os vazios urbanos e a Prefeitura está buscando isso, em não permitir que o perímetro urbano da cidade cresça e, assim, reduzir custo de transporte, infraestrutura. A verdade é que Teresina precisa passar por uma revolução de verticalização e aproveitamento de suas vias”, atesta. 

Inthegra

O Inthegra, sistema de transporte público de Teresina, já mostra os primeiros resultados do aproveitamento das vias. A conclusão total do sistema, implementado há um ano e meio, está prevista para o mês de janeiro deste ano. No entanto, para Welligton Camarço, a integração dos ônibus não é suficiente. “Estamos vivendo um ajuste de um modal que é o ônibus. E a bicicleta, o metrô, o barco? Teresina tem potencial para todos estes outros modais, mas ainda estamos focando apenas em um. Não damos o devido valor aos nossos rios e a potencialidade do transporte fluvial. Temos que entender que o transporte público não é só para o pobre andar, é para todos andarem. Então, a gente percebe que é um bom primeiro passo o Inthegra, mas está longe de considerar que é uma transformação de transporte público em Teresina”, conclui.

Perspectiva 2020: Com mudanças, setor econômico tem boas expectativas

Perspectiva 2020: Com mudanças, setor econômico tem boas expectativas

Entre os desafios estão responder a aspectos como taxa de desemprego, volume de exportação, inflação, taxa de juros e finanças públicas.

A economia brasileira está se recuperando de forma lenta. No entanto, uma série de mudanças implementadas pela gestão econômica do governo Bolsonaro tentam garantir, para este ano de 2020, um fôlego a mais no setor. Entre os desafios estão responder a aspectos como taxa de desemprego, volume de exportação, inflação, taxa de juros e finanças públicas.

Todavia, entre todos os problemas, o desemprego ainda é um dos que mais impactam negativamente a população. Em 2019, o tema foi apresentado diante das apurações oficiais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,4 milhões de pessoas estão sem emprego no Brasil. 


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A taxa de desocupação no país fechou o trimestre encerrado em novembro em 11,2%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE. 

O estudo, divulgado no último dia 27 de dezembro, considera desocupadas as pessoas que estão sem emprego, mas que buscaram efetivamente um trabalho nos 30 dias anteriores à coleta dos dados. O levantamento aponta que 11,9 milhões de pessoas compõem a população desocupada.

Para o advogado e professor Antônio Cláudio da Silva, muitos aspectos têm de ser considerados para, de fato, a geração de empregos e o realinhamento da economia brasileira consigam avançar. Para o especialista, os passos certos estão sendo tomados.

“O governo precisava reduzir a dívida pública, a previsão de chegar até o fim do ano era de R$ 156 bilhões, vamos chegar com R$ 120 bilhões. Então, o governo se empenhou em aprovar a Reforma da Previdência e ela gera uma dívida fiscal imensa, mas que, com a Reforma, a dívida fiscal foi jogada pra dez anos à frente. O governo vai ter dez anos pra poder se reorganizar. A partir deste trabalho sinalizou para o mercado uma segurança econômica e uma segurança jurídica”, destaca. 

Segundo o especialista, agora as pessoas começaram a ter mais interesse em fazer investimentos. Ele pontua como positivo o fato de alguns investidores estrangeiros terem voltado para o Brasil, a finalização da privatização da gestão de alguns aeroportos, a realização de leilões das áreas da Petrobras. 

“Na economia, você não consegue fazer algo e ter resultado imediato. É uma coisa que você vai pontualmente fazendo e os resultados vão aparecendo gradualmente. A taxa de juros foi baixando, a dívida pública vai reduzindo, com isso, sobra um pouco mais de dinheiro para investir na economia. Uma área que já cresce muito é a construção civil, o PIB estava com previsão de fechar com 0,9% e já estávamos falando 1,23%. Então todas essas iniciativas começaram a refletir na economia, a forma como o governo está trabalhando está no caminho economicamente correto. O que nós precisamos agora é mais dinheiro circulando na economia”, considera. 

Em termos de ocupação, o ano de 2019 sai, agora, com crescimentos sucessivos da população ocupada. Em novembro, foram 94,4 milhões de pessoas ocupadas com várias atividades absorvendo trabalhadores, como indústria, comércio, serviços.

Classes sociais

No entanto, apesar dos avanços, para os mais pobres, as transformações demorarão a serem sentidas de fato. O professor Antônio Cláudio lembra que a gestão de um governo liberal prioriza a classe média. “Temos que ver se o governo equilibra as contas públicas para depois pressionar esse governo a investir nas classes C, D e E”, resume.

Projeção FGV

Outro importante destaque está nos apontamentos do relatório publicado no dia 20 de dezembro pelo Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas). A expectativa do Instituto é que o desempenho da atividade econômica quase dobre em 2020 em relação ao ano que terminou na terça-feira (31), com um crescimento de 2,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020. A projeção feita pelo tradicional Boletim Macro, lançado todo mês, tem como base a perspectiva de melhora no cenário externo e por uma expansão do crédito no Brasil. Os economistas do Ibre também esperam que uma melhora nos setores de extração mineral e agropecuária ajudem a puxar a economia brasileira no próximo ano. O texto fala em “otimismo moderado”.

31 de dezembro de 2019

Receio de cortes atormentaram universitários

Receio de cortes atormentaram universitários

No primeiro semestre, o presidente Jair Bolsonaro anunciou cortes nos orçamentos das universidades federais

No primeiro semestre de 2019, após quatro meses de vigência do novo governo federal, a equipe do presidente Jair Bolsonaro anunciou cortes nos orçamentos das universidades federais. As instituições, corpo docente e discente permaneceram em alerta, sob o risco de verem comprometidos seus serviços, suas atividades e produções acadêmicas.


Relembre

Luziário Silva, o Luze, estava na expectativa de chegar ao patamar de 60% de seu curso superior concluído em 2019. Vindo de uma família de baixa renda do interior do Maranhão, o jovem necessitava de auxílio estudantil para manter os estudos e suas demandas básicas na capital do Piauí, sobretudo porque os pais estavam desempregados.


O estudante Luze Silva, para quem as bolsas universitárias significam a sua permanência na graduação, foi um dos que ficou sobressaltado durante o ano. No entanto, a manutenção dos benefícios o fez ter mais tranquilidade e esperança para o próximo ano.

“Eu basicamente vivia das bolsas que a universidade me oferecia, seja participando de bolsas de pesquisa ou da Praec (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Comunitários). E eu tinha muito receio por conta do contexto político que a gente está vivendo, em imaginar como isso ia garantir ou prejudicar minha permanência dentro da universidade. A verdade é que esse receio me acompanhou durante boa parte do ano e, em virtude desse medo, fui buscando outras possibilidades de permanência. Busquei estágios fora e consegui me integrar à empresa, então visualizo que, daquilo que tinha projetado para o ano, apesar do atropelo e do medo, foi um ano muito produtivo”, descreve o universitário.

(Foto: Elias Fontinele)

Para Luze, as bolsas são tão importantes porque ele é um dos milhares de universitários que adentram à universidade sem ter nenhum aporte financeiro da família. Oriundo do Maranhão, sua dependência em Teresina é custeada por si mesmo.

Na Ufpi, ele recebe uma bolsa de auxílio residência, que o acompanhará até o final da graduação, e também possibilita acesso ao restaurante universitário. “Hoje eu até faço parte, voluntariamente, de um grupo de pesquisa dentro da universidade, a gente tenta continuar produzindo artigos, eventos, porque basicamente não nos vimos tendo aporte financeiro, esse ano foi muito disso”, relembra.


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As universidades públicas, entretanto, são responsáveis por 95% da produção científica brasileira, segundo o relatório “Research in Brazil”, realizado pela empresa americana de análise de dados Clarivate Analytics, divulgado em 2017.

De acordo com dados da Web of Science, plataforma internacional de indexação de citações científicas da Clarivate Analytics, em 2019, das 50 instituições que mais publicaram pesquisas científicas no Brasil, 44 são universidades (36 federais, 7 estaduais e 1 particular), 5 são institutos de pesquisa e um é instituto federal de ensino técnico.

Empreendimentos tiveram que se reinventar para sobreviver

Empreendimentos tiveram que se reinventar para sobreviver

Para Alexandro, mesmo com as dificuldades, ele conseguiu manter a equipe de funcionários

O ano de 2019 foi marcado por muitos altos e baixos na esfera econômica. Um período que contou com reduções sucessivas dos juros, altas e quedas históricas da cotação do dólar e, mais recentemente, o aumento do preço da carne bovina para o consumidor final.

Para quem escolheu o empreendedorismo como atividade principal, a palavra-chave foi: reinvenção. É esta a principal definição do empresário Alexandro de Moraes, que trabalha no ramo de confecções com lojas em Teresina e no interior.


Relembre

O empresário Alexandro de Moraes estava animado, no final do ano passado, com a perspectiva de melhora da economia com a mudança política em âmbito nacional. Apesar da empolgação, ele reclamava da alta carga tributária que incidia sobre a venda de seus produtos, direcionados mais às classes C e D. Para sobreviver, empreendimentos tiveram de se reinventar


“O ano de 2018 não foi tão ruim, mas o 2019, comparando com os anos anteriores, senti o impacto da economia e tive que reajustar o meu comércio. Fui diminuindo os custos para saber onde estava melhor, onde estava pior, e fui reinventando todo o negócio. Fiquei frustrado com as expectativas que tinha”, destaca o empresário.


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Em maio, sem sinais de retomada do emprego e da renda, a confiança dos consumidores atingiu seu ponto mais baixo. As lojas de Alexandro oferecerem roupas a baixo custo. Mas mesmo com produtos com custo reduzido, as vendas estancaram. “Este ano senti que a clientela ficou mais receosa em gastar, ficou mais difícil levar o cliente. Hoje a economia está tão incerta que a gente fica sem saber o que investir”, fala.

(Foto: Elias Fontenele/ODIA)

Alexandro, que, mesmo com as dificuldades, conseguiu manter a equipe de funcionários. A estratégia foi fechar uma das lojas maiores e segmentá-la em dois outros lugares, procurando atrair mais clientes e resultados. Deu certo, sem ganhos representativos ou perdas impactantes, as estratégias de negócio do empresário o fazem, mais uma vez, ter esperança de melhoria para o próximo ano.

Mas não só os empresários estão preocupados com o aquecimento da economia, como os próprios consumidores. Janaina Lira, que sempre procura preços acessíveis na hora de ir ao Centro, explica que diminuiu o ritmo das compras. “Mesmo sendo uma pessoa que busca os lugares mais em conta, eu não parei de comprar mesmo. É que quando as coisas apertam, a gente pensa na necessidade primeira”, declara.

Reforma da Previdência concedeu novo fôlego à economia, avalia especialista

Segundo o especialista Eliézer Marins, advogado tributarista e consultor empresarial, o recente encaminhamento da Reforma da Previdência concedeu novo fôlego à economia brasileira em 2019. “No período anterior, é verdade, já havia alguns bons indica dores. Afinal, o segundo trimestre do desempenho econômico do país conquistou um aumento do investimento. Em resumo, há uma quase unanimidade dos economistas quanto à lentidão da recuperação da economia brasileira em 2019. Mas com relação ao futuro, o I PEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) prevê um crescimento econômico de 2,1% para 2020”, destaca.

Aumento do custo de vida penaliza mais pobres

Aumento do custo de vida penaliza mais pobres

Noemia dos Anjos estava desempregada em 2018 e sem perspectivas de melhoras

Seis realidades distintas se cruzaram no final do ano de 2018 para prospectar os próximos 365 dias. Eles foram a voz de grande parte da população que, assim como eles, esperava melhores oportunidades de emprego, transporte público de qualidade e recuperação da economia ao ponto de consolidar e ampliar negócios. Eles também sonhavam em deixar a zona de vulnerabilidade social, de concluir seus estudos sem percalços e de se aposentar de forma justa. Todavia, os sentimentos se misturavam. As palavras esperançosas se confundiam com o receio do que estava por vir; talvez um medo maior de que tudo continuasse como estava, ou quiçá pior. Então, um ano se passou. A reportagem de O DIA revisitou essas pessoas. Alguns personagens não são mais os mesmos, porém, mantivemos a essência daquilo que eles nos relataram. Nas páginas a seguir, você descobrirá como foi o ano de 2019 delas.


Relembre

Moradora da zona Norte de Teresina, Noemia dos Anjos Silva, de 54 anos, estava desempregada em 2018 e sem perspectivas de melhora. Mãe solteira, ela cuidava de uma filha deficiente e de outra que ainda não tinha conseguido se inserir no mercado de trabalho. Ela se queixava da alta dos preços dos alimentos e das dificuldades em conseguir emprego.


Passado um ano desde que a equipe de reportagem de O DIA visitou Noemia dos Anjos Silva, ela revela que sua renda não mudou. Mas os custos dos serviços básicos, sim. Desempregada por precisar cuidar da filha em tempo integral, ela continuou a ter como fonte de renda a quantia que recebe do programa Bolsa Família e a aposentadoria da filha. Porém, os custos de vida para manter serviços básicos, como saúde, alimentação, energia e abastecimento d’água, mudaram; e para pior. Nas palavras da dona de casa, “falta tudo” e, um ano, ela diz que não melhorou.

A sensação ruim que a dona de casa ressalta é também comprovada por números. A extrema pobreza subiu no Brasil e já soma 13,5 milhões de pessoas sobrevivendo com até R$ 145 mensais. O contingente é recorde em sete anos da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

(Foto: Elias Fontenele/ODIA)

A alta do desemprego, os programas sociais mais enxutos e a falta de reajuste de subvenções, como o Bolsa Família, aumentam o fosso dos mais pobres no país. O indicador de pobreza do Bolsa Família, por exemplo, é de R$ 89, abaixo do parâmetro de R$ 145 utilizado pelo Banco Mundial.

“A gente se vira como pode, a carne subiu, o frango subiu, peixe, tudo subiu. Como é que a gente vai passar com um salário com isso tudo? A alimentação tá difícil, mas falta tudo. Se eu disser que falta só alimentação, eu estou mentindo, porque falta roupa, calçado, remédio, falta tudo”, considera Noemia.


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Pobreza é fio condutor para violência, avalia cientista social

Para o cientista social da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Arnaldo Eugênio, a pobreza não só impacta a população mais pobre, como também é o fio condutor para uma sociedade mais violenta, que penaliza a vida de todos.

“À medida que o Brasil entrou em crise, a partir de 2013 até 2016, também aumentou a violência. Isso porque a crise econômica faz com que a sociedade fique ainda mais dividida, faz com que o fosso das vulnerabilidades aumente ainda mais, então, você vai ver, em consequência, mais suicídios, mais crimes violentos, mais dificuldade”, considera.

(Foto: Arquivo/ODIA)

Para Noemia, em 2018, a perspectiva de um ano melhor estaria na garantia da continuidade dos auxílios que recebe, bem como na redução dos preços para o consumo de alimentos, além da possibilidade da filha conseguir uma ocupação.

Em 2019, apenas os benefícios continuaram sendo garantidos, as demais expectativas foram frustradas.

24 de dezembro de 2019

Especial de Natal: O nascimento do menino Jesus e sua simbologia

Especial de Natal: O nascimento do menino Jesus e sua simbologia

Carregada de símbolos, a lembrança da vinda de Jesus Cristo ao mundo, segundo padre Cabrini, representa a libertação da humanidade do pecado.

Natal é tempo de festejar com a família o nascimento de Jesus Cristo. O presépio, as luzes, a estrela e a manjedoura são alguns dos símbolos natalinos que os cristãos utilizam para celebrar sua vinda. 

O padre Francisco Cabrini argumenta que o dia 25 foi uma data escolhida pelos cristãos, mas que não se sabe ao certo em que data o menino Jesus nasceu. Mas de toda forma o que é mais importante é o significado de sua vinda: livrar a humanidade de todos os pecados. 


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“O nascimento de Jesus é importante, pois ele veio até nós, assumindo a carne humana, se solidarizando com a humanidade. Fazendo todo aquele processo que cada ser humano faz, que é ser gerado no útero da mãe, se desenvolver, nascer, crescer, passar pela adolescência, pela juventude, pela fase adulta, sentir dores e morrer, contudo sem deixar de ser Deus”, assinala padre Cabrini. 

De acordo o padre Cabrini, outras representações importantes são Jose e Maria. Já a árvore de natal e o papai não são símbolo de natal para a igreja e os cristãos, por que foi algo colocado depois. 

“O presépio é a representação que nos faz reviver o contexto do nascimento de Jesus fora de Belém, temos manjedoura que nos diz muito, pois foi onde Jesus nasceu. Ele poderia ter nascido no berço de ouro, mas nasceu em local simples, humilde, sem brilho. Que significa simplicidade que é vontade de Deus. A estrela representa a luz, pois Deus vem clarear a humanidade com essa luz, representa também uma seta, indicativo de algo que é fonte de libertação, vida e esclarecimento”, explica o sacerdote. 

Todavia, ainda existem os símbolos como a Coroa do Advento, confeccionada com folhas verdes e composta por quatro velas.  A cada domingo, uma vela é acesa simbolizando a luz que chegará, a luz que iluminará aqueles que estão nas trevas.  

Em algumas situações as velas são coloridas, mas o sentido deve ser o mesmo: uma vela para cada domingo do advento, sem importar a cor. A guirlanda, com seu formato em círculo, significa a perfeição e o ciclo infinito do universo, assim como infinito é o amor de Deus. 

O pinheiro, é a árvore que sobrevive ao inverno e lembra que a fé em Deus supera a morte. Com bolas coloridas e luzes, a árvore deve conter a estrela guia, aquela que guiou os reis magos até  Jesus. As luzes lembram que “Ele é a Luz do mundo” (Jo 8,12) que “ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 1,9). Os reis magos levaram presentes ao menino Deus, e por isso, mantem-se a tradição de colocar presentes sob a árvore de natal.  

Já as meias são uma atribuição a São Nicolau. Conta-se que ainda jovem, ele soube que um dos vizinhos enviaria as três filhas para a prostituição, pois não teria mais recursos financeiros para sustentá-las ou pagar o dote do casamento. Diante dessa situação, Nicolau jogou moedas de ouro pela chaminé da casa vizinha, e com isso remediou a situação evitando a prostituição das jovens. Há uma versão apontando que essas moedas caíram dentro de meias colocadas na chaminé, com objetivo de aquecer a vestimenta. A Liturgia da Igreja, nesse período tem a cor roxo, tal qual na Quaresma. Onde a Igreja vive a expectativa por um momento que vai chegar. 

22 de dezembro de 2019

Confira dicas de presentes de última hora para seu amigo-oculto

Confira dicas de presentes de última hora para seu amigo-oculto

Na correria do dia a dia, acabamos esquecendo de alguém e precisamos dar um jeito e não deixar o Natal passar em branco.

Mais um Natal está chegando e é hora de montar a lista de presentes para amigos e familiares. Mas, com a correria do dia a dia, acabamos esquecendo de alguém e precisamos de uma saída urgente para não deixar a data especial passar em branco. Se você esqueceu de comprar o presente de natal, fique atento a esses seis dicas de opções de última hora.


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1. Kit de chocolates finos

A primeira opção é um kit de chocolates finos. Chocolates, além de deliciosos, são excelentes opções quando o assunto é presente. Seja uma simples caixa de bombons, chocolate em barra ou até as versões feitas para presentear – em embalagens lindas e atraentes – optar por ele é sempre certo.

Um kit de chocolates finos e diferentes, daqueles que você não encontra em qualquer lugar e servem como um ótimo presente, seja pelo chocolate em si e também pela embalagem diferenciada, que se adéqua bem ao Natal. Se preferir, compre os chocolates individualmente, monte uma cesta bem linda e artesanal, e presenteie de forma criativa e única. Quem ganhar um presente desses, certamente ficará muito feliz.

2. Vale-presente de restaurantes

Já que o Natal é uma época de muita comilança, a nossa sugestão é bem simples e direta: um vale-presente bem generoso de algum restaurante famoso, que pode ser facilmente adquirido pela internet.

A vantagem dessa opção é que ela pode ser rapidamente comprada online, dessa forma, acabam se tornando um presente ideal para quem realmente extrapolou no atraso e deixou para comprar algo no último minuto. Se esse é o seu caso, faça a alegria de alguém com um presentão desse. Lembre-se de ser bem generoso na hora de escolher o vale-presente, já que existem muitas opções de valores disponíveis e, de quebra, aproveite para participar desse momento delicioso.

3. Kit Gin Tônica

Ainda na categoria das comidas e bebidas, uma ótima opção de presente de última hora pode ser um kit Gin Tônica, que você pode comprar pronto ou montar rapidamente, com algumas instruções. 

Se você optar pelo kit montado, existem lojas físicas ou online que vendem esses produtos, mas, se você quiser – e tiver tempo de – personalizar, segue a nossa sugestão para montar o kit. 

Você vai precisar de:

  • 1 cesta para colocar os produtos;
  • 1 garrafa de gin;
  • 1 garrafa de vidro de água tônica;
  • 5 limões;
  • Guardanapos;
  • Um ou dois copos de coquetel;
  • Canudos (biodegradáveis, por favor);
  • A receita do drink impressa e em forma de cartinha.

Agora é só colocar tudo dentro da cesta, preparar uma embalagem bem caprichada e presentear o sortudo. Se preferir, utilize a ideia para variar e montar outros kits igualmente legais.

4. Óculos de sol

Enfrentar o verão brasileiro não é fácil, principalmente por causa do sol intenso e calor excessivo em algumas regiões. No primeiro caso, para ajudar a diminuir a intensidade dos raios solares em relação à visão, nada melhor do que escolher um belo óculos de sol para presentear alguém de última hora.

E o melhor é que esse presente é bem prático, já que atualmente existem centenas de modelos para escolher. Então, procure os locais especializados e presenteie quem você ama com um moderno óculos de sol.

5. Caixas de som portáteis e com conexão Bluetooth

Não tem jeito, as caixinhas de som portáteis viraram uma verdadeira febre no país. Com opções bem modernas e potentes, elas são bem úteis para transformar qualquer reunião de pessoas em uma verdadeira festa.

Além disso, essas caixinhas de som são ótimos presentes para quem deixou tudo para a última hora. Mas nem tudo está perdido, pois a criatividade e praticidade dessa opção vai, certamente, agradar no Natal.

Assim, além de corrigir um problema que quase aconteceu, você vai deixar a ceia natalina muito mais animada e divertida. Então, escolha a sua versão de caixinha de som – entre as tantas disponíveis – e não erre na hora de presentear.

6. Um delicioso perfume novo

Para fechar a nossa lista de presentes de última hora com estilo, aqui vai uma dica "coringa" em qualquer data importante. Os perfumes importados facilmente agradam qualquer tipo de pessoa, mesmo aquelas de gostos refinados e exigentes. Portanto, considere essa opção para não deixar o Natal passar em branco e, de quebra, presentear sem chance de errar.

21 de dezembro de 2019

Convidados discutem e apontam questões administrativas da Capital

Convidados discutem e apontam questões administrativas da Capital

A necessidade de descentralizar obras e serviços públicos, as emendas parlamentares e o crescimento desordenado da Capital protagonizam a conversa entre os cinco personagens que participam do programa

Esta edição do projeto “Teresina em uma Nova Década” chega ao fim com o terceiro programa da série. Aos entrevistados, O DIA colocou questões administrativas e políticas no centro do debate. Todas as discussões levam em conta o interesse público e visam aprofundar o debate em torno de temas que impactam diretamente a vida dos teresinenses. 

Sistema discute com convidados que Teresina queremos ma próxima década  (Foto: Jailson Soares/ODIA)

A necessidade de descentralizar obras e serviços públicos, as emendas parlamentares enquanto ferramentas de interesse da população e o crescimento desordenado da capital protagonizam a conversa entre os cinco personagens que participam da última parte deste programa especial. 

Emendas parlamentares como instrumento de atender demandas populares

Mecanismo que garante a participação direta dos vereadores na elaboração do orçamento municipal, as emendas parlamentares podem efetivar a execução de obras pontuais em determinadas regiões da cidade. Neste sentido, discutir o aperfeiçoamento desse dispositivo é fundamental para uma gestão eficiente dos recursos públicos. 

O DIA ouviu das lideranças o pensamento sobre as ferramentas. “Quanto mais participativo for o orçamento, melhor. Quanto mais pessoas puderem opinar será positivo, pois é mais dinheiro que vai chegar na ponta, e essa é uma das finalidades das emendas parlamentares, representantes legitimamente eleitos por comunidades, no caso os vereadores, destinam recursos para atender demandas pontuais”, declarou o advogado Luciano Nunes (PSDB)


Deputado e responsável pela aprovação do orçamento estadual, Fábio Novo (PT) frisa a importância da efetiva participação dos parlamentares, de todas as esferas, na indicação de obras neste ordenamento como forma de ampliar as possibilidades orçamentárias. “Defendemos a transparência na execução desses recursos. Ganhamos uma coisa boa esse ano, as emendas parlamentares federais passaram a ser impositivas, o que representa algo em torno de R$ 300 milhões no orçamento do estado do Piauí”, disse o deputado. 

Fábio Novo entende que as emendas contribuem para que os parlamentares participem diretamente da elaboração do orçamento  (Foto: Jailson Soares/ODIA)

Apesar disso, titulares na Câmara Municipal de Teresina (CMT), principalmente os da oposição a atual gestão, tem se queixado da não efetivação dessas emendas por parte do poder Executivo. Para o publicitário Fábio Sérvio (Prós), é necessário que as disputas políticas sejam deixadas de lado para e sugere mais compromisso com a coisa pública. “Quando há essa união de esforços em função de alguma coisa para a sociedade, é benefício, acaba trazendo algo de muito positivo. 

Essa união é que deve ser mais trabalhada, nas esferas municipal, estadual e federal”, avaliou o empresário. Já o deputado federal Fábio Abreu (PL), atualmente ocupando o cargo de secretário de Estado da Segurança Pública, considera fundamentais as emendas parlamentares. Como solução para o impasse entre os poderes, ele recomenda que o dispositivo tenha caráter impositivo, nos moldes de como ocorre em relação ao orçamento da União aprovado pela Câmara Federal

“Tem que ser impositiva. A partir do momento em que ela é impositiva você poderá fazer qualquer ação na área que você se identifica [...] exatamente para que ele possa agir lá no bairro dele, naquilo que as pessoas estão demandando”, argumenta Abreu.

 Em meio à discussão em torno das emendas, o empresário Valter Lima (PSL) também avalia positivamente a ferramenta orçamentária, mas cobra mais rigidez na fiscalização da aplicação dos recursos. “Tem que ter muito cuidado com o que se faz com essas emendas. Acredito que precisa ser muito mais fiscalizado, olhar com o que é gasto e mostrar para a sociedade que as emendas valem a pena”, concluiu.

A necessidade de descentralizar obras e serviços

Dado o desenho da cidade, entre outros problemas de ordem social, parte significativa da população de Teresina acabou sendo empurrada para bairros cada vez mais distantes da área central. Normalmente, essas áreas não dispõem de equipamentos públicos para atender a demanda por serviços nas áreas de educação, saúde, cultura e lazer. 

Além disso, a própria criação dessa estrutura gera despesas enormes para o Município. Os participantes do “Teresina em uma Nova Década” comentaram sobre a questão. Para o empresário Valter Lima (PSL), é preciso estabelecer prioridades, como a construção de galerias e pontes, mas cita a importância de investimentos em ações de estímulo ao turismo na cidade, como na revitalização de parques e praças que, na sua avaliação, poderiam ser administradas pela iniciativa privada. 

“É preciso se fazer algo importante na cidade para atrair as pessoas e movimentar o turismo também. Tenho certeza que quando trabalhamos pensando nessa situação de atrair turistas para nossa cidade, temos que priorizar algumas coisas importantes”, considerou o gestor. 

Além de citar obras de drenagem e mobilidade como preferenciais, o deputado estadual Fábio Novo (PT) ressalta que o poder público deve estar em sintonia com as demandas da população na realização de obras pela cidade. “Temos que caminhar nesse sentido, com bastante planejamento. É importante temos, inclusive, um banco de projetos, para se levantar tudo que é necessário”, considerou. 

Nesa mesma linha, o deputado federal Fábio Abreu (PL) menciona a necessidade de maior presença do poder público nas áreas mais periféricas da capital piauiense. “As equipes precisam ir aos bairros, não podemos discutir a zona rural, por exemplo, aqui na zona urbana. Temos que levar equipes até lá, pois eles tem entendimento do que é importante para eles, e assim deve ser nos bairros também”, expôs.

Fábio Abreu ressalta que a presença do Estado nas localidades é fundamental para garantir avanços (Foto: Jailson Soares/ODIA)

Já o publicitário Fábio Sérvio (Prós), avalia a questão da distribuição das obras por todas as zonas da cidade como uma maneira de estimular não apenas o desenvolvimento da mesma, mas também uma forma de gerar empregos e renda, sem necessariamente envolver grandes empreendimentos. “Às vezes você consegue fazer intervenções e obras dentro da cidade que resolvem problemas que parecem pequenos, mas desafoga absurdamente a cidade, em termos de mobilidade e geração de emprego. precisamos ter foco também”, afirmou o empresário da área de comunicação. 

Fábio Sérvio avalia os problemas do crescimento desordenado como históricos em Teresina (Foto: Jailson Soares/ODIA)

Por fim, o ex-deputado estadual Luciano Nunes (PSDB) destaca que as sugestões de descentralização das obras já acontecem na atual gestão, segundo ele, a partir de um planejamento estratégico. “Já temos agenda 2030, com o planejamento a longo prazo de grandes obras distribuídas por toda a capital e também o orçamento participativo, através das emendas parlamentares e do Orçamento Popular, onde a comunidade escolhe a obra que vai ser realizada”, finalizou.

Atualização da legislação e o crescimento desordenado 

Como já mencionado, Teresina tem expandido sua área urbana para regiões cada vez mais distantes do centro, logo, com acesso dificultado a alguns serviços básicos. O crescimento da cidade demandas novos investimentos em várias áreas para atender a população que mora nessas regiões. 

Para o deputado federal Fábio Abreu (PL), é preciso mais empenho quando a elaboração do código de postura da cidade e o acompanhamento desse processo de expansão. “Deve ser repensado a questão do acesso de transporte e da própria segurança pública, que precisa estar no projeto de construção do projeto de qualquer conjunto habitacional, para que ele realmente possa ser concebido nessa visão, além de outras várias ações”, explicou. 

Reflexo desse crescimento acelerado é a situação irregular de aproximadamente 35 mil famílias, que não possuem a titularidade de suas propriedades. Para o deputado Fábio Novo (PT), é necessário agilizar a regulação fundiária na capital piauiense. “Precisamos avançar na legislação [...] precisamos focar numa legislação que seja mais rápida para que as pessoas possam efetivamente acessar. Se não tivermos isso, teremos um crescimento desordenado”, afirmou. 

O publicitário Fábio Sérvio (Pros) reconhece a dificuldade de corrigir um problema, que na sua avaliação é histórico. Ele afirma que a situação afeta não apenas as camadas mais carentes da população. “O poder aquisitivo elevado também está levando a cidade para cada vez mais diante, a tendência é fugir e fechar os olhos do problema e o poder público se aproveita disso e vai empurrando com a barriga, então nessa brincadeira perdemos o centro da cidade e outros bairros importantes”, disse. 

Luciano Nunes lembra da Agenda 2030, que ouviu população e elaborou planejamento para a cidade (Foto: Jailson Soares/ODIA)

Para tentar contornar a situação, a Prefeitura de Teresina encaminhou recentemente para a Câmara Municipal o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), que segundo o ex-deputado Luciano Nunes (PSDB) deve regular o crescimento desordenado da cidade. “Para justamente estimular construções nas regiões centrais e próx imo dos corredores de ônibus, por exemplo, inibir construções mais periféricas e distante do centro, pois quanto mais distante mais difícil de manter ”, argumenta o político ligado a atual gestão municipal. 

Valter Lima critica os valores das áreas imobiliárias da região central de Teresina  (Foto: Jailson Soares/ODIA)

O empresário Valter Lima (PSL), no entanto, faz ressalvas à iniciativa da Prefeitura pois entende que ela desconsidera o valor exorbitante das áreas centrais da cidade, um dos motivos para empurrar a população para a periferia. Além disso, afirma que o PDOT inviabiliza a verticalização da cidade e, consequentemente, a construção civil. “É preciso ter muito cuidado ao se fazer uma lei [...] As pessoas vão para a zona rural porque não há condições de morar no centro. É preciso tratar disso com muita sabedoria, para que isso seja resolvido”, alerta o empresário.

20 de dezembro de 2019

Convidados discutem soluções para questões sociais da Capital

Convidados discutem soluções para questões sociais da Capital

Na segunda edição do programa “Teresina em uma Nova Década”, o Sistema O DIA questionou aos entrevistados como avaliam o cenário e pensam soluções acerca de temas como combate a criminalidade.

Na segunda edição do programa “Teresina em uma Nova Década”, o Sistema O DIA questionou aos entrevistados como avaliam o cenário e pensam soluções acerca de temas como combate a criminalidade, como atrair novas empresas e diversificar a economia, e como ampliar e melhorar a rede de assistência à saúde aos teresinenses. O programa está sendo exibido na O DIA TV, às 20h30, e nesta sexta-feira (20) terá sua última edição veiculada.


Leia também: Programa discute os principais problemas físicos de Teresina 


Nesta edição do Jornal O DIA, as personalidades convidadas discutem aspectos sociais de Teresina. Os temas impactam diretamente na qualidade de vida dos teresinenses. Para o diretor de Marketing do Sistema O DIA, Alberto Moura, a ideia é promover uma discussão com o objetivo de contribuir com soluções que possam ser aplicadas no dia a dia cidade nos próximos 10 anos. “Com o projeto, O DIA cumpre sua missão de tratar com a devida responsabilidade social o dia a dia dos teresinenses e incentivar na busca de ideias para que os desafios da Capital sejam enfrentados”, pontua.

O conteúdo do projeto “Teresina em uma Nova Década” também é publicado no Portal O DIA e pode ser acessado pela internet. Na edição especial do final de semana do jornal, aspectos administrativos e políticos entrarão na pauta da discussão.


Como equacionar os índices de criminalidade?

Na segunda parte do especial “Teresina em uma Nova Década”, discutimos com nossos entrevistados alternativas para o combate e redução da criminalidade, uma das principais reclamações não apenas dos habitantes da nossa cidade, mas dos brasileiros de forma geral.

Para o empresário Valter Lima (PSL), é preciso dar uma resposta rápida à sociedade, que na sua concepção, sofre com a sensação de impunidade. “É preciso estudarmos uma lei diferenciada para que isso mude, mas temos que aumentar também o efetivo da Guarda Civil Municipal, para darmos mais segurança aos teresinenses”, afirmou.

Replicar experiências bem sucedidas em outros lugares reconhecendo a realidade local é uma possível saída. O deputado Fábio Novo (PT) lembra o caso de Medellín, na Colômbia, a cidade sofreu na década de 1990 com os altos índices de violência, mas soube reverter através de políticas públicas voltadas para o social. “Se trabalhou inteligência e leis mais severas, mas não se deixou de fazer os equipamentos sociais necessários para que aquelas comunidades pudessem ter curso de capacitação, geração de emprego e renda levando em conta a realidade de cada bairro, investindo fortemente em educação continuada e em escolas de tempo integral, além de escolas de artes associadas a isso”, avalia o parlamentar.


Novo entende que é preciso políticas públicas voltadas para o social - Foto: Jailson Soares/O Dia

O publicitário e empresário Fábio Sérvio (Prós) considera que, entre demais fatores, a questão da desestruturação familiar é um dos catalisadores do problema da violência, não apenas na capital piauiense, mas em todo país. “O papel do município é primeiro na sociedade, se não nos conectarmos todos para encontrarmos uma solução, vamos ficar patinando e vendo aumentar a criminalidade”, enfatiza.

O atual secretário de Estado da Segurança Pública, Fábio Abreu, entende que não se combate violência apenas com polícia e defende que o Estado ocupe espaços de forma qualificada. Ele cita a integração entre as instituições para um trabalho preventivo de combate a violência. “A população geralmente imputa à polícia, falhas que aconteceram no processo educacional, social, e uma série de outras coisas que infelizmente desembocam na segurança pública, então precisamos fazer esse trabalho de forma integrada com a prevenção e a parte social de forma bem mais forte do que existe hoje”, diz o gestor.


Abreu defende integração entre instituições no trabalho preventivo - Foto: Jailson Soares/O Dia

O ex-deputado Luciano Nunes (PSDB) lembra que a segurança pública é uma competência da gestão estadual, mas ressalta o empenho da Prefeitura de Teresina na elaboração de um projeto de lei para criação de uma secretaria municipal só para tratar das demandas desta área na capital.

“Além das suas ações próprias, de guarnecer os prédios públicos, vai promover uma melhor articulação com a secretaria de segurança do Estado e com o Governo Federal, bem como de outros investimentos na área de monitoramento de algumas regiões da cidade, por exemplo”, revela Nunes.

A necessidade de uma maior integração também foi destacada pelo deputado Georgiano Neto (PSD), que ainda defendeu um maior investimento em estruturas próprias do município no combate aos índices de violência local. “É importante a gestão municipal priorizar a Guarda Comunitária e fortalecer a parceria com o Governo do Estado, pois acreditamos que a partir disso, sem colocar culpados diante dessa situação, vamos conseguir melhorar a realidade que Teresina enfrenta quanto ao combate a violência”, finalizou.


Como atrair novas empresas e diversificar a economia?

A cidade de Teresina tem uma economia consolidada na oferta e consumo de produtos e serviços, além de ter um potencial enorme na área de negócios. No entanto, há setores que ainda engatinham e precisam avançar para gerar emprego e renda e consequentemente, influenciar na melhoria da qualidade de vida das pessoas.

A diversificação da atividade econômica teresinense, por exemplo, é vista por Fábio Abreu (PL) como uma das possibilidades para o desenvolvimento da cidade. “A regra é muito simples, para poder gerar emprego e renda é necessário investir na indústria e no comércio, atrair e manter empresas e não observamos isso”, disse.

O publicitário e também empresário Fábio Sérvio (Prós) questiona as condições para que investidores abram negócios na cidade. Ele cita a alta carga tributária e a má qualidade da rede energética, por exemplo, como aspectos que necessitam de uma maior atenção do poder público. “Não podemos esperar uma grande indústria se instalar porque, como costumam dizer popularmente, quando ligar a tomada cai a energia da cidade toda [...] Precisamos unir as instituições. A Ride [Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina] ainda existe, mas as pessoas esquecem disso, para que a gente encontre um caminho e possamos recuperar um tempo perdido”, argumenta Sérvio.


Fábio Sérvio argumenta que é preciso unir as instituições como saída para atrair empreendedores - Foto: Jailson Soares/O Dia

Além de consolidar o setor de serviços, o incentivo à indústria também é apontado pelo deputado Georgiano Neto (PSD) como necessidade para acelerar o crescimento econômico da capital piauiense. “Devemos avançar como um polo de saúde, mas garantindo também as condições para se desenvolver uma atividade industrial forte, garantindo a geração de riquezas em nossa cidade, melhorando a arrecadação e consequentemente tendo mais recursos para investir no social”, argumentou.


Georgiano aponta o incentivo à indústria como indicativo para acelerar o crescimento econômico - Foto: Jailson Soares/O Dia

A localização geográfica de Teresina é vista pelo empresário Valter Lima (PSL) como estratégica para atrair investimentos, porém, ele ressalta a necessidade de ofertar condições para que novas empresas se instalem na cidade. “Todos sabemos que temos potencial, mas primeiro precisamos de infraestrutura. E para este sorte é necessário à realização de investimentos”, enfatizou.

O advogado Luciano Nunes (PSDB) menciona algumas ações que já estão em prática, como o incentivo a economia criativa de startups pela Prefeitura de Teresina, porém cobra uma maior participação do Governo do Estado no fomento à atividade empresarial.

“É importante buscarmos estreitar a parceria com o governo do Estado para que ele possa também fazer sua parte, com uma política tributária, por exemplo. Temos no Piauí a maior carga tributária, uma alíquota excessiva sobretudo no combustível, que é um dos principais insumos de toda produção”, disse Nunes.

Para competir de igual para igual com estados vizinhos como Maranhão e Ceará, que tem atraído empreendimentos dado as melhores condições fiscais, o deputado Fábio Novo (PT) defende união entre o governo estadual e a gestão municipal na elaboração de uma legislação tributária que incentive o setor na cidade. “Não é que vamos ter uma guerra fiscal, mas precisamos de uma política mais agressiva para que os pólos empresariais possam, efetivamente ganhar, mais vida [...] Acredito que é preciso investir em uma política tributária e colocarmos a infraestrutura necessária”, argumenta o parlamentar.


Como ampliar e melhorar a rede de assistência à saúde de Teresina?

A questão da assistência social, sobretudo na oferta de serviços voltados à saúde, é uma demanda crescente dos teresinenses. Além do interior do Piauí, parte significativa do interior do Maranhão faz uso da rede municipal de Teresina e cria demandas em torno do setor que se de um lado colabora com investimentos na área privada, demanda mais gastos na rede pública. Os convidados do Sistema O DIA comentam os problemas do setor.

O empresário Fábio Sérvio cita, por exemplo, a demora na marcação de consultas, mesmo o município possuindo uma ampla estrutura de hospitais e unidades básicas de saúde. “O maior problema de saúde que vejo é a fila para atendimento. Há pessoas que aguardam meses por uma consulta com especialista, acarretando às vezes uma piora da doença. Precisamos focar nisso, se preocupar com o aumento do aparelho físico mas sem perder a essência humana”, destacou o publicitário.

Para o advogado Luciano Nunes (PSDB), que já presidiu a Fundação Municipal de Saúde (FMS), os investimentos da atual gestão de Teresina tem proporcionado um avanço nessa área, algo em torno de 35% do seu orçamento anual, porém, avalia que a inexistência de uma rede estadual estruturada no interior penaliza e dificulta a oferta aos que residem na capital. “Se toda essa estrutura estivesse à disposição somente dos teresinenses, conseguiríamos fazer uma saúde de melhor qualidade, mas como bons teresinenses, somos solidários com todos nossos irmãos piauienses e brasileiros”, argumentou o ex-parlamentar estadual.


Luciano diz que os investimentos da atual gestão em Teresina proporcionou avanços na área de saúde - Foto: Jailson Soares/O Dia

Alternativa a este cenário, o deputado Fábio Abreu (PL) defende um maior entendimento entre o governo do Estado e a Prefeitura de Teresina na repactuação da Saúde, mas também enfatiza a necessidade de descentralizar a oferta do atendimento em Teresina. Ele cita que muito se gasta, às vezes, porque o programa de saúde da família, que tem como meta trabalhar a prevenção de doenças não cumpre seu objetivo. "O gasto é alto, mas está sendo gasto onde mais se precisa? Quando se faz prevenção as pessoas dependem menos da UPA e dos hospitais, tem menos doenças graves. O médico da família tem que estar o mais próximo das pessoas, e não é as pessoas que precisam se deslocar mais para encontrá-lo.”, declarou.

Já para o deputado Fábio Novo (PT) o compartilhamento dos serviços de saúde da capital com pacientes do interior não deve ser visto com o problema principal, já que o SUS pressupõe um atendimento integrado. Ele defende um maior investimento na atenção básica. “Se tivermos um programa permanente de consultas nos postos de saúde das unidades, vamos desafogar muita coisa”, argumenta.

Além deste cenário, o deputado Georgiano Neto (PSD) destacou a necessidade de priorizar a aplicação dos recursos públicos, principalmente levando em consideração a escassez de receita. “Precisamos realmente ter a preocupação com a qualidade dos gastos voltados para a saúde e também para a assistência social, como também cobrar mais transparência”, pontuou.


Valter Lima sugere a terceirização da área de saúde como alternativa para baratear os custos - Foto: Jailson Soares/O Dia

Somada as recomendações elencadas acima, o empresário Valter Lima (PSL) sugeriu uma a terceirização do serviço de saúde como alternativa viável para, segundo ele, baratear os custos e otimizar a prestação dos atendimentos aos teresinenses. “Isso facilita o trabalho e desafoga as unidades básicas de saúde, os hospitais [...] Viabiliza, facilita terceirizando a saúde, não de forma geral, mas em partes”, concluiu.

19 de dezembro de 2019

Programa discute os principais problemas físicos de Teresina

Programa discute os principais problemas físicos de Teresina

O projeto “Teresina em uma Nova Década” também está disponível a partir de hoje (19) no portal O DIA. Na O DIA TV, são três edições, que começaram a ser exibidas ontem (18) e vão até amanhã (20).

O DIA traz nesta edição, o primeiro capítulo do projeto especial “Teresina em uma Nova Década”, que reúne líderes e personagens para apresentar ideias sobre o futuro da Capital piauiense. Em discussão, temas relevantes que impactam diretamente na vida da população. Nesta primeira edição, o especial aborda questões relacionadas à mobilidade urbana, o meio ambiente e a paisagem urbana de Teresina. 

O projeto “Teresina em uma Nova Década” também está disponível a partir de hoje (19) no portal O DIA. Na O DIA TV, são três edições, que começaram a ser exibidas ontem (18) e vão até amanhã (20), sempre às 20h30. Aspectos físicos, sociais e políticos da Capital estão no centro do debate. 


Confira os vídeos na integra 


Com o projeto, o diretor de Marketing do Sistema O DIA, Alberto Moura, ressalta que a ideia é promover um debate de ideias com o objetivo de contribuir com soluções que possam ser aplicadas na vida da cidade nos próximos 10 anos. “Com o projeto, O DIA cumpre sua missão de tratar com a devida responsabilidade social o dia a dia dos teresinenses e incentivar na busca de ideias para que os desafios da Capital sejam enfrentados”, pontua.

Fábio Abreu Sec. de Estado da Segurança 


Foto: Jailson Soares/O Dia

Pública Mobilidade Urbana, com foco no Inthegra 

Eu concordo com as consultas populares, mas elas devem ser feitas antes de implementar. O que nós precisamos é ter conhecimento de obras que venham movimentar e interferir diretamente na vida das pessoas. Então para quem a gente vai perguntar? Eu acho que a amostra deve ser bem maior. Segmentos da área rural e pessoas que no dia a dia fazem utilização desse meio devem ser ouvidas. Não devemos apenas fazer obras grandes que sejam voltadas para as pessoas que moram na área urbana. É um ponto que pode ser corrigido. A mobilidade urbana é um problema de qualquer sociedade hoje, e me refiro, principalmente, a Teresina, em que a pessoas são muito individualistas. A oferta não é atraente para que a pessoa resolva deixar seu veículo em casa e possa fazer suas atividades no transporte coletivo. Precisamos que esse transporte seja eficiente em horário, tenha qualidade em relação ao clima, e uma série de outras coisas que possam fazer com o que transporte atraia as pessoas. 

Meio Ambiente e combate aos aguapés nos rios 

Eu, particularmente, pesquei no rio Poti e os aguapés não eram uma realidade. Vimos que, quando as construções começaram a aparecer, começaram a direcionar os dejetos. Basta fazer um percurso simples ao lado do Rio Poti que vemos os dejetos sendo despejados no leito do rio. Como essas obras foram feitas? Quem autorizou a realização das obras? Será que dentro do projeto de arquitetura estava lá descrito que o esgoto ia para o Rio Poti. Então, é uma falha muito grande, talvez pelo fato do tema do meio ambiente não estar em voga no período, ninguém imaginava que a situação chegaria a este pé. Acredito que cabe ao poder público tratar o tema como prioridade. Se essa responsabilidade hoje está com a Águas de Teresina, que o cronograma seja cobrado para que o saneamento avance de forma efetiva. 

Avenida Frei Serafim 

Nesse ponto, devem ser feitas algumas perguntas: É estritamente necessário, temos outras alternativas para que esse projeto seja implementado? Foi apresentado ou está sendo apresentado para a população como é esse projeto? Pelo o que a gente tem observado, não fica claro. A Prefeitura, por exemplo, não faz um grande seminário e mostra para a população como vai ficar a Frei Serafim, caso aconteça essa modificação. Na minha opinião, podemos ter outras alternativas que não seja a destruição desse patrimônio. A Frei Serafim, para todos os teresinenses, é uma referência, foi praticamente a avenida que iniciou a nossa capital. Acredito que uma mudança dessa natureza, radical da forma como está proposta, vai trazer uma série de implicações práticas para a própria população. Acho que as alternativas a esse projeto devem ser apresentadas para que a população também tenha a oportunidade de opinar.


Fábio Novo Sec. de Estado da Cultura


Foto: Jailson Soares/O Dia

Mobilidade Urbana, com foco no Inthegra 

Precisamos repensar a integração. É fato que tem falhas graves. As pessoas não estão satisfeitas com a integração, elas querem pegar ônibus e reduzir o tempo para chegar onde querem ir. Um percurso que antes durava 30 minutos, está chegando a 2 horas. É preciso repensar essa situação, fazendo um bom estudo e aplicar o que se aplica nas cidades mais modernas. Acho que houve investimentos equivocados em grandes terminais. As maiores cidades têm terminais pequenos, não são terminais para ostentar obra física, mas funcionais. Não só a questão dos ônibus, mas cidades que tenham calçadas, acessibilidade. Nossa cidade está matando suas ciclovias e permite que não tenhamos a situação de que as pessoas possam usar bicicletas. Me preocupa a matança de ciclovias, não existe uma política para as calçadas, que vai nos permitir inclusive acessibilidade. 

Meio Ambiente e combate aos aguapés nos rios 

O que leva ao aguapé é justamente o material orgânico, que vem das galerias. A gente tem todo ano no período seco um volume de água menor, então, o material orgânico tem o ano inteiro, mas no período da chuva ela leva os aguapés. É necessário uma politica muito rígida de fiscalização das galerias. É preciso priorizar a fiscalização das galerias, como é que está saindo esse esgoto. Se a gente tiver uma fiscalização severa das galerias, nós vamos reduzir drasticamente os aguapés, que é esse material orgânico. Em determinados momentos os aguapés são bons, na Europa se utiliza para despoluir os rios, mas na situação que chegamos está muito poluído. É preciso uma política severa para que as galerias joguem os dejetos, e aí nos vamos, a médio prazo, despoluir o rio Poti. 

Avenida Frei Serafim 

Eu, particularmente, sou contrário à proposta. Como é na Avenida Paulista? Não tem isso. Acho que é equivocada a ideia de se fazer grandes terminais. Não há necessidade de grandes terminais. Os terminais precisam ser menores e funcionais. Eu tenho muito receio quando você mexe em uma estrutura que desconfigura, inclusive, um patrimônio histórico. O centro histórico todo de Teresina vem sendo agredido, não é de agora. Nos últimos 50 anos vem sendo agredido de forma muito violenta e nós não temos uma resposta significativa. No transporte coletivo, está provado que nós temos um fluxo de trânsito que aumentou engarrafamento, porque as paradas são muito demoradas. É preciso pensar isso com muito carinho. É preciso ouvir a posição do Ministério Público, a posição do Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Esse é um processo que precisa amadurecer.


Fábio Sérvio Empresário/Publicitário 


Foto: Jailson Soares/O Dia

Mobilidade Urbana, com foco no Inthegra 

Temos que analisar tudo do ponto de vista do cidadão. Esse projeto é baseado em uma ideia de Curitiba, da década de 1970, que é o BRT. Estamos falando de um modelo implantando há mais de 40 anos. Hoje, temos situações mais modernas, porque ele tá ultrapassado. Quando a prefeitura de Teresina decidiu fazer esse novo modelo de transporte, já havia dentro do mercado nacional e internacional alternativas mais eficazes para esse processo. Acho que houve uma tentativa de economizar na logística e gastar na infraestrutura. Me parece muito mais um projeto emergencial para tentar resolver alguma coisa. Houve uma discussão sobre esse assunto há uns 15 anos atrás que gerou esse resultado. Eu estudei os custos, temos que ter cuidado para não acusar os empresários. 

Meio Ambiente e combate aos aguapés nos rios 

Acho que a gente não precisa mais encontrar um culpado. Não é questão de fiscalização ambiental. O problema já não está mais na fase não ‘se o rio vai morrer ou não’, mas quando ele vai morrer. A gente sabe que não tem outra forma. O Saneamento está evoluindo, ninguém pode discordar, mas é evidente que a coisa está muito solta, e não está só concentrada em um problema específico das bocas que despejam esgotos, mas a própria visão que o teresinense tem do rio, pois o aproveitamento econômico é zero. Aquilo que o ser humano não utiliza ele relega ao segundo e terceiro plano e esquece. Só lembramos quando passamos e vemos a questão dos aguapés. Precisamos encontrar uma forma de utilizar o Rio Poti e o Parnaíba antes que a gente perca. 

Avenida Frei Serafim 

É uma dicotomia. A gente fica diante de uma pseudomodernidade, de uma solução de um problema que é o que mais afeta a população ou a manutenção da cultura, da tradição, que é um referencial. Eu vou um pouco além nessa questão. Quando Brasília foi construída, foi desenvolvida, houve um concurso de projetos. Foram apresentados vários projetos. Acho que a Prefeitura de Teresina pecou nas últimas gestões na possibilidade de abrir o leque de alternativas com uma visão externada da cidade. A gente poderia abrir um concurso de projetos e ver uma alternativa que mantivesse o referencial cultura e histórico da Frei Serafim e que a gente conseguisse trazer a modernidade. É preciso exaurir o máximo possível, porque, quando a gente fala de mobilidade urbana, a gente fala de algo que está o tempo todo mudando.


Georgiano Neto Deputado Estadual 


Foto: Jailson Soares/O Dia

Mobilidade Urbana, com foco no Inthegra 

A mobilidade urbana é um tema importante, que deve ser muito debatido em Teresina, pois a cidade cresce a cada dia e certamente também crescem os problemas. Em toda pesquisa que se faz a mobilidade é o principal problema enfrentado pela população. Infelizmente temos um sistema de integração do transporte público coletivo que foi feito a toque de caixa pela Prefeitura, não foi discutido com a população, tanto que eles ensaiaram uma PPP da Integração que não foi pra frente na Câmara Municipal porque houve uma reação muito forte por parte da população, especialmente dos usuários. Não houve um planejamento e agora estão tentando consertar o erro do passado. É importante haver essa discussão mais aprofundada, elaborar um plano diretor que tenha repercussão pelos próximos dez, vinte anos para que a gente possa ter um crescimento organizado não só na questão do transporte, mas também das vias e grandes avenidas que vão desafogar o tráfego de veículos. 

Meio Ambiente e combate aos aguapés nos rios 

A questão ambiental tem sido um dos temas mais debatidos no Brasil e no mundo. Aqui em Teresina não podemos fugir desse debate. A gente percebe uma pequena preocupação por parte da gestão municipal especialmente quanto ao combate aos aguapés nos rios Poti e Parnaíba. Temos que encarar isso com muita seriedade, compromisso para adotar as ações necessárias para conter o avanço da poluição, investimentos relacionados ao saneamento básico e lembrar que a Águas de Teresina tem feito um avanço muito grande. Eles têm um cronograma e eu já tive com a diretoria da empresa fazendo uma vistoria e a ideia é buscar a universalização do saneamento o mais rápido possível. O que temos é que monitorar os investimentos, cobrar dentro do possível para que tenha um avanço do cronograma na implantação do sistema de saneamento em Teresina. No caso da gestão municipal é importante encarar pra valer e combater os aguapés. Tornar mais rígidas as leis municipais para que a gente possa evitar o despejo de esgotos no rio, que tanto causa transtornos e poluição. 

Avenida Frei Serafim 

É o cartão postal de Teresina. Além de ser uma avenida histórica, uma avenida que é tombada pelo patrimônio histórico do município e também pela União. Precisamos, antes de qualquer intervenção nela, ouvir a população. Como eu falei: além de ser um cartão postal, também é símbolo da nossa cidade. É preciso, realmente, antes de qualquer intervenção, ouvir a população, as entidades de classe e os representantes da sociedade. Precisamos, além das interferências históricas, também pensar na questão ambiental. Temos na Avenida Frei Serafim árvores centenárias que precisam ser preservadas. A construção das estações precisa estar conciliada com a preservação histórica e ambiental. É preciso um consenso da sociedade junto com o poder público municipal que só vai vir com bastante diálogo. Como alternativa, nós acreditamos que as ruas e avenidas paralelas podem funcionar também como um corredor para o transporte público de passageiros.


Luciano Nunes Advogado 


Foto: Jailson Soares/O Dia

Mobilidade Urbana, com foco no Inthegra 

É importante destacar que houve discussão sobre o planejamento da mobilidade urbana em Teresina. O Plano Diretor de Teresina utiliza o modelo consagrado no Brasil e no mundo como o de maior êxito, e não exclui alternativas possíveis de serem agregadas, como o VLT e o metrô. Ao longo do tempo a cidade e o comportamento das pessoas mudam, e o Plano não pode ser considerado pronto e acabado. Depois da sua implementação, da construção das obras de infraestrutura, ele naturalmente passa por ajustes e vai continuar passando, porque o comportamento das pessoas e da cidade vai mudando, pedindo ajustes. O transporte coletivo é importante destacarmos que ele deve ser priorizado em relação ao transporte individual, pois transportam a maior quantidade de pessoas. Então dentro das principais vias, tem que se priorizar justamente os ônibus, pois transportam a maior parte da população e as pessoas que trabalham e não têm condições de ter o seu próprio automóvel. É um plano pensado e discutido, aprovado pela Câmara e que passa por ajustes ao longo do tempo. 

Meio Ambiente e combate aos aguapés nos rios 

Em Teresina, temos esses sinais que são os aguapés, que nada mais é que um grito do Rio Poti de que ele está poluído e sendo maltratado. A raiz do problema é o saneamento básico, aqui em Teresina a Prefeitura realiza o maior programa de saneamento da história que é o Lagoas do Norte, requalificação urbana e essencialmente de limpeza das lagoas da zona Norte de Teresina, enfim, são obras de saneamento básico e um trabalho que tem sido realizado ao longo dos anos, com resultados já a olhos vistos. Por outro lado, sabemos que há uma subconcessão ao governo e um contrato com a Águas de Teresina e que tem um cronograma para executar obras aqui na capital. A Prefeitura tem uma agência reguladora que acompanha o contrato. 

Avenida Frei Serafim 

O projeto é tão somente migrar as paradas que estão nas calçadas para o canteiro central da Frei Serafim. Qual o objetivo disso? Melhorar a mobilidade das pessoas. Evitar que pessoas idosas, doentes, gestantes, que tenham dificuldade de mobilidade fiquem atravessando a Avenida Frei Serafim que é uma avenida de trânsito altamente pesado. Esse projeto foi apresentado à população, houve audiências públicas também. As paradas estão completamente harmonizadas com o ambiente da Frei Serafim, tal como ele foi concebido hoje, e tem esse intuito único de facilitar o fluxo das pessoas, para evitar que elas tenham que atravessar a Avenida para se deslocar de uma parada para a outra. Um outro ponto é que a Avenida Frei Serafim tem uma mobilidade muito grande no seu canteiro central, porque quando foi modificada, lá na gestão do prefeito Sílvio Mendes, parecia mais uma corrida de obstáculos, com aqueles bancos de concreto atravessados. Na Avenida Frei Serafim é impossível se pensar em alternativa de corredores, porque nós temos de um lado o HGV, do outro lado o 2º BEC e mais na frente o Paulo VI. Então, não dá pra você trabalhar vias alternativas.


Valter Lima Empresário 


Foto: Jailson Soares/O Dia

Mobilidade Urbana, com foco no Inthegra 

Eu acho que em relação à mobilidade urbana, há um projeto de grande envergadura em Teresina, em que a população precisava ser consultada. Até para saber se a população aprova ou não, porque depois que já tá aprovado é mais difícil. Então o seguinte, esse projeto a Prefeitura já tomou dos pedestres, das pessoas que andam de motocicleta e motoristas, mais de 30% do espaço físico da cidade. É um problema que tem que ser avaliado e entendo que existem soluções simples e baratas. Acho que se as pessoas pegarem as avenidas paralelas e transformarem em vias de ônibus, ficaria muito mais interessante. Deixar as vias normais para viabilizar o tráfego de motoristas, e lembrar dos comerciantes. Isso é um debate importante que traz para a sociedade à discussão e tem propor ideias com viabilidade. Tenho certeza que há solução. 

Meio Ambiente e combate aos aguapés nos rios 

Esses aguapés, se eu não me engano, são 16 galerias jogando todo o esgoto de material pesado no rio e formando os aguapés que ficam disputando oxigênio com os peixes. Os peixes acabam fugindo do rio e, consequentemente, acabando com a pesca já que os peixes não se proliferam. Mas meio ambiente não é só o rio Poti, temos que aumentar a doação de mudas, temos que plantar mais, a periferia não tem acesso a este serviço, é preciso descentralizar, plantar mais árvores e oxigenar mais a cidade. Nossa cidade era conhecida como cidade verde, agora é cidade seca, mas eu acho que tem jeito para fazer isso. Espero que a sociedade civil organizada repense seu posicionamento. Essa cidade precisa respirar um ar muito mais puro. 

Avenida Frei Serafim 

A Avenida Frei Serafim é a principal artéria do coração da cidade. É uma avenida do século passado. A cidade começou, praticamente, pela Avenida Frei Serafim. Essa avenida tem aquele canteiro central muito bonito. Já pensou se modificarem o canteiro central da Avenida Frei Serafim? O quanto que vai mudar? Aquelas árvores centenárias, o povo que trafega por ali. O tráfego ali é constante. Sempre tem uma segunda ou terceira opção. Se nós trabalharmos uma avenida paralela para esse tráfego de ônibus a gente não precisa criar esse problema e nem esse transtorno para a população. Temos como trabalhar uma opção diferenciada para fazer um transporte bacana sem precisar mexer na Avenida principal da cidade. Todo mundo conhece a Avenida Frei Serafim como um cartão postal da cidade. Então, eu acho que é desnecessário. Não precisamos modificar, em absolutamente nada, a Avenida Frei Serafim. Tem outra opção: Já que vai gastar tanto dinheiro para fazer aquela obra de concreto, se quiser, também pode comprar um prédio, fazer as paradas em algum prédio, sem necessariamente ter que mexer no canteiro central. Para isso, deve ser feito um estudo, óbvio, para ver se realmente viabiliza esse trabalho.

14 de dezembro de 2019

Moradores tentam pacificar comunidade marcada pela violência

Moradores tentam pacificar comunidade marcada pela violência

Arte é alternativa usada para mudar a realidade da região que sofre com um histórico conflito de gangues

O rapper Luciano Leite hoje tem trânsito livre entre as vilas por anos consideradas inimigas “Esses conflitos existem desde que nos entendemos como gente nessa comunidade, o que atrapalhou muito o crescimento da região. O conflito foi evoluindo, entrou arma, drogas, polícia e fomos perdendo muitas amizades, amigos, conhecidos e pessoas próximas morreram”. 

O relato do editor de vídeo e rapper Luciano Leite, de 34 anos, parece a narração de uma cena muito comum em grandes cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, cujos índices de violência são bastante elevados. Mas, essa é uma realidade que está muito próxima de nós, do nosso dia a dia, na nossa Teresina. 

(Foto: Jailson Soares/ODia)

O cenário são as vilas Santa Cruz, São José e Paraíso, no bairro Promorar, zona Sul da Capital. Uma região marcada pela violência e conhecida pelos confrontos entre gangues. Palco de muitas mortes, falta de estrutura, famílias destruídas, mas também de música, arte e esperança. Apesar da rivalidade entre os grupos, o desejo de tornar as comunidades um lugar para todos nunca deixou de existir. 

Luciano Leite reside na Vila Santa Cruz e já presenciou muitos conflitos. Ele, junto com o rapper Preto Kedé, morador da Vila São José, foram os primeiros a buscarem uma pacificação através da música.

“O hip hop entrou de uma forma construtiva. Na época, começamos com a dança e, nesse meio da cultura hip hop, eu conheci um cara que era viral, que é o Kedé, mas só viemos ter contato quando criamos o grupo ‘A Irmandade’, onde tentamos falar e transparecer para aqueles envolvidos em conflitos de gangues através da música”, afirma.

O começo da mudança 

O rapper conta que a parceria provocou um período de turbulência entre as duas comunidades. Se transitar entre as vilas São José e Santa Cruz era complicado, a junção dificultou ainda mais. “Então, começamos a escrever, a gravar as músicas e nessa caminhada as pessoas foram vendo que estava tendo resultado, foram abraçando a ideia e fomos ganhando o respeito de todos, até o ponto de chegar a termos acesso, tanto eu lá [Vila São José], quanto o Kedé aqui [Vila Santa Cruz]”, disse.

O rapper Luciano Leite hoje tem trânsito livre entre as vilas por anos consideradas inimigas (Foto: Jailson Soares/ODia)

Se antes o acesso era limitado, tanto para os moradores como para quem precisava se deslocar pela cidade, como taxistas e mototaxistas, essa parceria entre Luciano e Kedé foi criando, aos poucos, uma certa tranquilidade para a população e tornou-se cada vez mais presente na vida das comunidades.

Antes, até quem não era envolvido com o conflito de gangue e grupos rivais tinha medo. Pessoas, pais de família, mães. A gente que viveu isso também tinha medo, até hoje temos um pouco de receio de dobrar a rua e topar com alguém, mas hoje a gente ganhou muito respeito das comunidades e somos conhecidos”, salienta Luciano Leite.

Raízes do conflito 

Os conflitos entre as vilas Santa Cruz, São José e Paraíso iniciaram em 2009, após a morte de um jovem que jogava bola em um campo de futebol na região. “Ainda éramos moleques e eu vi isso de perto. Ele morava na Vila Paraíso, então eles vingaram a morte do rapaz na Vila São José, e foi assim que começou, um eliminando o da outra comunidade”, conta Luciano Leite, acrescentando que, desde então, centenas de pessoas foram assassinadas por conta dessa rivalidade.

Cenário esse que está bem diferente atualmente. Graças à música, a comunidade está vivendo dias mais tranquilos e a rivalidade entre as gangues diminuiu o derramamento de sangue. “Ainda ouvimos, vez ou outra, tiros sendo disparados na comunidade durante a madrugada. Mas hoje já conseguimos ver as pessoas andando nas ruas, crianças brincando e as pessoas estão mais sossegadas. A gente está vendo que deu resultado, não só com a música, mas a cultura e em organização”, confessa.

11 de dezembro de 2019

Medo de perder direitos impulsiona casamentos LGBTs no Piauí

Medo de perder direitos impulsiona casamentos LGBTs no Piauí

Casais revelam que, com a eleição do presidente Jair Bolsonaro em 2018, resolveram acelerar os trâmites matrimoniais. Dados do IBGE comprovam aumento

A união civil entre casais LGBTs aumentou 85% em 2018 e uma das motivações seria o resultado das eleições presidenciais no Brasil. Segundo casais homoafetivos, a onda de conservadorismo que emergiu com a eleição de Jair Bolsonaro, os deixaram apreensivos quanto a possível perda de direitos.   

A advogada Mishelle Coelho, de 35 anos, e a auxiliar de veterinária Vivianne Avila, de 29, tinham planos de oficializar a relação de cinco anos com uma cerimônia não só para celebrar o amor, mas também pelo “receio de perder o direito de casar, ter os mesmo direitos de um casal considerado normal devido à onda de conservadorismo”. Elas casaram no dia 9 de novembro de 2018, pouco tempo depois que Jair Bolsonaro foi eleito o 38º presidente da república do Brasil.

“Primeiramente eu me casei por amor. Eu já convivia com a minha esposa há cinco anos e completamos um ano de casadas no mês passado. Nós oficializamos nossa relação justamente por esse receio que, neste ano de 2019, algumas mudanças que foram discutidas durante a campanha presidencial fossem cumpridas. Uma delas era diminuir os direitos dos casais homoafetivos em virtude da conservação da família tradicional”, afirma Mishelle, em entrevista ao Portal O Dia.

Durante a corrida presidencial em 2018, Mishelle e Vivianne acompanharam as declarações do então candidato Jair Bolsonaro sobre os direitos LGBT e, consequentemente, a definição do conceito de família.

“O nosso casamento tem também esse viés político, mas foi por amor, por querer constituir uma família, foi por querer construir uma vida juntas e oficializar uma situação que a gente já vivia. Muito embora nós sejamos casadas, quando vamos falar para as pessoas que somos casadas, elas acham que não é algo oficial. Às vezes, precisamos até comprovar mostrando nossa certidão de casamento”, aponta Mishelle, que casou no auditório da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), juntamente com mais de 200 casais heterossexuais.

Para Mishelle, além de passar um recado contra o conservadorismo vigente, o casamento entre pessoas do mesmo sexo faz com que pessoas LGBT se sintam encorajadas para tomar a decisão de casar. “Eu acredito que existem muitas pessoas que não têm coragem de assumir, de casar e assumir pra sociedade em geral que estão vivendo uma relação homoafetiva por receio do preconceito, retaliações. Após meu casamento, três amigas também se casaram por minha influência”, completa.


Dados

Dados do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na última quarta-feira (04), mostram que casamentos entre pessoas do mesmo sexo aumentaram 87,5% no Piauí entre 2013 a 2018.

Mesmo com o número expressivo, em comparação ao total de matrimônios oficializados no Piauí no mesmo período, casais LGBT representam apenas 0,45% de acordo com a pesquisa.

Os dados também mostram que a variação do casamento LGBT realizado no intervalo de 2013 e 2018 entre cônjuges masculinos foi de 325%. No mesmo período, houve crescimento de 55,56% no número de casamentos nos quais os cônjuges eram mulheres.


Matizes preparou casamento comunitário em Teresina

No ano passado, também temendo a perda de direitos, diversos casais LGBTs oficializaram as relações durante um casamento coletivo realizado pelo Grupo Matizes - organização não-governamental que atua na prestação de assessoria jurídica para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros no Estado.

A vice-coordenadora do grupo, Marinalva Santana, disse ao Portal O Dia que, à época, as pessoas estavam se sentindo ameaçadas e por essa razão procuraram oficializar a união.

“Quando realizamos os casamentos naquela época, as pessoas estavam se sentindo ameaçadas e nos procuraram para oficialização da união logo após o presidente Jair Bolsonaro ser eleito. As pessoas tinham receio de perder seu direito de matrimônio após 10 e 15 anos de relação e, muitas delas, casaram. O Dado do IBGE com certeza é um retrato disso”, avalia.

Sobre o casamento LGBT

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar em 2011. Porém, uma resolução aprovada em 2013 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) obriga que os cartórios de todo o país realizem o casamento civil e converta a união estável homoafetiva em casamento. 


07 de dezembro de 2019

Imigrantes venezuelanos buscam um novo recomeço em Teresina

Imigrantes venezuelanos buscam um novo recomeço em Teresina

Sem moradia e emprego, tentando superar as barreiras impostas pela língua e pelos costumes, famílias de imigrantes da Venezuela chegaram a Teresina em busca de oportunidade, mas aqui encontraram o desalento.

A história do Brasil confunde-se com a história da imigração no país ou vice-versa. Ainda em 1530, aqui estão os portugueses envolvidos com o plantio da cana-de-açúcar. Durante o Brasil-Colônia e ao longo do período monárquico, a imigração portuguesa se impõe como a mais expressiva. Mais adiante, início do século XIX, a imensidão do território nacional é vista, na Europa e na Ásia, como uma vastidão de oportunidades.

Diante de dificuldades econômicas em suas terras natais, suíços, italianos, alemães, espanhóis e japoneses vislumbram a chance única de prosperar por estas bandas, estabelecendo-se, sobretudo, nas regiões Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo) e Sul (Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Depois, chegam outros imigrantes de diferentes procedências, como sírio-libaneses e armênios, chineses e coreanos.

Afinal, com o fim da escravidão no país, ano 1888, muitos latifundiários preferem contratar como mão de obra imigrantes europeus em vez de ex-escravos, mediante estímulo do próprio governo, que incentiva campanhas para trazê-los. Há, também, os que vêm para cá, fugindo das duas grandes guerras mundiais que atingem, com crueldade, o continente europeu. Por tudo isso, não é à toa que, na recém-lançada autobiografia de Fernanda Montenegro, “Prólogo, ato, epílogo: memórias”, ao relembrar a saga de seus antepassados: lavradores portugueses, do lado paterno; pastores sardos, do lado materno, ela diz que os avós maternos chegam no mesmo navio, ano 1897, como integrantes de uma caravana de 800 italianos destinados a trabalhar nos cafezais de Minas Gerais.

Os portugueses da família paterna, por sua vez, não vieram em levas de imigrantes, mas, sim, para se unirem aos parentes já instalados no Rio de Janeiro. “A grande dama da dramaturgia brasileira” reforça os males que acompanham a imigração desde então, com um desabafo genuíno: “não se é imigrante impunemente.”

Teresina dos venezuelanos

Na realidade, não é fácil. Daí, a dificuldade de discutir a imigração. Nossa Teresina é, agora, também, a Teresina dos venezuelanos. As diferenças vão além das vestimentas. 

Estão nos hábitos mais simplórios. Agravam o problema de moradia de nossos sem-teto. Ampliam as margens do desemprego. De uma forma incipiente ou subjacente, podem incrementar a delinquência. Inquietam a população.

Não importam os esforços do Poder Público local. Há, ainda, muito a ser feito. Por exemplo, desde que os refugiados começaram a chegar à capital do Estado, as autoridades buscam reduzir a mendicância e, sobretudo, impedir que os adultos utilizem suas crianças para isso, em grave delito previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Mesmo assim, vez por outra, crianças e anciãos são vistos nos semáforos a solicitarem ajuda.Uma moeda que seja! 

Foto: Assis Fernandes.

Este é o retrato em preto e branco dos últimos seis meses em que os venezuelanos habitam Teresina, por onde já passaram cerca de 220 cidadãos. Atualmente, apenas 140 continuam na cidade. Muitos foram buscar abrigo em outros estados, alegando que o auxílio oferecido pelos governantes não supre suas demandas básicas.

Na cidade, eles estão abrigados em dois locais. No bairro Poti Velho, estão 55 pessoas sob a coordenação da instituição filantrópica Cáritas Diocesana de Teresina. No bairro Buenos Aires, são 85 imigrantes, sob o apoio da Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi).

Foto: Assis Fernandes.

Visita a um dos dois albergues – o do Poti Velho – na antiga Associação dos Pescadores, nos dá ideia de como estão sobrevivendo. A imagem dos venezuelanos largados num local onde o calor parece sufocar, a sujeira sobra e a desesperança marca presença, é aflitiva. 

Há indivíduos de todas as idades. Há velhos, adultos, jovens e muitas crianças. As palavras parecem e são, de fato, inócuas e inúteis para descrever os corpos esquálidos e a tristeza estampada no olhar. São silenciosos. Além da barreira da língua – a maioria não fala sequer o espanhol, mas, sim, a língua nativa de suas tribos, a exemplo da tribo Warao – e há o temor estampado no rosto frente ao futuro e aos estranhos que chegam por lá.

Ao entrar no abrigo, o primeiro olhar dá conta de um grande pátio, com uma mesa ao centro, geladeira, fogão e tanque de lava roupa deteriorados, por onde correm em círculo crianças de todo tamanho, aparentemente imunes à dor do abandono. Nas salas transformadas em “casas” para as muitas famílias, o mau cheiro toma de conta. É possível ver roupas jogadas no chão, restos de comida, colchões rasgados, meias, sapatos velhos, chinelos rotos, panelas sem tampa ou artisticamente amassadas, etc. etc. O ventilador de teto que não mais funciona serve de lar para as aranhas que parecem disputar espaço. O banheiro é outro lugar desumano: canos quebrados, chuveiro inexistente, bacia com água, porta sem fechadura que não fecha, varais improvisados, onde peças íntimas morrem de pudor. Uma situação que representa a tristeza de viver longe do habitat natural. Em meio a esse cenário, o ócio consome o lugar, não há o que fazer,não há para onde ir.

Em seu país de origem, os venezuelanos caçavam e plantavam para comer e sobreviver. Mas em meio à selva de pedra, esse trabalho não é possível. O alimento vem através da Semcaspi. A cada semana, seus representantes levam alimentação, com o cuidado extremo de respeitar os hábitos alimentares dos imigrantes. Mesmo assim, a comida que recebem dos governantes parece insuficiente. As queixas são muitas. Além de manterem uma dieta diferente, comem muito.

As conquistas dos venezuelanos que estão abrigados em Teresina

Dentre todos os desafios, alguns direitos já foram conquistados junto aos órgãos públicos, como emissão da carteira de identidade, carteira de trabalho e CPF. Outra novidade muito boa, sobre a qual o Cacique Abel Rattia conta com muita alegria é que há cerca de 15 dias, as crianças do abrigo do Poti Velho começaram a estudar com voluntários do Movimento pela Paz na Periferia ou MP3.

“Vamos ficar aqui e as crianças estão indo à escola. Estou acompanhando as crianças, terça e quinta. Por aqui ninguém aprende nada. Todos os dias, a criança fica sem fazer nada e aqui não vai aprender português. Lá, elas brincam, comem e voltam para cá.”

O Coordenador do MP3, Francisco Chagas do Nascimento Júnior, ou, simplesmente, Júnior MP3, conta que a iniciativa de alfabetizar cerca de 60 crianças e adolescentes surgiu ao perceberem a ociosidade vivenciada por esses meninos e essas meninas no lugar de acolhimento.

“Eles são crianças em idade escolar. Estavam sem fazer nada há mais de seis meses nos abrigos. Então pegamos uma liderança indígena que trabalhava na tribo como professor. Ele está ajudando a ministrar as aulas junto com os voluntários do MP3. Auxiliam com atividades esportivas; na alimentação; na recepção e na limpeza. Porém, falta combustível e mais alimentação. Precisamos resolver para o ano de 2020. Precisamos de frango, arroz, macarrão, batata e macaxeira para atendê-los de forma integral de segunda a sexta-feira,” reitera Júnior MP3.

Além disso, o MP3 pede para a sociedade civil doar, sempre que possível, materiais de limpeza e de higiene, material escolar e esportivo, colchonete e frutas. O Cacique Abel Rattia vai além e pede roupas, fraldas, remédios, alimentação e produto de limpeza, pois segundo ele, o que vem da prefeitura não é suficiente. Tudo em torno do objetivo maior de assegurar dignidade e oportunidades para as crianças indígenas e sua gente. Afinal, sempre é tempo de rever o fato de que, como diz Fernanda Montenegro, “não se é imigrante impunemente.” Há permanente aflição em busca de sobrevivência!



02 de dezembro de 2019

Ceia natalina sob encomenda é opção para quem busca praticidade

Ceia natalina sob encomenda é opção para quem busca praticidade

Algumas empresas oferecem esse serviço em Teresina, uma proposta que tem tido muita aceitação no mercado.

O final do ano está chegando e com ele as festas de Natal e confraternizações, momento de comer bem e celebrar com familiares e amigos. Por isso, nada melhor que uma mesa farta e saborosa para acompanhar esses momentos especiais. E como muitas pessoas querem aproveitar os encontros para ficar mais próximos dos entes queridos, passar o dia inteiro na cozinha preparando a ceia não é uma opção.

Por isso, uma alternativa é encomendar a ceia já pronta. Algumas empresas oferecem esse serviço em Teresina, uma proposta que tem tido muita aceitação no mercado. Cynthia Ribeiro, cake designer e culinarista, é responsável por um desses estabelecimentos. Ela e a mãe administram um buffet há oito anos e, desde o ano passado, começaram a fornecer ceias natalinas prontas.

“A vida de todo mundo está tão corrida que acaba faltando tempo e disposição para cozinhar e preparar suas refeições. Elas querem aproveitar esse momento com a família para ficarem mais tempo juntas e não querem perder tempo cozinhando; por isso, as pessoas estão mudando seus hábitos e optando por comprar tudo já pronto”, comenta a culinarista.

Cynthia lembra que, há alguns anos, as famílias costumavam procurar os buffets e outros estabelecimentos para que assassem o peru ou porco, por ser um preparo mais trabalhoso e que demanda tempo. Mas, justamente pela praticidade, a demanda passou a crescer para os outros pratos da ceia. 

“Desde o ano passado, temos sentido que as pessoas já estão nos procurando para fazer a refeição completa. Elas não querem mais fazer nada, querem encomendar tudo, desde o arroz, a salada, o prato principal e a sobremesa. Vendo essa demanda, passamos a oferecer a ceia completa já pronta e a procura tem sido boa”, comenta.

É muito comum que em festas de Natal e confraternizações cada membro fique responsável por preparar e levar um prato, compondo assim a ceia. Porém, arrecadar uma cota de cada integrante e contratar o serviço de buffet acaba sendo mais vantajoso e em conta. 

“Hoje as pessoas preferem fazer uma cota e encomendar a ceia; então quando chega lá, já está tudo no ponto. E sai até mais barato, porque quem fica com o peru acaba pagando mais caro. As pessoas estão optando por esse tipo de proposta pela praticidade. Antigamente, nem todo mundo trabalhava fora, mas hoje as mães de família não ficam mais o dia todo em casa. Como a mulher está cada vez mais ativa no mercado de trabalho, tudo tem que ser mais prático por conta desse tempo, pois ninguém tem como ficar o dia todo na cozinha”, reforça Cynthia Ribeiro.


Pedidos devem ser feitos com antecedência

O brasileiro tem o hábito de deixar tudo para a última hora, o que pode ser bastante arriscado. Quem quer encomendar uma ceia de Natal pronta precisa ficar atento aos prazos dos buffets, que necessitam fechar suas encomendas, abastecer o estoque e se programar para entregar todos os pedidos no prazo certo.

A cake designer e culinarista Cynthia Ribeiro pontua que os pedidos devem ser feitos até a primeira quinzena de dezembro, tanto para ceias familiares como de confraternização. “Muitas pessoas estão perguntando como faz para reservar, mas fechar o pacote somente 15 dias antes. Nós temos um número certo de encomendas que recebemos, que é de 20 ceias para o dia 24. Precisamos que o pedido seja feito com antecedência exatamente para que nós também possamos nos organizar”, salienta.

O pacote não deixa a desejar e serve até 20 pessoas. Porém, a especialista lembra que é possível fechar uma ceia para mais ou menos pessoas, desde que combinado previamente. No menu são oferecidas duas opções de carnes, uma de salada, uma massa, um tipo de arroz e a sobremesa. Apesar da diversidade de pratos, a culinarista ressalta quais são as opções mais solicitadas pelos clientes.

“A pessoa encomenda e, no dia 24, nós deixamos o pedido na casa dela. Também recebemos encomendas para confraternizações de empresas. Deixamos tudo nas vasilhas descartáveis ou, se a pessoa quiser, ela pode trazer seus recipientes um dia antes. Mesmo o cardápio sendo bastante variado, o peru e o filé são os mais procurados, acredito que pela tradição”, acrescenta. 

Geração de emprego

E para dar conta de tantas encomendas, o quadro de funcionários é aumentado nesse período. Cynthia Ribeiro explica que seis pessoas já fazem parte da equipe, mas, nesta época do ano, são abertas novas vagas.

“Sempre contratamos mais pessoas para trabalhar no final de semana, para que consigamos atender à demanda. Temos as pessoas que já trabalham conosco há alguns anos e isso gera emprego. Esse é um período que aquece bastante, não somente em relação à ceia de Natal ou confraternização, mas em casamentos e festas em geral. Até os casamentos estão sendo realizados mais em dezembro do que em maio”, conclui a cake designer e culinarista.


Pets precisam de cuidados nas festas de final de ano

Pets precisam de cuidados nas festas de final de ano

Os fogos de artifício também podem deixar animal estressado, ansioso e com medo

Uma das preocupações nesta época do ano para quem tem cães e gatos é o risco de choque elétrico e outros acidentes domésticos. Os atrativos pisca-piscas das árvores de Natal, bem como os outros enfeites podem ser engolidos pelos animais e causar sérios problemas. A médica veterinária Joyce Magalhães diz que isso pode acontecer porque os pets são muito curiosos.

“Enfeites que se mexem ou acendem luz despertam ainda mais a curiosidade dos pets. A gente tem que pensar que tudo que eles pegam eles põem na boca. Então, a probabilidade de eles quebrarem o enfeite e engolir, seja de plástico ou de vidro, é muito grande”, declara Joyce Magalhães.

Para a veterinária, o animal é como uma criança e você deve comprar os enfeites pensando nos riscos que podem causar. Outra dica é que os tutores deixem os enfeites suspensos, longe do alcance dos animais. Sobre a fiação dos pisca-piscas, ela recomenda que não deixe o fio ao alcance do gato.

“O choque é uma grande preocupação da gente nessa época do ano devido à quantidade de luzes que costumamos utilizar para enfeitar a casa. Se o gato estiver ocioso, ele pode mexer nos fios de modo que possa se enroscar e morder. Nesse caso, é urgência e emergência e tem que correr para a clínica mais próxima e já conversando com o veterinário”, frisa Joyce Magalhães.

Ao engolir algum objeto também é importante levar o animal ao veterinário para realizar exames, como Raio-X. O profissional vai verificar se realmente o animal ingeriu um objeto estranho, qual o tamanho e as medidas a serem tomadas, pois cada caso é um procedimento diferente.


Fogos de artifício podem deixar animal estressado, ansioso e com medo

Após as festas de Natal, vêm os fogos de artifício na virada de ano. Os barulhos e as luzes podem deixar o animal estressado, ansioso e com medo. O ideal é que o processo de dessensibilização seja feito ainda quando filhote, para que ele se adapte aos sons estranhos.

“Às vezes, a gente mora em apartamento, mora sozinho, não tem criança, e o dia do filhote em casa é muito silencioso e o ideal é que não seja assim. Quando filhote, a gente expõe o animalzinho a barulhos mais intensos para que vejam que não é nada demais”, orienta Joyce Magalhães.

Se o cachorro ou gato for adulto e já tiver medo de fogos, o ideal é procurar um profissional, pois para dessensibilizá-lo é preciso fazer uso da medicina interativa. 

“O perigo de quando o animal já possui o medo é que, com o decorrer dos anos, ele pode ter uma parada cardiorrespiratória devido à ansiedade e ao medo que sente. Mas para ajudar, podemos utilizar a musicoterapia ou a acupuntura. Outra coisa importante é que se ele entrou em baixo da cama ou de algum móvel, não tente tirar ele porque é o lugar que ele se sente seguro. Coloque um som da televisão que ele já está acostumado, a música é boa porque os batimentos cardíacos vão no ritmo da música e libera dopamina, serotonina e vai acalmando o animal”, explica Joyce Magalhães 

A veterinária ressalta ainda que não é recomendado segurar o animal no colo e ficar apertando, porque isso deixa o animal mais ansioso e com medo. O ideal é usar alternativas como um espaço que ele se sinta, mas seguro. “Ainda dá tempo de procurar um profissional e treinar o animal para a virada do ano. Temos que evitar fugas, acidentes, porque o pet quer fugir do barulho, então vamos ajudá-lo a perceber que ele pode conviver com aquilo”, conclui Joyce Magalhães.


Curiosidade: Qual o dia certo para montar a árvore de Natal?

As festas de fim de ano mexem com a emoção e o imaginário de várias pessoas. Muitas, ansiosas pelo período, já começam a montar a árvore de Natal logo após o Dia das Crianças. Mas existe um dia certo para montar este símbolo natalino?

Segundo a tradição cristã, o dia certo para montar a árvore de Natal é no primeiro domingo do Advento — tempo litúrgico que dura quatro semanas e marca a preparação para o nascimento de Jesus. Em 2019, essa data é dia 1º de dezembro.

Já o presépio deve aguardar mais duas semanas para ser montado: ele aparece no terceiro domingo do Advento — dia 15 de dezembro, que é marcado pelo Evangelho da anunciação de Jesus pelo anjo Gabriel à Maria. Esta data também é uma alternativa para montar a árvore de Natal, já que alguns grupos católicos têm o costume de deixar para este dia.

E quando desmontar?

O dia que marca o fim das festividades de Natal na Igreja Católica é o Dia de Reis, que acontece no dia 6 de janeiro. No entanto, como a celebração da liturgia em si só acontece no domingo após a data, a decoração se estende até o dia 12 de janeiro de 2020.