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Notícias Especiais

16 de agosto de 2019

Família constrói residência ecológica para preservar recursos

Família constrói residência ecológica para preservar recursos

Técnicas de reaproveitamento de água e uso de placas solares estão entre as medidas adotadas pela família Mourão

“A nossa natureza está gritando por socorro há muito tempo e as pessoas ainda não têm essa visão e isso é de se lamentar”. A reflexão é da professora aposentada Fátima Mourão, que sempre se preocupou com o meio ambiente e com o uso racional de água e energia em sua casa.

Ela, que adora plantas, construiu uma residência ecológica e, para manter a vegetação impecável, toda a família planeja desde o adubo até a água que irá irrigar a plantação. No início, a professora reutilizava a água da máquina de lavar roupa para regar as plantas, mas os artifícios evoluíram.

“Como meu filho é arquiteto, ele fez uma especialização em arquitetura sustentável e a gente deu carta branca para ele fazer da forma que ele queria, que fosse adequado e que aproveitasse o máximo do que ele aprendeu no curso. Nós aproveitamos a água da chuva, não jogamos cascas de banana fora, nem um pedaço de tronco”, conta Fátima.

Anderson Mourão, filho de Fátima, explica como é feita a irrigação da casa. “Durante a chuva, a água é canalizada diretamente para a cisterna. A água é reutilizada em um sistema de automação para irrigar toda a vegetação, no térreo, na cobertura, nos horários certos. São quatro acionamentos que duram, mais ou menos, cinco minutos, com isso reduz o consumo de água, além de ser prático, porque não precisa irrigar manualmente”, fala.


Anderson Mourão mostra as placas de energia solar que foram instaladas na casa - Foto: O Dia

Além da economia financeira, a família se beneficia com as verduras que plantam, já que não é aplicado agrotóxico nos alimentos. “Minha horta tem uma qualidade melhor na produção das verduras que a gente consome, porque não tem agrotóxico e a gente tem uma certa economia, até com a mão de obra”, explica a professora.

Energia renovável 

De acordo com o arquiteto Anderson Mourão, produzir a própria energia está se tornando cada vez mais atraente e possível para as famílias. O investimento em placas solares tem retorno rápido, além de ajudar o meio ambiente.

“A intenção, desde o início, foi reduzir ao máximo o consumo de energia, então produzir sua própria energia reduz o consumo que vem da rede pública e, consequentemente, o valor da conta de energia. A gente fez o sistema com baterias, que acumulam energia por meio de placas solares; então, quando falta energia lá fora, aqui dentro não falta, porque é independente”, esclarece o arquiteto, acrescentando que “a tarifa da energia só aumenta e o valor das placas de energia solar reduz a cada ano. Com isso, hoje é muito fácil investir em energia solar do que investir em banco ou em outra forma”, completa.

O esgoto da casa também é tratado de forma diferente. Na residência não existe fossa convencional. Anderson Mourão utiliza um sistema de bacia de evapotranspiração, conhecida também como fossa de bananeira. A construção custa, em média, R$ 360 e o retorno do investimento é positivo.

“99% do esgoto é água, então com essa técnica as bananeiras puxam toda água e evaporam para o ambiente, e 1% de sólido, as bactérias já digerem e a própria planta se alimenta, por isso ele não enche e você tem essa reutilização na própria planta, além de uma banana deliciosa. Esse é um sistema que imita os padrões da natureza”, descreve.

Vinda do interior, família mora no mesmo bairro de Teresina

Vinda do interior, família mora no mesmo bairro de Teresina

Pais, filhos, netos e cunhados não se desgrudam e relatam os prazeres e contratempos de morarem tão perto uns dos outros.

Harmonia e boa convivência. São essas palavras que definem a família Oliveira. Com origem na cidade de União, a 65 km de Teresina, os Oliveiras se instalaram há décadas na Capital. Para se sentirem seguros e confiantes, optaram por morar em locais próximos uns dos outros.

Sidney Negreiros tem três filhos e é casado com Amparo. Para o chefe da família, morar perto dos cunhados, filhos e netos é uma honra e, mesmo que às vezes haja algumas discussões, a parceria faz com que os momentos de desentendimento se tornem insignificantes. 

“A gente já se acostumou. Não nos vemos não morando aqui. Temos uma harmonia boa, mas, de vez em quando, tem uma briguinha, mas coisa pequena e que não atrapalha em nada a convivência. Morar perto é muito útil em vários aspectos; por exemplo, quando precisa de alguma coisa, a gente grita, é um tipo de auxílio que facilita a vida”, conta Sidney Negreiros.


Foto: Jailson Soares/O Dia

Outro privilegio que Sidney conta com orgulho é poder acompanhar o crescimento dos filhos e netos. “Sidney Filho mora atrás da nossa casa e nós temos uma coisa muita boa de família que muitos pais não têm, é que nos vemos nossos três filhos e os netos todos os dias. Temos ainda o almoço dominical pelo menos uma vez por mês, fora Dia dos Pais e das Mães”, revela.

E o ponto de equilíbrio da família é Amparo Negreiros. Ela quem fica com os netos e sobrinhos quando os pais precisam resolver algum problema. “Eu agradeço muito a Deus porque nós estamos aqui juntos, meus irmãos, filhos, sobrinhos e netos. Os vejo quase todos os dias, cada um tem a sua chave para se sentir à vontade na minha casa. É um orgulho ser auxílio para eles. Hoje em dia é muito difícil as famílias se reunirem e meus filhos moram aqui próximo, sem ter problemas sérios, é meu maior orgulho”, conta emocionada. 


Parte da família mora no térreo e outra no primeiro andar da casa - Foto: Jailson Soares/O Dia

Geyza Negreiros, é filha de Amparo e Sidney e não quis sair de perto dos pais nem para trabalhar. A empreendera abriu um pet shop na esquina da casa dos pais e, quando precisa de ajuda no atendimento ou até no lanchinho da tarde, ela recorre à mãe.

“Após casar, procurei me manter perto, inclusive abri um comércio perto de casa. Eu tenho que agradecer todos os dias a Deus por estar trabalhando do lado da casa da minha mãe, pois poucos têm essa oportunidade. Eu considero uma dádiva mesmo e assim eu posso vê-la e abraçá-la todos os dias. Ela também me dá apoio com as crianças, pois, quando preciso de suporte com os meninos, a gente está sempre próximo, então nos sentimos acolhidos e isso fortalece o elo familiar”, diz Geyza.

Além dos filhos próximos e das frequentes visitas, Amparo e Sidney moram em uma casa que possui dois andares, eles moram no térreo e Osmar e Bernadete Bonfim residem na parte de cima da casa. Amparo e Osmar são irmãos e cultivaram a união da família para permanecerem sempre juntos.


Geyza Negreiros, para não sair de perto dos pais, abriu um petshop na esquina da casa dos pais - Foto: Jailson Soares/O Dia

O elo entre as cunhadas Bernadete e Amparo ultrapassa o limite familiar. Além de dividirem o mesmo quintal, elas se auxiliam na hora da doença, da alimentação e dos problemas. “Eu me sinto segura por ter as pessoas de confiança perto. Às vezes, eles gritam, ‘tia Bete tem tomate? Tem isso?’ e eu respondo ‘pega aqui na escada’. É bom, pois estamos sempre presentes em tudo, nas trocas de alimentos quando precisa ou na necessidade de saúde”, explica Bernadete Bonfim.

Seu Osmar brinca ao lembrar que até as entregas de toda família são feitas na casa dele, já que todos da comunidade sabem que a família não se desgruda. “As correspondências chegam todas juntas e os carteiros jogam em só uma casa, por saber que já é da família”, pontua.

Teresina 167 anos: do quintal de casa às imponentes construções

Teresina 167 anos: do quintal de casa às imponentes construções

A família de Maria de Nazaré Alves mora na região que hoje abriga o Parque da Cidadania há mais de 30 anos

O Parque da Cidadania, localizado na Avenida Frei Serafim, é hoje um dos pontos turísticos e de lazer mais visitados de Teresina. Antes de ser inaugurado em 2016 e de se tornar um espaço destinado a manifestações culturais e atividades esportivas, o local era apenas um grande terreno abandonado. 

Natural de Campo Maior, dona Maria de Nazaré Alves mora ao lado do Parque da Cidadania há mais de 30 anos e viu o local se transformar no que é hoje. “Viemos de Altos para Teresina em 1986 porque meu marido era ferroviário. Aqui não tinham casas, só a nossa. Quando viemos para cá, já tinha meus dois filhos e criei mais três. Eu gostava de morar aqui e, mesmo sendo isolado, eu não tinha medo. Eu acompanhei todo o processo de mudança desse local. Na frente da estação, tinham casas, as pessoas tiveram que sair e foi ficando diferente e também vi a construção de grandes prédios importantes na Avenida Miguel Rosa”, comenta.

Mesmo pequena, com apenas 10 anos na época, a filha de dona Maria de Nazaré, a cerimonialista Eveline Alves lembra de muitos detalhes de sua infância, inclusive da construção da ferrovia. Ela conta que brincava em meio à obra com os irmãos e criou laços de amizade com os operários que trabalhavam no local.


Maria de Nazaré acompanhou a construção da estação ferroviária e do Parque da Cidadania - Foto: Elias Fontinele/O Dia

“Para mim é muito gratificante ver a mudança e o desenvolvimento porque, quando chegamos, o acesso era ruim, só mato, não tinha nada, nem vizinhos. Quando chegamos aqui, ainda não tinha o metrô, então tínhamos acesso para passar pelo muro. Acompanhamos a construção do metrô. Brinquei muito no meio da construção, tanto que, para fazer as escavações, tiveram que colocar dinamite e para nós era muito divertido e participamos de tudo. Por medida de segurança, tínhamos que sair de casa, mas nas horas vagas brincávamos dentro da construção. Tínhamos amizade com os operários e com todo o processo e transformação”, conta Eveline Alves.


“Para mim é muito gratificante ver a mudança e o desenvolvimento" - Eveline Alves


Experiência entre gerações

A mesma experiência que Eveline viveu na infância, seus filhos passaram na época que o Parque da Cidadania foi construído. Ela conta que as crianças também acompanharam o processo e as mudanças que foram implantadas e, para Eveline, ver essa evolução de um local, que antes era abandonado e hoje é um dos pontos mais visitados da cidade, dá uma sensação de gratidão.

“Eu vi meus filhos passando por esse processo, pois eles participaram da construção do parque. Hoje o Matheus tem 22 anos e a Isadora 19 anos, mas, na época, eles eram adolescentes. Hoje eu posso dizer que, por ter participado de todo o processo de construção do Parque, me sinto contemplada em ver as famílias desfrutando desse local. Dá uma sensação de pertencimento, pois é como se hoje nós realmente tivéssemos fincando nossa vida aqui, pois, até então, nós só morávamos, mas hoje temos nossa origem aqui justamente por termos participado”, comenta Eveline. 


Foto: Elias Fontinele/O Dia

Já as memórias de dona Maria de Nazaré vão além de estruturas físicas. Ela, além de ter alimentado os operários que trabalharam na construção do Parque da Cidadania, ainda ajudou a alfabetizar um dos operários da obra. Com a aproximação cada vez maior, dona Maria teve o prazer de, no muro da sua casa, ser construída uma porta que dá acesso ao Parque.

“Eu que cuido dos patos que vivem na lagoa do parque. Eles só vivem querendo entrar dentro de casa. Para mim, aqui tem muita atividade e eu gosto de ficar acompanhando, é como se o parque fosse o quintal da minha casa”, conclui dona Maria de Nazaré.

Poti Velho: do berço à expansão da cidade

Poti Velho: do berço à expansão da cidade

No dia do aniversário de 167 anos da capital piauiense, O DIA reúne histórias de quem fincou raízes no nosso solo.

Ao longo de 167 anos, Teresina cresceu e tem se transformado em uma cidade moderna e desenvolvida. Muito desse crescimento se deve à população, um povo acolhedor, batalhador e cheio de histórias para contar. E por estar localizada entre dois rios, Parnaíba e Poti, é de suas margens que começa a história da cidade.

O bairro Poti Velho (antigamente chamado de Vila Nova do Poti), na zona Norte de Teresina, é essencialmente formado por pescadores, pequenos agricultores e comerciantes. Até hoje, a região preserva os costumes e as tradições do povo que nasceu e construiu sua vida e famílias tirando o sustento desse solo. José Serapião de Sousa Filho, de 90 anos, é um dos moradores mais antigos da Boa Esperança, região que integra o Poti Velho. Ele mora no bairro há mais de 50 anos e viu muitas mudanças acontecerem.

Natural de Campo Maior, José Serapião chegou ao bairro ainda garoto, acompanhando trabalhadores que instalavam tubulação de água. Na época, o local era rodeado de fazendas e ele era responsável pelas vacarias. Lá, ele casou com Vitória Cardoso de Melo e da união, que já dura 41 anos, nasceram seis filhos. Hoje, a família está maior, com 11 netos e cinco bisnetos. Todos morando ali, uns perto dos outros. 

“A minha casa foi eu mesmo que construí. Era de taipa e, quando o Lula foi eleito, eu consegui fazer três empréstimos e construí de tijolo. Ao lado da minha casa, mora minha filha, e a filha que mora mais longe tem casa no final da rua. Eu gosto muito daqui. Ninguém conhece mais aqui do que eu”, comenta.


José Serapião posa com orgulho ao lado dos filhos e netos nascidos e criados na zona Norte de Teresina - Foto: Elias Fontinele/O Dia

Há alguns anos, a região foi marcada pelas enchentes. Imóveis desabaram, famílias ficaram desabrigadas e muitas pessoas precisaram sair de suas casas para buscar locais mais seguros. Todavia, mesmo com essas adversidades, José Serapião não pensa em sair do lugar onde construiu sua família.

“O pessoal diz que aqui é área de risco, mas nunca foi. É um crime querer mexer com essas pessoas que moram no bairro. Eu prefiro morar aqui, mesmo com as enchentes, pois foi aqui que criei toda minha família aqui. São mais de 40 anos morando aqui. Teresina foi fundada pelo bairro Poti Velho, foi daqui que saíram os tijolos para construir as casas das cidades”, frisa.

A esposa de José Serapião, Vitória Cardoso, lembra que, assim que se mudou para o bairro, não havia tantos moradores como atualmente. Os filhos foram casando e ali mesmo construíram suas residências. Hoje, todos moram na mesma rua e alguns são vizinhos. 

“Antes só nós morávamos aqui, então era bem mais calmo, não tinha água e luz, então íamos pegar água no rio. Hoje é bom, mas antes era melhor. Somos acostumados com a comunidade, conhecemos todo mundo. Aqui é bom demais e não trocamos aqui por lugar nenhum. Criei minha família aqui, criando animais, como galinhas, porcos, perus e pato, e plantando. Hoje temos feijão, quiabo, abóbora, melancia, então é só chover que a gente planta e por isso não precisamos comprar nada disso”, fala.

13 de agosto de 2019

PM diz que roubos aos finais de semana são de ‘oportunidade’

PM diz que roubos aos finais de semana são de ‘oportunidade’

No final de semana, a partir da tarde, a região tende a se esvaziar.

Segundo o coronel Maurício Lacerda, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o número de assaltos na região central de Teresina diminui aos finais de semana devido ao fluxo de pessoas que também reduz. Ele explica que a dinâmica do Centro é diferente dos outros bairros, sendo maior de segunda a sábado e durante o horário comercial. No final de semana, a partir da tarde, a região tende a se esvaziar.

“Esses assaltos são de oportunidade e não temos uma sequência alta, tanto que, em relação a essas ocorrências, nossas estatísticas são de índices baixos desde o início do ano, inclusive reduzindo roubos a transeuntes e carros, como furto de veículos e arrombamentos em casas e comércios”, comenta.

Com relação ao Centro de Teresina, o comandante pontua que o Sindicato dos Lojistas costuma notificar as ocorrências de roubos e arrombamentos, fazendo com que a Polícia Militar mude sua estratégia de atuação. Para atender à região Central de Teresina, que contempla 21 bairros, a PM conta com nove viaturas, de segunda a sábado, e sete viaturas aos domingos.

Somente para o centro comercial são utilizados policiamento motorizado (03), ostensivo (duplas) e veicular (03) diariamente. Além disso, o serviço de segurança é integrado entre a Polícia Militar e a Guarda Municipal de Teresina.

“Dentro do que podemos, na capacidade do Batalhão, conseguimos dar uma dinâmica de segurança para a região. Os crimes vão acontecer porque infelizmente isso não é somente problema de polícia, têm problemas de políticas públicas. Infelizmente, o Centro de Teresina concentra muitos moradores de rua e usuários de drogas e, às vezes, até pessoas que moram na própria região e comentem assaltos para alimentar os vícios da droga”, relata.


Aplicativo mapeia áreas de risco

O aplicativo ‘PMPI Mobile’ tornou-se um aliado da Polícia Militar para conseguir identificar que áreas estão registrando mais ocorrências. Quando uma pessoa que é assaltada registra um Boletim de Ocorrência pelo aplicativo, é possível a PM reconhecer quais áreas estão mais vulneráveis e, assim, reforçar o policiamento. 

“O Mobile que foi instalado recentemente na Polícia Militar dá em tempo real as zonas quentes, que é uma mancha criminal atualizada em tempo real. E como fazemos um trabalho de forma estratégica, vamos mudando o policiamento de acordo com o aumento do índice de violência”, explica o coronel Maurício Lacerda.

O 1º BPM é composto por quatro companhias: Codam (Companhia Independente de Policiamento Cosme e Damião), que atua no Centro; além das companhias que atuam nos bairros São Pedro, Porenquanto e a Força Tática, que atua na região da Prainha.

“Com a dinâmica de policiamento, conseguimos atuar nos 21 bairros de forma otimizada. Também costumamos fazer 10 operações médias por mês e uma operação grande”, fala.

A região do Polo de Saúde de Teresina costuma ter movimentação aos finais de semana devido aos profissionais que trabalham em regime de plantão. Para garantir a segurança desses trabalhadores, o policiamento nessa área é diferenciado, e conta com uma viatura. Além disso, a PM e os grupos das clínicas firmaram uma parceira de forma a reforçar o policiamento nas áreas próximas ao Hospital Getúlio Vargas, 25º BC e na antiga Casa Mater.


População deve tomar alguns cuidados

O coronel Maurício Lacerda, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, dá algumas orientações para ajudar a população a prevenir situações de assalto ou furto. A primeira delas é antes de sair de casa. 

“Quando for sair de casa, a pessoa deve olhar pelas câmeras de segurança se têm pessoas na área externa. Se não tiver câmeras, sair de forma tranquila e observar se não tem pessoas estranhas nas proximidades. Somente após isso retirar o veículo”, cita.

Para as mulheres, a recomendação é evitar colocar a bolsa em cima do banco do passageiro. Ao sair do carro, conferir se a porta está realmente trancada. Quem estiver a pé deve procurar locais que tenha bastante movimentação e evitar locais desertos e escuros, além de evitar expor joias e dinheiro em locais públicos. 

“Se a pessoa se sentir ameaçada ou tiver alguma suspeita, deve entrar em um estabelecimento comercial e acionar o 190. Essas são formas de podermos evitar algumas situações, mas infelizmente não temos como garantir que a população não passará por casos assim”, finaliza o comandante do 1º BPM, Coronel Maurício Lacerda.


Espera para tirar segunda via de documento pode chegar a 7 horas

Espera para tirar segunda via de documento pode chegar a 7 horas

Passado o susto de ser vítima de um assalto, é hora de correr atrás para tirar a segunda via dos documentos pessoais subtraídos.

E nesse momento, a população se depara com mais obstáculos: o tempo de espera pelo atendimento. 

Maria Oliveira foi até o Espaço da Cidadania para solicitar a expedição da segunda via do seu RG após ser vítima de um assalto. “Eu fui fazer o B.O. no 1º DP, que fica por trás da Delegacia Geral e do Instituto de Identificação. A intenção era já sair de lá direto pro Instituto pra poder tirar a segunda via do RG. Só que a própria escrivã da delegacia me disse que se eu quisesse ser atendida lá, que eu precisaria madrugar, dormir lá”, relata.

Segundo Maria, no Instituto de Identificação localizado em frente à Praça Saraiva, uma fila já se formava na calçada. A jovem decidiu, então, ir ao posto de atendimento do Espaço da Cidadania no Shopping Rio Poty. Ela relata que chegou ao local às 8h30 e somente às 9h conseguiu uma senha para atendimento. No horário, já havia mais de 100 pessoas esperando na fila. “A senha que me deram era R133. Estava na R24 quando cheguei”, conta.

Segundo Maria Oliveira, foram sete horas de espera. A jovem só conseguiu ser atendida às 16h, enquanto outras pessoas que também esperavam na fila temiam não serem atendidas no mesmo dia. “O setor de emissão de RG é o que mais demora e justamente o que tem mais gente pra ser atendido. Não sei se falta é pessoal, se a demanda que já está além do que o Espaço suporta, mas é um transtorno absurdo a pessoa perder um dia inteiro pra conseguir emitir um documento”, afirma.

Além da demora no atendimento, os populares também reclamam do prazo estipulado para o recebimento do documento. Para eles, a espera de cinco dias úteis para receber o RG gera um transtorno, pois, como no caso de Maria que teve todos os documentos roubados, a emissão de outros documentos e cartões pessoais só é feita mediante apresentação da Carteira de Identidade. “Sem ele, eu não consigo resolver nada, inclusive não dá pra tirar as outras vias dos documentos que me roubaram, como a carteira de estudante e o título de eleitor”, finaliza.

Outro lado

Em nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública, através do Instituto de Identificação, informou que o atendimento segue dentro da normalidade. O Instituto de Identificação reforçou ainda que na Capital existem cinco pontos para expedição de RG localizados no Shopping Poty, Centro, Ladeira do Uruguai, Parque Piauí e Dirceu.


10 de agosto de 2019

População teme andar pelas ruas do Centro de Teresina

População teme andar pelas ruas do Centro de Teresina

Ciclista e motociclistas armados têm feito cada vez mais vítimas na capital

O Centro de Teresina é uma das áreas mais movimentadas da cidade em dias úteis, mas, nos finais de semana, as ruas ficam desertas e isso favorece a ocorrência de assaltos. Quem trabalha ou transita por essa região aos sábados e domingos certamente já presenciou ou até foi vítima dessas práticas criminosas. 

No dia 20 de julho, Maria Oliveira foi assaltada a poucos metros da entrada do seu trabalho, o quarto crime que ela sofreu em apenas um ano. Dessa última vez, o criminoso levou seus documentos pessoais e alguns outros objetos. 

“Na bolsa não tinha dinheiro e o que era de maior valor ficou comigo, já que meu celular estava escondido. Quando ele se afastou, eu corri porque fiquei com medo dele abrir a bolsa e ver que não tinha nada e voltar para me fazer alguma coisa. Ele se aproximou de bicicleta e ameaçou atirar se eu corresse. Eu levantei as mãos para ele pegar o que quisesse, ele puxou minha bolsa e seguiu em direção ao Centro”, lembra. 

O assalto foi bastante similar ao que ela sofreu em março deste ano, quase no mesmo local, apenas um quarteirão antes. Maria Oliveira relata que um homem em uma motocicleta se aproximou e, com a cabeça, apontou para o cós da calça e, mostrando a arma, pediu o celular. Ao conseguir o objeto, o assaltante fugiu. 

(Foto: Jailson Soares/ODIA)

“É uma coisa que eu meio que já me acostumei, a lidar com prejuízo depois de assalto, pois essa não é a primeira vez que eu sou vítima de criminosos na região. Esse meu assalto de março foi três dias depois de uma colega do trabalho ser assaltada na frente da empresa, da mesma forma, então a suspeita é de que seja o mesmo criminoso”, conta a jovem. 

A vítima citada por Maria é a jornalista Virgiane Passos. Numa sexta-feira, por volta da 13h, ela estava chegando ao trabalho e estacionou seu veículo a cerca de 150 metros do local que trabalha. Ela conta que avistou duas pessoas subindo rapidamente em uma motocicleta e seguindo em sua direção. 

“Não tinha ninguém na rua, mas a recepção do meu trabalho estava perto. Não tinha muito o que fazer, continuei andando e eles me aborda. O garupa desceu, puxou minha bolsa, quebrou meu colar e disse que se eu reagisse me matava. Mas, diante do medo, eu não consegui checar se eles estavam armados ou não. Eles levaram minha bolsa com tudo, celular, dinheiro, documentos, objetos pessoais, chave do carro”, relata. 

Essa também não foi a primeira vez que Virgiane foi assaltada. A jornalista comenta que foi vítima de criminosos em uma parada de ônibus, onde levaram seu celular e, seis meses atrás, havia sofrido uma tentativa de assalto, no qual os bandidos tentaram levar seu veículo. 

“Dessa vez, levaram pertences muito importantes e de valor para mim, sem falar que, por ser na rua em que eu trabalho, a poucos metros da entrada, dá uma sensação de impotência, de raiva e de medo. Um lugar perto de uma grande avenida da cidade, próximo à sede do Ministério Público, do 25 BC, e você não tem a menor segurança. No dia, fiquei com medo deles voltarem para pegar o carro. Mas graças a Deus consegui recuperar, ainda na mesma tarde, os documentos e a chave do carro; o celular não. Só que aquela 'liberdade/tranquilidade' que eu tinha de ir trabalhar, eles levaram”, lamenta. 

Quatro meses após o susto, Virgiane ainda carrega o trauma de se deslocar até o trabalho e o medo de ser novamente surpreendida por criminosos. “É meu percurso diário e o que eu posso fazer? Nada. Nos dias que fico mais nervosa, mais apreensiva, acabo gastando com Uber por medo de acontecer de novo. A sensação é que somos alvos fáceis e, sem policiamento, sem oferecer o mínimo de segurança, tudo pode acontecer de novo e de novo. A região registra várias ocorrências. Inclusive, dois dias depois que fui assaltada, outras duas pessoas também foram no mesmo trecho”, pontua.


“O Estado é quem tem que dar segurança e não eu que devo parar de usar minhas coisas”, desabafa vítima

Mais do que traumas, os assaltos sofridos pelas vítimas geram prejuízos e coleções de boletins de ocorrência. Virgiane Passos precisou ir ao 1º Distrito Policial, localizado próximo à Praça Saraiva, para fazer o B.O. Ela precisava do registro para solicitar a segunda via dos documentos que haviam sido levados.

“Registrei o B.O. porque sabia que precisava para tirar a segunda via dos documentos e também porque tinha um pouco de esperança de reaver o celular, já que era um Iphone, que tem sistema de rastreamento e que 'teoricamente' é mais fácil de localizar”, conta.

Maria Oliveira também precisou registrar B.O. dos documentos que foram levados durante o assalto. A jovem pontua que teve um grande prejuízo financeiro no último ano por conta da quantidade de celulares que foram roubados e chama atenção do poder público para reforçar a segurança.

“Esse já é meu quarto celular em um ano. Além do celular que é levado, fica o susto, o desespero que é levar suas coisas, que você trabalha com muito esforço para conseguir e é levado na força e na violência, ameaçando tua vida. Eu compro um celular me questionando quanto tempo ele irá durar. Dizem que não podemos andar com celular bom para não chamar atenção, mas eu não vou deixar de ter minhas coisas porque tem gente roubando. Trabalho para comprar o que tenho vontade e coisas boas, o Estado é quem tem que dar segurança e não eu que devo parar de usar minhas coisas”, reforça.

Contraponto

A equipe de reportagem do Jornal O DIA solicitou dados sobre a quantidade de Boletins de Ocorrência registrados no 1º Distrito Policial junto à Secretaria de Segurança Pública, mas o órgão informou precisar de um prazo de 20 dias para coletar as informações.

03 de agosto de 2019

Com lojas fechando e sem clientes, vendas caem até 40% no Centro

Com lojas fechando e sem clientes, vendas caem até 40% no Centro

Os comerciantes lamentam os prejuízos e analisam o cenário econômico, sobretudo na região, com pessimismo.

Quem circula pelo Centro de Teresina já deve ter reparado que muitas lojas fecharam. Com isso, o fluxo de pessoas que circulam pela região também diminuiu, assim como as vendas em outros estabelecimentos. 

Segundo Karine de Sousa Nascimento, que tem uma loja próximo à Praça João Luís Ferreira, as vendas chegaram a cair até 40% desde que o Centro passou a perder força de mercado. Ela, que também reside na região central da cidade, enfatiza que esse esvaziamento tem resultados bastante negativos, tanto para os comerciantes como para a população.

“O Centro era bom quando tinha todo mundo misturado, lojistas e camelôs. Depois que houve essa separação e os levaram para o Shopping da Cidade, muitas pessoas evitam vir para locais como perto da Praça João Luís, pois querem resolver suas coisas o mais próximo do Shopping, que hoje concentra um pouco de tudo, e isso faz com que elas não fiquem circulando”, comenta.

Com lojas fechando e clientes escassos, vendas caem até 40% no Centro. (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Ainda de acordo com ela, a partir do meio dia, as ruas do Centro passam a ficar praticamente desertas, colocando consumidores e comerciantes em risco, vez que aumentam os assaltos na região. Karine também relata que o policiamento está deficitário, o que favorece as práticas criminosas. 

O estabelecimento onde Karine trabalha está entre duas lojas que fecharam há três e oito meses, respectivamente. Ela atribui a não ocupação dos espaços por novos empreendimentos devido ao alto valor do aluguel, entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Com valores elevados e sem lucro, os comerciantes estão buscando alternativas para se manter e migrando para outras áreas da cidade. 

“Os comerciantes estão indo para os bairros, alugando pontos em regiões mais populosas, já que o Centro está cada dia mais vazio. A consequência disso é que, daqui alguns anos, não existirá mais Centro comercial. Os comerciantes estão sendo obrigados a sair porque não estão vendendo e se não vende, não tem como pagar o aluguel do ponto e os funcionários”, fala.

A estudante Cássia Ildiane revela que costuma ir pouco ao Centro de Teresina e admite que, quando precisa resolver algo, busca outras opções, como os shoppings, que, além de oferecem quase todos os serviços, ainda são mais seguros e climatizados. 

“Eu venho muito pouco ao Centro e como tenho percebido que está cada vez mais vazio, até evito circular por algumas ruas mais desertas. Minha mãe até reclama para eu não trazer bolsa porque pode ser perigoso, já que não vemos policiamento. Eu já presenciei um assalto em frente a um banco no Centro, em um local cheio de gente, então não tem como não ficar receosa de vir ao Centro e correr o risco de ser uma vítima”, confessa.


Fila de espera por biopsia é enorme, revela Luiz Ayrton Santos

Fila de espera por biopsia é enorme, revela Luiz Ayrton Santos

O Hospital São Marcos, que compõe a rede de referência no Estado, está lotado e com uma longa fila de espera.

No Piauí, há três centros de referência para o tratamento de câncer de mama: o Hospital São Marcos, o Hospital Universitário da Ufpi e o Hospital Lineu Araújo. De acordo com Luiz Ayrton Santos, presidente da Fundação Maria Carvalho Santos, o Hospital São Marcos, que compõe a rede de referência no Estado, está lotado e com uma longa fila de espera.

“Atualmente, temos um problema sério, pois não temos onde fazer uma biópsia pelo SUS. O HU, o Lineu Araújo e Hospital São Marcos, que seriam os hospitais de referência, se você investigar como fazer uma biópsia, você vai ver que todos têm dificuldade e a fila de espera é enorme. O São Marcos está lotado, então quem é SUS vai entrar na fila de um hospital que só tem uma máquina e que está trabalhando toda hora, sem parar. Será se estamos tratando corretamente? Não sabemos. O Hospital é um dos dois centros que trabalha com radioterapia no Estado, junto com uma clínica particular, sendo que esta só atende plano de saúde”, revela.

Contraponto

O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-Ufpi), filiado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), informa que é habilitado para atendimento oncológico, incluindo diversos tipos de tumores malignos, entre os quais, câncer de mama. O Hospital informa também que cumpre as metas quantitativas e qualitativas relacionadas à referida habilitação, contratualizadas com o gestor local do SUS e reafirma seu compromisso como hospital-escola e como prestador de assistência de qualidade aos pacientes do SUS.

Já a coordenadora de epidemiologia da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), Amélia Costa, destaca que Teresina tornou-se uma Capital referência na área da Saúde, atendendo pacientes de outros municípios, inclusive de outros Estados, como Maranhão e Ceará. 

Teresina tornou-se uma Capital referência na área da Saúde. (Foto: Arquivo O Dia)

Com relação à rede de referência, a coordenadora de epidemiologia explica que, apesar de o Hospital Lineu Araújo realizar os diagnósticos de exames e imagem, o tratamento contra o câncer de mama é iniciado, em geral, no Hospital São Marcos.

Amélia pontua que o tempo para realização dos exames depende do que é solicitado, mas, em geral, chega a 30 dias, devido à necessidade de agendamento e marcações. “Ainda não foi visto, pelo Ministério da Saúde, a questão das prioridades, pois é seguido um protocolo de acordo com idade, que inclui nas prioridades de agendamentos todos os tipos de consulta”, frisa.

Amélia ressalta outro dado importante: o câncer de mama está atingindo cada vez mais mulheres mais jovens. “Antigamente, tínhamos mulheres com câncer de mama a partir dos 40 anos, hoje temos mulheres com câncer com 18 anos. Segunda a visão do Inca e do Ministério da Saúde, o câncer está relacionado à qualidade de vida, como uma alimentação que não é saudável, hormônios, como anticoncepcional, sexo muito cedo, bebida, sedentarismo, cigarro e drogas, onde tudo isso tem contribuído”, fala.

Para a coordenadora, a quantidade de pessoas sendo atendidas no Estado é o que causa superlotação e gera longas filas. “As dificuldades são inúmeras, acredito eu, pelo número de pessoas que são oriundas de outros centros e que vêm para o Estado. Temos que atender pessoas de todas as idades, raças, então qualquer pessoa pode ser atendida e o volume de outros Estados é muito. Todo mundo entra no sistema e, consequentemente, existe uma superlotação, sobrecarregando o nosso Polo. O Piauí tem um nível de resolutividade e qualidade, comparado a outros estados, muito bom, somos referência, por isso, as pessoas vêm fazer seus tratamentos aqui”, acrescenta.

Lei deveria garantir início do tratamento 60 dias após o diagnóstico

Lei deveria garantir início do tratamento 60 dias após o diagnóstico

O paciente que não tiver garantido o início do seu tratamento oncológico deverá procurar a Secretaria de Saúde do seu município.

De acordo com a Lei 12.732/12, a Lei dos 60 Dias, existe um prazo máximo para o início do tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde. O paciente diagnosticado com a doença tem direito a se submeter ao primeiro tratamento no prazo de até 60 dias, contados a partir do dia em que for assinado o diagnóstico em laudo patológico, ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso registrada em prontuário único.

O paciente que não tiver garantido o início do seu tratamento oncológico deverá procurar a Secretaria de Saúde do seu município, pois os fluxos e regulação aos serviços são organizados localmente. O descumprimento da lei sujeitará os gestores, direta e indiretamente responsáveis, a penalidades administrativas. Caso o paciente não tenha sua situação resolvida, é possível recorrer à Justiça.

Mastologista Luiz Ayrton fala dos desafios de cumprimento da legislação no Piauí. (Foto: Arquivo O Dia)

Para isso, o paciente deve procurar alguns órgãos legitimados para promoverem a ação, como a Defensoria Pública, o Ministério Público, a OAB (assistência judiciária gratuita) e as Faculdades de Direito conveniadas com a OAB e/ou com órgãos do Poder Judiciário (Justiça Estadual/Federal), ou o Sistema dos Juizados Especiais. Há também a possibilidade de contratar um advogado particular.

O mastologista Luiz Ayrton Santos, presidente da Fundação Maria Carvalho Santos, destaca que a Lei dos 60 Dias é fruto do movimento Outubro Rosa e, quando foi criada, determinava que os gestores deveriam dar ao paciente a oportunidade de diagnóstico no período de até dois meses.

“É uma lei que deveria estar funcionando, mas não funciona por conta de uma série de fatores relacionados à assistência. Ano passado, iniciamos o Projeto Mama Cajuína e tinham 43 pessoas na fila de espera e, em apenas dois dias, resolvemos isso. A paciente demora a ter seu diagnóstico; com isso, o tumor fica mais avançado, o tratamento mais caro, a amputação da mama é maior e a cura é menor e esses são problemas que impactam no controle da doença, na sobrevida”, fala.

Fundação

A Fundação Maria Carvalho Santos é uma instituição altruísta e que faz um trabalho filantrópico no Piauí, que tem como objetivo levar à mulher com câncer informações necessárias para que ela conheça seus direitos e consiga realizar seu tratamento.

“Queremos que ela seja bem tratada, que esteja atualizada sobre as drogas novas e, com isso, ela tem a oportunidade também desse diagnóstico, como com o Projeto Mama Cajuína, onde 22 mil mulheres puderam fazer o diagnóstico precoce e isso impacta sobre o controle da doença, pois sabemos que, se descoberto cedo, as chances de cura são maiores. Ajudamos também no que está relacionado à biópsia, suprindo as necessidades que o Estado não vem cumprindo”, completa Luiz Ayrton Santos.


Paciente relata diagnóstico e tratamento pela rede particular

Paciente relata diagnóstico e tratamento pela rede particular

Alcione Nunes Dias, de 44 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em 2017 e faz tratamento pela rede particular de saúde.

A supervisora administrativa Alcione Nunes Dias, de 44 anos, sabe bem da importância do tempo para se conseguir a cura do câncer de mama. Diagnosticada com a doença em 2017, ela conseguiu realizar todos os procedimentos de exames, diagnóstico e cirurgia em apenas dois meses na rede particular de saúde - o que, para ela, foi crucial na sua recuperação.

“Em março de 2017, eu senti a mama esquerda inchada e dolorida. Como sempre tive cistos mamários, achava que não era nada, e como estavam evoluídos eu conseguia ver o relevo deles quando tirava a roupa, mas nada que me fizesse buscar ajuda médica. Por ironia do destino, eu trabalho em uma clínica de imagem e, um dia, um dos médicos me ouviu reclamando das dores e pediu que eu o procurasse no final do dia para uma avaliação. Ele suspeitou de algo e recomendou que eu buscasse o mastologista. Na imagem, não dava para dizer se era um cisto ou nódulo, mas o corpo encontrado tinha 0.9 mm, menos de 1 cm, algo muito pequeno”, lembra.

Alcione foi diagnosticada em 2017. (Foto: Arquivo Pessoal)

No dia 16 de maio de 2017, Alcione procurou ajuda médica; seu diagnóstico foi dado um mês depois, no dia 16 de junho e, 27 dias após, ela realizou a cirurgia de retirada do nódulo, que já estava medindo 1,5 cm. Na biópsia, foi confirmado se tratar de uma célula cancerígena de Grau 2.

“O câncer é uma doença muito covarde, pois ele surge devagar e não quer ser reconhecido de jeito nenhum. Antes da cirurgia, fiz vários exames para verificar se tinham nódulos em outras partes do corpo e tudo foi muito rápido. Mas essa rapidez só foi possível por conta do plano de saúde, porque se fosse depender do SUS, eu não teria conseguido, como vemos muitos casos todos os dias”, avalia a supervisora administrativa. 

“Ela está quase desistindo”, diz amiga de paciente da rede pública

Em meio ao seu tratamento, a supervisora administrativa Alcione Nunes conheceu uma mulher que tinha acabado de receber o diagnóstico do câncer de mama. Mas diferente de Alcione, ela faria o tratamento pelo SUS. “Ela está desmotivada, revoltada e se sente angustiada porque sabe que se os processos fossem mais rápidos, teria sido diferente. Ela está quase desistindo”, revela Alcione sobre o atual quadro da amiga.

Quando elas se conheceram, em 2017, a colega, de apenas 27 anos, tinha descoberto um tumor de 7 cm na mama. Seu tratamento foi iniciado pelo SUS, mas, devido à demora em conseguir realizar consultas e exames no tempo certo, ela desenvolveu metástase em outros órgãos do corpo.

“Liberaram as quimioterapias, ela fez todas e, quando terminou, o médico pediu o pré-operatório, mas ela não conseguiu nem o parecer do cardiologista, pois fazer os exames é a coisa mais difícil. Quando ela conseguiu fazer os exames, três meses depois, já estava com metástase no crânio, no fígado, no rim. Hoje, ela faz quimioterapia toda semana e está quase partindo. Esse exemplo para mim é o pior de todos. Se ela tivesse um plano de saúde e o tratamento tivesse sido rápido, ela estaria bem”, lamenta Alcione.

A supervisora administrativa destaca que a pobreza influencia diretamente para que as mulheres mais carentes tenham menor sobrevida, especialmente aquelas que dependem exclusivamente do SUS e reforça que os órgãos de Saúde devem investir em mais políticas públicas.

“Hoje a pobreza mata mais do que o câncer. As políticas públicas precisam mudar, principalmente no que se diz respeito à saúde do SUS, pois a quantidade de mulheres com câncer de mama é muito grande. Antigamente, as mulheres eram acometidas com câncer de mama depois dos 50 anos, hoje, temos mulheres com 19 anos recebendo diagnóstico positivo”, desabafa.

SUS: Mulheres em metástase têm 7 meses a menos de sobrevida

SUS: Mulheres em metástase têm 7 meses a menos de sobrevida

O comparativo foi feito em relação a mulheres diagnosticadas com câncer de mama, mas realizando o tratamento pela rede particular.

Receber o diagnóstico precoce, independente da doença, é fundamental para um bom tratamento. E, quando falamos em câncer de mama, ter esse resultado em mãos o mais rápido possível garante uma maior sobrevida. Contudo, uma pesquisa realizada em Goiânia (GO) revela que a sobrevida de mulheres diagnosticadas com câncer de mama em estágio metastático e tratadas no Sistema Único de Saúde (SUS) é relativamente baixa se comparada às mulheres tratadas na rede privada.

Segundo o estudo, as mulheres atendidas pelo sistema privado apresentaram um ganho de 7,5 meses de sobrevida em relação às usuárias do sistema público. Em centros especializados no Brasil e em países desenvolvidos, como a França, a sobrevida das mulheres, em cinco anos, é de aproximadamente 30%. O dado chama atenção para a importância do diagnóstico precoce da doença e de acesso aos tratamentos mais avançados. 

O dado até pode ser de outro Estado, mas esta é uma realidade presente em todas as unidades federativas do Brasil, inclusive no Piauí. O médico Leonardo Soares, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia e coordenador do estudo, conta que, durante a pesquisa, observou poucas mudanças e evoluções no que diz respeito ao diagnóstico e tratamento ao longo dos anos, e reforça a diminuição da sobrevida de mulheres tratadas exclusivamente pela rede pública.

“Observei que há uma diferença na sobrevida global de mulheres que foram tratadas pelo SUS e de quem se tratou preferencialmente por sistema privado. Outra coisa que chama atenção é que quase 80% dessas mulheres foram diagnosticadas com metástases em outros órgãos. Na mama, os tumores eram grandes e avançados, ou seja, essas mulheres provavelmente tiveram alguma dificuldade de acesso ao diagnóstico, seja de marcar consulta, fazer mamografia ou até de chegar a um centro de referência. O estágio desses tumores ao diagnóstico é muito ruim, quase em nível de África”, compara.

Leonardo destaca ainda que foram checadas variáveis que pudessem influenciar na sobrevida dessa mulher, como idade e tamanho do tumor, mas verificou-se que esses fatores não tinham tanta influência. “Nós sabemos que, para pacientes com câncer de mama no começo, o tamanho do tumor é importante, pois quanto maior, pior é o quadro. Mas para aquela mulher que já tem um tumor no fígado ou em outra parte do corpo, o tamanho influencia? Não, pois, depois que o câncer espalha, o objetivo do tratamento passa a ser tratar o corpo todo e a mama já perde importância, pois o tumor na mama em si não leva a óbito, o que leva é a metástase”, explica Leonardo Ribeiro.


27 de julho de 2019

Do outro lado do oceano: Piauienses relatam desafios de morar fora

Do outro lado do oceano: Piauienses relatam desafios de morar fora

Nesta reportagem, o Jornal O DIA conta histórias e diferentes motivações que fizeram piauienses atravessarem oceanos rumo a novas perspectivas de vida.

A busca por qualificação nos estudos, oportunidade de trabalho e convívio social com maior nível de segurança estão entre os desejos mais comuns encontrados nas histórias das pessoas que decidem deixar o Brasil. Mas como toda mudança, trocar de país exige adaptação.

Mudança da língua, da cultura e o convívio com a saudade de quem deixa familiares e amigos para trás são os desafios que também ganham destaques quando, longe da terra de onde nasceram, os então imigrantes conseguem colocar em perspectiva o que ganham e o que perdem com a escolha. 

Nesta reportagem, o Jornal O DIA conta histórias e diferentes motivações que fizeram piauienses atravessarem oceanos rumo a novas perspectivas de vida.

Portugal: adaptação ao idioma e segurança

Se a preocupação da adaptação a um novo idioma está entre os desafios de quem escolhe um novo país, para quem decide tornar Portugal casa, o impacto não é tão imediato assim. Apesar de diferentes, o português do Brasil e o português de Portugal são similares e facilitam a comunicação de quem transita entre os dois países. 

Stênio França vê na adaptação ao idioma um dos destaques positivos para quem fixa moradia no país. (Foto: Arquivo Pessoal)

Prestes a completar um ano morando em terras portuguesas, Stênio França vê na adaptação ao idioma um dos destaques positivos para quem fixa moradia no país. Mas não só esse. “Existem muitas coisas boas, mas também ruins de morar fora. O mais importante de tudo, eu acho que é a segurança. Outra coisa é que o seu poder de compra é muito diferente do Brasil. Aqui, você consegue ter as coisas sem sentir que tem batalhar muito. A saúde também é boa e tem o fator linguístico que ajuda bastante”, destaca. 

"Aqui, você consegue ter as coisas sem sentir que tem batalhar muito", diz o jornalista Stênio França.

As considerações positivas, no entanto, não anulam o desafio de se adaptar à nova cultura e à necessidade de criar novos ciclos sociais e de trabalho com a mudança de país. Stênio, que chegou a morar três meses na Califórnia, nos Estados Unidos, antes de encontrar o marido que também se mudou de Teresina para a cidade de Porto, em Portugal, deixou para trás a atuação em jornalismo para buscar novas opções de renda no novo endereço.

 Stênio e Luciano pretendem conseguir visto de moradores. (Foto: Arquivo Pessoal)

Atualmente, os dois já trabalham na cidade portuguesa e o marido de Stênio dá seguimento a uma especialização – curso, este, que possibilitou a estadia dos dois no novo país. “Eu sempre quis viver essa experiência e tive algumas oportunidades antes para migrar, mas iam aparecendo coisas no Brasil que me fazia adiar. Até que chegou a hora certa e então comecei a me planejar. Primeiro, muita organização de planejamento e financeira. Consegui uma bolsa na Califórnia, passei três meses lá, e o Luciano se inscreveu em cursos, bolsas de pós-graduação e conseguiu uma especialização em Portugal e foi tudo se encaixando, no final de 2017 para 2018, depois de um ano e meio de planejamento, conseguimos organizar tudo para mudar”, explica. 

organização envolveu a economia de uma quantia considerável em dinheiro, retirada de visto de estudante e organização de estadia e ocupação nos futuros países. Uma extensa lista de burocracias que todos imigrantes têm de cumprir para morar de forma legalizada em países estrangeiros.

 Stênio e Luciano, agora, pretendem conseguir visto de moradores para ter acesso à aquisição de bens e serviços no país português. “Os prós são muitos, mas contras tem a saudade. O Brasil é muito bom, as pessoas de lá são diferentes e eu sinto muita saudade da comida, família, amigos, porque quando você muda, você literalmente nasce de novo. É um processo que precisa ter muito equilíbrio emocional e, aos poucos, você vai encontrando o equilíbrio”, finaliza. 

"É um processo que precisa ter muito equilíbrio emocional e, aos poucos, você vai encontrando o equilíbrio”, conta Stênio França.

Estados Unidos: pesquisa e ciência ampliam as oportunidades

Na infância, Yatta Linhares Boakari teve a experiência de morar nos Estados Unidos com sua família em virtude da conclusão de estudos de pós-doutorado do pai. O que não dava para imaginar é que, anos depois, esse também seria seu motivo para que ela voltasse a se fixar no país. Após recém concluir o doutorado, em Lexington no estado do Kentucky, ela e o marido fixam moradia agora no estado do Alabama. 

Yatta Linhares Boakari deu continuidade aos estudos no EUA pelo programa Ciências Sem Fronteiras. (Foto: Arquivo Pessoal)

Morando na América do Norte desde 2015, a pesquisadora se engrandece em experiências através das oportunidades de estudo. “Fiz mestrado em veterinária em Botucatu no interior de São Paulo, consegui uma bolsa para ficar três meses pesquisando nos Estados Unidos, em Kentucky, e eu gostei muito. Vi que era uma oportunidade boa e perguntei se podia voltar pro doutorado. Não me imaginava ficando em Teresina, acho que mudar para o exterior foi meio que um sonho antigo e as coisas foram dando certo”, considera. 

"Não me imaginava ficando em Teresina, acho que mudar para o exterior foi meio que um sonho antigo e as coisas foram dando certo”, revela Yatta Boakari.

À época, o que ajudou Yatta a sair do Brasil e dar continuidade aos estudos no exterior foi o programa Ciências sem Fronteiras, que também facilitou a regularização tanto dela quanto do marido que a acompanhou na empreitada no novo país. Agora, ela passa para um novo desafio: o de fazer residência, ainda na área de veterinária, em uma nova cidade.

“Acabei o doutorado dia 14 de junho e pensei: bom, não estou pronta para voltar para o Brasil. Então meu co-orientador orientou que eu fizesse residência e eu achei que seria uma boa opção. Na residência, você se inscreve em várias universidades e faz entrevistas. Escolhi fazer residência no Alabama, onde já começo a estudar agora”, destaca. 

Para a mudança, a pesquisadora sempre escolhe se fixar em casas já mobiliadas. Foi em assim em Kentucky e, agora, quando ela, o marido, a cachorra e um lagarto iniciam uma nova jornada no estado do Alabama, também.

Yatta e o marido agora residem no estado do Alabama. (Foto: Arquivo Pessoal)

Os cinco anos que Yatta acumula de experiência vivendo longe do seu país de origem a dão uma dimensão precisa de todos os pontos positivos e negativos que estão em questão ao escolher viver longe da sua terra natal. A adaptação a uma nova cultura, como ela considera, ainda é algo que pesa diariamente, mas os ganhos da mudança são ainda maiores.

Londres: vida agitada e oportunidade de conhecer o mundo

Mesmo morando em Teresina, Lívia Moura sempre teve o sonho de conhecer vários países do mundo. Esse sonho se transformou em realidade de forma mais facilitada quando, há cinco anos, ela deixou o Brasil. Morando na Inglaterra após casamento com o marido que já morava na cidade da rainha, entre as boas novidades trazidas pela mudança, ela destaca que está o fato de ter acesso a outros locais do mundo de forma mais barata e ágil. 

 Lívia Moura sempre teve o sonho de conhecer vários países do mundo. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu nunca tinha cogitado realmente morar em outro país, nunca tinha sido um sonho morar, tinha vontade de viajar, conhecer outros lugares, mas não morar. Essa ideia só veio quando comecei a namorar a pessoa que é meu atual marido e, como estava no relacionamento à distância, tivemos que pensar na maneira que faríamos: ou ele se mudaria para o Brasil ou eu viria pra Londres. A gente teve que colocar na balança a questão de adaptação e, no final, decidimos que era mais fácil vir pra Londres, porque falo inglês, ele não fala português; eu tinha diploma, ele não, então foi isso que pesou na balança e eu decidi vir morar aqui”, explica. 

Mas a efetivação da mudança envolveu muito esforço concentrado. É que o processo de tirar o visto para o país, mesmo com o casamento realizado, não é um processo simples. Ela e o marido contrataram um advogado, que morava em Londres, para cuidar dos requisitos. Até a mudança para Londres e a organização da papelada, foi preciso um processo de cerca de um ano. 

“Como meu visto era pra família tinha muita coisa que tinha que provar. O Adam tinha que provar que estava trabalhando, há quanto tempo morava em Londres, mostrar nossos extratos bancários, tínhamos um folder que era umas 50 páginas de papelada”, relembra. Lívia considera que a cidade oferta muita oportunidade de trabalho, no entanto, não necessariamente na área de atuação que a pessoa já tenha. Ela, que trabalhava com comunicação no Piauí, se viu assumindo, por dois anos, a gerência de um restaurante na cidade.

Lívia mudou-se para Londres onde mora o marido. (Foto: Arquivo Pessoal)

Lívia destaca que o trabalho no restaurante, apesar de bem remunerado, necessitava de uma carga horária muito exigente. Por isso, aos poucos, ela conta que buscou prospectar a área de comunicação. “Se você era advogado e quer advogar, por exemplo, não é tão fácil porque aqui eles consideram a experiência local e assim vale para as outras profissões. Ou é indicado que você comece por trabalhos voluntários ou algum estágio. Foi isso que fiz. Comecei um trabalho voluntário para ter oportunidade de trabalhar com comunicação”, afirma.

Além das oportunidades e da possibilidade de conhecer o mundo pela facilidade em acessar bens e serviços, Lívia destaca que nos contras pesam o custo de vida, que é muito alto na cidade inglesa e, claro, a saudade de quem ficou no Piauí. “Moro em Londres já faz cinco anos e sinto falta de muita coisa: família, amigos, de uma intimidade que só aí a gente tem de ir na casa do vizinho e perguntar o que tá fazendo. Aqui, as coisas são cronometradas, você tem que planejar com muita antecedência; se você trabalha em restaurante, tem que pedir folga para ver alguém. Sinto falta de ter mais intimidade com as pessoas e também do clima, aqui tá sempre chovendo, nublado”, elabora. 

"Sinto falta de ter mais intimidade com as pessoas e também do clima, aqui tá sempre chovendo, nublado", ressalta Lívia Moura.

No entanto, para serenar a saudade, a piauiense encontrou um abrigo: uma loja que vende produtos brasileiros. É comendo cuscuz, tendo acesso a frutas e comidas feitas como no Brasil, que o aperto da distância diminui. Para ela, ainda é uma opção voltar a morar no Piauí, mas a perspectiva se dará a longo prazo. Agora, trabalhando com comunicação e buscando organizar melhor o tempo e a saúde, o objetivo é estar focada na próxima vinda.

20 de julho de 2019

Amizade, um elo além do tempo

Amizade, um elo além do tempo

Franklin e Thais se conheceram em 2008. Em 2016, começaram a namorar. A amizade que virou romance vai subir ao altar em 2020.

Apesar de o Dia do Amigo, que é comemorado em 20 de julho, não ser considerado um feriado, a data é celebrada por muitos, justamente por marcar um sentimento tão especial. Mais do que celebrar a amizade, essa data conta histórias e mostra que existem diferentes formas de companheirismo.

A cumplicidade vai além do tempo e a parceria é para o resto da vida. De colegas de esporte para o altar. A vida do servidor público Franklin Wernz e da profissional de Educação Física Thais Lima iria mudar e eles nem imaginavam isso. A história deles começou em 2008, quando os dois praticavam natação. Apesar de dividirem as piscinas, eles mal se falavam, mas, por morarem no mesmo bairro, era comum que se encontrassem no dia a dia.

“Thais ficou um ano na natação e eu continuei, e, quando nos encontrávamos na rua, nos cumprimentávamos, mas nada demais. Nós depois sempre participamos de grupos de jovens da igreja do bairro e, em 2016, nos reencontramos, mas, na época, estávamos comprometidos.


Foto:Arquivo Pessoal

Quando a Thais terminou o namoro, nós nos aproximamos e eu costumava aconselhá-la. Pouco depois, meu namoro também terminou e aí foi a vez dela de me dizer palavras de apoio.Como nós estávamos passando por uma situação muito parecida de término de namoro, a gente tinha empatia um pelo outro e isso terminou nos aproximando ainda mais”, conta.

Durante um encontro realizado pelo grupo de jovens da igreja, Franklin e Thais voltaram a se encontrar e, quatro meses depois, ele se declarou para ela. Ele conta que se surpreendeu com a atitude de Thais quando ela revelou que o sentimento era recíproco.

Mas, como os términos dos namoros eram recentes, decidiram aguardar um tempo e, depois de dois meses, Franklin pediu Thais em namoro.

“Começamos a nos gostar porque estávamos mais próximos, confiávamos um no outro e porque estávamos passando pelas mesmas dores, então víamos um conforto. Estamos juntos há dois anos e cinco meses; há um mês, ficamos noivos e o casamento está marcado para junho do 2020. Somos prova de que uma amizade poder virar amor, até porque não amamos uma pessoa que não gostamos e não é amigo”, finaliza Franklin Wernz.

13 de julho de 2019

Reforço das políticas públicas é necessário, defende procurador

Reforço das políticas públicas é necessário, defende procurador

Para Edno Moura, é preciso fomentar nos agentes envolvidos a necessidade de elaborar, aperfeiçoar, monitorar e avaliar as práticas estatais de combate ao trabalho infantil

São muitos os atores que pesam no combate ao trabalho infantil. Neste contexto, alimentar a consciência crítica e o conhecimento de que a prática põe milhares de crianças em situações de risco e vulnerabilidade são essenciais e, mais ainda, cobrar políticas públicas eficientes para combater o problema. Não basta dizer ‘não’ quando o assunto é trabalho infantil, é preciso estratégias de combate. 

Para isso, cobrar ações que eliminem a situação de vulnerabilidade das famílias de crianças e adolescentes que, por várias questões, colocam os filhos para trabalharem de maneira precoce, é fundamental. 

 Edno Moura, procurador do Ministério Público do Trabalho do Piauí (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

“Uma das coisas que mais me preocupa é o empoderamento criado quando um chefe de Estado defende a prática. Ele acaba empoderando pessoas que já tinham essa visão e se sentem estimuladas em fazer essa defesa. O estado brasileiro, por força da Constituição, tem que ter políticas públicas para enfrentar o trabalho infantil, mas se um presidente faz apologia, a gente tem uma indicação muito clara que não teremos a afirmação de políticas públicas voltadas ao combate ao trabalho infantil. Isso é extremamente preocupante”, alerta Edno Moura, procurador do Ministério Público do Trabalho do Piauí. 

Na sociedade, segundo o procurador, é preciso fomentar nos agentes envolvidos a necessidade de elaborar, aperfeiçoar, monitorar e avaliar as práticas estatais de combate ao trabalho infantil, seja na área da saúde, esporte, cultura e lazer. Através das políticas públicas, mesmo em situações de pobreza, as crianças poderão desfrutar da sua infância, usufruindo de todos os direitos estabelecidos na Constituição.


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Djan Moreira viveu uma faceta da realidade da qual tanto luta contra

Nos últimos dias, espalharam-se pelas redes sociais depoimentos de pessoas que trabalharam quando crianças e consideram a experiência engrandecedora para a sua formação enquanto adulto. Os depoimentos refletiam uma defesa convicta do trabalho infantil, no entanto, em sua maioria, diziam respeito a atividades complementares feitas em negócios familiares ou pequenas tentativas empreendedoras. Realidade muito distante da que acontece no espectro que abarca o trabalho infantil no Brasil. 

Djan Moreira, assessor de movimento social da Secretaria de Saúde e ex-conselheiro tutelar de Teresina, reforça que falar de trabalho infantil, na atual realidade do país, é constatar a situação de meninas e meninos que são explorados sexualmente, dos que vendem sua força de trabalho na lavoura, em atividades degradantes ou mesmo os que são cooptados pelo tráfico de drogas. “Quando uma pessoa fala que é a favor de trabalho infantil, ele não diz respeito só à criança que está na lavoura, no semáforo ou a que está limpando o carro, estamos falando também das meninas e meninos explorados sexualmente em prostíbulos e daqueles que fazem ‘o aviãozinho do tráfico’. Aqueles que já são vítimas da ausência do Estado é o que, hoje, estão no trabalho infantil”, afirma.

Djan Moreira (Foto: Jailson Soares/ODIA)

Djan fala com a consciência de quem também viveu uma faceta da realidade da qual tanto luta contra. Na infância, criado apenas pela mãe, ele trabalhava na Central de Abastecimento, a antiga Ceasa, para complementar a renda de casa. 

“Com oito anos, o meu brinquedo era a enxada com a qual eu fazia pequenos bicos capinando na Ceasa, ou as sacolas que ajudava a carregar e descarregar. Nenhuma criança merece passar por isso e temos uma Constituição que garante o direito à educação, esporte, lazer, nesta fase fundamental da vida”, considera. Para o ex-conselheiro tutelar, o respeito aos direitos humanos fundamentais das crianças e dos adolescentes e o combate ao trabalho infantil é um desafio de todos, principalmente do Estado Brasileiro. 

Conselheira tutelar, Claudia Pires cobra ferramentas públicas para garantir dignidade à família (Foto: Jailson Soares/ODIA)

Neste sábado (13), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 29 anos, em seu artigo 4º, o texto ressalta que: "é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária." É nessa perspectiva que Djan espera ver as sociedades civis e organizadas, a luta para a garantia da infância. “Não podemos jogar o ECA na latrina. É preciso garantir que as crianças desse país, mesmo as mais pobres, tenham seus direitos garantidos”, finaliza. 

Família deve ser incluída no processo

Atualmente conselheira tutelar da região Sudeste de Teresina, Cláudia Pires, lembra que as principais denúncias que chegam ao órgão, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, são de situações de negligência familiar. Ela usa este recorte para lembrar que o trabalho infantil, na grande maioria das vezes, surge desse contexto de descaracterização familiar. 

“A gente quer que os direitos das crianças sejam garantidos, direito à educação, ao lazer; por isso, os conselhos atuam nas situações mais vulneráveis. Nós constatamos que a situação do trabalho infantil vem da desestruturação familiar, muitas vezes de um núcleo familiar formado por pessoas que se unem depois de outras relações. Então, quando vamos fazer a destituição do poder familiar, nós vemos que a realidade é muito dura, são pessoas extremamente pobres e os meninos estão trabalhando fora de casa para manter o mínimo. A fome dói e a fome não espera”, destaca. 

Acompanhando toda esta realidade de perto, a conselheira cobra que as ferramentas de políticas públicas possam não só retirar essas crianças das situações de exploração, mas também garantir dignidade à família. “Se combate o trabalho infantil ao dar estrutura familiar às pessoas pobres. Temos que dar dignidade de vida, de trabalho para a mãe e o pai, porque o ser humano faminto não espera. Os desafios são muitos e, infelizmente, o Estado não tem conseguido chegar até onde precisa”, finaliza. 

Trabalho infantil no mundo 

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre as atividades que mais oferecem risco à saúde, ao desenvolvimento e à moral das crianças e adolescentes estão: o trabalho nas ruas, em carvoarias e lixões, na agricultura, com exposição a agrotóxicos, e o trabalho doméstico. De acordo com o relatório Medir o Progresso da Luta contra o Trabalho Infantil da organização, atualmente, há 168 milhões de meninos e meninas, de 5 a 17 anos, que exercem algum tipo de trabalho infantil. Isso equivale a 11% de todas as pessoas dessa faixa etária no planeta.


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Nos últimos cinco anos, o Ministério Público do Trabalho no Piauí registrou 1.279 procedimentos e investigações envolvendo exploração do trabalho da criança e do adolescente no estado

Nos sinais, as crianças parecem desaparecer em meio ao arranjo da cidade. São notadas quando, perto do vidro dos carros, pedem alguns trocados ou oferecem algum produto em troca das mesmas pequenas quantias. O dinheiro que ganham, no entanto, não é capaz de tirá-las do ciclo de exploração que já fez com que, nos últimos cinco anos, o Ministério Público do Trabalho no Piauí (MTP-PI) registrasse 1.279 procedimentos e investigações envolvendo exploração do trabalho da criança e do adolescente no Estado. 

Parte dos mais recentes números, que dão apenas um panorama do problema, mostra os Tipos de exploração flagrados no Estado envolvem desde trabalho doméstico à exploração sexual de crianças e adolescentes tipos de exploração que podem colocar em risco o desenvolvimento da criança: 55 foram flagradas em trabalho em ruas e logradouros públicos, 54 em práticas de exploração sexual comercial, 52 realizando trabalho na catação do lixo e 41 no trabalho infantil doméstico. 

(Foto: Assis Fernandes/ODIA)

Edno Moura, procurador do Ministério Público do Trabalho no Piauí, alerta para os prejuízos da prática que é corriqueira no Estado. “O trabalho infantil prejudica o desenvolvimento da nação, porque perdemos muito material intelectual. Na fase que éramos para ter essas pessoas se desenvolvendo físico e psicologicamente, elas estão em trabalhos que a colocam em situação de vulnerabilidade e risco”, destaca. 

Para o procurador, o trabalho infantil sempre foi um problema do estado brasileiro, mas neste cenário econômico adverso, a prática tem aumentado. Apesar da presença, ela continua proibida por dispositivos constitucionais. 

Procurador Edno Moura (Foto: Assis Fernandes/ODIA)

A Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) proíbem o trabalho infantil. O texto é claro na Constituição: menores de 16 anos são proibidos de trabalhar, exceto como aprendizes, e somente a partir dos 14 anos. 

“A maioria das famílias que está aprisionada ao trabalho infantil justifica todo o ciclo de pobreza, porque vão transferindo o trabalho para os filhos, os filhos para os seus filhos, e não conseguem romper o ciclo de pobreza. Algumas pessoas dizem que trabalharam na infância e conseguiram se desenvolver, mas esquecem que a grande maioria não consegue. Para quem defende a prática, porque uma família com recursos financeiros não coloca o filho para vender algo no sinal? Porque sabe que é ruim. O trabalho infantil só serve para manter a situação de exploração”, alerta o procurador. 

Em 2017, o IBGE divulgou os dados do trabalho infantil no Brasil, com base em nova metodologia utilizada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que aponta 1,8 milhões de meninos e meninas de 5 a 17 anos trabalhando.


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07 de julho de 2019

Compostagem: transforme restos de alimentos em adubo para plantas

Compostagem: transforme restos de alimentos em adubo para plantas

A reutilização de alimentos, escolha de transporte não poluente e coleta seletiva de lixo estão entre as decisões de teresinenses para contribuir com um mundo mais saudável.

Cascas de plantas, legumes e ovos, quando separadas e misturadas da maneira correta, são capazes de produzir um potente adubo para as plantas, flores e hortaliças que vê crescer em seu quintal. 

Confira o passo a passo para reaproveitar o lixo orgânico produzido na sua casa para fazer adubo por meio da compostagem.

1.Compre uma caixa organizadora plástica baixa (25 a 30 litros);

2.Faça pequenos furos com um prego ou canivete no fundo (15 furos), na tampa (15 furos) e nas laterais (2 a 4 furos de cada lado);

3.Acumule na geladeira dois potes de sorvete (4 litros) de orgânicos picados. Use apenas restos vegetais crus. Não coloque nada de origem animal nem alimentos que tenham sido fritos, cozidos, assados ou temperados; folhas de suas plantas são bem-vindas, bem como a borra do café por cima;

4.Para montar a caixa coloque uma camada de terra seca (daquela de um vaso em que a planta já não está tão saudável), uma camada de mesmo volume de restos vegetais picados e uma camada de terra preta (também conhecida como húmus ou terra adubada, que servirá como fonte de microrganismos);

5.Faça de duas a três camadas com essa disposição;

6.Em cima, espalhe borra de café, que evitará insetos e formigas;

7.Feche a caixa e volte a abrir para revirar o composto, a cada 2 ou 3 dias; se tiver minhocas, pode revirar com menos frequência;

8.Em cerca de 60 dias o composto fica pronto.

Quando estiver pronto, utilize a compostagem em seus vasos e jardim. Você pode reutilizar o recipiente para preparar um novo adubo.

06 de julho de 2019

Transporte limpo: bicicleta é opção econômica e sustentável

Transporte limpo: bicicleta é opção econômica e sustentável

Em Teresina, estima-se que 40 mil pessoas façam uso da bicicleta como modal de transporte. No entanto, com uma frota de 495.594 carros e motos, a Capital tem um veículo para cada dois habitantes.

Além do lixo, a atuação humana produz outros tipos de impacto ao meio ambiente. A emissão de gases poluentes por conta da utilização de transportes automotivos é uma delas. Mas ela também pode ser contornada. Quem escolhe utilizar bicicleta, por exemplo, ressalta benefícios em três importantes aspectos: economia financeira, saúde e sustentabilidade.

Esse é o caso da universitária Jamires Martins, que, há cerca de um ano, adotou a bicicleta como meio de transporte. Para ela, a consciência de utilizar um transporte que não traz impactos negativos ao meio ambiente é algo tranquilizador. “Sei que andando de bicicleta eu contribuo para a não superlotação do ônibus, faço economia, pratico atividade física e também ajudo o meio ambiente. Com a bicicleta, ,você explora mais a cidade, cria um maior pertencimento com o local que vive e, assim, uma maior consciência ambiental. Você vai andando em lugares e vai descobrindo a importância de preservá-los assim”, relata.


Foto:Jailson Soares/ODIA

Em Teresina, estima-se que 40 mil pessoas façam uso da bicicleta como modal de transporte. No entanto, com uma frota de 495.594 carros e motos, a Capital tem um veículo para cada dois habitantes. 

O impacto desta frota nas ruas, diariamente, é gigantesco. De bicicleta, Jamires faz um percurso fixo de 16 quilômetros ao dia: a distância da sua casa para a universidade. Mas as distâncias geralmente se tornam maiores já que ela usa, essencialmente, o transporte para se movimentar também para outros locais. “Infelizmente, o ciclista é muito desrespeitado ainda. Eu já levei “portada” de carro porque as pessoas não têm cuidado com quem vai passando nas vias. A bicicleta só traz benefícios e se fôssemos mais respeitados, isso seria ainda melhor. Teresina é uma cidade plana, é boa de se pedalar”, destaca Jamires.

A jovem, que é estudante de artes visuais na Universidade Federal do Piauí, destaca, ainda, que o ato de pedalar também contribui para a distração, abrir a mente para observações mais plurais e até combater a ansiedade. “Na bicicleta, você está no controle, então para quem tem ansiedade é muito bom. Acho que a bicicleta também contribui com o nosso processo de liberdade, você se sentir capaz de ir para onde quiser. É realmente um meio de transporte que merece mais visibilidade e respeito por conta dos muitos benefícios”, explica.

Segundo o estudo “Economia da Bicicleta no Brasil”, uma parceria da Aliança Bike e o LABMOB (Laboratório de Mobilidade Sustentável, da UFRJ), cada um dos mais de oito mil brasileiros que usa a bicicleta no lugar do carro como meio de transporte deixa de emitir 4,4 kg de CO2 por ano.

Meio ambiente: Muito além dos canudinhos

Meio ambiente: Muito além dos canudinhos

Iara Gomes é das que tem a total consciência de que muito do que é considerado lixo pode ser reutilizado de uma forma muito positiva.

Nos últimos anos, o canudo plástico entrou no alvo de campanhas de conscientização ambiental em todo o mundo. Vários estabelecimentos e cidades têm criado alternativas ao uso do utensílio como solução para incentivar a população a diminuir o número de plásticos nos oceanos. Teresina aderiu à tentativa e estabeleceu, em lei, a proibição do uso do item em estabelecimentos. Mas há quem faça, diariamente, de atitudes também corriqueiras, ainda mais para diminuir o impacto de suas ações sobre o meio ambiente. A reutilização de alimentos, escolha de transporte não poluente e coleta seletiva de lixo estão entre as decisões de teresinenses para contribuir com um mundo mais saudável.

Iara Gomes é das que tem a total consciência de que muito do que é considerado lixo pode ser reutilizado de uma forma muito positiva. O quintal da sua casa é a prova concreta do que pensa: frutas, plantas medicinais, flores e plantas ornamentais se espalham pelo ecossistema cuidado e nutrido a partir das sobras de alimentos do consumo diário de sua família.

Por meio da compostagem, a professora transforma o que seria jogado fora em adubo. No seu quintal, espalha-se uma imensa quantidade de plantas frutíferas que sombreiam todo o espaço. Todas plantadas e cuidadas por ela. “Aprendi com meu avô, desde pequena, a gostar de roça e do plantio. Fui começando aos poucos e, agora, que aprendi a mexer um pouco no Youtube, eu consigo pegar mais dicas”,ressalta.


Fotos: Jailson Soares/ODIA

Lixo domiciliar vira adubo 

Com as experiências da vida, ela aprendeu que as cascas de plantas e legumes, quando separadas e misturadas da maneira correta, são capazes de produzir um potente adubo para as plantas, flores e hortaliças que vê crescer em seu quintal.Já com a internet, entendeu que poderia utilizar minhocas para a produção de húmus e acelerar ainda mais o processo de cuidado daquele ecossistema.

Em quatro compartimentos distribuídos no quintal, Iara produz todo o adubo que precisa através das técnicas. Foi dessa forma que ela e a família viram a produção de lixo que é descartado reduzir drasticamente, enquanto o benefício de ter acesso a alimentos cultivados sem agrotóxicos aumentar. Nem a borra do café, que é muito consumido pela família, vai para o lixo. “Todo dia, seleciono e separo o que vou reutilizar. Todo mundo aqui já sabe. Hoje, descartamos só os itens de higiene e alimentos que não podem ser reutilizados. Mas até plástico e latas, eu separo para reutilizar como vasinho”, comenta.

No quintal, pés de figo, graviola, manga, jabuticaba, ata, condessa, banana, amora, hortaliças e flores se engradecem com o benefício da reutilização. “Eu tenho um bocado de problema de saúde, na verdade, a maioria da família já está na terceira idade. Tenho fibromialgia e, nos dias que estou com dor, o melhor é me movimentar, quando venho pra cá e começo a mexer nas plantas não sei nem o que é dor. Isso faz muito bem”, comprova.

Com a experiência, Iara faz recomendações assertivas de que é possível produzir mesmo em pequenos espaços, caso exista luz e cuidados, qualquer planta pode se desenvolver. “Antes, eu tinha uma hortinha na janela. Então é possível ter seu canteiro até em apartamento. O cultivo de cebolinha, orégano e outras hortaliças é muito fácil. A vida é relacionada à luz, então, com água e sol tudo cresce”, finaliza.

30 de junho de 2019

Strans: presença de agentes na rua é maior durante o dia

Strans: presença de agentes na rua é maior durante o dia

Segundo a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito, 140 agentes atuam em Teresina durante os três turnos.

A grande maioria dos profissionais se concentra no período da manhã: são 65 no turno da manhã, 47 no turno tarde e 28 no turno da noite. Durante o dia, as infrações são muito mais presentes e, por isso, a necessidade de um maior contingente de profissionais.

“Falam de indústria da multa e questionam as infrações na cidade de Teresina, mas a quantidade de multa é bem aquém do que realmente acontece. A quantidade de pessoas que não cumprem com o código de trânsito é uma quantidade absurda na nossa cidade”, destaca o coronel Jaime Oliveira.

O profissional destaca que em 2018, por exemplo, outro tipo de infração ganhou atenção dos órgãos de segurança de trânsito: a utilização do celular pelo condutor. Foram registradas mais de 4 mil multas, em Teresina, relacionadas a utilização do aparelho. As infrações estão entre as dez mais cometidas pelos condutores.

Não é permitido manusear, utilizar e segurar o telefone. Segurar e manusear são infrações gravíssimas e utilizar o celular é infração média.

Segundo dados do Ministério da Saúde, 19,5% da população das capitais brasileiras afirma que faz o uso do celular enquanto dirige. O percentual mostra que de cada cinco indivíduos, um comete esse ato que é um risco para acidentes de trânsito. O uso do celular no trânsito aumenta em até 400% o risco de acidentes.


“Hoje em dia os órgãos de trânsito trabalham para salvar vidas”, destaca gerente de Educação

Uso de álcool e direção, avançar o sinal vermelho, não parar nas faixas de pedestres, dirigir com velocidade acima da permitida, manusear o celular enquanto dirige ou transita e atravessar fora da faixa de pedestre. Estas são algumas das inúmeras imprudências que os diferentes agentes que compõem o trânsito, sejam eles motociclistas, ciclistas, motoristas ou pedestres, cometem em Teresina.

A gerente de Educação de Trânsito da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans), Samyra Motta, confirma que o grande problema do trânsito da Capital é o mau comportamento dos condutores e pedestres. Ela afirma que a única maneira de mudar o atual cenário seria as pessoas se conscientizarem e tomarem as atitudes corretas.

De acordo com Samyra, a velocidade e o álcool são os principais fatores de risco de acidentes. “A questão da alcoolemia é gravíssima, nós trabalhamos permanentemente com campanhas e blitzen para tentar conscientizar e inibir esse tipo de ação. Hoje em dia, os órgãos de trânsito trabalham para salvar vidas”, afirma.

Para tentar coibir o excesso de velocidade, Teresina conta com 120 faixas fiscalizadas por radares fixos e além da utilização de radares estáticos. As vias da cidade também só aceitam velocidade máxima de 60km/h – até ano passado, muitas vias permitiam até 70km/h.

“Mas precisamos fazer com que as pessoas pratiquem a segurança no trânsito. Não é para ela não andar em uma velocidade acima da média apenas em uma rua com fiscalização ou não beber só quando vê que vai ter blitz. A vida é maior que tudo e uma vida atingida por um acidente de trânsito pode nunca mais ser a mesma”, finaliza.

Programa Vida no Trânsito

Em parceria com estados e municípios, o Ministério da Saúde desenvolve, desde 2010, o Programa Vida no Trânsito – PVT, que se apresenta como a principal resposta aos desafios da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Década de Ações pela Segurança no Trânsito, cuja meta é reduzir 50% dos óbitos por acidentes de trânsito entre 2011 a 2020. Trata-se de um Programa intersetorial que busca, a partir de evidências produzidas localmente, com base na análise integrada de dados, subsidiar intervenções nos âmbitos de engenharia no trânsito, fiscalização, educação e atenção às vítimas.

Lançado em 2010, o PVT está implantado em 26 capitais e 26 municípios, alcançando uma população de aproximadamente 50.6 milhões de habitantes. Desde a sua implantação, o PVT vem auxiliando governos federal, estadual e municipal na adoção de medidas para prevenir os acidentes de trânsito, reduzindo mortes. Entre 2010 e 2017, o Brasil reduziu em 17,4% o número de mortes por acidentes de trânsito, passando de 42.844 para 35.374.



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Em todo o ano de 2018 outras 155 pessoas foram autuadas por consumo de álcool e direção de veículo.

Até 19 de junho, a Strans, em parceria com os demais órgãos de trânsito como a Companhia Independente de Policiamento de Trânsito - CIPTRAN, o Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRE) e o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PB), já realizaram mais de 14 mil abordagens em blitzen na Capital. Nas ações, em 2019, 64 pessoas foram identificadas após consumirem álcool e conduzirem veículos automotores. Deste total, 52 pessoas foram autuadas por embriaguez administrativa e 12 autuadas em flagrante delito por consumo superior a 0,36mg/l.

“Já ano passado, nós realizamos 24101 abordagens e mais de 3 mil testes de alcoolemia, que identificaram 155 pessoas que foram conduzidas para central de flagrante por consumo de álcool e direção. Se ele tem até 0.36 mg/l não cometeu um crime, cometeu uma infração de trânsito gravíssima e será púnico com multa e o recolhimento da carteira de habilitação. Mas se ele, através do teste do alcoolemia, for constatado o teor de álcool acima de 0.36 mg/l, ai já se caracteriza crime, com multa e dado voz de prisão para que o indivíduo seja conduzido para a central de flagrantes e recolhida a carteira de habilitação”, explica o diretor de Operação e Fiscalização da Strans, coronel Jaime Oliveira.

Para ele, há uma cultura enraizada que as pessoas não querem admitir os riscos de associar álcool e direção. As blitzen são realizadas, desde 2017, especialmente de quinta a domingo em Teresina, no período de 22h às 4h da manhã.

“Toda vez que fazemos blitzen não tem uma única vez que não tenhamos cinco, dez, quinze pessoas flagradas sob efeito de álcool. Aqui, realmente, o número de pessoas que não tem a consciência de não dirigir após beber é muito grande, fato que não acontece estatisticamente no sul e sudeste do país, que existe uma conscientização maior sobre isso”, destaca o coronel.

Para a realização das blitzen, o setor de estratégia da Strans divide a cidade em 14 perímetros, onde há concentração dos postos de parada onde existe maior concentração de bares, churrascarias e boates.


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a pesquisa mostra que a associação entre consumo de álcool e direção ocorreu principalmente em indivíduos de maior escolaridade (8,6%) e com idade entre 25 e 34 anos (7,9%)

Na zona Leste de Teresina, onde se concentra grande parte dos bares e boates da cidade, a disputa por estacionamento nas proximidades desses locais é enorme. Seria tranquilizador pensar que, mesmo de carro, as pessoas que frequentam esses espaços e ingerem bebidas alcoólicas não usariam o transporte, deixando a cargo de quem não bebeu a responsabilidade de guiar o veículo automotor. Mas não é isso que acontece. Pelo menos não na grande maioria das vezes. Quem comprova são os dados da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS), que destacam o excesso de velocidade e ingestão de álcool como as principais causas de acidentes com óbitos ou de nível gravíssimo de risco em Teresina.

Recentemente divulgados, dados do Ministério da Saúde também destacam a preocupante associação de álcool e bebida em Teresina. A Capital é a segunda do Brasil em nível proporcional de adultos que informaram que conduziram veículos motorizados após consumo de qualquer quantidade de bebida alcoólica.

As capitais com maior proporção são: Palmas (14,2%); Teresina (12,4%); Florianópolis (12,1%); Cuiabá (9,9%) e Boa Vista (9,3%). Já as com menores prevalências são: Recife (2,2%); Rio de Janeiro (2,9%); Vitória (3,2%); Salvador (3,6%) e Natal (4,2%).

Entre os dados gerais, a pesquisa mostra que a associação entre consumo de álcool e direção ocorreu principalmente em indivíduos de maior escolaridade (8,6%) e com idade entre 25 e 34 anos (7,9%).

O que diz a lei

A lei seca reduziu a zero o consumo de álcool para quem vai dirigir. O motorista que tiver verificado qualquer vestígio de bebida alcóolica pode ser multado em R$ 1.915,00 e ter a carteira suspensa por doze meses, além de ter o veículo retido até a apresentação de um condutor habilitado. Dependendo do grau de concentração de álcool no sangue, o condutor poderá inclusive ser punido com detenção e perder o direito de dirigir.


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29 de junho de 2019

Redes sociais: falta de regulamentação dá brecha para excessos

Redes sociais: falta de regulamentação dá brecha para excessos

A falta de regulamentação nas plataformas digitais permite que crianças utilizem os aplicativos cada vez mais cedo.

A jornalista e relações públicas, Flalrreta Alves, pesquisou sobre os perfis de celebridades mirins que ganham fama através das redes sociais, os conhecidos “digitais influencers” em Teresina. No estudo, Flalrreta trabalha temas como regulamentação desses espaços digitais e a utilização dos mesmos para fins financeiros. A pesquisa também destaca uma preocupação: a falta de regulamentação nas plataformas digitais permite que crianças utilizem os aplicativos cada vez mais cedo.

“Não existe uma regulamentação para as crianças dentro desse espaço, o que existe é uma política do instagram para menores de 13 anos não usarem. Não há punição para uma criança utilizando aquele espaço, o que existe de regulamentação é uma política do próprio instagram para questão de nudes – que também incluei os adultos para proibição. No marco civil da internet, não existe punição no Brasil”, destaca.

A pesquisadora estudou o fenômeno através dos perfis de dois influencers no instagram, a @dudinha.show com mais de 45 mil seguidores e @guiguibashow, que tem 424 mil seguidores. “Quando analisamos esses digitais influencers percebemos que são crianças que se colocam como produto. Elas estão reproduzindo modelos que já existem, são adultos em miniatura, e as consequências disso não posso falar como pesquisadora, mas percebemos que é um caminho semelhante ao que aconteceram com astros mirins de antigamente. Eles ganham um sucesso muito rápido e depois tem problemas de lidar com isso na fase adulta”, explica.

Flalrreta também lembra do lado comercial associado a essa superexposição. “O sistema em que vivemos (capitalismo) possibilita espaços para capitalização da imagem. E isso contribui sumariamente para que alguns indivíduos ocupem espaços em busca desse objetivo. Principalmente os perfis mais famosos. Quando cria-se um perfil para um recém-nascido, além da questão social, pode haver também a intenção capital, onde aquela cria pode gerar renda e atrair outros investimentos. Ela passa a ser também um produto dentro da rede”, afirma.

Redes sociais: exposição de crianças gera ansiedade, alerta psicóloga

Redes sociais: exposição de crianças gera ansiedade, alerta psicóloga

Outra preocupação deve ser em relação a segurança com o compartilhamento de informações

Principalmente nos centros urbanos, o uso das tecnologias é inerente ao cotidiano das pessoas. Celulares, computadores e tablets são equipamentos comuns no dia-a-dia para atividades diversas, desde um simples telefonema ou troca de mensagens a transações bancárias. Neste contexto, o uso de redes sociais – plataformas em que pessoas estão conectadas com centenas de outras pessoas – também ganha atenção. Mas quanto e como usar este tipo de tecnologia para abarcar uma fase fundamental da vida, como a infância, pode interferir na formação de um ser humano? Para especialistas ouvidos por O Dia há riscos que devem ser pontuados.

Com as ferramentas de interação social, a privacidade das crianças não é gerida por elas próprias, mas pelas pessoas que as cercam - os pais e responsáveis. Daí surgem os perfis de bebês e crianças, principalmente em plataformas como instragram, que expõe cotidianos do seu dia-a-dia.

Este tipo de exposição digital tão precoce pode deflagrar, segundo especialistas, uma série de consequências. De acordo a psicóloga Larissa Santos, a atitude de criar um perfil para uma criança em uma rede social é mantida, muitas vezes, pelas consequências a curto prazo que aquilo pode gerar: solidificar memórias, ver o recebimento de elogios ou até ter retorno financeiro estão entre as principais razões que levam os pais na criação de perfis para os filhos. No entanto, a profissional alerta que, quando se pensa o desenvolvimento da criança, isso precisa ser analisado em longo prazo e não de forma imediata.

“Lá na frente como essa criança vai lidar com essas consequências? A exposição gera expectativas e como ela poderá lidar com isso? Passa de uma simples postagem a um problema futuro de como eu vou lidar com toda essa questão. Lá na frente, pode ter problema com ansiedade, pode desenvolver relação de intolerância a frustração e, muitas vezes, uma preocupação com a imagem de forma mais intensa”, considera Larissa.

A profissional também fala sobre o processo de adultização das crianças que, muitas vezes, são estimuladas a se inserir em modelos de comportamento fora do que é esperado para aquela idade. Larissa lembra que, nesta fase, o brincar, a interação social com outras crianças de maneira real, são fundamentais para a saúde mental do ser humano em formação. “Ela imita o que vê no adulto, mas a criança precisa brincar, conviver em ambientes sociais e gerar memórias”, destaca.

Segurança

Outra preocupação deve ser em relação a segurança com o compartilhamento de informações sobre rotina da criança, como fotos que mostram o uniforme da escola, informações da casa ou o local em que ela pratica algum esporte. Essas imagens devem ser compartilhadas só com quem é, de fato, do círculo íntimo. No Facebook ou Instagram, por exemplo, o recomendado é criar lista como ‘Melhores Amigos’ e só postar para essas pessoas e não para todos os contatos adicionados”.

Estudo comprova influência das redes

Um estudo feito pela organização britânica Internet Matters com 1.500 famílias descobriu que, hoje em dia, 48% das crianças de 6 anos fazem uso dessas tecnologias. E mais: 41% delas acessam a internet sem nenhuma supervisão dos pais.

A pesquisa revelou também que 44% das crianças entrevistadas utilizam a internet dentro do próprio quarto e 27% ficam online fora de casa. Além disso, 32% são adeptas dos serviços de mensagem instantânea para se comunicar (como o WhatsApp, por exemplo).

Após a conclusão do estudo, a organização britânica se posicionou: “Isso só mostra o quão rápido é o ritmo de mudança no mundo da tecnologia e o quão vital é que os pais criem mecanismos de segurança e entendam alguns dos riscos que existem quando a criança fica online”.


23 de junho de 2019

Suicídio: grupos de vulnerabilidade e cuidados para quem fica

Suicídio: grupos de vulnerabilidade e cuidados para quem fica

Muitos associal a depressão ao suicídio, mas esta é apenas uma das causas que pode levar ao ato.

Quando se fala sobre suicídio a primeira palavra que interligam é com a depressão. Só que a sociedade não compreende que essa é apenas uma das causas que pode levar ao ato, “existe um grupo em que tem relação com o suicídio e algumas relações de vulnerabilidade de saúde mental, depressão, tem uma associação muito intensa, boa parte dos suicidas tem um histórico de problemas de saúde”, fala o professor.

Isso acontece por que muitas pessoas não tem acesso a um tratamento de saúde adequado e, portanto, não têm diagnóstico. Outra situação são pessoas bipolares, “essa doença aumenta o risco em 4 ou 5 vezes mais de cometer o suicídio, do que em pessoas com situação sem ter esse problema, então, pessoas com vulnerabilidade de saúde mental, precisam ser acompanhadas, por que elas têm maior risco de ter esse efeito, de recepção como estimulo”, elucida o psicólogo . 


Muitas pessoas não têm acesso ao tratamento adequado - Foto: Jailson Soares/O Dia

Papel da família

Ao detectar atitudes diferentes em amigos ou familiares, o primeiro passo, é não diminuir a dor do outro, pois o suicida só chega ao ato, após a ideação e ter feito tentativas. Como reforça o psicólogo, “o indicativo é não minimizar que há um quadro de problema de saúde mental, então, é recomendado buscar apoio para que haja assistência, e os apoios mais importantes são aqueles que integram o trabalho e um psiquiatra quando há indicação de medicamento” expõe.

Outro ponto que merece atenção, é que durante o tratamento ou após a internação o suicida pode tentar mais uma vez, “quando ele está melhorando, é que tem mais risco, por que já tem um incômodo de sofrimento grande, só que agora eles estão com força, com energia para fazer alguma coisa e muitos se matam, há casos de suicídio dentro do hospital”, relata Denis.

Entretanto o acompanhamento é indispensável, não se deve flexibilizar e brincar sobre a situação com pessoas que estejam com ideação suicida. O correto é conversar, mostrar que se importa, que quer ajudar e nunca julgar. O suicídio nunca é sinônimo de fraqueza ou força. Um abraço, uma palavra amiga, pode auxiliar neste momento.

Cuidado para quem fica

A pósvenção é pouco debatida no meio desse cenário doloroso. Este é o momento após o ato do suicídio, quando a família e pessoas próximas passam pelo período de luto, “existe o luto natural de quem perde alguém, que o sofrimento pode ser patológico. Tem que observar se vai durar muito tempo qual a intensidade desse sofrimento, se impede a pessoa de ter uma vida normal, trabalhar, ter vida social. Chegando nessa dimensão, precisa-se encaminhar para uma assistência mais especializada na área da saúde mental, com psicólogo e psiquiatra”, informa o professor Denis Carvalho. 


“Existe o luto natural de quem perde alguém, que o sofrimento pode ser patológico. Tem que observar se vai durar muito tempo qual a intensidade desse sofrimento" - Denis Carvalho


O psicólogo continua,  “o sofrimento nos primeiros meses é natural, o luto que tem que ser trabalhado, mas temos outros problemas, em alguns casos a situação estatística mostra que fica aquele medo, os questionamentos, sobre em que eu falhei, junto comum sentimento de dor profunda, que gera um adoecimento, a sensação de que as pessoas poderiam ter feito mais do que fizeram, e se culpam, sofrem e adoecem, isso precisa trabalhar bem”, detalha.

Observar quem ficou é importante para que as pessoas não comentam também suicídio, pelo sentimento de culpa, “mas é bom lembrar que o sofrimento é a situação de luto não é um sinal de doença, é normal, todo mundo tem que trabalhar o luto, a perda. A gente tem uma sociedade que tem dificuldade em admitir que o sofrimento e a dor fazem parte da vida. Isso não pode ser transformado em doença e somente tratado com medicamentos, é preciso ver a intensidade, se for muito tempo e se inviabilizar que a pessoa tenha uma vida normal, aí sim, deve começar a se preocupar”, pontua o psicólogo Denis Carvalho.

Igrejas se unem em campanha contra o suicídio em Teresina

Igrejas se unem em campanha contra o suicídio em Teresina

Grupos ficam acampados nas entradas das principais pontes da cidade compartilhando mensagens de amor e esperança a quem passa.

Quem passa pela Avenida Frei Serafim tem se deparado com um grupo de pessoas acampadas na entrada da ponte Juscelino Kubitscheck, segurando faixas e cartazes com palavras de amor e esperança. A escolha do lugar não foi aleatória e tem muito a ver com o propósito da ação. É que as pontes de Teresina têm sido cenário de um número frequente de casos de suicídios na Capital e os grupos que ali se fixam estão tentando justamente ajudar a reverter este quadro.

A iniciativa partiu de grupos das Igrejas Evangélicas e da Igreja Católica de Teresina, que se uniram para levarem palavras de conforto, carinho, amor e esperança para aqueles que mais precisam e que não conseguem enxergar mais nenhuma perspectiva na vida. Munidos de fé e muita disposição, os grupos oferecem abraços e acolhimento a quem a eles recorrerem. 

A iniciativa é recente na Capital piauiense, tendo iniciado nos primeiros dias deste mês de junho, por incentivo de grupos voluntários do Rio Grande do Norte, após casos seguidos de suicídio naquela cidade. É o que explica o voluntário Thiago Melo: “Aquilo meio que mexeu com a gente e sabendo desse alto índice de suicídio aqui na nossa Capital, a gente decidiu fazer algo. Nos reunimos com o pessoal, fizemos divulgação nas redes sociais, recrutamos mais gente e formamos essa rede de ajuda ao próximo”.


Foto: Assis Fernandes/O Dia

O projeto começou com 30 pessoas e hoje já são mais de cem voluntários se revezando em grupos e em esquema de plantão das 7h da manhã até as 20 horas todos os dias nas pontes de Teresina. Nas reuniões de preparação, os participantes receberam instruções de psicólogos e demais profissionais da saúde, como enfermeiros e médicos, além de terem contado também com a ajuda de profissionais da segurança para aprenderem a lidar em casos de situações extremas e necessidade de abordagem.

Yara Naira, que também é voluntária, relata que o principal propósito da iniciativa é mostrar para o outro que há alguém que se importa com ele mesmo quando ele se sente sozinho no mundo. “Nós estamos aqui para conversar, abraçar, acolher, porque a gente sabe que o mundo é carente de amor. Às vezes são mães, são pais, são filhos que não conseguem mais ver o amor em nada, nem dentro de suas próprias casas e a gente tenta mostrar que nem tudo está perdido, que há sempre uma outra saída, uma palavra positiva para que ela não desista jamais. Que existe ainda muita vida para ser vivida”, diz Yara.

Suicídio: um tema para ser abordado com responsabilidade

Suicídio: um tema para ser abordado com responsabilidade

Divulgar fotos e vídeos de pessoas mortas para satisfazer a curiosidade, pode causar prejuízos graves. Esse ato se tornou crime através da PL 2175/15 aprovada em abril deste ano.

O suicídio ainda é considerado um tema tabu na sociedade, entre os veículos de comunicação a dúvida é, em como noticiar tentativas de suicídio. O psicólogo e professor Denis Carvalho, explica que a melhor maneira é trazer a temática para o sentido reflexivo da questão e apresentando dados. “A forma correta é nunca focar no caso especifico, quando tem notícia de um caso especifico aproveitar pra falar do suicídio em si, uma matéria de como prevenir, quais são os principais riscos, e nunca com detalhe de faixa etária, modo de suicídio e local”, esclarece.

Os jornalistas ao noticiar qualquer assunto devem ter em mente se o conteúdo vai trazer danos a sociedade, como é o caso do suicídio, “com essas informações pode-se criar o efeito contágio, pois várias pesquisas mostram que quando você detalha o suicídio, você pode provocar uma indução à pessoas vulneráveis, com uma certa tendência ao suicídio, muitas delas criam coragem, e outra coisa é que tem o modelo de como cometer o ato”, explica o psicólogo.

Os comunicólogos contam ainda com uma “Cartilha de suicídio para os profissionais de imprensa”, que detalha como deve se dar com o assunto, além de frases de alertas que as pessoas costumam falar e locais de apoio. 


Professor alerta que compartilhar imagens causa um novo sofrimento a parentes - Foto: Elias Fontinele/O Dia

Compartilhamento de vídeos nas redes sociais

Divulgar fotos e vídeos de pessoas mortas para satisfazer a curiosidade, pode causar prejuízos graves. Esse ato se tornou crime através da PL 2175/15 aprovada em abril deste ano, a lei pune quem reproduzir imagens de cadáveres seja na internet ou outras mídias. A pessoa pode cumprir mandado de prisão, de um a três anos e pagar multa. A pena aumenta em um terço, se o responsável tiver acesso por meio da profissão.

O professor ainda explana que essa é uma ação que jamais deve ser feita, “nunca se deve filmar, pois é algo absurdo, condenável, repudiável no mais alto grau, se você tiver próximo, tente conversar, mesmo à distância, falar coma a pessoa, para ganhar tempo e acionar o Corpo de Bombeiros e a Polícia. Por que geralmente esses órgãos tem gente com treinamento específico para abordagem”, esclarece.

O prejuízo à pessoas próximas, pode ser ainda mais devastador, ao ver as imagens circulando na internet, “com os pais é uma violência, leva uma segunda facada na vida, reativa a dor, reativa a ferida, por que é um tipo de imagem que não deveria ser permitida, e nas pessoas mais vulneráveis, você pode ter o efeito inspirador, de apresentar um modelo bem sucedido de suicídio, isso pode aumentar o risco”, alerta Denis Carvalho.

Suicídio desafia sociedade a exercitar empatia e cuidados com a saúde mental

Suicídio desafia sociedade a exercitar empatia e cuidados com a saúde mental

Em situação de desespero, as pessoas precisam ser amparadas, não julgadas.

“O suicídio é um fenômeno complexo e multicausal, ou seja: algo muito simples não pode explicá-lo”. O destaque é feito por Marcelle Beatriz, psicóloga terapeuta de casal e família e pós-graduanda em prevenção e posvenção ao suicídio. A especialista faz o destaque para que se encare o tema com a complexidade que ele se apresenta, por isto, neste cenário, julgamentos, busca por culpados ou negação, não contribuem para que a sociedade lide, de forma saudável, com as vidas que se perdem ou são afetadas em conseqüência deste fenômeno.

“A pessoa quando comete suicídio não quer tirar sua própria vida, ela quer minimizar a dor que está sentido, ela se vê sozinha, não se vê compreendida e a gente vive em uma cultura que dá muito valor as pessoas quando ela se vão”, explica a psicóloga. 


Especialista mostra necessidade de cuidar do outro - Foto: Poliana Oliveira/O Dia

Partindo deste entendimento, a profissional lembra que, em situações de desespero, as pessoas têm de ser amparadas, não julgadas. Isto talvez possa fazer a diferença entre salvar uma vida ou perdê-la. “A coisa que a gente menos deve fazer é julgar aquela pessoa, a gente vai tentar o máximo acolher o sofrimento dela, tentar entender o que ela está passando. Não usar religião ou uma cultura para fazer aquele tipo de indicação: você não acredita em Deus? Você não acredita que Deus pode te salvar? Imagina como tua família vai se sentir? Esse tipo de coisa só faz a pessoa se sentir mais culpada e mais errada, tudo isso pode intensificar aquela situação. Então, o momento é de não atribuir culpa”, considera.

A orientação serve como base para que pessoas que não tenham um conhecimento aprofundado sobre o tema saibam lidar com alguma inesperada situação, mas, é claro, que é através da intervenção de um profissional da saúde a forma mais correta de lidar com qualquer tipo de situação.


“A coisa que a gente menos deve fazer é julgar aquela pessoa, a gente vai tentar o máximo acolher o sofrimento dela, tentar entender o que ela está passando" - Marcelle Beatriz


“Para ajudar, acolher, você precisa conhecer, não pode tratar um tema tão complexo sem buscar entender os sinais de alerta, a forma de abordagem. Mas é claro que não vamos capacitar toda uma sociedade para lidar com isso, mas nós, como sociedade, não podemos ficar alheio ao problema do outro. Precisamos entender, porque ninguém está alheio a essa temática. Precisamos nos cuidar para cuidar do outro”, finaliza.

Atenção a frases alarmistas

Há um mito dito com recorrência que as pessoas que falam em cometer o suicídio não farão mal a si próprias, pois querem apenas “chamar a atenção”. Além de não contribuir com o debate, o pensamento é um conceito falso, como alerta a cartilha do Centro de Valorização da Vida (CVV).

Existem diversas dicas que podem indicar que uma pessoa possa estar enfrentando esse tipo de problema e planejando cometer suicídio e as frases de alarme podem denunciar a situação: “A vida não vale a pena”, “Nada mais importa”, “Não ficarei magoado mais pois não estarei mais aqui”, “Vão sentir a minha falta quando eu me for”, “Você se sentirá mal quando eu me for?”, “Não aguento a dor”, “Não consigo lidar com tudo isso – a vida é muito difícil”.

Parentes, amigos ou pessoas que convivam no ciclo social de indivíduos que deixam tais alertas devem permanecer abertos para ajudar a lidar com a situação.


Centro de Valorização da Vida treina pessoas para liderem com o tema - Foto: Elias Fontinele/O Dia

CVV na rede de amparo

Para contribuir com este contexto, o CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, no número 188; email e chat 24 horas (https://www.cvv.org.br) todos os dias.

“O que fazemos é uma escuta ativa, uma conversa que pode contribuir para a pessoa que esteja precisando ser ouvida e poder estimular que ela busque solucionar seus problemas”, explica Eyder Mendes, atendente e coordenador de divulgação do CVV Piauí.

As pessoas que querem ser voluntárias do CVV tem que fazer parte de um treinamento, que dura em média três fins de semana, e ter disponibilidade de 4h por semana em qualquer horário. 

22 de junho de 2019

Suicídio: fenômeno para exercitar empatia desafia sociedade

Suicídio: fenômeno para exercitar empatia desafia sociedade

Há um mito dito com recorrência que as pessoas que falam em cometer o suicídio não farão mal a si próprias, pois querem apenas “chamar a atenção”

“O suicídio é um fenômeno complexo e multicausal, ou seja: algo muito simples não pode explicá-lo”. O destaque é feito por Marcelle Beatriz, psicóloga terapeuta de casal e família e pós-graduanda em prevenção e posvenção ao suicídio. A especialista faz o destaque para que se encare o tema com a complexidade que ele se apresenta, por isto, neste cenário, julgamentos, busca por culpados ou negação, não contribuem para que a sociedade lide, de forma saudável, com as vidas que se perdem ou são afetadas em consequência deste fenômeno. “A pessoa quando comete suicídio não quer tirar sua própria vida, ela quer minimizar a dor que está sentido, ela se vê sozinha, não se vê compreendida e a gente vive em uma cultura que dá muito valor as pessoas quando ela se vão”, explica a psicóloga.


Poliana Oliveira/O DIA

Partindo deste entendimento, a profissional lembra que, em situações de desespero, as pessoas têm de ser amparadas, não julgadas. Isto talvez possa fazer a diferença entre salvar uma vida ou perdê-la. “A coisa que a gente menos deve fazer é julgar aquela pessoa, a gente vai tentar o máximo acolher o sofrimento dela, tentar entender o que ela está passando. Não usar religião ou uma cultura para fazer aquele tipo de indicação: você não acredita em Deus? Você não acredita que Deus pode te salvar? Imagina como tua família vai se sentir? Esse tipo de coisa só faz a pessoa se sentir mais culpada e mais errada, tudo isso pode intensificar aquela situação.

Então, o momento é de não atribuir culpa”, considera. A orientação serve como base para que pessoas que não tenham um conhecimento aprofundado sobre o tema saibam lidar com alguma inesperada situação, mas, é claro, que é através da intervenção de um profissional da saúde a forma mais correta de lidar com qualquer tipo de situação.

“Para ajudar, acolher, você precisa conhecer, não pode tratar um tema tão complexo sem buscar entender os sinais de alerta, a forma de abordagem. Mas é claro que não vamos capacitar toda uma sociedade para lidar com isso, mas nós, como sociedade, não podemos ficar alheio ao problema do outro. Precisamos entender, porque ninguém está alheio a essa temática. Precisamos nos cuidar para cuidar do outro”, finaliza.

Atenção a frases alarmistas

Há um mito dito com recorrência que as pessoas que falam em cometer o suicídio não farão mal a si próprias, pois querem apenas “chamar a atenção”. Além de não contribuir com o debate, o pensamento é um conceito falso, como alerta a cartilha do Centro de Valorização da Vida (CVV).


Elias Fontenele/O DIA

Existem diversas dicas que podem indicar que uma pessoa possa estar enfrentando esse tipo de problema e planejando cometer suicídio e as frases de alarme podem denunciar a situação: “A vida não vale a pena”, “Nada mais importa”, “Não ficarei magoado mais pois não estarei mais aqui”, “Vão sentir a minha falta quando eu me for”, “Você se sentirá mal quando eu me for?”, “Não aguento a dor”, “Não consigo lidar com tudo isso – a vida é muito difícil”.

Parentes, amigos ou pessoas que convivam no ciclo social de indivíduos que deixam tais alertas devem permanecer abertos para ajudar a lidar com a situação.

CVV na rede de amparo

Para contribuir com este contexto, o CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, no número 188; email e chat 24 horas (https://www.cvv.org.br) todos os dias.

“O que fazemos é uma escuta ativa, uma conversa que pode contribuir para a pessoa que esteja precisando ser ouvida e poder estimular que ela busque solucionar seus problemas”, explica Eyder Mendes, atendente e coordenador de divulgação do CVV Piauí. As pessoas que querem ser voluntárias do CVV tem que fazer parte de um treinamento, que dura em média três fins de semana, e ter disponibilidade de 4h por semana em qualquer horário.

(Glenda Uchôa)

Um tema para ser abordado com responsabilidade

O suicídio ainda é considerado um tema tabu na sociedade, entre os veículos de comunicação a dúvida é, em como noticiar tentativas de suicídio. O psicólogo e professor Denis Carvalho, explica que a melhor maneira é trazer a temática para o sentido reflexivo da questão e apresentando dados. “A forma correta é nunca focar no caso especifico, quando tem notícia de um caso especifico aproveitar pra falar do suicídio em si, uma matéria de como prevenir, quais são os principais riscos, e nunca com detalhe de faixa etária, modo de suicídio e local”, esclarece.

Os jornalistas ao noticiar qualquer assunto devem ter em mente se o conteúdo vai trazer danos a sociedade, como é o caso do suicídio, “com essas informações pode -se criar o efeito contágio, pois várias pesquisas mostram que quando você detalha o suicídio, você pode provocar uma indução à pessoas vulneráveis, com uma certa tendência ao suicídio, muitas delas criam coragem, e outra coisa é que tem o modelo de como cometer o ato”, explica o psicólogo.

Os comunicólogos contam ainda com uma “Cartilha de suicídio para os profissionais de imprensa”, que detalha como deve se dar com o assunto, além de frases de alertas que as pessoas costumam falar e locais de apoio. 

Compartilhamento de  vídeos nas redes sociais 

Divulgar fotos e vídeos de pessoas mortas para satisfazer a curiosidade, pode causar prejuízos graves. Esse ato se tornou crime através da PL 2175/15 aprovada em abril deste ano, a lei pune quem reproduzir imagens de cadáveres seja na internet ou outras mídias. A pessoa pode cumprir mandado de prisão, de um a três anos e pagar multa. A pena aumenta em um terço, se o responsável tiver acesso por meio da profissão.

O professor ainda explana que essa é uma ação que  jamais deve ser feita, “nunca se deve filmar, pois é algo absurdo,condenável, repudiável no mais alto grau, se você tiver próximo, tente conversar, mesmo à distância, falar coma a pessoa, para ganhar tempo e acionar o Corpo de Bombeiros e a Polícia. Por que geralmente esses órgãos tem gente com treinamento específico para abordagem”, esclarece.


Elias Fontenele/O DIA

O prejuízo à pessoas próximas, pode ser ainda mais devastador, ao ver as imagens circulando na internet, “com os pais é uma violência, leva uma segunda facada na vida, reativa a dor, reativa a ferida, por que é um tipo de imagem que não deveria ser permitida, e nas pessoas mais vulneráveis, você pode ter o efeito inspirador, de apresentar um modelo bem sucedido de suicídio, isso pode aumentar o risco”, alerta Denis Carvalho.

(Sandy Swamy)

Igrejas se unem em campanha contra o suicídio em Teresina

Sub: Grupos ficam acampados nas entradas das principais pontes da cidade compartilhando mensagens de amor e esperança a quem passa. Quem passa pela Avenida Frei Serafim tem se deparado com um grupo de pessoas acampadas na entrada da ponte Juscelino Kubitscheck, segurando faixas e cartazes com palavras de amor e esperança.

A escolha do lugar não foi aleatória e tem muito a ver com o propósito da ação. É que as pontes de Teresina têm sido cenário de um número frequente de casos de suicídios na Capital e os grupos que ali se fixam estão tentando justamente ajudar a reverter este quadro.

A iniciativa partiu de grupos das Igrejas Evangélicas e da Igreja Católica de Teresina, que se uniram para levarem palavras de conforto, carinho, amor e esperança para ,aqueles que mais precisam e que não conseguem enxergar mais nenhuma perspectiva na vida. Munidos de fé e muita disposição, os grupos oferecem abraços e acolhimento a quem a eles recorrerem.

A iniciativa é recente na Capital piauiense, tendo iniciado nos primeiros dias deste mês de junho, por incentivo de grupos voluntários do Rio Grande do Norte, após casos seguidos de suicídio naquela cidade. É o que explica o voluntário Thiago Melo: “Aquilo meio que mexeu com a gente e sabendo desse alto índice de suicídio aqui na nossa Capital, a gente decidiu fazer algo. Nos reunimos com o pessoal, fizemos divulgação nas redes sociais, recrutamos mais gente e formamos essa rede de ajuda ao próximo”. O projeto começou com 30 pessoas e hoje já são mais de cem voluntários se revezando em grupos e em esquema de plantão das 7h da manhã até as 20 horas todos os dias nas pontes de Teresina. 

Nas reuniões de preparação, os participantes receberam instruções de psicólogos e demais profissionais da saúde, como enfermeiros e médicos, além de terem contado também com a ajuda de profissionais da segurança para aprenderem a lidar em casos de situações extremas e necessidade de abordagem.

Yara Naira, que também é voluntária, relata que o principal propósito da iniciativa é mostrar para o outro que há alguém que se importa com ele mesmo quando ele se sente  sozinho no mundo. “Nós estamos aqui para conversar, abraçar, acolher, porque a gente sabe que o mundo é carente de amor. Às vezes são mães, são pais, são filhos que não conseguem mais ver o amor em nada, nem dentro de suas próprias casas e a gente tenta mostrar que nem tudo está perdido, que há sempre uma outra saída, uma palavra positiva para que ela não desista jamais. Que existe ainda muita vida para ser vivida”, diz Yara.

(Maria Clara Estrêla)

Papel da família

Ao detectar atitudes diferentes em amigos ou familiares, o primeiro passo, é não diminuir a dordo outro, pois o suicida só chega ao ato, após a ideação e ter feito tentativas. Como reforça o psicólogo, “o indicativo é não minimizar que há um quadro de problema de saúde mental, então, é recomendado buscar apoio para que haja assistência, e os apoios mais importantes são aqueles que integram o trabalho e um psiquiatra quando há indicação de medicamento” expõe.

Outro ponto que merece atenção, é que durante o tratamento ou após a internação o suicida pode tentar mais uma vez, “quando ele está melhorando, é que tem mais risco, por que já tem um incômodo de sofrimento grande, só que agora eles estão com força, com energia para fazer alguma coisa e muitos se matam, há casos de suicídio dentro do hospital”, relata Denis.

Entretanto o acompanhamento é indispensável, não se deve flexibilizar e brincar sobre a situação com pessoas que estejam com ideação suicida. O correto é conversar, mostrar que se importa, que quer ajudar e nunca julgar. O suicídio nunca é sinônimo de fraqueza ou força. Um abraço, uma palavra amiga, pode auxiliar neste momento.

Grupos de vulnerabilidade

Quando se fala sobre suicídio a primeira palavra que interligam é com a depressão. Só que a sociedade não compreende que essa é apenas uma das causas que pode levar ao ato, “existe um grupo em que tem relação com o suicídio e algumas relações de vulnerabilidade de saúde mental, depressão, tem uma associação muito intensa, boa parte dos suicidas tem um histórico de problemas de saúde”, fala o professor.

Isso acontece por que muitas pessoas não tem acesso a um tratamento de saúde adequado e, portanto, não têm diagnóstico. Outra situação são pessoas bipolares, “essa doença aumenta o risco em 4 ou 5 vezes mais de cometer o suicídio, do que em pessoas com situação sem ter esse problema, então, pessoas com vulnerabilidade de saúde mental, precisam ser acompanhadas, por que elas têm maior risco de ter esse efeito, de recepção como  estimulo”, elucida o psicólogo.

Cuidado para quem fica

A pósvenção é pouco debatida no meio desse cenário doloroso. Este é o momento após o ato do suicídio, quando a família e pessoas próximas passam pelo período de luto, “existe o luto natural de quem perde alguém, que o sofrimento pode ser patológico. Tem que observar se vai durar muito tempo qual a intensidade desse sofrimento,  se impede a pessoa de ter uma vida normal, trabalhar, ter vida social. Chegando nessa dimensão, precisa-se encaminhar para uma assistência mais especializada na área da saúde mental, com psicólogo e psiquiatra”, informa o professor Denis Carvalho.

O psicólogo continua, “o sofrimento nos primeiros meses é natural, o luto que tem que ser trabalhado, mas temos outros problemas, em alguns casos a situação estatística mostra que fica aquele medo, os questionamentos, sobre em que eu falhei, junto comum sentimento de dor profunda, que gera um adoecimento, a sensação de que as pessoas poderiam ter feito mais do que fizeram, e se culpam, sofrem e adoecem, isso precisa trabalhar bem”, detalha.

Observar quem ficou é importante para que as pessoas não comentam também suicídio, pelo sentimento de culpa, “mas é bom lembrar que o sofrimento é a situação de luto não  é um sinal de doença, é normal, todo mundo  tem que trabalhar o luto, a perda. A gente te uma sociedade que tem dificuldade em admitir que o sofrimento e a dor fazem parte da vida.

Isso não pode ser transformado em doença e somente tratado com medicamentos, é preciso ver a intensidade, se for muito tempo e se inviabilizar que a pessoa tenha uma vida normal, aí sim, deve começar a se preocupar”, pontua o psicólogo Denis Carvalho.

(Sandy Swamy)


15 de junho de 2019

Instituições transformam vidas através da solidariedade

Instituições transformam vidas através da solidariedade

O Lar de Misericórdia existe desde 1992 e é uma das três instituições beneficiadas pelos donativos arrecadados na Caminhada da Fraternidade, evento que este ano levou mais de 60 mil pessoas para as avenidas de Teresina

Imaginar uma cozinha grande, sala de convivência, terraço sombreado por árvores, quartos, é induzir o cérebro a formatar a ideia de um lar. E um local que tem exatamente essa formatação, mas que é habitado não apenas por uma, mas por dezenas de famílias, é o Lar de Misericórdia, localizado na zona Leste de Teresina. O local é um dos serviços da Ação Social Arquidiocesana (ASA) e existe com a missão de acolher pessoas em tratamento oncológico que não tenham nenhuma referencia de domicilio na Capital. Acolhendo pessoas, o espaço contribui para que elas continuem em tratamento para lutar por suas vidas.

O Lar de Misericórdia existe desde 1992 e é uma das três instituições beneficiadas pelos donativos arrecadados na Caminhada da Fraternidade, evento que este ano levou mais de 60 mil pessoas para as avenidas de Teresina, no último domingo (9), com o tema: “Abraço, nosso laço com o outro”.

Para Sebastiana Leal, funcionária do Lar há dez anos, o espaço é a prova de que a solidariedade pode transformar realidades. “Recebemos os pacientes encaminhados dos serviços oncológicos do Hospital São Marcos e Hospital Universitário, que não tem como se manter em Teresina para realizar o seu tratamento. Aqui, eles têm a possibilidade de realmente ter um lar longe de casa, com a nossa estrutura de quarto, refeições, tudo sem custo. Funcionamos através das doações realizadas no ofertório da missa que acontece aqui aos domingos, de doações e dos recursos arrecadas na caminhada da Fraternidade. É sempre a solidariedade que nos ajuda a manter as portas abertas”, explica.

Sebastiana acolhe os moradores do Lar como uma família (Fotos: Assis Fernandes, Poliana Oliveira e Jaílson Soares/ODIA)

A estrutura da casa, que antes abrigava um seminário, é ampla e arejada. No espaço, oito quartos podem comportar até 32 pessoas. Além disso, um grande refeitório, espaço para convivência e áreas de jardim complementam o cenário de acolhimento para as pessoas que estão longe de casa.

 “Fizemos uma reforma e, agora, temos mais um quarto grande disponível, nossa capacidade vai aumentar, mas falta ganharmos as camas. Essa é a próxima providência divina que esperamos”, relata Sebastiana, com alegria pelo fato do local estar crescendo para receber mais pessoas.

Cada um dos atendidos pelo Lar traz consigo um acompanhante e são essas pessoas as responsáveis por dar suporte ao funcionamento do espaço. “Hoje, contamos com voluntários para que tudo funcione da melhor forma. As atividades da cozinha e de limpeza são partilhadas, todos tem responsabilidade com todos. Assim, é como se realmente fôssemos uma família”, destaca.

Voluntário diz encontrar sentido na vida ao ajudar pessoas

Francisco das Chagas, mais conhecido como Oliveira, 54 anos, faz jus ao sentimento familiar que permeia no Lar de Misericórdia. Ele começou a frequentar a entidade em 2011 ao acompanhar um familiar em tratamento. Anos depois, voltou à instituição para acompanhar um amigo em tratamento e, dessa vez, não saiu mais. Voluntário do Lar há anos, ele diz que ajudar as pessoas faz a vida ter mais sentido.

“Acho que é muito importante ter um espaço como esse que acolhe o pessoal, porque são pessoas que chegam aqui sem nada, não conhecem ninguém e aqui encontram mais apoio. Eu me sinto melhor quando estou ajudando, a vida passa a fazer mais sentido”, destaca.

Francisco das Chagas afirma que se sente melhor quando ajuda outras pessoas (Fotos: Assis Fernandes, Poliana Oliveira e Jaílson Soares/ODIA)

Morador de Parnaíba, no Norte do Estado, solteiro e com a família encaminhada, Oliveira lembra que o espaço oportuniza que ele faça mais laços de amizade. Como passa longos períodos no Lar, de um a quatro meses, ele também já se faz essencial na rotina do espaço.

É Oliveira quem acorda cedo e se responsabiliza por desligar o sistema de ar condicionado dos quartos, preparar o primeiro café e leite que serão servidos, além de cuidar do jardim. Trabalho que faz com sensação de recompensa por se sentir inserido naquela realidade. “E se não tiver um dia quem faça comida, eu também faço. Faço de um tudo porque gosto de me sentir útil, de estar contribuindo com essas pessoas que são tão boas”, destaca.


10 de junho de 2019

Não só do canal vive o Panamá - Confira locais vale visitar

Não só do canal vive o Panamá - Confira locais vale visitar

Maria das Graças Targino - Especial para o Jornal O Dia

Eis o Panamá! Tão próximo e demoramos tanto a conhecê-lo! Nenhuma razão explícita. Talvez, o preconceito inconsciente de que o fantástico desse país, cuja Capital é seu homônimo, é tão somente o célebre Canal do Panamá, construído em 1914! De fato, é ele importante para a vida de sua gente e de outros povos. Afinal, a República do Panamá é o país mais meridional da América Central, situado ao centro de dois extensos territórios que constituem as Américas (América do Norte e América do Sul) e entre os oceanos Atlântico e Pacífico, de tal forma que sua posição geográfica favoreceu desde sempre a redução das rotas mercantis mundo afora 


Canal do Panamá

Após conseguir independência da Espanha, ano 1821, a Província do Panamá contou com o apoio dos Estados Unidos para se libertar da Colômbia, 1903. Mas, como sempre ocorre, os EUA impuseram seu poderio, mantendo o Panamá como colônia por longos 97 anos, ao ponto de habitarem por lá cerca de 160 mil norte-americanos! Construíram o Canal e, por décadas, mantiveram o direito de exploração. Tão somente em 1999, após intensas e duras negociações, o Panamá conseguiu autonomia sobre o território. Em três anos sob gestão panamenha, a arrecadação correspondeu ao mesmo valor da soma de 85 anos, período correspondente à administração conjunta com o Governo norte-americano.

Como decorrência, a nação demorou a deslanchar. Oligarquias e militares em permanente conflito perduraram até a Queda da Ditadura, quando Manuel Antonio Noriega governou o Panamá entre 1983 e 1989, com mão de ferro, em meio a histórias transformadas em chacota e lendas. Por exemplo, contam que, em suas aparições públicas, empunhava sempre um facão, literalmente rugindo: “Nenhum passo atrás!” As espetaculosas manifestações de suas Brigadas, nomeadas como Batallones Dignidad, tinham o intuito explícito de defender o Panamá contra invasão liderada pelos EUA, o que terminou por acontecer ao final de 1989, com o objetivo de capturar Manuel Noriega, acusado tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção. 

O mundo desconhecia que, em meio aos discursos inflamados, Noriega era associado da CIA e mantinha contatos sistemáticos com outros serviços de inteligência, como o de Moscou, além de apoiar narcotraficantes e ditadores. Extraditado para os EUA, cumpriu pena por mais de 20 anos. De volta ao Panamá, ano 2011, sentenciado por 60 anos, quando de sua morte, ano 2017, estava em prisão domiciliar, por problemas de saúde. A este respeito, o atual presidente do país, Juan Carlos Varela, limitou-se a escrever em rede social: “a morte de Noriega encerra um capítulo de nossa história.”

Após esta rápida digressão acerca da complexa história do Panamá, o fato é que, por fim, o desenvolvimento se delineia, trazendo consigo, além de um regime democrático, uma série de facilidades para atrair investidores, de forma a impor a geração de empregos e o ritmo acelerado de crescimento econômico, que posiciona o país, hoje, como importante nação para a economia da região. Conecta o Sul ao Norte. Conecta todos com o Caribe. 


Pontos de atração 

Isla Toboga

A Capital, cidade do Panamá, fundada em 1519, é um recanto cosmopolita, mesclando certa aura de encantamento histórico e traços de modernidade. Não deixa a desejar para outros recantos, em termos de lazer; gastronomia para todos os gostos, em especial, para os amantes dos frutos do mar; áreas verdes, com jardins e parques de beleza ímpar, a exemplo dos parques Darién e La Amistad. 

O consumismo faz a festa para quem não resiste às inovações tecnológicas, incluindo eletrônicos em geral, smartphones, computadores, relógios, além de bebidas, perfumes e roupas de marcas sofisticadas. Mas ao contrário do que se pensa, tão somente em Cólon (na extremidade do Caribe no canal do Panamá) vale o sistema de tax-free e numa ou outra loja, incluindo o aeroporto de Tocumen, que é per se um complexo de lojas. Mas os valores estão longe de ser acessíveis, incluindo o artesanato, pouco original e muito caro por toda parte.

Ruínas do Panamá Viejo

Dentre suas atrações, o Canal do Panamá não perde sua posição! Com 80km de extensão, funciona diuturnamente. Embarcações de diferentes portes nos levam para lá e para cá, ou seja, nos permitem atravessar o Oceano Atlântico ao Pacífico ou do Pacífico ao Atlântico, sem dar volta no continente. Funciona por meio do sistema de eclusas, ênfase para Miraflores, Gatun Lake e Pedro Miguel. Apesar de um pouquinho distante do centro da cidade, a primeira é a que permite melhor visão aos visitantes e possui infraestrutura mais adequada. 

É comum os mais desavisados, dentre os quais me incluo, pensarem que as eclusas do Canal existem porque o Atlântico e o Pacífico possuem alturas diferentes. Ao contrário: sua altura é quase a mesma. As eclusas resultam da topografia da região, que faz com o que o lago do Canal fique acima do nível do mar. Funcionam como “elevadores”: os navios sobem durante o percurso no Canal e descem até o outro oceano. Afinal, eis uma obra de engenharia por mãos humanas, que deixa uma marca indelével em nossa memória. Impossível sair imune após passeio tão singular, coalhado de histórias e causos para lá de interessantes! 

A Ponte Las Americas, 1962, época ainda da supremacia norte-americana, une os dois lados do Canal do Panamá, isto é, o Pacífico e o Atlântico. Ponte com grandes estruturas metálicas e um grande arco, além do mirante, que dá boas-vindas aos 150 anos da cultura chinesa no país, incitam os visitantes a sacarem dezenas de foto. 


Panamá Viejo

Como a designação antevê, o Panamá Viejo (Panamá Velho, 1519-1671) é a primeira Cidade do Panamá e portanto, a área mais antiga. Consiste em sítio arqueológico, com construções magníficas feitas em pedras, a exemplo do Museu Patronato Panamá Viejo, que conta a história panamenha; a Puente del Matadero; e a Torre da Catedral.


Casco antiguo

Casco Antiguo

Transcorrido o tempo, a segunda sede da Cidade do Panamá passou a ser o Casco Antiguo ou Casco Viejo (Casco Antigo, bairro San Felipe), cuja construção se deu, em 1671, quando o Panamá Viejo foi totalmente saqueado e destruído por piratas, restando ruínas, hoje, abertas à visitação. Reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, abriga museus, praças, igrejas e conventos, além de prédios e ruas íngremes de pedra, que dispensam saltos altos para que a turista possa caminhar ao sabor do vento e do céu azul, e desfrutar a vida noturna para lá de animada, com “n” opções de casas noturnas, restaurantes e bares, com uma esticadinha na Calle Uruguay.

Para quem gosta de jogo de azar, é possível encontrar cassinos em várias partes da cidade e no bairro El Cangrejo, local que merece capítulo à parte. Há de tudo: o Parque Andres Bello; um pôr do sol inesquecível no The Roof; karaokê ao vivo na Via Argentina; lanche à meia-noite em Del Prado, etc. etc. 

Ainda no Casco Antiguo, dentre suas construções, eis o antigo Convento de Santo Domingo ou, simplesmente, Arco Chato, face a um detalhe de sua construção: o arco de formato achatado mantinha a função de sustentar o coro do convento. Hoje, em seu pátio, vez por outra, há exposições de arte em suas variações. Ainda por lá, estão a Igreja de São Francisco de Assis; a Catedral e o Museu do Canal Interoceânico, que explora a história do Canal do Panamá. A Universidade do Panamá está na Avenida Transístmica e em seu caminho, é possível visitar a Igreja de São José, construção entre 1671 e 1677, e que sobreviveu a um terrível incêndio. Seu altar, estilo barroco com pintura de ouro, é de beleza indescritível. 

Aliás, o ensino superior é de boa qualidade, com 11 instituições, sete das quais privadas, que, de forma consensual, segundo a população, prezam pela qualidade e pelo rigor. A saúde pública não está no alvo das lamentações, mas estranhamente, os panamenhos se queixam da falta de medicamentos e de seus preços para lá de elevados! 


Zona Nova

Dubai das Américas

Deixando a zona antiga da charmosa Capital panamenha, é a hora de curtir a parte nova, sem esquecer de visita ao Mercado de Mariscos, um dos mais tradicionais, mas que deixa muito a desejar no quesito limpeza. Na Cinta Costera, orla marítima recentemente revitalizada, em seu calçadão, esportistas (ou não) se perdem em longas caminhadas ou passeios de bike e de patins, desfrutando a beleza de parques onde estão esculturas e maravilhosos espelhos d'água. Num arroubo de patriotismo, como de lá é possível avistar os numerosos edifícios do Panamá, a Capital já chegou a ser nomeada como “Dubai das Américas”, devido à grandiosidade de suas construções mais recentes. Algumas delas estão no Punta Pacífica, bairro mais ou menos novo, com edifícios de grande porte, à semelhança da Trump Tower, em homenagem a Donald Trump. Um passeio pelo Corredor Sur nos permite apreciar mais de perto as modernas construções que dão charme ao novo Panamá.

Eis a hora de El Paseo Amador (Amador Causeway). É o elo entre continente e às pequenas ilhas Naos, Perico e Flamenco, repletas de restaurantes, lojinhas e uma marina. Trata-se de avenida construída com as pedras remanescentes da construção do Canal. Sua beleza convida qualquer um a passeios de bike ou a uma paradinha num barzinho qualquer para conviver com o panamenho que se distribui em quatro segmentos bem nítidos – brancos, negros, mestiços e índios. Aliás, no país, convivem sete etnias indígenas, disseminadas por todo seu território: ngäbe; buglé; kuna; emberá; wounaan; naso tjerdi; e bri, mas, na Capital, é mais frequente a presença dos kuna yala (ou guna yala ou hoy kuna), embora seja mais fácil a inesquecível visita à comunidade dos emberá, ao largo dos rios Gatun e Chagres. 

Comunidade dos  emberás

No Amador Causeway, o BioMuseo é imperdível, tanto por sua arquitetura multicolorida, obra do arquiteto canadense Frank Gehry, de 85 anos, naturalizado norte-americano, quanto por seu acervo valioso. O foco central é difundir a biodiversidade do Panamá e, ao mesmo tempo, conscientizar a população sobre a relevância da conservação do planeta. Suas exposições permanentes se espalham por oito galerias: Galeria de biodiversidade; Panamarama; A ponte emerge; A grande troca; A pegada humana; Oceanos divididos; A rede viva; e Panamá é o Museu. Seu conteúdo é inarrável e requer visita in loco ou, no mínimo, ao site oficial www.biomuseopana ma.org.


Há mais...

O Cerro Ancón (Morro Ancón) também é imperdível. Em suas proximidades, há interessante mesquita com um templo, onde ocorrem cultos da fé Bahái. O morro mais alto da região (200m de altura) está cercado por densa vegetação, onde vivem diferentes espécies de animais. Além de ostentar uma enorme bandeira panamenha, o Ancón favorece uma das melhores vistas panorâmicas da Capital, incluindo parte do Canal e dos novos edifícios. Trata-se de área ora ocupada por militares panamenhos em vez dos norte-americanos, que partiram, deixando alguns remanescentes e certas heranças, a exemplo da moeda. Oficialmente, é ela o balboa, mas o que circula para valer é o dólar americano, até porque o balboa só existe em moedas! 

Dentre as excentricidades, está a localização do Palácio do Governo. Diante do Pacífico, as águas nem sempre plácidas do Oceano impedem a entrada pela frente das instalações do prédio, e, então, quaisquer manifestações contrárias ao Governo. Aqui, destaque para algo fenomenal e que deveria ser implantado em qualquer regime democrático: presidente, governadores e prefeitos não podem ser eleitos mais de uma vez (cinco anos) e somente os deputados são reelegíveis, com tendências que emergem para que os mandatos também sejam restritos!  Outra singularidade, desta vez, também a favor do povo, os maiores de 60 anos, turistas ou não, em qualquer restaurante, têm direito a desconto, salvo as redes internacionais de fast food. 

Arquipélagos e ilhas

A Cidade do Panamá não possui praias, face à formação de mangues, quando da edificação da Capital, que impediam a formação do arenal. No entanto, visitar o Panamá e não conhecer suas ilhas e seus arquipélagos, é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa! Dentre eles, para quem dispuser de tempo para ir mais longe, sobretudo, os aficionados por praia e esportes aquáticos, destino certo: praias de Santa Catalina (387 km da Capital) ou arquipélago Bocas del Toro, 250 km. Mais próximo, está San Blás, arquipélago-paraíso distante 148km da Capital, com suas ilhas caribenhas de águas mornas e areia branca. Taboga, mais ou menos a 22km da costa panamenha, é imperdível como o próprio cognome sugere: Ilha das Flores!


Mas nem tudo são flores

Ônibus desconforto e colorido

Como o Brasil e os demais países em desenvolvimento, a cidade do Panamá ainda carece de infraestrutura ideal para o turismo, com problemas da segurança pública e áreas de risco. A polícia única conta com um contingente significativo de mulheres e é totalmente segmentada – para turistas, mulheres, rodoviárias, famílias, fronteiras, drogas, etc. O transporte público é bastante deficitário. O metrô barato (cerca de 35 centavos), possui apenas duas linhas, a segunda recém-inaugurada. Os ônibus coloridos são bem antigos e lembram os de países, como Índia. Os táxis não adotam o taxímetro e os preços variam de uma forma incrível, que torna a negociação para lá de cansativa! Embora haja queixa generalizada contra mosquitos, eles só fazem a festa no período chuvoso. Mas, definitivamente, chama atenção o amor do panamenho ao Brasil, em especial, nos quesitos futebol (embora o beisebol seja o esporte número um do país), carnaval e novelas. Há um clima de idolatria! Enfim, tudo nos leva a viver as delícias dessa nação de povo sorridente e de locais tão aprazíveis! Para nós, nenhum problema, mas o calor panamenho põe o de nosso Piauí no chinelo! É de matar! 

Faiska Massacre faz cultura da periferia virar sucesso na internet

Faiska Massacre faz cultura da periferia virar sucesso na internet

“OH PEGA PÁ TU” - os grupos de WhatsApp foram invadidos por vídeos com as batalha de swuingueira e seus bordões marcantes

Ednael Francisco é um jovem de 27 anos que tem conquistado atenção na internet e em grupos de whatsapp com vídeos em que aceita ser desafiado para “batalhas de swingueira” em Teresina e no vizinho município maranhense de Timon. Na verdade, não é propriamente Ednael quem é responsável pelo sucesso, mas o personagem encarnado por ele em cada uma das aparições: Faiska Massacre , o dançarino que, como o próprio nome lembra, “massacra” nas competições de dança em que se apresenta. Os vídeos do jovem, em sua recente conta criada em uma das redes sociais, chegam a quase 20 mil visualizações.

Em um dos vídeos que fizeram sucesso nas últimas semanas, ele aparece com expressão sisuda, agradecendo a atenção que tem recebido de internautas e aceita um convite para um desafio de dança com outro personagem que também povoou a atenção da internet nos últimos dias, o Italo Quebradeira. “Eu queria perguntar pra ele, porque ele está me convidando pra disputar de novo? Agora você vai pegar o massacre! Pois pega ‘pá’ tu, Italo quebradeira. Pega ‘pá’ tu!”, anuncia no vídeo que viralizou.

O talento para a dança, o estilo marrento e os bordões “pega pá tu” e “pois toma, desgraçado”, fizeram o jovem chamar atenção a uma cultura que faz parte da rotina dos jovens na periferia das cidades de Teresina e Timon: os shows de swingueira e os desafios de dança gerados por eles. 

Para Faiska, mesmo antes das disputas, a dança sempre fez parte da sua rotina de vida. Com o recente sucesso, agora, ele sonha em fazer dela a profissão de vida. “Desde 2005, eu já dançava em todo lugar porque é o que eu gosto de fazer. Depois, comecei a botar os vídeos na internet, mas não estourava, até que começaram a me desafiar, que é uma coisa mais recente por aqui. Eu não tenho medo e enfrento todo mundo. Aqui é massacre!”,  explica.

A dança realmente parece algo natural para o jovem.  Ele aponta para os joelhos machucados, que são frutos dos ensaios diários, com satisfação. “Quando eu era menor, eu via meus amigos dançando e pedia pra eles me ensinarem, mas ninguém queria. Eu falava: “um dia eu vou ser o cara”. Agora eu treino todo dia e sou o melhor de Timon e Teresina, não tem pra ninguém não”, comemora.

O jeito sisudo dá espaço quando ele pega o celular, emprestado do irmão, para mostrar os muitos vídeos que tem gravado em que dança em diferentes locais de Teresina e Timon. Empolgado, ele explica cada passo e avaliação das próprias apresentações.

Faiska já faz da dança um princípio de vida, mas quer fazer dela também uma profissão. Desempregado, sonha em ser contratado por bandas de abrangência nacional. Por hora, as participações em shows e vitórias em batalhas rendem apenas pequenos cachês. “Já dancei muito por aqui, agora quero ser profissional, quero ser contratado e viajar o Brasil todo. Quero muito ganhar pelo que eu faço”, anuncia.


Família apoia e acompanha sonho de infância

Enquanto não consegue realizar o sonho de ganhar o Brasil com o seu talento, o jovem acompanha o ‘boom’ de ser cada vez ser mais conhecido, não só onde mora, no Parque São Francisco, em Timon, mas também na Capital do Piauí. A família vê com empolgação o inicial reconhecimento do sonho do jovem.

A mãe de Ednael, Francisca da Chagas, é uma das grandes incentivadoras do sonho do filho. “Trabalho vendendo verdura aqui em Timon e, hoje em dia, todo mundo me chama pra ver os vídeos dele. Quero que ele seja feliz, que consiga fazer sucesso com o que gosta”, ressalta. Francisca, além de Ednael, tem outros sete filhos. “Sempre criei eles com o suor do meu trabalho e o Ednael é o meu parceirão, o que sempre me ajudou”.