Para evitar acidentes ou desabamentos, 10 equipes, cada uma com dois engenheiros da Secretaria Estadual de Educação e Cultura (Seduc), estão realizando vistorias em 130 escolas de Teresina. Nas unidades onde há alto risco de acidentes, os problemas serão corrigidos imediatamente, dispensando processo de licitação.
Segundo o engenheiro Dorival Danúzio, diretor da Unidade de Gerenciamento da Rede Física da Seduc, cada uma das 10 equipes está responsável por 13 escolas, eu foram divididas por regiões de Teresina. Semana passada, o teto do pátio da Unidade Escolar Maria do Carmo desabou. A escola, localizada no bairro Dirceu Arcoverde I, na zona Sudeste de Teresina, tem turmas dos ensinos fundamental, médio e de Jovens e Adultos (EJA) nos três turnos. O desabamento aconteceu durante a noite, quando não havia alunos no local.
“Como os engenheiros estão em Teresina permanentemente, estivemos pontualmente dando assistência a escolas da capital quando solicitadas, mas como na escola onde houve desabamento não havia indícios de cair, a Seduc solicitou que vistoriássemos todos os tetos das escolas comprometidas da capital”, afirma.
Foto: Elias Fontenele/ ODIA

Ainda no início deste ano, em São Miguel do Tapuio, a 227 km de Teresina, aconteceu outro acidente. Contudo, neste caso, os alunos estavam em sala de aula no momento do ocorrido. O teto de uma das salas da Unidade Escolar Dona Rosaura Muniz Barret desabou. Cerca de 16 estudantes foram encaminhados para o hospital da cidade. Segundo Dorival Danúzio, o trabalho de vistoria já foi realizado em todo o interior do Estado.
Já a Escola José Cândido Ferraz, localizada no bairro Monte Castelo, foi vistoriada ontem (14) e, segundo o engenheiro, nesta unidade não foi detectado risco de acidente. “Mas por uma questão de prevenção, por ser uma escola antiga, estamos orientando os engenheiros a trocarem a estrutura de madeira por uma estrutura metálica dos pátios”, afirma.
A diretora da Unidade, Cecília Carvalho, disse que a escola já esteve perto de fechar porque não tinha uma estrutura física adequada. “Qualquer mãe que chegava aqui, por causa da estrutura que não oferecia benefício, deixava de fazer matrícula”, declara. Segundo ela, em 2014, houve uma reforma de pintura, troca de portas e janelas, forro e agora está apta a ser climatizada. “Estamos com o transformador ligado na escola, mas falta a Eletrobrás vir fazer a ligação”, completa, acrescentando que, devido às melhorias, 100 novos alunos foram matriculados este ano.
Evasão
De acordo com Dorival, essas vistorias são importantes dada as circunstâncias da estrutura física das escolas, principalmente devido ao abandono da gestão passada, que deixou de repassar seis parcelas de manutenção das unidades e 100 mil alunos deixaram as escolas. “Quando recebemos as escolas, em janeiro, algumas estavam deploráveis, em algumas tivemos que fazer uma operação de guerra para recomeçar as aulas, porque se a verba de pequenas reformas não foi repassada, os problemas foram se acumulando”, declara.
Segundo diretor da Unidade de Gerenciamento da Rede Física da Seduc, as reformas que serão feitas têm como intuito trazer de volta esses alunos e dá-los mais segurança. “Tendo em vista a situação das escolas, temos que conseguir trazer os alunos novamente e dar credibilidade à rede estadual de ensino, isso não só na estrutura física. É bem verdade que resolver uma questão antiga em nove meses não conseguiremos, até porque os recursos são poucos”, confessa. De acordo com Dorival Danúzio, esta é a primeira vez na história da Secretaria de Educação que está sendo feita visita de manutenção preventiva.
“No nosso planejamento, apesar de poucos engenheiros, sendo apenas 20 para todo o Estado com quase 800 escolas e mais de 200 obras em andamento, estamos fazendo essas visitas periodicamente”, explica Dorival. Em escolas onde não há risco, o prazo para receber a reforma será grande, pois entrará em processo de licitação. Já nas escolas onde há grande risco, a reforma será feita imediatamente.
Por: Ana Paula Diniz- Jornal O Dia