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Retomada dos investimentos não virá do governo, diz Guardia

Prestes a ser sucedido por Paulo Guedes, Guardia disse ainda que, sem a aprovação de uma reforma da Previdência, o teto não se sustenta.

04/12/2018 16:23h

A retomada do investimento no Brasil não virá do setor público, afirmou o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, nesta terça-feira (4).
Falando para uma plateia de dirigentes do setor financeiro, Guardia rebateu aqueles que criticam a imposição do teto de gasto público por cortar investimentos. 
"O problema [do déficit público] é a despesa, não a receita", afirmou.
De saída do cargo, que será assumido por Paulo Guedes, à frente do superministério da Economia, Guardia disse ainda que, sem a aprovação de uma reforma da Previdência, o teto não se sustenta. 
"Sem a reforma da Previdência não é crível a sustentação do teto do gastos e, sem o teto, não tenho ilusão de que, dada a situação fiscal, a alternativa não será inevitavelmente o aumento de impostos", afirmou.
Guardia disse que o ajuste não deve vir pelo aumento da carga tributária, mas disse também não ser possível no momento uma reforma que reduza impostos.


Eduardo Guardia, ministro da Fazenda (ao meio) - Foto Antonio Cruz/Ag Brasil

"Precisamos de uma reforma tributária que avance na simplificação e melhora da qualidade dos tributos, aperfeiçoando o PIS, revendo o imposto da pessoa jurídica."
Segundo Guardia, sua mensagem é de otimismo, mas o ministro pediu foco do próximo governo para enfrentar o ajuste fiscal. 
"A boa notícia é que o governo está comprometido com as reformas e o teto", disse, acrescentando que as ações exigirão clareza de direção e agilidade.
"As reformas são difíceis, exigem diálogo e podem levar a desgaste do governo. Por isso, é importante começar com o central, que é a reforma fiscal", afirmou. 
Guardia disse que as questões no Brasil são muito judicializadas, o que vai exigir das autoridades um esforço para explicar ao judiciário e ao legislativo o impacto de temas econômicos.
"O Brasil ainda tem chances de fazer um ajuste gradual. Outros países não conseguiram e tiveram que recorrer a medidas de curto prazo."
O ministro passou ainda um "recado claro" de que as perspectivas de um cenário externo menos favorável  reforçam a urgência na continuidade das reformas.
"Sabemos as nossas vulnerabilidades e temos que enfrenta-las antes que o mundo fique mais adverso", disse.
Guardia falou em almoço da Febraban (federação dos bancos). No evento, o presidente da instituição, Murilo Portugal, anunciou uma campanha publicitária e o lançamento de um livro em que o setor traça sugestões para a redução das taxas de juros no Brasil.

Fonte: Folhapress

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