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Presença feminina ainda é pequena na liderança de empresas, diz consultoria

Pesquisa da Exec, especializada em seleção de altos executivos, aponta que 22% das companhias passaram a exigir pelo menos uma mulher na disputa final de vagas.

12/03/2018 16:27h

Mulheres marcaram presença nos discursos das empresas no ano passado, mas as estatísticas apontam que poucas estão no ambiente corporativo. Nos cargos estratégicos, o avanço aconteceu, mas foi pequeno. Segundo a consultoria Deloitte, a participação feminina em conselhos de administração de 64 empresas passou de 6,3% para 7,7%, entre 2015 e 2017.

Aumentou, de fato, a preocupação com o assunto. Pesquisa da Exec, especializada em seleção de altos executivos, aponta que 22% das companhias passaram a exigir pelo menos uma mulher na disputa final de vagas.

"2017 foi o ano em que a discussão amadureceu [a respeito de diversidade], sobretudo nas multinacionais", diz Ricardo Sales, consultor de diversidade e pesquisador da ECA/USP.

Para ele, o principal desafio dos próximos anos será aumentar as iniciativas de inclusão das pessoas mais vulneráveis. "Travestis e transexuais, mesmo aptos às vagas, ainda têm acesso limitado às organizações", afirma.

Avanços reais

Algumas empresas relatam dificuldade em contratar. É o caso da Avianca Brasil que, em julho, recrutou 13 pilotas, depois que o presidente, Frederico Pedreira, notou a pífia participação feminina nas cabines de pilotagem. A participação delas, que varia entre 1% a 3% no setor, era de 1,6% na companhia.

Não foi fácil, segundo Pedreira. Além de resistências internas - como argumentos de que as mulheres não necessitam de tratamento especial para ter sucesso - faltavam candidatas que cumprissem as exigências mínimas de horas de voos. Dentre os 1.683 currículos recebidos, só 5% eram de mulheres.

O presidente da empresa justifica que, como a formação de pilotos é muito cara e as mulheres historicamente ganham menos e carregam dupla jornada, é compreensível que elas sejam minoria entre os candidatos.

No Grupo Pão de Açúcar, além de priorizar a contratação de executivas, uma das saídas para elevar o número das profissionais foi criar uma meta atrelada aos bolsos dos diretores.

Desde 2016, ter mais mulheres em cargos de liderança é uma obrigação e influi diretamente na remuneração variável recebida por eles.

A meta é uma das iniciativas do comitê criado com este objetivo. Em 2015, apenas 21% dos cargos de liderança eram ocupados por mulheres, fatia que subiu para 28% em 2017. A estimativa é ter 38% do quadro total de chefias ocupado por elas até 2020.

Imagem distorcida

A mudança de postura em relação à diversidade também evoluiu na condução das marcas.

Maíra Liguori, co-fundadora da Think Eva, consultoria especializada no tema, com Avon e Bradesco entre seus clientes, alerta que estratégias de comunicação levianas podem ser um tiro no pé para grandes companhias.

"Como já há um discurso se formando na cabeça das consumidoras, existe uma vontade das marcas de se conectarem a isso. Mas muitas vezes a maneira como elas usam esse discurso é feita de forma leviana, como se fosse uma modinha passageira", afirma.

Segundo Liguori, quando as empresas fazem isso de forma errada, as pessoas que estão acordadas para o problema percebem. E o impacto negativo pode ser grande.

Um exemplo, diz ela, é o da farmacêutica Sanofi, que em 2015 lançou a campanha "Sem Mimimi - Se você não tem tempo pra Mimimi, descubra Novalfem". A propaganda do remédio para cólicas foi cancelada após virar alvo de críticas nas redes sociais.

A mesma Sanofi no ano passado contratou uma mulher grávida para um cargo elevado na área de recursos humanos.

"Fui contratada quando estava no segundo mês de gravidez. Infelizmente, isso é uma coisa rara. Sempre que conto a história, as pessoas ficam surpresas. Mas o meu caso é um sinal de que a escolha foi feita por performance e não pelo momento", diz Ana Carolina Ranzani.

Fonte: Folhapress
Por: Joana Cunha, Tatiana Vaz e Jairo Marques

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