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Piauí tem a maior taxa de subutilização da força de trabalho do país

Taxa leva em consideração pessoas que se encontram desocupadas ou subocupadas por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial.

21/08/2018 07:54

Com taxa de subutilização da força de trabalho em 40,6%, o Piauí aparece como o Estado com o pior desempenho do Brasil no segundo trimestre deste ano. Foi o que revelou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última quinta-feira (16). O Estado ficou à frente do Maranhão (39,7%) e da Bahia (39,7%), que também apresentaram taxas elevadas. 

Foto: Folhapress

No país, essa taxa de subutilização da força de trabalho encerrou o segundo semestre do ano com 24,6%, o que equivale a 27,6 milhões de pessoas que se encontram desocupadas ou subocupadas por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial. O resultado ficou estatisticamente estável em relação ao primeiro trimestre de 2018 (24,7%) e subiu na comparação com o segundo trimestre de 2017 (23,8%).

A pesquisa também divulgou que as regiões Norte e Nordeste têm mais trabalhadores por conta própria. A população ocupada, no 2º trimestre de 2018, estimada em 91,2 milhões de pessoas, era composta por 67,6% de empregados (incluindo empregados domésticos), 4,8% de empregadores, 25,3% de pessoas que trabalharam por conta própria e 2,3% de trabalhadores familiares auxiliares. Nas regiões Norte (31,7%) e Nordeste (28,9%), o percentual de trabalhadores por conta própria era superior ao verificado nas demais regiões.

O estudante Franklin Wernz, de 23 anos, está desempregado, mas por escolha própria. Ele parou de procurar emprego para dedicar seu tempo aos estudos, focando em concursos públicos. Técnico em Mecânica e estudante de Geoprocessamento, o jovem conta que sua área de atuação é bastante concorrida e exige experiência. Por fazer outro curso, é inviável conciliar trabalho e estudo que, de acordo com ele, não valeria à pena abrir mão.

Paralelo aos cursos, o jovem chegou a trabalhar como telemarketing, setor onde a rotatividade, tanto de contratações como de demissões é grande, o que não assegura estabilidade financeira. Essa foi uma alternativa encontrada por Franklin Wernz para se manter enquanto não encontrava emprego em sua área.

“Mas em certo momento, tive que fazer uma escolha que mudaria minha vida: trancar meu curso que estava quase concluindo e me dedicar inteiramente em estudar para concursos militares, que considero ultimamente um jeito mais rápido e fácil de conseguir emprego com estabilidade, e assim fiz. Durante seis meses, investi tudo o que tinha em cursinhos e todo esforço foi recompensado, consegui passar em um concurso para o Estado do Maranhão”, comenta.

Contudo, Franklin Wernz conta que o que seria um alívio transformou-se em drama, pois apesar de ter sido aprovado, a convocação só ocorrerá no próximo ano. Enquanto não é chamado, ele se mantém com a ajuda de familiares para suprir suas necessidades e as dívidas de viagens, hospedagem e exames exigidos pelo concurso.

“Enquanto espero a próxima chamada, estou à procura de um emprego, para não ficar parado e conseguir ajudar nas despesas causadas. Porém, o mercado está muito exigente, não tem espaço para pessoas sem experiência, as dívidas não param de chegar, e apesar de muitos nãos, não irei desistir”, enfatiza.

Por: Isabela Lopes
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