Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook Twitter Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Pequenas empresas podem melhorar processos com tecnologia

Antes de fazer um investimento do tipo, o consultor do Sebrae-SP Leonardo Paiva recomenda que o empreendedor procure saber se o que ele quer comprar lhe será útil.

29/03/2019 14:52

 Investir em tecnologia parece difícil para os pequenos e médios empresários. Com recursos limitados, eles têm de tomar cuidado para não se endividar tentando otimizar processos.

Antes de fazer um investimento do tipo, o consultor do Sebrae-SP Leonardo Paiva recomenda que o empreendedor procure saber se o que ele quer comprar lhe será útil.

“Quando se fala em tecnologia, as pessoas costumam pensar sempre no produto que é o suprassumo do setor, mas muitas vezes a empresa não precisa disso”, afirma. Ele sugere começar com aplicações mais simples e acessíveis.

Foi isso que a Nogueira Brinquedos fez. A empresa, que tem 60 empregados e fabrica equipamentos de entretenimento para áreas de lazer, estava quase falindo em 2016.

Sem dinheiro para grandes mudanças e precisando modernizar seus processos internos, a companhia investiu pontualmente: contratou um serviço de consultoria para ensinar os funcionários a lidar com programas e ferramentas de gestão já disponíveis no mercado.

“O consultor criou planilhas de controle e nos ensinou a usar. São programas simples, mas que ajudaram bastante nos nossos processos. Não precisamos de um software caro para vender mais”, diz o sócio David Gaspri Júnior, 39. 

“Podia ter o melhor programa, mas pensei: ‘O que há de barato e disponível?’.”

Ele conta ter gasto cerca de R$ 100 mil no processo, que levou mais de um ano.

Quando a empresa voltou a crescer —numa média de 30% ao ano desde 2016—, sobrou dinheiro para aplicar em outras tecnologias, essas embutidas em maquinário mais moderno para a fábrica.

A Lustres Yamamura, companhia de médio porte com quatro lojas em São Paulo e ecommerce, também investiu pontualmente para melhorar com tecnologia um de seus gargalos.

Toda vez que vendia algo para outro estado brasileiro, era necessário destacar algum funcionário para lidar com a guia de recolhimento de impostos, já que cada unidade federativa tem suas alíquotas.

“Tinha funcionário que ficava o dia inteiro aqui só fazendo isso manualmente”, afirma Carlos Vidal, 57, gerente da empresa.

A Yamamura aplicou o dinheiro a conta-gotas: contratou uma empresa especializada nesse serviço, chamada Dootax, que, por meio de um software, lê os dados da venda, emite a guia, paga-a e envia as informações ao cliente. 

O dinheiro gasto anualmente pelo serviço, que solucionou o problema e liberou os funcionários para outras atividades, é menor que 0,5% do faturamento da companhia, conta Vidal.

Há ainda outras opções para atualizar processos tecnológicos gastando pouco. Se o empresário quer começar a vender online, por exemplo, uma alternativa é buscar os marketplaces —sites que, em troca de comissão por cada venda, permitem que empresas anunciem seus produtos.

Dessa forma, explica Cesar Caselani, professor de finanças da FGV, o empreendedor não precisa contratar alguém para desenvolver uma página de compras online só sua.

André Duarte, professor de operações no Insper, diz que uma outra opção é procurar linhas de crédito específicas para a área tecnológica, com taxas mais atraentes.

Esse tipo de financiamento, conta, existe no BNDES, na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e no Desenvolve SP.

Além disso, pode-se firmar parcerias para que instituições de ensino desenvolvam uma tecnologia específica para o seu negócio. 

“Na parceria com escolas, a empresa não tem praticamente nenhum custo. O que tem de ser alinhado é o ‘timing’, porque às vezes o empreendedor precisa do produto logo e as pesquisas para desenvolvê-lo levam tempo”, diz Duarte.

Fonte: Folhapress
Mais sobre: