Isolamento social pode levar a recuperação econômica mais rápida, diz estudo

Pesquisa se baseia na experiência dos EUA durante e após a chamada gripe espanhola, que se estendeu entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920

31/03/2020 11:58h

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A adoção de medidas restritivas e duradouras de isolamento social durante uma pandemia, como a causada atualmente pelo coronavírus, pode levar a uma recuperação econômica mais rápida e robusta após o seu fim.

A conclusão se baseia na experiência dos Estados Unidos durante e após a chamada gripe espanhola, que se estendeu entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, causando, pelo menos, 50 milhões de mortes globalmente e infectando cerca de um terço da população mundial.

Segundo um estudo novo, localidades norte-americanas que reagiram mais prontamente à pandemia de 1918 registraram uma retomada mais forte no ano seguinte. A pesquisa foi intitulada "Pandemics depress the economy, public health interventions do not: evidence from the 1918 flu".

Seus achados mostram que cidades que adotaram intervenções não-farmacêuticas (NPIs em inglês), como medidas de isolamento social, dez dias antes à chegada da pandemia registraram um aumento adicional de 5% no emprego industrial, em 1919, em relação à média analisada.

A duração do confinamento também tende a fazer diferença. De acordo com a pesquisa, a extensão das chamadas NPIs por 50 dias adicionais -em comparação à média- garantiu um crescimento extra de 6,5% no emprego no setor manufatureiro depois da pandemia.

O estudo que chegou a esses resultados foi feito pelos economistas Sergio Correia, Stephan Luck e Emil Verner. Os dois primeiros são do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) e o terceiro é filiado à escola de negócios Sloan School of Management, do MIT (Massachusetts Institute of Techonology).

Trata-se ainda de uma pesquisa preliminar, que, após sua divulgação inicial nesta semana, está sujeita a mudanças em cálculos e premissas, principalmente com base em comentários que serão recebidos de outros estudiosos.

Porém, se forem sólidos, esses resultados indicarão que medidas mais drásticas de confinamento durante a atual pandemia da Covid-19 tendem a surtir efeito positivo em duas frentes cruciais para a sociedade.

Em primeiro lugar, Correia, Luck e Verner mostram que o confinamento contribui para taxas menores de fatalidade, conclusão parecida às de estudos anteriores que focaram apenas esse aspecto.

Adicionalmente, eles revelam que, ao reduzir o impacto sobre a saúde pública, esse tipo de medida surte efeito também na economia.

Segundo os autores, durante a gripe espanhola, há registro da adoção de políticas parecidas com as praticadas na crise atual, como fechamento de escolas, teatros e igrejas, banimento de encontros públicos e funerais, quarentena de pacientes suspeitos e horários comerciais reduzidos.

A intensidade dessas medidas, no entanto, variou entre diferentes cidades e estados americanos. Sua duração também. Foram essas diferenças que permitiram aos pesquisadores construir um modelo matemático que mensurou o impacto econômico das medidas adotadas durante a pandemia.


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Fonte: FolhaPress

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