Falta de oportunidades de emprego impulsiona prática do trabalho informal

Por conta da crise, trabalhadores procuram fontes alternativas de renda investindo, por exemplo, em carrinhos ambulantes

20/06/2017 08:24h

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Esta semana, o Jornal ODIA traz uma série de reportagens sobre trabalhadores informais, que buscam alternativas diariamente para manter o sustendo de suas famílias, sobretudo em tempos de crise. 
Na edição de hoje (20), contaremos a histórias de trabalhadores que vendem lanches no Centro de Teresina. Em bicicletas ou carrinhos, eles percorrem as ruas da cidade oferecendo sucos e salgados. O trabalho diário requer muito esforço e dedicação, mas isso não desanima quem tem esta atividade como única fonte de renda. 

Depois de ser demitido, Daniel aproveitou a experiência na área alimentícia para vender lanches (Foto: Moura Alves/ O Dia)
É o que conta o vendedor ambulante Daniel Pereira Sousa, de 32 anos, que trabalhou por um ano e meio em um restaurante, mas foi demitido por conta da crise. Por ter experiência na área, decidiu investir na venda de lanches e seu primeiro dia de vendas foi ontem (19). 

“Eu quis trabalhar por conta própria e também pela falta de emprego. Depois que fui demitido decidi empreender, investir no meu negócio e trabalhar por minha conta. Ser meu patrão, entende? Assim eu faço meus horários e ninguém fica dando ordens”, disse. 
Ele cita que decidiu investir na área de alimentação, não somente por ter trabalhado nesse ramo, mas porque lanches são acessíveis e de fácil venda. Além disso, vende-los em um carrinho facilita bastante, pois permite que ele percorra muitos locais, sem esperar que o cliente necessariamente chegue até ele. 
“Todo mundo quer comer, ainda mais quando está na rua. Eu montei um carrinho porque não tinha como investir em algo maior, mas claro que seria muito bom começar com um ponto fixo, sem precisar ficar me deslocando, mas quem sabe mais na frente eu não consiga montar meu empreendimento”, fala Daniel Pereira. 
O mesmo acontece com o jovem Bruno Cavalcante Pereira, de 19 anos, que também investiu na venda de lanches para ajudar nas despesas de sua residência. Há um mês com um carrinho, ele explica que buscou esta área devido à falta de oportunidades de emprego. 
“Eu já trabalhei em outras áreas, mas também informal, dirigindo caminhão, e na feira. Mas as empresas só querem alguém que tenha experiência e como eu não tenho, fica complicado conseguir algo. Até já deixei meu currículo, mas nunca me chamaram. Então surgiu a oportunidade de vender lanche com uma pessoa que é da minha igreja e eu acabei aceitando”, relata. 
Bruno Cavalcante pontua que a venda de lanches é muito boa e que o lucro é certo, principalmente na região central de Teresina. Isso porque, além de receber o percentual do que é vendido o final do dia, o rapaz ainda ganha um valor fixo semanalmente. Ele garante que o valor total é superior ao que um trabalhador formal de um restaurante recebe. 
“Essa área informal dá dinheiro porque nós que vamos atrás dos clientes, diferente de um restaurante, que temos que esperar eles entrarem. Com um mês já estou tendo lucros e é com esse dinheiro que ajudo em casa, porque meu pai também está desempregado”, frisa
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Por: Isabela Lopes

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