Dívida bruta pode fechar 2018 em 80% do PIB, estima Banco Central

Em novembro, a dívida bruta somou 74,4% do PIB. Estimativa do BC considera que a meta de rombo fiscal, de R$ 163,1 bilhões, será cumprida neste ano e no próximo.

28/12/2017 14:39h

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A dívida bruta do setor público consolidado, o que inclui a União, os estados e os municípios, pode terminar o ano de 2018 em 79,8% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estimativa divulgada nesta quinta-feira (28) pelo Banco Central.

No mês passado, a dívida bruta somou 74,4% do PIB. Para o fim deste ano, a expectativa da autoridade monetária é de que a dívida bruta some 76,1% do PIB.

A dívida bruta do setor público não considera os ativos do país. No caso do Brasil, os principais ativos são as reservas internacionais, atualmente acima de US$ 370 bilhões.

A dívida bruta, uma das principais formas de comparação internacional, é um indicador que é acompanhado atentamente pelas agências de classificação de risco - que conferem notas para os países (o que funciona como uma recomendação, ou não, para investimentos).

A dívida bruta média das nações emergentes, em 2017, é estimada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em pouco mais de 50% do PIB.

Segundo o chefe-adjunto do Departamento de Estatística do BC, Renato Baldini, uma dívida bruta alta pode ter um "efeito ruim" sobre a economia e sobre percepção de investidores para realização e negócios no Brasil.

"O governo tem adotado algumas medidas que visam conter o crescimento da dívida, com a obtenção de resultados primários superavitários [de 2021 em diante] como passar do tempo. Tem medidas sendo consideradas, e outras que já foram adotadas", afirmou ele.

Baldini lembrou que as agências de classificação de risco consideram o patamar de 80% para a dívida bruta como um "valor de referência" para os países emergentes - acima do qual sua sustentabilidade poderia ficar comprometida. "É um valor arbritário das agências, que não consideramos", acrescentou.

Segundo o técnico do Banco Central, a estimativa para a dívida bruta em cerca de 80% do PIB no fim de 2018 não considera a eventual devolução de R$ 130 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao governo - que está sendo negociada. Se essa devolução ocorrer, a estimativa para a dívida bruta no fim de 2018 é de 78% do PIB.

Ele observou que a previsão do BC também considera o rombo das contas públicas de até R$ 163,1 bilhões em 2017 e também em 2018. Se o resultado ficar abaixo disso, melhor do que a meta fixada para estes anos, a dívida também teria uma evolução melhor, podendo ficar mais baixa no fim do próximo ano.

"Uma folga no cumprimento das metas pode contribuir para patamares de dívida menores neste ano e no próximo", declarou Baldini.

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Fonte: G1

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