Cartão de crédito é responsável por 76% de endividados

O número de famílias inadimplentes bateu recorde em junho deste ano; 67% estão devendo

19/06/2020 13:48h - Atualizado em 19/06/2020 14:08h

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O percentual de famílias brasileiras que relataram ter dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 67,1% em junho de 2020 em comparação aos 64,0% registrados em junho de 2019. A proporção de endividados em junho é a maior da série histórica do indicador, iniciada em janeiro de 2010. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Leia também: Juros do cheque especial caem e do cartão de crédito sobem 

O cartão de crédito segue, em primeiro lugar, nos principais tipos de dívida por 76,1% dos endividados, ante 76,7% em maio e 78,8% em junho de 2019. Em seguida, estão os carnês, para 17,4%, e, em terceiro, financiamento de veículos, para 11,7%. Enquanto o cartão de crédito tem perdido espaço na composição do endividamento nos últimos meses, outros perfis, como crédito consignado, crédito pessoal, e as modalidades de financiamento têm aumentado a representatividade dentro dos tipos de dívida.

O número de famílias com dívidas ou contas em atraso chegou a 25,4% em junho, atingindo o maior nível desde dezembro de 2017 e registrando crescimento nas bases mensal 0,3% e anual 1,8%. Já o total de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permanecem inadimplentes chegou a 11,6% – patamar mais alto desde novembro de 2012. 

Para as famílias com renda de até dez salários mínimos, o percentual de famílias endividadas cresceu de 67,4% em maio para 68,2% em junho, ante 64,9% observados em junho de 2019. Para as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o percentual de famílias endividadas entre maio e junho diminuiu de 61,3% para 60,7%. Em junho de 2019, a proporção de famílias com dívidas nesse grupo de renda era de 60,1%.

(Foto: reprodução/internet)

As famílias que se declararam muito endividadas aumentou de 16,0% em maio para 16,1% do total de famílias em junho deste ano. Esse foi o maior percentual desde setembro de 2011, quando alcançou 16,3%. Na comparação anual, houve alta de 3,1%. Já o número de famílias que se reportam pouco endividadas aumentou para 26,5% em junho, ante 26,4% em maio, mas havia registrado 27,6% em junho de 2019.

A alta do endividamento indica que as famílias estão demandando mais crédito no sistema bancário, seja para pagar dívidas e despesas correntes, seja para manter algum nível de consumo. As incertezas sobre a recuperação da economia no pós-crise somam-se à proporção elevada de consumidores endividados no País mostra a importante ampliar o acesso ao crédito a custos mais baixos e alongar os prazos de pagamentos das dívidas, para com isso mitigar o risco do crédito no sistema financeiro.

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Por: Isabela Lopes

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