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Notícias Economia

24 de abril de 2019

Março registra queda no número de empregos, revela pesquisa

Março registra queda no número de empregos, revela pesquisa

Foram registradas 1.216.177 admissões e 1.304.373 demissões no mês passado.

O mercado de trabalho formal apresentou, em todo o país, saldo negativo de 43.196 empregos com carteira assinada em março. Segundo dados divulgados hoje (24), em Brasília, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, foram registradas 1.216.177 admissões e 1.304.373 demissões no período.

No mês anterior, o saldo havia ficado positivo, com 173.139 admissões (1.453.284 admissões e 1.280.145 demissões). Com isso, no acumulado do bimestre (fevereiro/março), o saldo ficou em 129.943.

Pesquisa detectou que o comércio foi o setor com maior perda de empregos no país: 28.803 vagas (Foto: Arquivo / Marcelo Camargo / Agência Brasil / EBC)

A maior perda registrada em março foi no setor de comércio, que apresentou uma diminuição de 28.803 vagas, seguido de agropecuária (-9.545), construção civil (-7.781), indústria da transformação (-3.080) e serviços industriais de utilidade pública (-662).

Três setores tiveram resultados positivos: serviços (4.572), administração pública (1.575) e extrativa mineral (528).

Os estados que apresentaram os piores resultados foram Alagoas (-9.636 vagas), São Paulo (-8.007), Rio de Janeiro (-6.986), Pernambuco (-6.286) e Ceará (-4.638).

Os que anotaram saldo positivo foram Minas Gerais (5.163), Goiás (2.712), Bahia (2.569), Rio Grande do Sul (2.439), Mato Grosso do Sul (526), Amazonas (157), Roraima (76) e Amapá (48).

O salário médio das admissões registradas em março ficou em R$ 1.571,58, valor que, se comparado ao mesmo período do ano anterior, representa perda real de R$ 8,10 (-0,51%).

Já o salário médio que era pago no momento da demissão apresenta queda maior, de R$ 29,28 na comparação com março de 2018 – valor que representa perda real de -1,69%.

23 de abril de 2019

Após 18 dias, Petrobras reajusta preço da gasolina em 2%

Após 18 dias, Petrobras reajusta preço da gasolina em 2%

A alta, de R$ 0,0396 por litro, é considerada por importadores insuficiente para cobrir a defasagem de preços.

Dezoito dias após o último reajuste na gasolina, a Petrobras anunciou nesta terça-feira (23) aumento de 2%, em média, no preço do produto em suas refinarias. A alta, de R$ 0,0396 por litro, é considerada por importadores insuficiente para cobrir a defasagem de preços acumulada no período.

Ao contrário do que vinha ocorrendo, a empresa antecipou o aumento a seus clientes na noite de segunda (22), antes de alterar os valores em seu site. Nesta segunda, a estatal mudou o modelo de divulgação do preço dos combustíveis, passando a publicar os valores de cada um dos seus 35 pontos de venda.

No modelo anterior, os reajustes eram publicados no site da companhia entre o fim da manhã e o início da tarde do dia anterior. O site divulgava os preços médios por produto e não a lista de pontos de entrega.

Após a alta desta terça, a gasolina sairá das refinarias da Petrobras ao preço médio de R$ 1,975 por litro, ante os R$ 1,9354 vigentes pelos últimos 18 dias. No segundo semestre de 2018, o então presidente da estatal, Ivan Monteiro, havia estabelecido um período máximo de 15 dias sem reajustes da gasolina.

Para as importadoras de combustíveis, a alta foi pequena e não cobre a defasagem acumulada em um período de alta das cotações internacionais do petróleo -que atingiram na segunda (22) o maior patamar do ano. Segundo a Abicom (associação que representa as empresas do setor), a defasagem na gasolina antes do reajuste variava entre R$ 0,09 e R$ 0,20 por litro, dependendo do ponto de entrega.

A conta considera conceito chamado paridade de importação, que inclui a cotação internacional e os custos para trazer o produto ao país. É o mesmo conceito utilizado pela Petrobras em sua política de preços dos combustíveis anunciada em 2016.

Como a gasolina da Petrobras representa apenas 32% do preço final do produto, o repasse integral giraria em torno de R$ 0,012 por litro.

O preço do diesel foi reajustado em 4,8% na última quarta (17), quase uma semana após recuo em aumento de 5,7% que derrubou as ações da companhia nas bolsas.

O recuo foi decidido após telefonema do presidente Jair Bolsonaro ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, alertando sobre os riscos de greve dos caminhoneiros, levantando críticas sobre interferência do governo na gestão da empresa.

Em entrevista para anunciar o reajuste na quarta, Castello Branco disse que a decisão de suspender o aumento anterior foi interna e que Bolsonaro lhe garantiu independência para definir os preços.

Etanol deve alcançar recorde de produção com 33,58 bi de litros

Etanol deve alcançar recorde de produção com 33,58 bi de litros

Os dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmam o novo recorde de produção de etanol, batendo o índice anterior de 30,5 bilhões, na safra de 2015/2016.

A produção de etanol no Brasil na safra 2018/2019 deve alcançar 33,58 bilhões de litros, um aumento de 23,3% ou 6,3 bilhões de litros em relação à safra 2017/2018. Os dados divulgados hoje (23) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmam o novo recorde de produção de etanol, batendo o índice anterior de 30,5 bilhões, na safra de 2015/2016.

Os dados são do quarto levantamento da safra de cana-de-açúcar 2018/2019 e mostram que, no caso do etanol hidratado, a produção deve ser de 22,99 bilhões de litros, 41,5% ou 6,7 bilhões de litros a mais que o ciclo anterior. Antes, a maior produção de álcool hidratado alcançada havia sido de 19,6 bilhões de litros, na safra 2010/2011.

O levantamento mostra que houve redução no caso do anidro, que é utilizado na mistura com a gasolina. A produção ficou em 10,59 bilhões de litros, 3,7% a menos que no período anterior.

O aumento na produção de etanol nesta safra ocorreu principalmente em função da queda de preços do açúcar no mercado internacional e a um cenário mais favorável para o etanol no mercado interno, frente à alta do dólar e do petróleo, de acordo com a Conab. A junção desses fatores fez com que as unidades de produção aumentassem a destinação de cana-de-açúcar para a produção de etanol.

Cana-de-açúcar

A safra da cana foi de 625,2 milhões de toneladas, apresentando redução de 1,3% em relação à anterior de 633,26 milhões de toneladas. A produção de açúcar atingiu 31,35 milhões de toneladas, um decréscimo de 17,2% ou 6,5 milhões de toneladas, se comparado à safra anterior. A área colhida ficou em 8,59 milhões de hectares, o que representa uma redução de 1,6% se comparada a 2017/2018.

Tereza: carne do Brasil pode ampliar espaço na China

Tereza: carne do Brasil pode ampliar espaço na China

País oriental enfrenta peste suína e deve comprar mais do Brasil

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse hoje (22) que a peste suína na China pode oferecer uma oportunidade para o Brasil ampliar seu mercado de carnes. A China é hoje a maior produtora de carne suína do mundo.

“Hoje, com o problema que vem se agravando lá, vemos grande oportunidade de o Brasil ocupar parte desse espaço”, disse a ministra, que esteve hoje na Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Quanto à soja, a ministra disse que a expectativa é que as exportações para a China sejam menores, por causa dos problemas com a peste suína no país. "Com certeza diminuirão as nossas exportações de soja, mas nós vamos agregar valor. Em vez de vender soja a US$ 500 a tonelada, vamos vender a proteína a US$ 2 mil a tonelada, seja frango, bovino ou suíno." 

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina (Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil)

Tereza Cristina lembrou, no entanto, que o Brasil precisa se manter alerta ao risco de contaminação de seus animais com a peste suína.

No Brasil, a PSA (peste suína africana) foi erradicada em dezembro de 1984, e o país foi declarado área livre da doença. Mesmo assim, no ano passado, o ministério ampliou as medidas de vigilância sanitária para evitar o ingresso do vírus no país. “Hoje a doença está espalhada só na Ásia, mas é muito preocupante." A ministra destacou que é preciso tomar todas as medidas porque o Brasil é grande exportador e precisa estar seguro de que essa peste "não chegue aqui".

Segundo o Ministério da Agricultura, a peste suína africana é uma doença viral e não oferece risco à saúde humana, mas pode dizimar plantéis de suínos, sendo altamente infecciosa, o que exige o sacrifício dos animais, conforme determina a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Inspeção

Tereza Cristina informou que a China deve enviar mais uma missão ao Brasil para inspecionar as unidades produtoras de carnes. No ano passado, chineses já haviam visitado 10 plantas no país.

"Eles pediram para levar os relatórios com as novas perguntas, os novos questionamentos. Então, já estamos mandando para discutir lá com eles a abertura das plantas. Estamos levando as informações de outras plantas. Acreditamos que será marcada uma nova visita ao país para fazer vistoria em outras plantas", acrescentrou a ministra.

Viagem à Ásia

No dia 6 de maio, a ministra da Agricultura viaja para a Ásia. A primeira etapa da viagem será o Japão, onde ela participará da reunião de ministros da Agricultura dos países que integram o G20. Depois, ela irá à China, onde visitará uma feira em Xangai e terá encontro com autoridades chinesas para  discutir a abertura de novas plantas de carne. Na China, a ministra pretende falar também sobre as exportações de soja.

"Nós vamos falar sobre nossos mercados principais, e a soja é um deles, dado que os Estados Unidos estão fechando um acordo no setor agropecuário”, explicou Tereza Cristina. “O Brasil tem de ir lá e dizer: 'Estamos aqui, sempre fomos bons parceiros, entregamos o que nos comprometemos, somos confiáveis'. Não podemos deixar o lugar vazio que alguém vem aqui e senta", afirmou.

Também estão no roteiro da ministra o Vietnã e a Indonésia.

Caminhoneiros

Em São Paulo, a ministra informou ainda que deve se reunir com representantes dos caminhoneiros nesta semana para avaliar a possibilidade de que eles façam fretes para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo Tereza Cristina, os caminhoneiros têm reclamado da falta de cargas e de trabalho porque muitas empresas contrataram frotas próprias.

22 de abril de 2019

Projeção de expansão da economia cai pela 8ª vez

Projeção de expansão da economia cai pela 8ª vez

Para 2020, também houve redução: de 2,58% para 2,50%. Essa foi a quinta redução consecutiva.

Instituições financeiras reduziram pela oitava vez seguida a projeção para o crescimento da economia brasileira este ano.

A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – agora caiu de 1,95% para 1,71% este ano.

Para 2020, também houve redução: de 2,58% para 2,50%. Essa foi a quinta redução consecutiva. As estimativas de crescimento do PIB para 2021 e 2022 permanecem em 2,50%.

Os números constam do boletim Focus, publicação semanal elaborada com base em estimativas de instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos. O boletim é divulgado às segundas-feiras, pelo Banco Central (BC), em Brasília.

Inflação

A estimativa de inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi ajustada de 4,06% para 4,01% este ano. Para 2020, a previsão segue em 4%. Para 2021 e 2022, também não houve alteração: 3,75%.

A meta de inflação deste ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%. A estimativa para 2020 está no centro da meta: 4%. Essa meta tem intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para 2021, o centro da meta é 3,75%, também com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. O CMN ainda não definiu a meta de inflação para 2022.

Taxa Selic

Para controlar a inflação, o BC usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic. Para o mercado financeiro, a Selic deve permanecer no seu mínimo histórico de 6,5% ao ano até o fim de 2019.

Para o fim de 2020, a projeção segue em 7,50% ao ano. Para o fim de 2020 e 2021, a expectativa permanece em 8% ao ano.

A Selic, que serve de referência para os demais juros da economia, é a taxa média cobrada nas negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

A manutenção da Selic este ano, como prevê o mercado financeiro, indica que o Copom considera as alterações anteriores nos juros básicos suficientes para chegar à meta de inflação.

Ao reduzir os juros básicos, a tendência é diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo.

Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de ficar acima da meta de inflação.

Quando o Copom aumenta a Selic, a meta é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Dólar

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar subiu de R$ 3,70 para R$ 3,75 no fim de 2019 e de R$ 3,78 para R$ 3,80 no fim de 2020.

21 de abril de 2019

Nova tabela de frete não afasta inconstitucionalidade, dizem especialistas

Nova tabela de frete não afasta inconstitucionalidade, dizem especialistas

O tabelamento de frete é fruto de uma Medida Provisória encaminhada pelo então presidente Michel Temer em 27 de maio de 2018 – a paralisação dos caminhoneiros perdurou entre 21 e 30 de maio, dia em que a ANTT publicou a tabela.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) colocou em consulta pública uma nova proposta para a elaboração da tabela do frete mínimo, que deve vigorar no próximo semestre deste ano.

A metodologia foi desenvolvida pelo Esalq-Log, grupo de pesquisa em logística agroindustrial da Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).

Além de trazer um cálculo diferente do atual para se chegar aos valores da tabela, o texto amplia as categorias de cargas de cinco para 11, dividindo, por exemplo, a carga a granel em líquida e sólida e criando espaço para as cargas conteinerizadas. 

"É uma tentativa de aperfeiçoar para captar especificidades. A tabela parece feita de maneira mais acurada, a do ano passado foi publicada muito no calor do momento", diz o advogado Mário Saadi, sócio do Tauil Chequer.

O tabelamento de frete é fruto de uma Medida Provisória encaminhada pelo então presidente Michel Temer em 27 de maio de 2018 – a paralisação dos caminhoneiros perdurou entre 21 e 30 de maio, dia em que a ANTT publicou a tabela.

Segundo Saadi, a nova metodologia também tenta atualizar a composição de custos definida pela agência, incluindo, por exemplo, como custo fixo os gastos com seguro veicular. 

Norival de Almeida, vice-presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), questiona, porém, os números usados. 

"Tudo que foi feito tem validade para hoje. Em julho, é outro momento, são números ilustrativos. Essa é a divergência que temos que analisar e levar para as audiências, não para contestar, mas para lembrar de colocarem valores da média real", afirma.

Lucas Sant'Anna, sócio de direito público do Machado Meyer Advogados, aponta que o novo texto avança também ao deixar clara a aplicação da tabela apenas para contratos assinados após a MP entrar em vigor.

"O fato de haver essa precisão é fundamental, porque é direito adquirido. De fato, a tabela proposta é uma evolução grande em termos formais e também por estar em consulta pública. A tabela inicial foi feita em uma canetada", diz Sant'Anna. 

Ele acrescenta, porém, que "qualquer tabelamento é prejudicial do ponto de vista econômico e uma inconstitucionalidade". Saadi lembra que o tema é alvo de questionamentos no STF (Supremo Tribunal Federal).

"Os novos valores propostos de fretes nos parecem tecnicamente corretos e muito difíceis de serem questionados", disse em nota a Cargill, gigante do agronegócio. "Agora é o momento de corrigir todas as falhas da primeira tabela, enquanto o STF avalia sua inconstitucionalidade."

Para Thiago Cardoso, diretor do BCG (Boston Consulting Group), apesar de a metodologia proposta incluir novas categorias e atualizar alguns insumos, não foram feitas mudanças estruturais. 

Em um texto explicativo para a consulta pública, a ANTT diz que chegou a ser avaliada a possibilidade de adoção de tabelas regionais, por exemplo. Com 11 tipos de cargas, sete tipos de eixos e a combinação de cinco regiões, afirma a agência, seriam geradas 1.925 situações possíveis a serem escolhidas para calcular o piso mínimo.

"Várias sugestões foram negadas, sobretudo devido à complexidade que trariam para o mapeamento dos dados corretos e a fiscalização. O que só comprova o que já apontamos em um estudo nosso: querer determinar com uma tabela um preço que está sob influência de dezenas de variáveis é uma tarefa que será ineficaz", diz Cardoso.

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que entrou com ação contra a tabela no STF, mantém sua posição. "Essa tabela proposta tem um método diferente das anteriores, o que dificulta uma comparação. De toda forma, não há que se falar em tabelamento de fretes obrigatórios", afirma Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da comissão nacional de logística e infraestrutura da CNA.

Paulo Camillo Penna, presidente do Snic (Sindicato Nacional da Indústria do Cimento), diz que o setor "não é indiferente e cego à situação do transporte", mas defende que "se é para criar algum parâmetro, que seja uma planilha de referência".

Produção de vinho em MG ganha prestígio no Brasil e no exterior

Produção de vinho em MG ganha prestígio no Brasil e no exterior

Com a tecnologia da dupla poda, os vinhos têm se destacado no circuito gastronômico e em concursos nacionais e internacionais.

Com a 7ª produção nacional, Minas Gerais começa a despontar no Brasil e no exterior como o mais novo terroir para a produção de vinhos finos, principalmente com as uvas syrah (tinto) e sauvignon blanc (branco).

A técnica consiste na inversão do ciclo da videira, alterando para o inverno o período de colheita das uvas destinadas à produção de vinhos finos. São aplicadas duas podas, uma para a formação de ramos, em setembro, e de produção, em janeiro e fevereiro.

Com a tecnologia da dupla poda, desenvolvida no Núcleo Tecnológico Uva e Vinho da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), os vinhos têm se destacado no circuito gastronômico e em concursos nacionais e internacionais.

Os primeiros vinhos com a técnica foram colocados à venda em 2013. De lá para cá, vêm ganhando rapidamente notoriedade e espaço no mercado.

"Alguns dos rótulos que já degustamos nos mostram vinhos com perfil de boa concentração de aromas, intensos, muito encorpados, com bom potencial alcoólico e equilibrados", afirma o enólogo Daniel Salvador, presidente da Abe (Associação Brasileira de Enologia).

Na safra de 2018 foram produzidas 500 mil garrafas (de 750 ml) de vinho com a técnica da dupla poda. Nos próximos dois anos (safra 2019/2020), a previsão é dobrar esse volume e atingir a marca de um milhão de garrafas de vinhos de uvas colhidas no inverno. Isso porque os vinhedos foram produzidos nos últimos anos e ainda se encontram em formação.

O êxito da dupla poda, desenvolvida pelo engenheiro-agrônomo Murillo Albuquerque Regina, PhD em vitivinicultura e enologia pela Universidade Bordeaux, na França, deve-se ao fato de as uvas colhidas no inverno apresentarem mais aroma e maior concentração de açúcares e polifenóis, o que contribui para o aumento da qualidade da bebida.

A prática está sendo difundida principalmente no sul mineiro, em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de Goiás e da chapada Diamantina, na Bahia.

"O diferencial qualitativo dos vinhos de dupla poda é que a época de maturação e colheita da uva coincide com o período de dias ensolaradas e noites frescas, aliados à ausência de chuva", afirma Murillo Albuquerque Regina.

Esta condição climática faz com que as uvas alcancem um ótimo estágio de maturação, originando vinhos com equilíbrio entre álcool, acidez e estrutura dos taninos.

A parreira experimental da dupla poda foi implantada em 2003 na mineira Três Corações, na fazenda Maria da Fé, onde é produzido o vinho syrah Primeira Estrada.

Passada a fase de testes, o Primeira Estrada venceu a Grande Prova de Vinhos do Brasil em 2016. Para aprimorar a tecnologia, Marcos Arruda Vieira Botelho, dono da fazenda, contou com a ajuda da Epamig e de dois sócios franceses, que moram no interior da França e produzem mudas e vinho para o mundo inteiro.

O engenheiro-agrônomo Eduardo Junqueira Nogueira Júnior, produtor do Maria Maria na fazenda Capetinga, em Boa Esperança, conta que a primeira safra foi produzida em 2013 e enviada para participar de concurso em 2015. Ele saiu vencedor. Na fazenda as variedades plantadas são sirah, cabernet sauvign, sauviogn blanc, e chardonay.

Em Cordislândia, a família Porto iniciou, em 2004, o cultivo de videiras e trabalha com duas linhas: a Dom de Minas, que não passa pelo envelhecimento em madeira e a Gran Reserva, que tem amadurecimento em barricas de carvalho, produzidos pela vinícola Luiz Porto Vinhos Finos. O vinho Luiz Porto Syrah conquistou a medalha de bronze conquistada em 2018 no International Wine Challenge.

Técnica da dupla poda

Vinhos fabricados: os principais são o Syrah (tinto) e Sauvignon Blanc (branco). Estão sendo desenvolvidos em menor escala Chardonay, Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Pinot Noir.

Área plantada: atualmente existem 120 hectares em produção e 150 hectares em formação. Em 2019 mais 50 hectares deverão ser implantados.

Produção: cerca de 500 mil garrafas na safra 2018. A previsão da Epamig é de chegar a 1 milhão de garrafas nos próximos dois anos (safra 2019/2020) e 2 milhões de garrafas nos próximos cinco anos.

Marcas premiadas:

MG: Maria, Maria, Luiz Porto (Cordislândia), Primeira Estrada (Três Corações), Casa Geraldo (Andradas)

SP: Casa Verrone (São José do Rio Pardo), Guaspari (Espirito Santo do Pinhal).

Onde pode ser aplicada:

É indicada paras as regiões Sudeste, Centro-Oeste e nas regiões de altitude do Nordeste, como a Chapada da Diamantina na BA. No Sul ela não se aplica, devido às baixas temperaturas do inverno, e também pela distribuição regular das chuvas ao longo do ano. No semiárido nordestino ela pode ser aplicada, mas as altas temperaturas durante o ano todo afeta negativamente a qualidade da uva.

20 de abril de 2019

Participação do Brasil na economia global cai ao menor nível em 38 anos

Participação do Brasil na economia global cai ao menor nível em 38 anos

A fatia do país na produção de bens e serviços do mundo, que era de 4,4% em 1980

Dados recém divulgados pelo FMI Fundo Monetário Internacional) mostram que o Brasil completou, em 2018, o sétimo ano consecutivo de perda de participação na economia global. A fatia do país na produção de bens e serviços do mundo, que era de 4,4% em 1980, chegou, entre altos e baixos, a 3,1% em 2011 e, desde então, caiu sem parar, atingindo 2,5% no ano passado, o nível mais baixo ao longo das quase quatro décadas na série histórica que mostra as trocas realizadas entre Brasil e o resto do mundo.

Os dados se referem à participação no PIB (Produto Interno Bruto) global em dólares ajustados pela paridade do poder de compra (PPC), que reflete as diferenças de custo de vida entre os países. Por essa medida, que é mais estável, o Brasil perdeu, no ano passado, o posto de sétima maior economia do mundo, que detinha desde 2005, para a Indonésia, caindo para o oitavo lugar.
No ranking feito a partir da conversão simples do PIB em dólares, que é mais volátil, a posição brasileira sempre variou bastante e, em 2018, o país voltou a recuar também da sétima para a oitava posição, ultrapassado pela Itália. Segundo as projeções do Fundo, a tendência de perda de espaço do Brasil se manterá pelo menos até 2024, quando a parcela do país na economia global, pelas projeções realizadas na instituição, recuará para 2,3% (em PPC).
Esse padrão histórico de encolhimento não é uma exclusividade brasileira. Desde 1980, quase todos os gigantes econômicos cederam espaço para a China passar, movida por suas taxas de crescimento que chegavam a dois dígitos. A exceção foi a Índia, que também se expandiu a um ritmo acelerado em todo o período.
Mas outras comparações –como a análise da trajetória de países emergentes na década atual– evidenciam a deterioração brasileira no contexto global tem características peculiares e bem particulares. Desde 2010, a perda de 0,64 ponto percentual de participação do país no PIB mundial só foi inferior aos recuos registrados por Estados Unidos e Japão, que, na esteira da crise financeira de 2008, cresceram, em média, muito abaixo da taxa global.
Os dois são, porém, economias avançadas, com patamar já elevado de renda per capita, em que a estabilidade do progresso em indicadores sociais, como o nível de pobreza, é menos sujeita às oscilações de diferentes ciclo econômico. Muitas das nações em desenvolvimento, que dependem de taxas razoáveis de crescimento para melhorar o padrão de vida de suas populações, têm apresentado desempenho superior ao brasileiro.
Nos últimos oito anos, vizinhos latino-americanos como Colômbia, Peru, Chile, Uruguai e Paraguai conseguiram, pelo menos, manter suas fatias do PIB mundial (em PPC). Outros emergentes como Indonésia, Turquia, Filipinas, Vietnã e Malásia aumentaram suas participações no período.
"Eu não me preocuparia com a perda de participação do Brasil na economia global se estivéssemos crescendo", diz o economista Alexandre Cunha, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). "O problema é que não estamos e esse recuo relativo a outros países também se manifesta em outros indicadores", afirma o pesquisador.
Ele ressalta que a renda per capita brasileira como percentual da norte-americana –medida muito usada para analisar se um país está se desenvolvendo– nunca retornou ao nível de quatro décadas atrás. Em 1980, o rendimento médio do brasileiro (em PPC) equivalia a 39% do americano. Em 2018, esse percentual era 25,8%. Nações como Chile, Taiwan e Coreia seguiram a trajetória inversa no período –os dois últimos passaram, inclusive, a ser considerados países desenvolvidos.
Segundo Cunha, embora nenhum economista detenha uma receita mágica para o crescimento econômico sustentado no longo prazo, há grande convergência entre acadêmicos das principais universidades do mundo sobre a importância da estabilidade fiscal nesse processo. "Não existe na história registro de algum país que tenha conseguido crescer por 20, 30 anos estando quebrado", diz o pesquisador.
Por isso, para ele, é crucial aprovar a reforma da Previdência e avançar em medidas para reequilibrar as contas públicas deficitárias do Brasil. Outros passos, diz Cunha, são a estabilidade democrática e das leis. "Acho que houve um retrocesso nesses aspectos no Brasil. Nosso Congresso, por exemplo, não tem iniciativa de apresentar propostas relevantes para o país e nem fiscaliza o executivo como deveria", afirma o professor.
O economista Jorge Arbache, vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina, diz que a região se tornou mais dependente da exportação de commodities nos últimos anos e que isso freia seu desenvolvimento em relação a outras partes do mundo, como a Ásia."Não é que as commodities não sejam importantes. Elas são muito. Mas estamos vivendo a era da economia do intangível, em que os serviços sofisticados ganham espaço até na produção de manufaturas como automóveis", diz.
Segundo Arbache, há avanços tecnológicos recentes na economia digital que ainda nem são mensurados nas contas nacionais e, se fossem, revelariam, provavelmente, um retrocesso ainda maior do Brasil no contexto global. "Precisamos avançar na economia digital para voltar a crescer e ganhar espaço", diz o economista.
Para isso, ressalta Arbache, além do foco em agendas como a estabilidade fiscal e a de melhoria do ambiente de negócios para as empresas, é necessário avançar em inovação e aumentar a participação do Brasil nas cadeias globais de comércio.